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	<title>Missão Reformada</title>
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	<description>Sempre Reformando</description>
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		<title>Não era pra ser assim!</title>
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		<pubDate>Mon, 22 Feb 2010 20:43:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anderson Queiroz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Depravação Total]]></category>
		<category><![CDATA[Cinco Pontos do Calvinismo]]></category>

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		<description><![CDATA[O mundo em que vivemos por mais natural que possa parecer, não é o mundo que “deveria” ser. Não quero dizer com isto que algum dos planos de Deus foi anulado ou mudado, mas que quando o Deus criador afirmou que tudo o que fizera era bom, não estava se referindo ao mundo que vivemos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O mundo em que vivemos por mais natural que possa parecer, não é o mundo que “deveria” ser. Não quero dizer com isto que algum dos planos<a href="http://www.missaoreformada.com/portal/wp-content/uploads/2010/02/rebeliao.png"><img class="alignright size-medium wp-image-359" title="rebeliao" src="http://www.missaoreformada.com/portal/wp-content/uploads/2010/02/rebeliao-300x202.png" alt="" width="300" height="202" /></a> de Deus foi anulado ou mudado, mas que quando o Deus criador afirmou que tudo o que fizera era bom, não estava se referindo ao mundo que vivemos atualmente. Este não é o mundo elaborado por Deus, na verdade, é um mundo muito diferente daquilo que nós mesmos poderíamos chamar de bom, quanto mais Deus. Há quem diga que já vivemos no próprio inferno, obviamente se tais pessoas lessem um pouco mais da Bíblia descobririam que estamos num grande paraíso comparado com o que está reservado para satanás e seus anjos, por outro lado, também estamos muito distante daquilo que um dia foi chamado de <em>Jardim dos Prazeres</em>. Mas o que aconteceu!? O que tornou o <em>Jardim dos prazeres </em>no <em>Inferno</em> dos ignorantes Bíblicos?<em> </em> Quando foi que as coisas começaram a piorar tanto? E principalmente, quem é o culpado te toda esta confusão (para que eu possa dar um bom corretivo nele)?</p>
<p>A história começa com a trindade santa criando todas as coisas pelo poder do verbo. Tudo até então era <em>sem forma e vazio</em> e Deus foi agindo e preenchendo todas as coisas e trazendo forma, cor e melodia a tudo que surgia <em>ex nihilo</em>. A esta maravilhosa criação Deus deu o adjetivo <em>tov</em>, que significa bom, mas é claro que este bom, não é tão simples como pensamos em português. <em>Tov</em> é o estado das coisas na sua forma mais perfeita, na forma que em foram criadas, na forma como Deus planejou. Os profetas também usaram um substantivo para designar este estado de perfeição, uma palavra de certa forma comum em nossos dias, e que por conta disto perdeu um pouco do seu brilho, mas que em tempos proféticos era usada para designar o estado desejado de bonança e paz. Refiro-me a palavra <em>Shalom</em>, que normalmente se traduz como paz, mas que tem significado muito mais imponente e desafiador. Podemos encontrar na Bíblia Hebraica pelo menos 267 vezes esta palavra sendo usada. Um texto muito conhecido e que nos parece exprimir bem a ideia de <em>Shalom</em> para Israel é Is 9:6-7:</p>
<p><em>Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz; para que se aumente o seu governo, e venha paz sem fim sobre o trono de Davi e sobre o seu reino, para o estabelecer e o firmar mediante o juízo e a justiça, desde agora e para sempre. O zelo do SENHOR dos Exércitos fará isto.</em><em> </em></p>
<p>A paz sem fim estabelecida mediante o juízo e a justiça. “A essa teia que ajunta Deus, homens e toda a criação em justiça e gozo, é que os profetas hebreus chamam de <em>Shalom</em>, (&#8230;) um rico estado de coisas no qual necessidade naturais são satisfeitas e dons naturais frutiferamente empregados, um estado de coisas que inspira agradável surpresa à medida que seu Criador e Salvador abre as portas e recebe a criatura em que se deleita. <em>Shalom</em>, em outras palavras, é como as coisas deviam ser.”<a name="126f609d45bf5491__ftnref1">[1]</a> Mas a história continua e o <em>Shalom</em> foi incomodado pela criatura mais extraordinária e perfeita da criação: O homem. Este ser criado para adorar e satisfazer-se em Deus, para quem foi dado o Jardim do Éden, para quem foi dada toda a criação afim de que cuidasse e aproveitasse dela, este ser desprezou completamente a Deus, perturbou o <em>Shalom</em> e fez com que as coisas que deveriam ser agora não fossem mais, em outras palavras, entrou o pecado no mundo. Nesta definição Pecado é tudo aquilo que se opõe ao <em>Shalom</em> de Deus, é tudo o que afronta e ataca a justiça, paz e gozo do Criador. E por fim ataca todo o resto da criação moldando cada centímetro da criação para um fim que não fora criado. Para fazer um exercício mental, permita-me refletir sobre como as coisas deveriam ser num estado <em>Shalômico</em>: “a constituição e as relações internas de um grande número de entidades – Santa Trindade, o mundo físico em sua plenitude, a raça humana, comunidades dentro dessa raça (como o antigo povo de Israel, a igreja do Novo Testamento, a Associação Brasileira de Músicos), famílias, casais casados, grupos de amigos, e seres humanos como indivíduos. Num estado <em>Shalômico</em> cada entidade teria sua própria integridade ou totalidade estrutural. O clube de veículos Off Road, por exemplo, deveria relacionar-se com os córregos nas florestas colocando-os fora de seus limites a fim de preservar sua saúde ecológica.”<a name="126f609d45bf5491__ftnref2">[2]</a> “Quem sabe no mundo como deveria ser” não precisaríamos falar “minha igreja” ou mesmo usar a palavra igreja no plural, pois todos faríamos parte de uma única e mesma Igreja. Neste mundo bucólico para os mais árcades, e com prédios “arranha-céu” para os pós-modernos, todo o prazer e alegria seriam estabelecidos e permitidos, a presença viva de Deus seria a garantia da satisfação, e o homem jamais se encontraria numa busca incansável por respostas, pois o <em>Ser que não se move</em> a todos dá com alegria sabedoria. Olhando desta maneira percebemos que realmente perdemos muito com a tão falada <em>queda do homem</em>, e a partir do que foi perdido podemos começar a imaginar o que é PECADO. Para entendermos o que aconteceu precisamos voltar ao agora sonhado <em>jardim do éden</em> e descobrir com nossos próprios olhos o que aconteceu no coração do homem para largar tudo o que Deus havia pactuado com ele.</p>
<p><strong>Gênesis 2:25 &#8211; 3:7</strong> <em>Ora, um e outro, o homem e sua mulher, estavam nus e não se envergonhavam.  Mas a serpente, mais sagaz que todos os animais selváticos que o SENHOR Deus tinha feito, disse à mulher: É assim que Deus disse: Não comereis de toda árvore do jardim? Respondeu-lhe a mulher: Do fruto das árvores do jardim podemos comer, mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: Dele não comereis, nem tocareis nele, para que não morrais. Então, a serpente disse à mulher: É certo que não morrereis. Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se vos abrirão os olhos e, como Deus, sereis conhecedores do bem e do mal. Vendo a mulher que a árvore era boa para se comer, agradável aos olhos e árvore desejável para dar entendimento, tomou-lhe do fruto e comeu e deu também ao marido, e ele comeu. Abriram-se, então, os olhos de ambos; e, percebendo que estavam nus, coseram folhas de figueira e fizeram cintas para si.</em></p>
<p>“A Queda envolveu mudanças radicais nas quatro áreas que definem qualquer cosmovisão: conhecimento (epistemologia), existência (ontologia), ação (ética), e alvo do universo (teleologia). Isso quer dizer, com a chegada da palavra da serpente, Adão e Eva enfrentaram dois universos diferentes e contraditórios.”<a name="126f609d45bf5491__ftnref3">[3]</a></p>
<p><em>Tabela de Cosmovisões.<a name="126f609d45bf5491__ftnref4"><strong>[4]</strong></a></em></p>
<table border="1" cellspacing="0" cellpadding="0">
<tbody>
<tr>
<td width="288" valign="top"><strong>Cosmovisão divina</strong></td>
<td width="288" valign="top"><strong>Cosmovisão satânica</strong></td>
</tr>
<tr>
<td width="288" valign="top">Como Criador, Deus   controla e interpreta o universo.  A   interpretação certa do mundo está na Sua Palavra (Pv. 1:7; 9:10; 15:33).</td>
<td width="288" valign="top">“É assim que Deus disse?”   (v. 1) A clareza da revelação de Deus é questionada, implicando que Deus não   é capaz de se revelar. A interpretação de Deus é somente uma possibilidade,   ou hipótese, para ser verificada mediante um critério fora dEle.  Os princípios para a interpretação do   universo existem no mundo independentemente de Deus.</td>
</tr>
<tr>
<td width="288" valign="top">Como Criador, Deus,   necessariamente, é capaz de dar uma revelação bastante CLARA para ser   entendido, SUFICIENTE para cumprir os fins dEle e providenciar as   necessidades do homem, e INERRANTE (Sl. 19, 119; Pv. 30:5; 2Tm. 3:16-7) O ser   humano depende de “toda palavra que sai da boca de Deus.” (Mt. 4:4) para a   interpretação correta do mundo.</td>
<td width="288" valign="top">“&#8230;nem nele tocareis&#8230;”   (v. 3) Deus não falou que eles não poderiam tocar no fruto ou na árvore. Eva   negou a CLAREZA da Palavra de Deus através da sua interpretação que mudou a   Palavra. Ela negou a SUFICIÊNCIA da Palavra acrescentando um outro   requerimento. A mudança da Palavra por Eva constituiu uma negação da   INERRÂNCIA da Palavra de Deus. Sem uma interpretação inerrante de Deus, a   interpretação do ser humano é o ponto de referência final para conhecer a   verdade (autonomia epistemológica).</td>
</tr>
<tr>
<td width="288" valign="top">Deus conhece e determina   o curso da história (Is. 41:21-29; Pv. 21:1). Ele fez o mundo de tal maneira   que os pecadores morrem (Rm. 3:23). Nada acontece por acaso e o futuro do ser   humano depende da vontade de Deus (Pv. 16:33; At 17:26; Rm. 9:20-21).</td>
<td width="288" valign="top">“Certamente não   morrereis”. (v. 4) Uma negação total da Palavra de Deus segue naturalmente os   pressupostos anteriores. Deus não controla o universo e Ele não “faz todas as   coisas segundo o conselho da sua vontade.” (Ef. 1:11). O pecador não vai   morrer, porque o futuro é possibilidade pura e indeterminada. O futuro é   criado através do soberano livre-arbítrio do ser humano (autonomia metafísica   ou ontológica). O princípio último que determina o futuro é o acaso.</td>
</tr>
<tr>
<td width="288" valign="top">Deus é amor (1Jo 4:8) e   providencia tudo de que os seus filhos precisam (Mt. 6:25-34).</td>
<td width="288" valign="top">“Porque Deus sabe que&#8230;”   (v. 5). O Deus da Bíblia não é um Deus bondoso mas Ele é um tirano que não   quer compartilhar coisas boas com o homem.</td>
</tr>
<tr>
<td width="288" valign="top">O conhecimento de Deus   vem através da Palavra de Deus e de um relacionamento pessoal com Ele. A   mente nunca é desvalorizada, mas tem que ser renovada mediante a Palavra (Rm   12:1-2). É proibido se envolver com o ocultismo, seja ele do tipo que for   (Dt. 18:9-14).</td>
<td width="288" valign="top">“vossos olhos se   abrirão&#8230;” (v. 5). O conhecimento secreto e oculto é a chave para a vida   plena. Portanto, o progresso espiritual é conseguido através do misticismo,   da feitiçaria, de organizações ocultas e secretas, e até pela orientação de   espíritos.</td>
</tr>
<tr>
<td width="288" valign="top">Só há um Deus e jamais   haverá outro (Is. 43:10). Deus é imutável (Tg. 1:17). O fim do homem é   conhecer, glorificar, e servir ao único Deus. A salvação é viver com Ele para   sempre (1Tss. 4:17; Ap 22:1-5)</td>
<td width="288" valign="top">“&#8230;sereis como Deus&#8230;”   (v. 5). O fim último da vida é se tornar um deus. Não há distinção entre o   Criador e a criatura. O alvo da vida humana é promover ou descobrir sua   própria divindade. Deus (o cosmos, etc.) também está evoluindo, crescendo e   aprendendo mais e mais. Salvação quer dizer subir na escala da existência   (autonomia teleológica).</td>
</tr>
<tr>
<td width="288" valign="top">Deus é o sumo bem e a Palavra de Deus é a fonte do conhecimento do bem   e do mal. A lei de Deus é o padrão absoluto (Êx. 20:1-17).</td>
<td width="288" valign="top">“&#8230;conhecendo o bem e o   mal.” (v. 5). O homem determina o bem e o mal. Não há uma lei moral absoluta   que exista fora da mente do ser humano. Toda ética é relativa (autonomia   ética).</td>
</tr>
<tr>
<td width="288" valign="top">Deus deu a Adão e Eva o   imperativo cultural. Gn. 1:28-30 &#8211; O imperativo cultural é o mandamento de   Deus dado ao homem para dominar e sujeitar a terra e os animais. A motivação   de ação do homem era desenvolver o reino de Deus na terra como representante   de Deus. Adão e Eva eram responsáveis em funcionar como intérpretes do mundo   (profetas), em se relacionar pessoalmente com Deus (sacerdotes), e em reinar   sobre o mundo (reis).</td>
<td width="288" valign="top">“&#8230;boa para se comer, e   agradável aos olhos, e&#8230; desejável para dar entendimento &#8230;” (v. 6). A   motivação da ação (ética) tornou-se “&#8230;a concupiscência da carne, a   concupiscência dos olhos e a soberba da vida.” (1João 2:16). Daí para frente   o homem viveria para buscar seu próprio prazer.</td>
</tr>
<tr>
<td width="288" valign="top">O pecador se sente   culpado porque ele é culpável objetivamente. O homem perdeu os papéis de   profeta, sacerdote e rei. O pressuposto de autonomia significa que a sua   interpretação do mundo seria errada, o seu relacionamento com Deus seria   rompido, e a terra seria maldita e que ela resistiria ao domínio do homem. O   homem não pode cobrir o pecado dele. Somente Deus pode fazer isso, através do   derramamento do sangue de um substituto (Gn 3:21). Deus prometeu um Salvador   que resgataria o homem (Gn 3:15)</td>
<td width="288" valign="top">“&#8230;e conheceram que   estavam nus; pelo que coseram folhas de figueira, e fizeram para si   aventais.” Com a autonomia, veio um sentido de ansiedade, rompimento com Deus   e falta de paz. A salvação é conseguida por meio de obras humanas (Gn. 3:7).   Iniciou-se a tendência de se fugir da responsabilidade de suas próprias   ações, culpando-se os outros (Gn. 3:12-13).</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Os olhos humanos foram tentados e a cobiça por independência de Deus, a “certeza” de impunidade mediante a desobediência, tornaram atrativas as mentiras de Satã. A infidelidade e o orgulho encheram o coração do homem, que desejou ser ele próprio o centro de todas as coisas. Acreditava que por si só poderia manter o <em>Shalom</em> de Deus, e assim, zombou do criador, preferindo a cosmovisão satânica. “Portanto, arrebatado pelas blasfêmias do Diabo, <em>Adão </em>aniquilou, quanto estava a seu alcance, toda a glória de Deus.”<a name="126f609d45bf5491__ftnref5">[5]</a></p>
<p>Ronaldo Barboza de Vasconcelos.</p>
<div>
<hr size="1" />
<div>
<p><a name="126f609d45bf5491__ftn1">[1]</a> PLANTINGA, Cornelius, Jr. <strong>Não era para ser assim: Um resumo da dinâmica e natureza do pecado</strong>. Trad: Wadislau Martins Gomes. São Paulo: Cultura Cristã, 1998. Pag. 23-24.</p>
</div>
<div>
<p><a name="126f609d45bf5491__ftn2">[2]</a> Ibid.</p>
</div>
<div>
<p><a name="126f609d45bf5491__ftn3">[3]</a> FERREIRA, Franklin, MYATT, Alan. <strong>Teologia Sistemática</strong>. São Paulo: Vida Nova, 2002.</p>
</div>
<div>
<p><a name="126f609d45bf5491__ftn4">[4]</a> Ibid.</p>
</div>
<div>
<p><a name="126f609d45bf5491__ftn5">[5]</a> CALVINO, João. <strong>Institutas da Religião Cristã ou Tratado da Religião Cristã. </strong>Vol. 2. Edição Clássica. Trad. Dr. Waldyr Carvalho Luz São Paulo: Cultura Cristã, 1985.</p>
</div>
</div>
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		<title>Símbolos de Fé</title>
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		<pubDate>Sun, 21 Feb 2010 16:04:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anderson Queiroz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Símbolos de Fé]]></category>

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		<description><![CDATA[Estes são simbolos da cristandade
A igreja a que o texto se refere é a 1 Igreja Presbiteriana de Belo Horizonte
 Símbolos da Fé



  
   
 
 ETERNIDADE
Cremos que  						Deus existe de eternidade a eternidade, Ele é o único  						ser auto-existente e nós, suas criaturas, somos seres  						dependentes dEle.


 

 [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Estes são simbolos da cristandade<br />
A igreja a que o texto se refere é a 1 Igreja Presbiteriana de Belo Horizonte</strong></p>
<p><strong> <span style="font-family: Verdana; color: #000080; font-size: x-small;"><span style="color: #000080;">Símbolos</span><a> da Fé</a></span></strong></p>
<table style="height: 3828px;" border="0" width="609">
<tbody>
<tr>
<td width="37%" height="13"><span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"> <img src="http://www.primeiraipbh.org.br/simbolos/eternidade.jpg" border="0" alt="" width="162" height="164" align="right" /> </span></td>
<td width="5%" height="13"><span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"><em> </em> <em> </em></span></p>
<p><span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"> </span></td>
<td width="55%" height="13"><strong> <span style="font-family: Verdana; color: #000080;">ETERNIDADE</span></strong></p>
<p><span style="font-family: Verdana; color: #000080; font-size: x-small;">Cremos que  						Deus existe de eternidade a eternidade, Ele é o único  						ser auto-existente e nós, suas criaturas, somos seres  						dependentes dEle.</span></td>
</tr>
<tr>
<td width="37%" height="201" valign="center"><span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"> <img src="http://www.primeiraipbh.org.br/simbolos/onipresenca.jpg" border="0" alt="" width="163" height="166" align="right" /></span></td>
<td width="5%" height="201" valign="center"></td>
<td width="55%" height="201"><strong><span style="font-family: Verdana; color: #000080;"> ONIPRESENÇA</span></strong></p>
<p><span style="font-family: Verdana; color: #000080; font-size: x-small;">Cremos que  						Deus está presente em todas as partes, mas há uma  						distinção clara entre o Criador e toda a coisa criada.  						Não adoramos a criação, mas adoramos o Criador que  						sustenta toda a criação com sua presença, existindo,  						contudo, independente dela. Deus não depende da criação,  						a criação depende de Deus.</span></td>
</tr>
<tr>
<td width="37%" height="230"><span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"> <img src="http://www.primeiraipbh.org.br/simbolos/imortalidade.jpg" border="0" alt="" width="79" height="240" align="right" /> </span></td>
<td width="5%" height="230" valign="top"></td>
<td width="55%" height="230"><strong><span style="font-family: Verdana; color: #000080;"> IMORTALIDADE</span></strong></p>
<p><span style="font-family: Verdana; color: #000080; font-size: x-small;">Cremos que  						somente Deus possui imortalidade. Ao nosso redor, tudo  						murcha, tudo seca e, por fim, morre. Tudo passa, até nós  						passamos. Mas Deus não murcha, não seca, não morre! Deus  						jamais passará. Cremos também que a todos aqueles que  						receberam a Cristo, Deus deu-lhes vida imperecível,  						resgatando-os de seu estado de pecado e morte.</span></td>
</tr>
<tr>
<td width="37%" height="196"><span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"> <img src="http://www.primeiraipbh.org.br/simbolos/revela.jpg" border="0" alt="" width="167" height="164" align="right" /></span></td>
<td width="5%" height="196" valign="top"></td>
<td width="55%" height="196"><strong><span style="font-family: Verdana; color: #000080;"> REVELAÇÃO</span></strong></p>
<p><span style="font-family: Verdana; color: #000080; font-size: x-small;">Cremos que  						Deus ama dar-Se a conhecer, porque Ele é luz, Ele não  						vive nas trevas, na sombra, não! O próprio céu manifesta  						a Deus. &#8220;&#8230;o firmamento anuncia as obras de suas mãos&#8221;.  						Em outras palavras, o Deus vivo e verdadeiro é  						comunicativo. Ele dá a conhecer os Seus planos e  						propósitos em Sua Palavra, as Escrituras Sagradas do  						Antigo e do Novo Testamentos.</span></td>
</tr>
<tr>
<td width="37%" height="196"><span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"> <img src="http://www.primeiraipbh.org.br/simbolos/trindade.jpg" border="0" alt="" width="162" height="165" align="right" /></span></p>
<p><span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"> </span></td>
<td width="5%" height="196" valign="top"></td>
<td width="55%" height="196"><strong><span style="font-family: Verdana; color: #000080;"> TRINDADE</span></strong></p>
<p><span style="font-family: Verdana; color: #000080; font-size: x-small;">A forma  						última de existência é uma manifestação final de  						comunhão de amor. Tal como a Bíblia nos ensina, Deus  						subsiste em Trindade, numa comunhão de amor perfeito  						entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo.</span></td>
</tr>
<tr>
<td width="37%" height="196"><span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"> <img src="http://www.primeiraipbh.org.br/simbolos/natividade.jpg" border="0" alt="" width="81" height="239" align="right" /></span></td>
<td width="5%" height="196" valign="top"></td>
<td width="55%" height="196"><span style="color: #000080;"><strong><span style="font-family: Verdana;">NATIVIDADE</span></strong><span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"> </span></span></p>
<p><span style="font-family: Verdana; color: #000080; font-size: x-small;">Este  						amor perfeito Deus foi manifesto aos homens, em carne,  						na pessoa de Seu Filho Jesus Cristo, que nasceu da  						virgem Maria, concebido de forma sobrenatural pelo  						Espírito Santo, fazendo-se um de nós para levar sobre  						Si, na Cruz do Calvário, os nossos pecados, nossa culpa  						e pagar a nossa dívida diante de Deus o Seu Pai. Porque  						Deus amou o mundo de tal maneira, Ele deu Seu Filho  						Unigênito.</span></td>
</tr>
<tr>
<td width="37%" height="196"><span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"> <img src="http://www.primeiraipbh.org.br/simbolos/oniciencia.jpg" border="0" alt="" width="167" height="166" align="right" /></span></td>
<td width="5%" height="196" valign="top"></td>
<td width="55%" height="196"><strong><span style="font-family: Verdana; color: #000080;"> ONISCIÊNCIA</span></strong></p>
<p><span style="font-family: Verdana; color: #000080; font-size: x-small;">Cremos que  						o Deus que tudo sabe, conhece as nossas dores e  						misérias, sabe tudo de maneira completa, não como um  						mero espectador dos acontecimentos. O Deus que tudo vê,  						em Sua Providência, governa cada molécula e determina  						que uma pequena folha, ou um fio de cabelo de nossa  						cabeça, caia ou não. Esta convicção de que Deus tudo  						sabe é para os incrédulos aterrorizante porque o  						criminoso não está oculto aos olhos de Deus. Saber isto  						para o crente em Cristo, no entanto, é preciosamente  						confortador, porque apesar de Deus conhecer cada um dos  						nossos passos, saber de todos os nossos pensamentos,  						Ele, ainda assim, decidiu amar aqueles para quem enviou  						o Seu Filho para morrer pelos pecados deles.</span></td>
</tr>
<tr>
<td width="37%" height="196"><span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"> <img src="http://www.primeiraipbh.org.br/simbolos/triuno.jpg" border="0" alt="" width="168" height="165" align="right" /></span></td>
<td width="5%" height="196" valign="top"></td>
<td width="55%" height="196"><strong><span style="font-family: Verdana; color: #000080;"> DEUS TRIÚNO</span></strong></p>
<p><span style="font-family: Verdana; color: #000080; font-size: x-small;">O Deus  						único que adoramos não é três deuses. Adoramos a um Deus  						que é três em pessoa, mas que é uno em essência, um  						único ser. Este mistério da Triunidade de Deus é algo  						que escapa à nossa compreensão, contudo não é uma  						contradição lógica, e nem produto da invencionice  						humana. É assim que a Bíblia nos ensina.</span></td>
</tr>
<tr>
<td width="37%" height="196"><span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"> <img src="http://www.primeiraipbh.org.br/simbolos/redencao.jpg" border="0" alt="" width="160" height="164" align="right" /></span></td>
<td width="5%" height="196" valign="top"></td>
<td width="55%" height="196"><span style="color: #000080;"><strong><span style="font-family: Verdana;">REDENÇÃO</span></strong><span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"> </span></span></p>
<p><span style="font-family: Verdana; color: #000080; font-size: x-small;">O Deus  						vivo e verdadeiro, eterno, imortal e triúno, enviou o  						Seu Filho Jesus Cristo, para prover grande Redenção,  						permanecendo justo e justificador. O fato é: como Deus  						poderia justificar aos injustos, pecadores, aqueles que  						infringiram a sua justa lei? Se Deus é justo teria Ele  						que punir os injustos. Se Ele justifica injustos não  						seria justo. Contudo, na cruz, Deus puniu o pecado  						reivindicando Sua justiça e ao mesmo justificando o  						pecador, perdoando sem ser conivente, pois é Jesus  						Cristo a nossa redenção. nEle está a justiça dos  						injustos, a tal ponto que aqueles que estão em Cristo  						são nova criação.</span></td>
</tr>
<tr>
<td width="37%" height="196"><span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"> <img src="http://www.primeiraipbh.org.br/simbolos/fe.jpg" border="0" alt="" width="77" height="241" align="right" /></span></td>
<td width="5%" height="196" valign="top"></td>
<td width="55%" height="196"><strong><span style="font-family: Verdana; color: #000080;"> FÉ E ESPERANÇA</span></strong></p>
<p><span style="font-family: Verdana; color: #000080; font-size: x-small;">Duas das  						três virtudes capitais cristãs são a fé e a esperança  						representadas por uma âncora. Os benefícios maravilhosos  						do sacrifício de Cristo são apropriados pelo crente pela  						fé, pois as Escrituras nos ensinam que &#8220;justificados  						mediante a fé temos paz com Deus.&#8221; Todos quantos  						receberam a Cristo foram feitos Filhos de Deus &#8220;a saber  						aos que crêem no Seu nome&#8221;. Foram adotados na família de  						Deus e receberam a certeza da salvação, portanto &#8220;não há  						condenação para aqueles que estão em Cristo Jesus&#8221;.  						Nossa salvação é garantida pela promessa de Deus que não  						pode falhar. Fomos salvos na esperança de sermos salvos.  						Nossa esperança é uma âncora firme que está segura na  						Rocha dos Séculos, nosso Senhor Jesus Cristo.</span></td>
</tr>
<tr>
<td width="37%" height="196"><span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"> <img src="http://www.primeiraipbh.org.br/simbolos/4evang.jpg" border="0" alt="" width="168" height="173" align="right" /></span></td>
<td width="5%" height="196" valign="top"></td>
<td width="55%" height="196"><strong><span style="font-family: Verdana; color: #000080;"> QUATRO EVANGELHOS</span></strong></p>
<p><span style="font-family: Verdana; color: #000080; font-size: x-small;">As  						verdades que transformaram nosso coração foram a nós  						ensinadas nas páginas dos Evangelhos. Os quatro  						Evangelhos, que nos contam as boas novas da salvação em  						Jesus Cristo, foram escritos para que pudéssemos crer e  						crendo tivéssemos vida em Seu Nome. No centro das &#8220;boas  						novas&#8221; (Evangelhos) está a Cruz e em cada um  						particularmente. Evangelho sem Cruz é evangelho sem  						redenção. Mas, ainda que preguemos a Cristo e &#8220;este  						crucificado&#8221;, sabemos que Ele venceu o Diabo, triunfando  						sobre ele na cruz e ressuscitando ao terceiro dia. Ele é  						o primeiro de entre os mortos e nós, por fim, o  						acompanharemos.</span></td>
</tr>
<tr>
<td colspan="3" width="100%" height="196" align="middle"><span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"> <img src="http://www.primeiraipbh.org.br/simbolos/testemunho.jpg" border="0" alt="" width="280" height="91" /></span></p>
<p><strong><span style="font-family: Verdana; color: #000080;">TESTEMUNHO</span></strong></p>
<p><span style="font-family: Verdana; color: #000080; font-size: x-small;">O  						testemunho que Cristo nos deixou está registrado em Sua  						Palavra. Não testemunhamos de nós mesmos mas somos  						testemunhas de Cristo. Tal como a palavra grega &#8220;IKTOS&#8221;,  						colocada pelos algozes de Jesus no alto da cruz, são as  						iniciais da frase &#8220;Jesus Cristo Filho de Deus Salvador&#8221;:  						formam elas a palavra &#8220;peixe&#8221;, e o peixe tornou-se o  						símbolo do testemunho cristão. Testemunhamos que só  						Jesus Cristo é o Filho de Deus e este veio ao mundo para  						salvar todo aquele que nEle crê. Este é o nosso  						testemunho. Testemunhamos daquilo que temos ouvido,  						visto e experimentado do poder de Deus revelado nas  						Escrituras.</span></td>
</tr>
<tr>
<td width="37%" height="196"><span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"> <img src="http://www.primeiraipbh.org.br/simbolos/eterno.jpg" border="0" alt="" width="163" height="163" align="right" /></span></td>
<td width="5%" height="196" valign="top"></td>
<td width="55%" height="196"><span style="color: #000080;"><strong><span style="font-family: Verdana;">CRISTO  						ETERNO</span></strong><span style="font-family: Verdana;"> </span></span></p>
<p><span style="font-family: Verdana; color: #000080; font-size: x-small;">O poder  						de Deus revelado é o Cristo Eterno. O Alfa e o Ômega, o  						Princípio e o Fim. Nele todas as promessas de Deus  						encontram cumprimento, nEle todas as bênçãos de Deus  						encontram um &#8220;Amém&#8221;! Ele não é somente o cumprimento do  						que Deus prometeu, como também a garantia do que Deus  						ainda está por fazer.</span></td>
</tr>
<tr>
<td colspan="3" width="100%" height="196" align="middle"><span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"> <img src="http://www.primeiraipbh.org.br/simbolos/esanto.jpg" border="0" alt="" width="274" height="91" /> </span></p>
<p><strong><span style="font-family: Verdana; color: #000080;">ESPÍRITO  						SANTO</span></strong></p>
<p><span style="font-family: Verdana; color: #000080; font-size: x-small;">Estas  						verdades e promessas foram &#8220;seladas&#8221; em nosso coração  						pelo Espírito Santo. Ele é para nós um &#8220;penhor&#8221;, como  						uma garantia de que todas as promessas de Deus haverão  						de chegar à plena fruição. Ele é em nós um &#8220;batismo&#8221;,  						dando-nos a convicção de que estamos nEle e Ele está em  						nós. Ele é para nós também uma &#8220;unção&#8221;. Assim como Deus  						determinou que se ungissem os profetas, os sacerdotes e  						os reis do Antigo Testamento, fomos ungidos para sermos  						o &#8220;sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade  						exclusiva de Deus, a fim de proclamarmos as virtudes  						daquele que nos chamou das trevas para a sua maravilhosa  						luz&#8221;. Estas quatro bênçãos especiais recebemos no  						momento que Cristo passa a habitar em nossos corações. O  						Espírito Santo, representado por uma lâmpada, ilumina e  						faz brilhar, revelando o Senhor Jesus a nós e em nós. A  						obra do Espírito Santo, por excelência, é revelar a  						pessoa de Jesus Cristo. Assim, quem tem a Cristo  						fulgurando em sua vida, tem a &#8220;Luz do Mundo&#8221;, quem tem a  						Cristo tem a &#8220;Vida&#8221;, quem tem a Cristo tem o Espírito  						Santo.</span></td>
</tr>
<tr>
<td width="37%" height="196"><span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"> <img src="http://www.primeiraipbh.org.br/simbolos/ressur.jpg" border="0" alt="" width="157" height="169" align="right" /></span></td>
<td width="5%" height="196" valign="top"></td>
<td width="55%" height="196"><strong><span style="font-family: Verdana; color: #000080;"> RESSURREIÇÃO</span></strong></p>
<p><span style="font-family: Verdana; color: #000080; font-size: x-small;">Todo  						aquele que crê em Cristo, Deus lhe dá o poder de ser  						feito filho de Deus, contudo, aguardamos a manifestação  						completa daquilo que já somos e temos em Cristo.  						Esperamos a manifestação de Jesus Cristo quando Ele vier  						para nos buscar. Então nosso corpo mortal será revestido  						de imortalidade, aquilo que é corruptível será revestido  						de incorruptibilidade. Sabemos, conforme nos prometeu  						Jesus Cristo em Sua Palavra, que os mortos verão a luz  						da ressurreição. Os que tiveram a ventura de receber a  						dádiva do amor de Deus, Jesus Cristo, ouvirão de Sua  						própria boca: &#8220;Vinde, benditos de meu Pai, entrai para o  						reino que vos está proposto desde a fundação do mundo&#8221;.  						Contudo, aqueles que O rejeitaram, que dEle não fizeram  						caso, ouvirão na ressurreição do último dia:  						&#8220;Afastai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, que  						está preparado para o diabo e seus anjos.&#8221;</span></td>
</tr>
<tr>
<td colspan="3" width="100%" height="196"><strong> <span style="font-family: Verdana; color: #000080;">CONCLUSÃO</span></strong></p>
<p><span style="font-family: Verdana; color: #000080; font-size: x-small;">A mensagem  						dos símbolos apostos na parede frontal do templo de  						nossa Igreja é uma mensagem do soberano amor de Deus em  						Cristo o Seu Filho para a nossa salvação, e esta  						mensagem eterna que nos alcançou no tempo de nossa  						existência é também uma mensagem solene de advertência  						que responsabiliza a todos nós, a mim e a você. &#8220;Se hoje  						ouvirdes a sua voz não endureçais os vossos corações.&#8221;</span></p>
<p><span style="font-family: Verdana; color: #000080; font-size: x-small;">Anderson Queiroz<br />
</span></td>
</tr>
</tbody>
</table>
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		<title>1 Pedro 4. 7-11</title>
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		<pubDate>Sun, 07 Feb 2010 05:09:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anderson Queiroz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Exegeses]]></category>
		<category><![CDATA[exegese]]></category>

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		<description><![CDATA[Introdução: A escravidão na sociedade foi algo aceitável durante muito tempo. Em Roma se  um escravo fugisse e sendo encon­trado, provavelmente seria marcado na testa com um &#8220;F&#8221; (para fugitivus) e se roubasse alguma propriedade de seu senhor, provavelmente seria condenado à morte, de acordo com a lei romana para escravos insubmissos. Os negros trazidos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Introdução: </strong>A escravidão na sociedade foi algo aceitável durante muito tempo. Em Roma se  um escravo fugisse e sendo encon­trado, provavelmente seria marcado na testa com um &#8220;F&#8221; (para <strong>fugitivus) </strong>e se roubasse alguma propriedade de seu senhor, provavelmente seria condenado à morte, de acordo com a lei romana para escravos insubmissos. Os negros trazidos para o Brasil recebiam marcas quando eram comprados por traficantes e recebiam mais marcas quando eram comprados aqui no Brasil. E se fossem vendidos recebiam as marcas do seu novo senhor. Essas marcas eram feitas a ferro quente. Esta era  situação de seres humanos que eram escravizados. As Escrituras falam que somos escravos de Deus. Cristo nos resgatou da ira de Deus. Recebemos o Espirito Santo que é o Selo de que pertencemos a Ele. O nosso Dono não nos irá vender. Somos sua propriedade para sempre. Além de sermos suas propriedades, Ele nos elevou a uma condição de dignidade antes nunca vista, somos seus filhos. Como nosso Dono e nosso Pai, Ele exige de nós obediência as suas diretrizes.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Elucidação:</strong> Nestes versos Pedro fala que dentro da comunidade cristã o crente deve praticar a disciplina de vida santa, a fim de ter a verdadeira comunhão.  No verso 22 do cap. 1 nos é dito que fomos purificados pela obediência à verdade. Nos versos (4. 7-11) a verdade é posta em pratica. Todas as ordens que Pedro dá em termo prático só podem serem obedecidas por quem foi regenerado por esta verdade. Iremos meditar hoje sobre o seguinte tema</p>
<p><strong>Tema: Deveres Cristãos</strong></p>
<p><strong>1 Divisão: O dever da oração (verso 7)</strong></p>
<p>Pedro dá uma ordem especifica aqui que é manifesta em dois versos que ele usou (swfronh,sate)  “criterioso” este verbo é um imperativo aoristo ativo. O verbo no original nos passa a idéia de cabeça fria, mente equilibrada que exerce autocontrole ou moderação. O outro verbo é (nh,yate) “sóbrio” este verbo é um imperativo aoristo ativo. A idéia no original é de manter a mente limpa. Qual a razão de sermos criteriosos e sóbrios? R- O fim de todas as coisas está próximo.</p>
<p>Pedro usa aqui o substantivo te,loj “fim”. Qual a idéia de fim que Pedro tem em mente? Que fim de todas as coisas Pedro se refere? A idéia do tempo de Deus está presente aqui. O plano redentor de Deus está estabelecido. Pedro diz que o sangue de Cristo foi manifestado no fim dos tempos por amor de vós 1 Pe. 1.20.</p>
<p>Pedro chama os crentes a atentarem no plano de Deus, Pedro chama os crentes a perceberem o que está acontecendo e terem uma posição definida e não se perturbarem com o que está acontecendo.</p>
<p>Para realçar bem isto, Pedro diz que este fim h;ggiken “se aproximou” este verbo é um indicativo perfeito ativo, ou seja, ele já chegou de forma definitiva e estamos experimentando seus efeitos. As Escrituras nos informam as características dos últimos dias: apostasia e práticas mentirosas.  As Escrituras nos ensinam como devemos nos portar neste dias que vivemos:</p>
<p><strong>Hebreus 10:25 </strong> Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes, façamos admoestações e tanto mais quanto vedes que o Dia se aproxima</p>
<p><strong>Tiago 5:8-9 </strong> <sup>8</sup> Sede vós também pacientes e fortalecei o vosso coração, pois a vinda do Senhor está próxima.  <sup>9</sup> Irmãos, não vos queixeis uns dos outros, para não serdes julgados. Eis que o juiz está às portas.</p>
<p>Qual a finalidade de sermos criteriosos e sóbrios? O texto nos informa a razão: <strong>Oração</strong></p>
<p>Enquanto o crente espera o desfecho de todas as coisas, a volta de seu Redentor que irá julgar todas as coisas, o cristão precisa ter a cabeça equilibrada e a mente limpa para que possa orar. Pedro usou uma preposição no texto original que mostrar a finalidade de sermos equilibrados.</p>
<p>Por que orar?</p>
<p>A oração mudaria as características dos últimos dias? Mudaria o decreto de Deus? Mudaria o coração de Deus?</p>
<p>Certamente não!</p>
<p>Os objetivos já estão traçados.</p>
<p>Então, por que orar?</p>
<p>A oração é um aspecto importante da vida espiritual do cristão. Através da oração o cristão tem comunhão intima com seu Deus, através da oração o cristão conta suas angustias a Deus, através da oração o cristão agradece o que ele é em Cristo e do terrível juízo que foi liberto. O catecismo de Heidelberg na sua pergunta 117 diz:</p>
<p>Como devemos orar, para que a oração seja agradável a Deus e Ele nos ouça?</p>
<p>R. Primeiro: devemos invocar de todo o coração, o único e verdadeiro Deus, que se revelou a nós em sua palavra, e orar por tudo o que Ele nos ordenou pedir</p>
<p>Segundo: devemos muito bem conhecer nossa necessidade e miséria, a fim de nos humilharmos perante sua majestade. Terceiro: devemos ter a plena certeza de que Deus, apesar de nossa indignidade, quer atender à nossa oração por causa de Cristo, como Ele prometeu em sua Palavra</p>
<p>Kistemaker no seu comentário faz as seguintes colocações</p>
<p>A sobriedade e o domínio próprio são características essenciais para a oração desimpedida. A oração requer esforço, assim, o cristão pode apresentar seus louvores e pedidos com seriedade perante o trono de Deus. As Escrituras ensinam que deixar de orar é pecado (1 Sm 12.23). A oração é um requisito básico para um cristão que deseja ter uma vida agradável a Deus e aos homens. Através da oração, o cristão estabelece uma ligação vertical com Deus, antes de criar uma ligação horizontal com outras pessoas.<a href="#_ftn1">[1]</a></p>
<p><strong>2 Divisão: O dever de amar uns aos outros e de servir ao próximo e (verso 8 -10)</strong></p>
<p>Os deveres cristãos não param somente na oração. Pedro dá mais razões para sermos criteriosos e sóbrios, Nestes versos Pedro começa a trabalha aspectos práticos do cristão.</p>
<p>1-     Amor</p>
<p>2-     Serviço</p>
<p>No verso 8 Pedro diz: Antes de tudo ou acima de tudo, os cristãos devem ter amor Pedro usou um verbo e;contej “tendo” este verbo é um particípio com sentido imperativo presente ativo, a idéia é de um amor sempre presente e ativo de uns para os outros. Pedro qualifica este amor. Ele não deve ser de qualquer forma, não deve ser falso, não deve ser mentiroso, não deve ser interesseiro, ele deve ser “evktenh/’ intenso e ardente. O amor não é uma emoção, mas uma decisão de querer, que leva à ação.</p>
<p>No próprio verso Pedro mostra este amor atuando. O amor não guarda arquivos dos erros cometidos, antes perdoa e esquece. Pedro faz uma citação do Antigo Testamento</p>
<p><strong>Provérbios 10:12 </strong> O ódio excita contendas, mas o amor cobre todas as transgressões.</p>
<p>A idéia de Provérbios 10.12 é a seguinte: O ódio sugere a rejeição da boa ordem, dissolução dos relacionamentos humanos, fragmentação de qualquer tipo de sociedade.  O amor é a busca do melhor para o outro. O amor é a melhor expressão dos relacionamentos ordeiros. Visando esta harmonia o amor encobre as questões que promovem contendas.</p>
<p>O verbo que Pedro usou para “cobrir” kalu,ptei é um indicativo presente ativo. A idéia é de algo constante, aqui reside um principio que é útil pra muita gente. A disposição de querer que as coisas e projetos dêem errado. Quantas e quantas pessoas nas igrejas além de não fazerem nada ficam torcendo para que as coisas fracassem e saiam erradas. Só pra ter o gosto de dizerem: Não falei!</p>
<p>Estas pessoas estão pecando.</p>
<p>Outra coisa também é o ressentimento a ressurreição de pecados cometidos e nunca perdoados.</p>
<p>As Escrituras mostram que o cristão deve agir de forma correta. O principio do amor é o que está estabelecido na Oração do Pai Nosso: perdoa as nossas dividas assim como nós perdoamos aos nossos devedores. Deus me ama por isso me perdoa. Tem prazer em ter comunhão com seus santos. O que se espera de um crente? Se não a mesma coisa. Se você meu irmão não está agindo assim, você está pecando. Está sendo passivo da disciplina de Deus.</p>
<p>Outro aspecto prático que Pedro trabalha é a questão do serviço</p>
<p>No verso 9 Pedro fala sobre a hospedagem. É necessário fazermos algumas considerações históricas: A falta de uma rede de hotéis decentes para as pessoas comuns resultava em que as pessoas estivessem prontas para hospedar seus amigos e outros viajantes adequadamente indicados. A hospitalidade era, então, muito mais estimada do que hoje em dia.</p>
<p>Hermann comentando sobre a hospitalidade, na vida dos primeiros cristãos diz o seguinte</p>
<p>O elogio da hospitalidade está no Evangelho; os outros escritos do Novo Testamento insistem no dever da acolhida e explicam sua motivação espiritual. Quem recebe o estrangeiro recebe o próprio Cristo. Esse é um dos critérios para ser acolhido na casa de Deus<a href="#_ftn2">[2]</a></p>
<p>Esta hospedagem devia ser feita de forma grosseira e com mau gosto? De forma nenhuma. Pedro diz: sem murmuração. A ênfase da instrução de Pedro está na qualidade da hospedagem.</p>
<p>No verso 10 Pedro estabelece o principio do serviço que cada cristão deve fazer</p>
<p>1-     Pedro diz que devemos servir uns aos outros com o dom que Deus nos deu</p>
<p>2-     Pois somos os mordomos da multiforme graça de Deus</p>
<p>Pedro quando fala que o cristão recebeu dons para o serviço, usar o verbo e;laben “recebeu” este verbo é um indicativo aoristo ativo, a déia é de algo definitivo. Deus deu dons para que seus santos servissem uns aos outros</p>
<p>Pedro também diz a razão de termos recebidos dons, somos “oivkono,moi” a palavra traz a idéia do escravo responsável pela administração da propriedade ou lar de uma pessoa e pela distribuição de salários, alimentos para seus membros.</p>
<p>Irmão, você e eu somos escravos do Senhor. Sendo assim, cada um deve tratar de servir bem ao seu irmão. Pois o Senhor derramou a sua graça de forma variada visando à edificação de cada santo.</p>
<p><strong>3 Divisão: O dever de ter discernimento de que tudo é para a glória de Deus (verso 11)</strong></p>
<p>A diferença do Senhor e do escravo é uma só: a condição de cada um. O escravo serve ao Senhor.</p>
<p>Somos escravos de Deus, nossa função é o serviço, nosso trabalho deve ter como alvo sua glória e não a nossa.</p>
<p>É sobre isto que Pedro vai tratar no verso 11</p>
<p>Pedro vai esmiuçar a forma correta de utilizar os dons que Deus deu</p>
<p>Os que falam, falem como oráculo de Deus: Nesta primeira orientação Pedro começa com àqueles que foram chamados para anunciar a Palavra de Deus. Qual deve ser a conduta de alguém que anuncie a Palavra de Deus? Irreverente? Como esta pessoa deve se comportar em relação ao resultado da pregação? Pragmático? Qual a atitude que os homens chamados por Deus para anunciar sua Palavra devem ter com a mesma? Indiferença? Será que uma atitude irreverente seria conveniente? Será que piadas na hora da entrega da Palavra de Deus são necessárias para que o ouvinte fique descontraído? Será que o ouvinte deve sentir descontraído quando escuta a Palavra de Deus? A resposta para todas estas indagações é um sonoro: Não!</p>
<p>Aqueles que Deus chamou têm que ter consciência que estão anunciando os oráculos de Deus. E a eficácia do anuncio não reside na sua oratória ou retórica, mas na aplicação feita pelo Espírito Santo que aplica quando quer e onde quer.</p>
<p>Os que servem, devem servir em cima da provisão do Senhor. O verso emprega um verbo no original corhgei/ “conduz um coral” A idéia deste verbo originalmente era “estar no conjunto coral”. Depois veio a significar “suprir um coral” e, assim, produzir uma peça ás suas próprias custas e risco. Finalmente, veio a significar simplesmente fornecer ou suprir com alguma coisa. A idéia é de que quem serve não deve servir baseado na sua própria força e sim na de Deus. A provisão de Deus é abundante.</p>
<p>A nossa confissão no cap. XVI sessão III falando a respeito desta força que e concedida pelo Senhor diz:</p>
<p>O poder de fazer boas obras não é de modo algum dos próprios fiéis, mas provém inteiramente do Espírito de Cristo. A fim de que sejam para isso habilitados, é necessário, além da graça que já receberam, uma influência positiva do mesmo Espírito Santo para obrar neles o querer e o perfazer segundo o seu beneplácito; contudo, não devem por isso tornar-se negligentes, como se não fossem obrigados a cumprir qualquer dever senão quando movidos especialmente pelo Espírito, mas devem esforçar-se por estimular a graça de Deus que há neles.</p>
<p>Qual a razão de Pedro dá estas instruções para quem prega e quem serve?</p>
<p>A razão é que em todas as coisas quem deve ser glorificado é Deus</p>
<p>Não temos glória nenhuma. Toda glória é do Senhor.</p>
<p>Interessante o modo do verbo que Pedro usou no original para glorificar “ doxa,zhtai” subjuntivo presente passivo. O subjuntivo é o modo de probabilidade. Creio que Pedro dá uma advertência aqui. Quando o cristão não segue as instruções de Pedro ele acaba não dando a gloria a Deus. Mas quando o cristão obedece às instruções ele glorifica a Deus através de Jesus Cristo.</p>
<p>O Senhor Deus só aceita as nossas obras por causa de Jesus Cristo.</p>
<p>A Nossa confissão de Fé no cap. XVI sessão II diz:</p>
<p>Estas boas obras, feitas em obediência aos mandamentos de Deus, são o fruto e as evidências de uma fé viva e verdadeira; por elas os crentes manifestam a sua gratidão, robustecem a sua confiança, edificam os seus irmãos, adornam a profissão do Evangelho, tapam a boca aos adversários e glorificam a Deus, cuja feitura são, criados em Jesus Cristo para isso mesmo, a fim de que, tendo o seu fruto em santificação, tenham no fim a vida eterna.</p>
<p>Pedro termina o verso com uma doxologia, ou seja, um louvor final.</p>
<p>Deus é glorificado por meio de Jesus Cristo, a quem pertence à glória e o domínio pelos séculos dos séculos. Amém</p>
<p><strong>Aplicação: </strong></p>
<p>1-     Não podemos viver no mundo sem o necessário discernimento da época em que vivemos. Deus ordena que sejamos criteriosos e sóbrios para termos discernimento das coisas. O crente precisa fazer a leitura do seu tempo e perceber o agir de Deus</p>
<p>2-     Este discernimento deve levar o crente à oração</p>
<p>3-     As Escrituras ordenam como devo me relacionar com meu irmão: devo amá-lo intensamente. Amar é respeitar, corrigir, ser transparente, não criar confusão, entender que temos o mesmo propósito, manter a paz entre os santos de Deus. Quem não procede assim, peca.</p>
<p>4-     Devemos ser prontos para ajudar</p>
<p>5-     Devemos ter discernimento que somos escravos e administramos bens do Nosso Senhor.  Que recebemos dons e devemos utilizá-los de forma que todos os santos de Deus sejam servidos. A finalidade de tu teres dons e posses é ser útil ao teu irmão. Se você ainda não entendeu isto, você está pecando.</p>
<p>6-     Cada um precisa usar o talento que Deus lhe deu e entender que a força para usar este talento não provém de nós mesmo.</p>
<p>7-     Toda a glória é de Deus. Então não se engane, não somos nada, não temos nada, tudo o que somos e o que temos foi dado por Deus. Sendo assim, a maior estupidez que um santo de Deus possa ter é o orgulho e a soberba.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Conclusão:</strong></p>
<p>Como escravos de Deus temos o sinal de sua propriedade: O Espírito Santo. Deus é o nosso Dono definitivo.</p>
<p>Deus nos elevou a um estado de dignidade.</p>
<p>Ele nos trata como filhos, pois de fato somos seus filhos, por causa de Cristo.</p>
<p>Deus requer de nós obediência e quando não obedecemos, Ele nos castiga como filhos</p>
<p>Deus nos delegou deveres que devem ser obedecidos</p>
<p>Que o Senhor nos ajude a obedecer-LO</p>
<p>Que nossas atitudes visem acima de tudo exaltá-Lo sempre e sempre</p>
<p>A Ele toda glória!</p>
<p>Amém.</p>
<hr size="1" /><a href="#_ftnref1">[1]</a> KISTEMAKER, Simon. Comentário do Novo Testamento Epistolas de Pedro e Judas. São Paulo-SP: Cultura Cristã, 2006. p. 227</p>
<p><a href="#_ftnref2">[2]</a> HAMMAN, A.-G. A Vida Cotidiana dos Primeiros Cristãos (95-197). São Paulo-SP: PAULUS, 1997.   p. 34</p>
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		<title>Confissão Escocesa</title>
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		<pubDate>Sun, 24 Jan 2010 15:32:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anderson Queiroz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Símbolos de Fé]]></category>

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		<description><![CDATA[Prefácio
Os Estados da Escócia, com seus habitantes, professando o evangelho santo de Jesus Cristo: para os seus compatriotas, e para todos os outros reinos e nações, professando o mesmo Senhor Jesus com eles, deseja graça, misericórdia, e paz de Deus o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, com um espírito de justo julgamento, para saudação, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.missaoreformada.com/portal/wp-content/uploads/2010/01/JOHN-KNOX.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-347" title="JOHN KNOX" src="http://www.missaoreformada.com/portal/wp-content/uploads/2010/01/JOHN-KNOX-202x300.jpg" alt="" width="202" height="300" /></a>Prefácio</p>
<p>Os Estados da Escócia, com seus habitantes, professando o evangelho santo de Jesus Cristo: para os seus compatriotas, e para todos os outros reinos e nações, professando o mesmo Senhor Jesus com eles, deseja graça, misericórdia, e paz de Deus o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, com um espírito de justo julgamento, para saudação, etc.</p>
<p>Durante muito tempo, queridos irmãos, nós tivemos o desejo de notificar ao mundo, a soma daquela doutrina a qual nós professamos, e pela o qual nós temos recebido infâmia e perigo. Mas tal foi a fúria de Satanás contra nós, e contra a verdade eterna de Jesus Cristo, recentemente nascida entre nós, que até este dia nenhum tempo foi concedido a nós para clarear nossas consciências, como alegremente nós teríamos feito. Como nós temos sido lançados a um ano inteiro de passado, a maior parte de Europa (como nós supomos) entende. Mas vendo que a infinita bondade de nosso Deus (que nunca faz sofrer o aflito completamente para não ser confundido), acima de qualquer expectativa, nós obtivemos algum descanso e liberdade, nós não pudemos, mas passo adiante esta breve e simples confissão de tal doutrina como é proposta à nós, e como nós acreditamos e professamos; em parte para satisfação de nossos irmãos cujos corações, não temos dúvida, temos sido ainda feridos apesar da ira que ainda temos de não aprender a falar bem; e em parte pelo parar as bocas de insolentes blasfemadores que corajosamente amaldiçoam aquilo que eles nem mesmo ouviram, e o que nem ainda entendem.</p>
<p>Não que julguemos que tal cancerosa malícia pode ser curada por esta nossa simples confissão. Não, nós sabemos que o doce sabor do evangelho é, e deve ser, morte para os filhos de perdição. Mas nós temos respeito principalmente para com nossos irmãos fracos e enfermos, para quem nós comunicaríamos o fundo de nossos corações, para que eles não sejam aborrecidos ou levados por diversos rumores que Satanás espalha [contra] nós, para derrotar este nosso empreendimento religioso; protestando que, se qualquer homem notar nesta nossa confissão, que qualquer artigo ou sentença seja repugnante para com a Palavra santa de Deus, isto nos agradará, por sua gentileza, e pela causa da caridade cristã, nos prevenir destes mesmos escritos; e nós, por nossa honra e fidelidade, prometemos a ele satisfação da boca de Deus (quer dizer, de suas Escrituras Santas), ou qualquer reforma que ele prove em que temos nos extraviado. Para Deus nós levamos as historias de nossas consciências, que de nossos corações nós detestamos todas as seitas heréticas, e todos os professores de doutrina errônea; e que, com toda humildade, nós abraçamos a pureza do evangelho de Cristo que é o único alimento de nossas almas; e isto é tão precioso para nós, que nós estamos determinados a sofrer a extremidade do perigo mundano, ao invés de que nós sofreremos ao ser defraudados pelo mesmo. Pela espera nós somos certamente persuadidos, que aquele que de alguma forma negar a Cristo Jesus, ou ter vergonha dele, na presença dos homens, será negado diante do Pai, e diante de seus santos anjos. E então, pela ajuda do poderoso Espírito do nosso mesmo Senhor Jesus, nós firmemente propomos ficar juntos até o fim, na confissão desta nossa fé, como se seguem nestes artigos.</p>
<p>1º CAPÍTULO<br />
De Deus</p>
<p>Confessamos e reconhecemos um só Deus, a quem, só, devemos apegar-nos, a quem, só, devemos servir, a quem, só, devemos adorar e em quem, só, devemos depositar nossa confiança.1 Ele é eterno, infinito, imensurável, incompreensível, onipotente, invisível;2 um em substância e, contudo, distinto em três pessoas, o Pai, o Filho e o Espírito Santo.3 Cremos e confessamos que por ele todas as coisas que há no céu e na terra, visíveis e invisíveis, foram criadas, são mantidas em seu ser, e são governadas e guiadas pela sua inescrutável providência para o fim que determinaram sua eterna sabedoria, bondade e justiça, e para a manifestação de sua própria glória.4</p>
<p>1. Dt 6:4; 1Co 8:6; Dt 4:35; Is 44:5-6.</p>
<p>2. 1Tm 1:17; 1Rs 8:27; 2Cr 6:18; Sl 139:7-8; Gn 17:1; 1Tm 6:15-16; Êx 3:14-15.</p>
<p>3. Mt 28:19; 1Jo 5:7.</p>
<p>4. Gn 1:1; Hb 11:3; At 17:28; Pv 16:4.</p>
<p>2º CAPÍTULO<br />
Da Criação do Homem</p>
<p>Confessamos e reconhecemos que nosso Deus criou o homem, isto é, nosso primeiro pai, Adão, segundo sua própria imagem e semelhança, e lhe deu sabedoria, domínio, justiça, livre arbítrio e consciência de si mesmo, de modo que em toda a natureza do homem não se podia encontrar nenhuma imperfeição.1 Dessa perfeição e dignidade caíram o homem e a mulher; a mulher, enganada pela serpente e o homem dando ouvido à voz da mulher, ambos conspirando contra a soberana majestade de Deus, que, com palavras claras, os havia previamente ameaçado de morte, se ousassem comer da árvore proibida.2</p>
<p>1. Gn 1:26-28; Cl 3:10; Ef 4:24.</p>
<p>2. Gn 3:6; 2:17.</p>
<p>3º CAPÍTULO<br />
Do Pecado Original</p>
<p>Por essa transgressão, geralmente conhecida como pecado original, a imagem de Deus foi totalmente deformada no homem, e ele e seus filhos se tornaram, por natureza, inimigos de Deus, escravos de Satanás e servos do pecado,1 de modo que a morte eterna tem tido e terá poder e domínio sobre todos os que não foram, não são e não forem regenerados do alto. Essa regeneração se realiza pelo poder do Espírito Santo, que cria nos corações dos escolhidos de Deus uma fé firme na promessa de Deus a nós revelada pela sua Palavra; por essa fé aprendemos Jesus Cristo com os seus dons gratuitos e com as bênçãos nele prometidas.2</p>
<p>1. Sl 51:5; Rm 5:10; 7:5; 2Tm 2:26; Ef 2:1-3.</p>
<p>2. Rm 5:14,21 6:23; Jo 3:5; Rm 5:1; Fp 1:29.</p>
<p>4º CAPÍTULO<br />
Da Revelação da Promessa</p>
<p>Cremos firmemente que Deus, depois da tremenda e horrenda defecção de sua obediência feita pelo homem, procurou Adão, chamou-o a si,1 foi ter com ele, repreeendeu-o e convenceu-o do seu pecado e fez-lhe afinal a promessa gratuita e a mais grata de que a semente da mulher esmagaria a cabeça da serpente,2 isto é, destruiria as obras do Diabo. Essa promessa foi repetida e tornada cada vez mais clara com o correr do tempo; foi abraçada com firmeza e alegria por todos os fiéis, de Adão a Noé. Semelhantemente, de Noé a Abraão, de Abraão a Davi e assim por diante até a encarnação de Jesus Cristo; todos &#8211; isto é, os patriarcas crentes sob a lei &#8211; viram os dias agradabilíssimos de Cristo e se regozijaram.3</p>
<p>1. Gn 3:9.</p>
<p>2. Gn 3:15.</p>
<p>3. Gn 12:3; 15:5-6; 2Sm 7:14; Is 7:14; 9:6; Os 2:6; Jo 8:56.</p>
<p>5º CAPÍTULO<br />
Contituidade, Aumento e Preservação da Igrejas</p>
<p>Cremos, com a maior segurança, que Deus preservou, instruiu, multiplicou, honrou, adornou e vocacionou, da morte para a vida, a sua Igreja em todas as épocas, desde Adão até a vinda de Cristo Jesus em carne.1 Ele chamou Abraão da terra de seu pai, instruiu-o e multiplicou a sua semente;2 ele o preservou maravilhosamente e mais admiravelmente livrou sua semente da servidão e da tirania de Faraó;3 deu-lhe as suas leis, constituições e cerimônias,4 deu-lhes a terra de Canaã.5 Depois de lhes haver dado juizes, e posteriormente Saul, deu-lhes Davi para ser rei, a quem prometeu que do fruto dos seus lombos um devia assentar-se para sempre no seu trono real.6 A esse mesmo povo ele enviou profetas, em contínua sucessão de tempo, a fim de, da idolatria pela qual eles freqüentes vezes se desviaram, reconduzi-los ao caminho reto do seu Deus.7 E, embora, por seu obstinado desprezo da justiça, tenha sido ele, compelido a entregá-los nas mãos dos seus inimigos,8 como fora previamente ameaçado pelos lábios de Moisés,9 de modo que a cidade santa foi completamente destruída, o templo devorado pelo fogo,10 e toda a terra desolada durante setenta anos,11 contudo, por sua graça e misericórdia ele os reconduziu a Jerusalém, onde a cidade e o templo foram restaurados e onde eles resistiram contra todas as tentações e assaltos de Satanás, até a vinda do Messias, segundo a promessa.12</p>
<p>1. Ez 6:6-14.</p>
<p>2. Gn 12:1; 13:1.</p>
<p>3. Êx. 1, etc.</p>
<p>4. Jo 1:3; 23:4.</p>
<p>5. 1Sm 10:1; 16:13.</p>
<p>6. 2Sm 7:12.</p>
<p>7. 2Rs 17:13-19.</p>
<p>8. 2Rs 24:3-4.</p>
<p>9. Dt 28:36, 48.</p>
<p>10. 2Rs 25.</p>
<p>11. Dn 9:2.</p>
<p>12. Jr 30; Ed 1, etc.; Os 1:14; 2:7-9; Zc 3:8.</p>
<p>6º CAPÍTULO<br />
Da Encarnação de Cristo</p>
<p>Quando chegou a plenitude do tempo, Deus enviou ao mundo o seu Filho1 &#8211; sua eterna sabedoria, a substância da sua própria glória &#8211; o qual assumiu a natureza humana da substância de uma mulher, uma virgem, e isso por obra do Espírito Santo.2 E assim nasceu a “semente justa de Davi”, o “Anjo do grande conselho de Deus”, o próprio Messias prometido, a quem reconhecemos e confessamos como o Emanuel, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, por duas naturezas unidas e ligadas em uma só pessoa.3 Assim, por esta nossa Confissão condenamos as condenáveis e pestilentas heresias de Ário, Márcion, Eutiques, Nestório e outros, que, ou negaram a sua divindade eterna ou a verdade da sua natureza humana, ou as confundiram ou dividiram.</p>
<p>1. Gl 4:4.</p>
<p>2. Lc 1:31; Mt 1:18; 2:1; Rm 1:3; Jo 1:45; Mt 1:23.</p>
<p>3. 1Tm 2:5.</p>
<p>7º CAPÍTULO<br />
Por que Devia o Mediador ser Verdadeiro Deus e Verdadeiro Homem</p>
<p>Reconhecemos e confessamos que esta admirável união entre a divindade e a humanidade, em Jesus Cristo, procedeu do decreto eterno e imutável de Deus, do qual decorre e depende toda a nossa salvação.1</p>
<p>1. Ef 1:3-6.</p>
<p>8º CAPÍTULO<br />
A Eleição</p>
<p>O mesmo eterno Deus e Pai, que somente pela graça nos escolheu em seu Filho, Jesus Cristo, antes que fossem lançados os fundamentos do mundo,1 designou-o para ser nosso chefe,2 nosso irmão,3 nosso pastor e o grande bispo de nossas almas.4 Mas, visto que a inimizade entre a justiça de Deus e os nossos pecados era tal que nenhuma carne por si mesma poderia ter chegado a Deus,5 foi preciso que o Filho de Deus descesse até nós e assumisse o corpo de nosso corpo, a carne de nossa carne e o osso de nossos ossos, para que se tornasse o perfeito Mediador entre Deus e o homem,6 dando a todos os que crêem em Deus o poder de se tornarem filhos de Deus,7 como ele mesmo diz: “Subo para o meu Pai e vosso Pai, para o meu Deus e vosso Deus”.8 Por meio desta santíssima fraternidade, tudo o que perdemos em Adão nos é de novo restituído,9 e por isso não tememos chamar a Deus nosso Pai,10 não tanto por nos ter ele criado &#8211; o que temos em comum com os próprios réprobos – 11 como por nos ter dado o seu Filho unigênito para ser nosso irmão,12 e por nos ter concedido graça para reconhecê-lo e abraçá-lo como nosso único Mediador, como ficou dito acima.</p>
<p>Além disso, era preciso que o Messias e Redentor fosse verdadeiro Deus e verdadeiro homem, porque ele seria capaz de suportar o castigo devido a nossas transgressões e apresentar-se ante o juízo de seu Pai, como em nosso lugar, para sofrer por nossa transgressão e desobediência,13 e, pela morte, vencer o autor da morte. Mas, porque a Divindade, só, não podia sofrer a morte,14 nem a humanidade podia vencê-la, ele uniu as duas numa só pessoa, a fim de que a fraqueza de uma pudesse sofrer e sujeitar-se à morte que nós merecíamos &#8211; e o poder infinito e invencível da outra, isto é, da Divindade, pudesse triunfar e preparar-nos a vida, a liberdade e a vitória perpétua.15 Assim confessamos e cremos sem nenhuma dúvida.</p>
<p>1. Ef 1:11; Mt 25:34.</p>
<p>2. Ef 1:22-23.</p>
<p>3. Hb 2:7-8, 11-12; Sl 22:22.</p>
<p>4. Hb 13:20; 1Pd 2:24; 5:4.</p>
<p>5. Sl 130:3; 143:2.</p>
<p>6. 1Tm 2:5.</p>
<p>7. Jo 1:12.</p>
<p>8. Jo 20:17.</p>
<p>9. Rm 5:17-19.</p>
<p>10. Rm 8:15; Gl 4:5-6.</p>
<p>11. At 17:26.</p>
<p>12. Hb 2:11-12.</p>
<p>13. 1Pd 3:18; Is 53:8.</p>
<p>14. At 2:24.</p>
<p>15. Jo 1:2; At 20:20; 1Tm 3:16; Jo 3:16</p>
<p>9º CAPÍTULO<br />
A Morte, a Paixão e o Sepultamento de Cristo</p>
<p>[Confessamos] que nosso Senhor Jesus Cristo se ofereceu ao Pai em sacrifício voluntário por nós,1 que sofreu a contradição dos pecadores, que foi ferido e açoitado pelas nossas transgressões,2 que, sendo o Cordeiro de Deus puro e inocente3 foi condenado na presença de um juiz terreno,4 a fim de que fôssemos absolvidos perante o tribunal de nosso Deus;5 que sofreu não só a cruel morte de cruz &#8211; que foi maldita pela sentença de Deus6 &#8211; mas também sofreu por um pouco a ira de seu Pai,7 que os pecadores mereciam. Mas declaramos que ele permanece como o Filho unicamente amado e bendito do Pai, mesmo em meio à angústia e ao tormento que ele sofreu na alma e no corpo, para dar plena satisfação pelos pecados do povo,8 e agora confessamos e declaramos que não resta nenhum outro sacrifício pelo pecado.9 Se há alguns que assim afirmam, não necessitamos em declarar que são blasfemos contra a morte de Cristo e contra a satisfação eterna que por ela nos foi preparada.</p>
<p>1. Hb 10:1-12.</p>
<p>2. Is 53:5; Hb 12:3.</p>
<p>3. Jo 1:29.</p>
<p>4. Mt 27:11,26; Mc 15; Lc 23.</p>
<p>5. Gl 3:13.</p>
<p>6. Dt 21:23.</p>
<p>7. Mt 26:38-39.</p>
<p>8. 2Co 5:21.</p>
<p>9. Hb 9:12; 10:14.</p>
<p>10º CAPÍTULO<br />
A Ressurreição</p>
<p>Visto que era impossível que as dores da morte pudessem reter cativo o Autor da vida,1 cremos sem nenhuma dúvida que nosso Senhor Jesus Cristo foi crucificado morto e sepultado, o qual desceu ao inferno, ressuscitou para nossa justificação2 e para a destruição daquele que era o autor do pecado, e nos trouxe de novo a vida, a nós que estávamos sujeitos à morte e ao seu cativeiro.3 Sabemos que sua ressurreição foi confirmada pelos testemunhos de seus inimigos4 e pela ressurreição dos mortos, cujos sepulcros se abriram e eles ressuscitaram e apareceram a muitos dentro da cidade de Jerusalém,5 e que foi também confirmada pelos testemunhos dos anjos,6 pelos sentidos e pelo julgamento dos apóstolos e de outros que privaram com ele e com ele comeram e beberam depois da sua ressurreição.7</p>
<p>1. At 2:24.</p>
<p>2. At 3:26; Rm 6:5, 9; 4:25.</p>
<p>3. Hb 2:14-15.</p>
<p>4. Mt 28:4.</p>
<p>5. Mt 27:52-53.</p>
<p>6. Mt 28:5-6.</p>
<p>7. Jo 20:27; 21:7,12-13; Lc 24:41-43.</p>
<p>11º CAPÍTULO<br />
A Ascensão</p>
<p>Não duvidamos, de modo nenhum, que exatamente o mesmo corpo que nasceu da Virgem, foi crucificado, morto e sepultado, e que ele ressurgiu e subiu aos céus, para cumprimento de todas as coisas,1 onde em nosso nome e para a nossa consolação recebeu todo o poder no céu e na terra,2 onde ele está sentado, à destra do Pai, tendo sido coroado no seu reino, como o único advogado e mediador por nós;3 essa glória, honra e prerrogativa possuirá ele, só, entre os irmãos, até que todos os seus inimigos sejam feitos escabelo dos seus pés.4 Assim também cremos, sem dúvida alguma, que haverá um juízo final, para cuja execução o mesmo Senhor Jesus há de vir visivelmente, como foi visto subir.5 E cremos firmemente que virá então o tempo da recriação e restauração de todas as coisas,6 de modo que aqueles que desde o principio sofreram violência e afronta por causa da justiça, entrarão na posse da bendita imortalidade a eles prometida desde o princípio.7</p>
<p>Mas, por outro lado, os obstinados, os desobedientes, os cruéis, os perseguidores, os impuros, os idólatras e incrédulos de toda sorte serão lançados no cárcere das trevas exteriores, onde o seu verme não morrerá, nem seu fogo se apagará.8 A lembrança daquele dia e do juízo que nele será executado não é apenas freio para coibir nossos apetites carnais, mas também uma consolação tão grande e tão incomparável que nem a ameaça dos príncipes deste mundo, nem o medo da morte temporal e do perigo presente podem levar-nos a renunciar e abandonar aquela bendita sociedade que nós, os membros, temos com o Cabeça e nosso único Mediador, Jesus Cristo:9 a quem nós confessamos e reconhecemos ser o Messias prometido, o único Cabeça da Igreja, nosso justo Legislador, nosso único Sumo-Sacerdote, Advogado e Mediador,10 em cujas honras e funções, se homem ou anjo ousa intrometer-se, nós os detestamos e repudiamos completamente como blasfemos de nosso soberano e supremo Governador, Jesus Cristo.</p>
<p>1. Mc 16:9; Mt 28:6; Lc 24:51; At 1:9.</p>
<p>2. Mt 28:18.</p>
<p>3. 1Jo 2:1; 1Tm 2:5.</p>
<p>4. Sl 110:1; Mt 22:44; Mc 12:36; Lc 20:42-43.</p>
<p>5. At 1:8.</p>
<p>6. At 3:19.</p>
<p>7. Mt25:34. 2Tss 1:4-8.</p>
<p>8. Ap 21:27; Is 66:24; Mt 25:41; Mc 9:44, 46,48; Mt 22:13.</p>
<p>9. 2Pd 3:11; 2Co 5:9-11; Lc 21:27-28; Jo 14:1, etc.</p>
<p>10. Is 7:14; Ef 1:22; Cl 1:18; Hb 9:11,15; 10:21; 1Jo 2:1; 1Tm 2:5.</p>
<p>12º CAPÍTULO<br />
A Fé no Espírito Santo</p>
<p>Esta fé e a sua certeza não procedem da carne e do sangue, isto é, de uma faculdade natural que há em nós, mas são a inspiração do Espírito Santo,1 que nós confessamos ser Deus, igual com o Pai e com seu Filho,2 que nos santifica e nos conduz em toda verdade pela sua operação, sem o qual permaneceríamos para sempre inimigos de Deus e ignorantes de seu Filho, Jesus Cristo. Porque por natureza somos mortos, cegos e perversos, de maneira que nem sequer sentimos quando somos aguilhoados, nem vemos a luz quando brilha, nem podemos assentir à vontade de Deus quando ela se revela, se o Espírito de nosso Senhor não vivificar o que está morto, não remover as trevas de nossas mentes e não dobrar a rebelião dos nossos corações à obediência da sua bendita vontade.3 Dessa forma, assim como confessamos que Deus o Pai nos criou quando ainda não existíamos,4 assim como o seu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, nos redimiu quando éramos seus inimigos,5 assim também confessamos que o Espírito Santo nos santificou e regenerou, sem qualquer respeito a qualquer mérito nosso &#8211; seja anterior seja posterior à nossa regeneração.6 Para deixar isto ainda mais claro: como de boa vontade renunciamos a qualquer honra e glória pela nossa própria criação e redenção,7 assim também o fazemos pela nossa regeneração e santificação, pois por nós mesmos nada de bom somos capazes de pensar, mas só aquele que em nós começou a obra nos faz continuar nela,8 para o louvor e glória de sua graça imerecida.9</p>
<p>1. Mt 16:17; Jo 14:26; 15:26; 16:13.</p>
<p>2. At 5:3-4.</p>
<p>3. Cl 2:13; Ef 2:1; Jo 9:39; Ap 3:17; Mt 17:17; Mc 9:19; Lc 9:41; Jo 6:63; Mq 7:8; 1Rs 8:57-58.</p>
<p>4. Sl 100:3.</p>
<p>5. Rm 5:10.</p>
<p>6. Jo 3:5; Tt 3:5; Rm 5:8.</p>
<p>7. Fp 3:7.</p>
<p>8. Fp 1:6; 2 Co 3:5.</p>
<p>9. Ef 1:6.</p>
<p>13º CAPÍTULO<br />
A Causa das Boas Obras</p>
<p>Assim, confessamos que a causa das boas obras não é nosso livre arbítrio, mas o Espírito de Jesus, nosso Senhor, que habita em nossos corações pela verdadeira fé, produz as obras, quais Deus as preparou para que andássemos nelas. Por isso, com toda a ousadia afirmamos que é blasfêmia dizer que Cristo habita nos corações daqueles em quem não há nenhum espírito de santificação.1 Portanto, não hesitamos em afirmar que os assassinos, os opressores, os cruéis, os perseguidores, os adúlteros, os fornicários, os idólatras, os alcoólatras, os ladrões e outros que praticam a iniqüidade, não têm nem verdadeira fé, nem qualquer porção do Espírito do Senhor Jesus, enquanto obstinadamente continuarem na impiedade.</p>
<p>Pois, logo que o Espírito do Senhor Jesus, a quem os escolhidos de Deus recebem pela verdadeira fé, toma posse do coração de alguém, imediatamente ele regenera e renova esse homem, que assim começa a odiar aquilo que antes amava e a amar o que antes odiava. Daí resulta a contínua batalha entre a carne e o espírito: a carne e o homem natural, segundo a sua corrupção, cobiçam coisas que lhes são agradáveis e deleitáveis, murmuram na adversidade e enchem-se de orgulho na prosperidade e estão em todos os momentos propensos e prontos a ofender a majestade de Deus.2 Mas o Espírito de Deus, que dá testemunho junto ao nosso espírito de que somos filhos de Deus,3 leva-nos a resistir aos prazeres imundos e a suspirar na presença de Deus pelo livramento desse cativeiro da corrupção,4 e finalmente a triunfar sobre o pecado, para que ele não reine em nossos corpos mortais.5</p>
<p>Os homens carnais não têm esse conflito, pois são destituídos do Espírito de Deus, mas seguem e obedecem com avidez ao pecado, sem nenhum pesar, estimulados pelo Diabo e por sua cupidez depravada. Os filhos de Deus, porém, como antes foi dito, lutam contra o pecado, suspiram e gemem quando se sentem tentados à prática do mal; e, se caem, levantam-se outra vez com arrependimento não fingido.6 Eles fazem estas coisas não pelo seu próprio poder, mas pelo poder do Senhor Jesus, sem quem nada podem fazer.7</p>
<p>1. Ef 2:10; Fp 2:13; Jo 15:5; Rm 8:9.</p>
<p>2. Rm 7:15-25; Gl 5:17.</p>
<p>3. Rm 8:16.</p>
<p>4. Rm 7:24; 8:22.</p>
<p>5. Rm 6:12.</p>
<p>6. 2Tm 2:26.</p>
<p>7. Jo 15:5.</p>
<p>14º CAPÍTULO<br />
As Obras que são Consideradas Boas diante de Deus</p>
<p>Confessamos e reconhecemos que Deus deu ao homem sua santa Lei, na qual se proíbem não só as obras que desagradam e ofendem sua divina majestade, mas também se ordenam todas aquelas que lhe agradam e que ele prometeu recompensar.1 Essas obras são de duas espécies. Umas são praticadas para a honra de Deus e as outras para benefício de nosso próximo, e ambas têm a vontade revelada de Deus como sua garantia.</p>
<p>Ter um só Deus, adorá-lo e honrá-lo, invocá-lo em todas as nossas dificuldades, reverenciar o seu santo nome, ouvir a sua Palavra e crer nela, participar dos seus santos sacramentos, são obras da primeira espécie.2 Honrar pai, mãe, príncipes, governantes e poderes superiores, amá-los, sustentá-los, obedecer às suas ordens &#8211; se estas não são contrárias aos mandamentos divinos &#8211; salvar as vidas dos inocentes, reprimir a tirania, defender os oprimidos, conservar nossos corpos limpos e santos, viver em sobriedade e temperança, tratar de modo justo todos os homens tanto por palavras como por obras e, finalmente, reprimir quaisquer desejos pelos quais nosso próximo recebe ou pode receber dano,3 são as boas obras da segunda espécie, as quais são mui gratas e aceitáveis a Deus, visto que ele mesmo as ordenou.</p>
<p>Os atos contrários são pecados dignos da maior indignação, que sempre lhe desagradam e o provocam à ira. São eles: não invocar só a ele quando temos necessidade, não ouvir com reverência a sua Palavra, mas desprezá-la e rejeitá-la, ter ou adorar ídolos, alimentar e defender a idolatria, fazer pouco do venerável nome de Deus, profanar, abusar ou desprezar os sacramentos de Jesus Cristo, não obedecer ou resistir aos que Deus colocou em autoridade, enquanto se mantenham dentro dos limites da sua vocação,4 cometer homicídio ou ser conivente com homicídio, odiar o próximo, permitir que seja derramado o sangue inocente, se podemos impedi-lo.5 Em conclusão, confessamos e afirmamos que a quebra de qualquer mandamento da primeira ou da segunda espécie é pecado,6 pelo qual se acende a ira de Deus contra o mundo soberbo e ingrato. Assim, afirmamos serem boas obras somente as que são praticadas com fé,7 segundo o mandamento de Deus,8 que, em sua lei, expôs o que lhe agrada. Afirmamos que as obras más não são apenas as que se praticam expressamente contra o mandamento de Deus,9 mas também as que em assuntos religiosos e de culto a Deus, não têm outro fundamento senão a invenção e a opinião do homem. Desde o princípio Deus as vem rejeitando, como aprendemos das palavras do profeta lsaías10 e de nosso Senhor Jesus Cristo: “Em vão me adoram, ensinando doutrinas e mandamentos de homens”.11</p>
<p>1. Êx 20:3, etc.; Dt 5:6, etc.; 4:8.</p>
<p>2. Lc 10:27-28; Mq 6:8.</p>
<p>3. Ef 6:1,7; Ez 22:1,etc.; 1Co 6:19-20; 1Tss 4:3-7; Jr 22:3, etc.; Is 50:1, etc.; 1Tss. 4:6.</p>
<p>4. Rm 13:2.</p>
<p>5. Ez 22:13, etc.</p>
<p>6. 1Jo 3:4.</p>
<p>7. Rm 14:23; Hb 11:6.</p>
<p>8. 1Sm 15:22; 1Co 10:31.</p>
<p>9. 1Jo 3:4.</p>
<p>10. Is 29:13.</p>
<p>11. Mt 15:9; Mc 7:7.</p>
<p>15º CAPÍTULO<br />
A Perfeição da Lei e a Imperfeição do Homem</p>
<p>Confessamos e reconhecemos que a Lei de Deus é a mais justa, a mais imparcial e a mais santa, e o que ela ordena, se perfeitamente praticado, iluminaria e poderia conduzir o homem à felicidade eterna;1 mas a nossa natureza é tão corrupta, fraca e imperfeita que jamais seríamos capazes de cumprir perfeitamente as obras da Lei.2 Mesmo depois de sermos regenerados, se dissermos que não temos pecados, enganamo-nos a nós mesmos e a verdade de Deus não está em nós.3 Por isso, importa que nos apeguemos a Cristo, em sua justiça e satisfação, pois ele é o fim e o complemento da Lei e é por ele que somos libertados, de modo que, embora não cumpramos a Lei em todos os pontos, contudo, estamos imunes da execração de Deus.4 Deus o Pai contempla-nos no corpo de seu Filho Jesus Cristo, aceita como perfeita a nossa obediência imperfeita5 e cobre todas as nossas obras, que estão poluídas por muitas manchas,6 com a perfeita justiça do seu Filho.</p>
<p>Não queremos dizer que fomos libertados, de modo a não devermos mais obediência alguma à Lei &#8211; pois já reconhecemos o lugar dela &#8211; mas afirmamos que ninguém na terra, pela sua conduta &#8211; com exceção apenas de Cristo Jesus &#8211; deu, dá e dará à Lei a obediência que ela requer. Quando tivermos feito tudo, devemos prostrar-nos e confessar sinceramente que somos servos inúteis.7 Portanto, todos os que se vangloriam dos méritos de suas obras põem sua confiança em obras de supererrogação, ou se vangloriam da vaidade, ou põem sua confiança em idolatria condenável.</p>
<p>1. Lv 18:5; Gl 3:12; 1Tm 1:8; Rm 7:12; Sl 19:7-9; 19:11.</p>
<p>2. Dt 5:29; Rm 10:3.</p>
<p>3. 1Rs 8:46; 2Cr 6:36; Pv 20:9; Ec 7:22; 1Jo 1:8.</p>
<p>4. Rm 10:4; Gl 3:13; Dt 27:26.</p>
<p>5. Fp 2:15.</p>
<p>6. Is 64:6.</p>
<p>7. Lc 17:10.</p>
<p>16º CAPÍTULO<br />
Da Igreja</p>
<p>Assim como cremos em um só Deus, Pai, Filho e Espírito Santo, assim também firmemente cremos que houve desde o princípio, há agora e haverá até o fim do mundo uma só Igreja, isto é, uma sociedade e multidão de homens escolhidos por Deus, que corretamente o adoram e aceitam, pela verdadeira fé em Jesus Cristo,1 o qual, só, é a Cabeça da Igreja, assim como é ela o corpo e a esposa de Jesus Cristo. Essa Igreja é católica, isto é, universal, porque compreende os escolhidos de todos os tempos, de todos os reinos, nações e línguas, ou dos judeus ou dos gentios, que tenham comunhão e associação com Deus o Pai, e com seu Filho, Jesus Cristo, pela santificação do Espírito Santo.2 Por isso ela é chamada comunhão, não dos profanos, mas dos santos, que, como cidadãos da Jerusalém celestial,3 gozam de benefícios inestimáveis: um só Deus, um só Senhor Jesus Cristo, uma só fé e um só batismo.4 Fora dessa Igreja não há nem vida nem felicidade eterna. Portanto, detestamos completamente a blasfêmia dos que sustentam que os homens que vivem segundo à equidade e a justiça serão salvos, não importando que religião professem. Pois, visto que sem Cristo não há vida nem salvação,5 ninguém terá parte nesta senão aquele que o Pai deu ao seu Filho, Jesus Cristo, e aqueles que no tempo oportuno a ele vierem,6 confessarem a sua doutrina e nele crerem (incluímos as crianças de pais crentes).7 Essa Igreja é invisível, conhecida só de Deus &#8211; que é o único a conhecer os que ele escolheu8 &#8211; e compreende, como já ficou dito, tanto os escolhidos que já partiram, e é chamada geralmente a “Igreja Triunfante”, como os que ainda vivem e lutam contra o pecado e Satanás, e os que viverem daqui por diante.9</p>
<p>1. Mt 28:20; Ef 1:4.</p>
<p>2. Cl 1:18; Ef 5:23-24, etc.; Ap 7:9.</p>
<p>3. Ef 2:19.</p>
<p>4. Ef 4:5.</p>
<p>5. Jo 3:36.</p>
<p>6. Jo 5:24; 6:37; 6:39; 6:65; 17:6.</p>
<p>7. At 2:39.</p>
<p>8. 2Tm 2:19; Jo 13:18.</p>
<p>9. Ef 1:10; Cl 1:20; Hb 12:4.</p>
<p>17º CAPÍTULO<br />
Da Imortalidade das Almas</p>
<p>Os escolhidos, que partiram, estão em paz e descansam de seus trabalhos;1 não que durmam e estejam perdidos no esquecimento, como sustentam alguns fantasistas, mas porque foram libertados de todo medo, de tormentos, e de toda tentação, coisas a que nós e todos os escolhidos de Deus nesta vida estamos sujeitos.2 Por isso a Igreja é chamada Militante. Por outro lado, os réprobos e infiéis falecidos padecem angústia, tormentos e penas inenarráveis.3 Nem estes nem aqueles se encontram em tal sono que os impeça de sentir em que situação estejam, como claramente atestam a parábola de Jesus Cristo em São Lucas 16,4 as suas próprias palavras na cruz ao ladrão5 e o clamor das almas, sob o altar:6 “Senhor, que és justo e imparcial, até quando deixarás sem vingança o nosso sangue entre os habitantes da terra?”</p>
<p>1. Ap 14:13.</p>
<p>2. Is 25:8; Ap 7:14-17; 21:4.</p>
<p>3. Ap 16:10-11; Is 66:24; Mc 9:44, 46, 48.</p>
<p>4. Lc 16:23-26.</p>
<p>5. Lc 23:43.</p>
<p>6. Ap 6:9-10.</p>
<p>18º CAPÍTULO<br />
Os Sinais pelos quais a Verdadeira Igreja será Distinguida da Falsa<br />
e quem será Juiz da Doutrina</p>
<p>Satanás vem trabalhando desde o princípio para adornar sua pestilenta sinagoga com o título de Igreja de Deus, e inflamando corações de crudelíssimos assassinos, para perseguirem, perturbarem e molestarem a verdadeira Igreja e seus membros, como Caim com Abel,1 Ismael com Isaque,2 Esaú com Jacó3 e todos os sacerdotes dos judeus com Jesus Cristo e seus apóstolos que vieram depois dele.4 Por isso, é necessário que a verdadeira Igreja, por sinais claros e perfeitos, se distinga de tais sinagogas corruptas, a fim de que não sejamos enganados e, para nossa própria condenação, recebamos e abracemos a falsa pela verdadeira. As marcas, os sinais e as características pelos quais a noiva imaculada de Cristo se distingue da impura e horrível meretriz &#8211; a Igreja dos maldosos &#8211; nós afirmamos que não são nem a antiguidade, nem o título usurpado, nem a sucessão linear, nem a multidão de homens que aprovam o erro. Caim existiu primeiro do que Abel e Sete5 quanto à idade e ao título; Jerusalém tinha precedência sobre todos os outros lugares da terra,6 pois nela os sacerdotes descendiam linearmente de Aarão, e maior era o número que seguia os escribas, fariseus e sacerdotes do que aqueles que verdadeiramente criam em Jesus Cristo e aprovavam a sua doutrina.7 No entanto ninguém de são juízo, supomos, sustentará que qualquer dos acima nomeados era a Igreja de Deus.</p>
<p>Portanto, nós cremos, confessamos e declaramos que as marcas da verdadeira Igreja são, primeiro e antes de tudo, a verdadeira pregação da Palavra de Deus, na qual Deus mesmo se revelou a nós, como nos declaram os escritos dos profetas e apóstolos; segundo, a correta administração dos sacramentos de Jesus Cristo, os quais devem ser associados à Palavra e à promessa de Deus para selá-las e confirmá-las em nossos corações;8 e, finalmente, a disciplina eclesiástica corretamente administrada, como prescreve a Palavra de Deus, para reprimir o vício e estimular a virtude.9 Onde quer que essas marcas se encontrem e continuem por algum tempo &#8211; ainda que o número de pessoas não exceda de duas ou três &#8211; ali, sem dúvida alguma, está a verdadeira Igreja de Cristo, o qual, segundo a sua promessa, está no meio dela.10 Isto não se refere à Igreja universal de que falamos antes, mas às igrejas particulares, tais como as que havia em Corinto,11 na Galácia,12 em Éfeso13 e noutros lugares onde o ministério foi implantado por Paulo e às quais ele mesmo chamou igrejas de Deus.</p>
<p>Tais igrejas nós, habitantes do reino da Escócia, confessando a Jesus Cristo, afirmamos ter em nossas cidades, vilas e distritos reformados, porque a doutrina ensinada em nossas igrejas está contida na Palavra de Deus escrita, isto é, no Velho e no Novo Testamentos, nos livros originalmente reconhecidos como canônicos. Afirmamos que neles todas as coisas que devem ser cridas para a salvação dos homens estão suficientemente expressas.14 Confessamos que a interpretação da Escritura não é atribuição de nenhuma pessoa particular ou pública, nem mesmo de qualquer igreja em virtude de qualquer preeminência ou prerrogativa, pessoal ou local, que uma tenha sobre a outra, mas esse direito e autoridade só pertencem ao Espírito de Deus por quem as Escrituras foram escritas.15</p>
<p>Quando surge, pois, controvérsia acerca do exato sentido de qualquer passagem ou sentença da Escritura, ou para a reforma de algum abuso na Igreja de Deus, devemos perguntar não tanto o que os homens disseram ou fizeram antes de nós, como o que o Espírito Santo, uniformemente, fala no corpo das Escrituras Sagradas e o que Jesus Cristo mesmo fez e mandou.16 Pois todos reconhecem sem discussão que o Espírito de Deus, que é o Espírito de unidade, não pode contradizer-se a si mesmo.17 Assim, se a interpretação ou decisão ou opinião de qualquer doutor da Igreja ou concílio é contrária à expressa Palavra de Deus em qualquer outra passagem da Escritura, é certo que essa interpretação não representa a mente e sentido do Espírito Santo, ainda que concílios, reinos e nações a tenham admitido e aprovado. Não ousamos admitir nenhuma interpretação contrária a qualquer artigo principal de fé, ou a qualquer texto claro da Escritura, ou à regra do amor.</p>
<p>1. Gn 4:8.</p>
<p>2. Gn 21:9.</p>
<p>3. Gn 27:41.</p>
<p>4. Mt 23:34; Jo 15:18-20,24; 11:47,53; At 4:1-3; 5:17, etc.</p>
<p>5. Gn 4:1.</p>
<p>6. Sl 48:2-3; Mt 5:35.</p>
<p>7. Jo 12:42.</p>
<p>8. Ef 2:20; At 2:42; Jo 10:27; 18:37; 1Co 1:13; Mt 18:19-20; Mc 16:15-16; 1C. 11:24-26; Rm 4:11.</p>
<p>9. Mt 18:15-18; 1Co 5:4-5.</p>
<p>10. Mt 18:19-20.</p>
<p>11. 1Co 1:2; 2Co 1:2.</p>
<p>12. Gl 1:2.</p>
<p>13. Ef 1:1; At 16:9-10; 18:1, etc.; 20:17, etc.</p>
<p>14. Jo 20:31; 2Tm 3:16-17.</p>
<p>15. 2Pd 1:20-21.</p>
<p>16. Jo 5:39.</p>
<p>17. Ef 4:3-4.</p>
<p>19º CAPÍTULO<br />
A Autoridade das Escrituras</p>
<p>Cremos e confessamos que as Escrituras de Deus são suficientes para instruir e aperfeiçoar o homem de Deus, e assim afirmamos e declaramos que a sua autoridade vem de Deus e não depende de homem ou de anjo.1 Afirmamos, portanto, que os que dizem não terem as Escrituras outra autoridade a não ser a que elas receberam da Igreja são blasfemos contra Deus e fazem injustiça à verdadeira Igreja, que sempre ouve e obedece à voz de seu próprio Esposo e Pastor, mas nunca se arroga o direito de senhora.2</p>
<p>1. 1Tm 3:16-17.</p>
<p>2. Jo 10:27.</p>
<p>20º CAPÍTULO<br />
Dos Concílios Gerais, seu Poder, sua Autoridade<br />
e Causas de sua Convocação</p>
<p>Assim como não condenamos irrefletidamente o que homens bons, reunidos em concílio geral legalmente convocado, estabeleceram antes de nós, assim não admitimos sem justo exame tudo o que tenha sido declarado aos homens em nome de concílio geral, pois é manifesto que, sendo humanos, alguns deles manifestamente erraram, e isso em questões de máximo peso e importância.1 Então, na medida em que um concílio confirma sua decisão e seus decretos pela clara Palavra de Deus, nós os respeitamos e acatamos. Mas, se homens, em nome de um concílio, pretendem forjar-nos novos artigos de fé, ou tomar decisões contrárias à Palavra de Deus, então devemos definitivamente negar como doutrinas de demônios tudo aquilo que afasta nossas almas da voz do único Deus para levar-nos a seguir doutrinas e decisões de homens.2</p>
<p>A razão por que os concílios gerais se reuniram não foi para elaborar qualquer lei permanente que Deus não tivesse feito antes, nem para formular novos artigos para a nossa fé, nem para conferir autoridade à Palavra de Deus; muito menos para afirmá-la como Palavra de Deus, ou para dela dar a verdadeira interpretação que não fora previamente expressa pela sua santa vontade em sua Palavra.3 Mas a razão dos concílios &#8211; pelo menos daqueles que merecem tal nome &#8211; foi em parte refutar heresias e fazer confissão pública de sua fé a ser seguida pela posteridade, e eles fizeram uma e outra coisa pela autoridade da Palavra de Deus escrita, sem apelar a qualquer prerrogativa de que, pelo fato de serem concílios gerais, não poderiam errar. Foi essa a razão primeira e principal dos concílios gerais, em nossa opinião. Uma segunda foi constituir e observar boa administração na Igreja, em que &#8211; como casa de Deus que é4 – convém que tudo seja feito com decência e ordem.5 Não que pensemos que a mesma administração ou ordem de cerimônias possa ser estabelecido para todas as épocas, tempos e lugares; pois, como cerimônias que os homens inventaram, são apenas temporais, e, assim, podem e devem ser mudadas quando se percebe que o seu uso fomenta antes a superstição que a edificação da Igreja.</p>
<p>1. Gl 2:11-14.</p>
<p>2. 1Tm 4:1-3; Cl 2:18-23.</p>
<p>3. At 15:1, etc.</p>
<p>4. 1Tm 3:15; Hb 3:2.</p>
<p>5. 1Co 14:40.</p>
<p>21º CAPÍTULO<br />
Dos Sacramentos</p>
<p>Assim como os patriarcas sob a Lei, além da realidade dos sacrifícios, tinham dois sacramentos principais, isto é, a circuncisão e a páscoa, e aqueles que os desprezavam e negligenciavam não eram contados entre o povo de Deus,1 assim nós também reconhecemos e confessamos que agora, na era do Evangelho, só temos dois sacramentos principais, instituídos por Cristo e ordenados para uso de todos os que desejam ser considerados membros de seu corpo, isto é, o Batismo e a Ceia ou Mesa do Senhor, também chamada popularmente Comunhão do seu Corpo e do seu Sangue.2 Esses sacramentos, tanto do Velho Testamento como do Novo, foram instituídos por Deus, não só para estabelecer distinção visível entre o seu povo e os que estavam fora da Aliança, mas também para exercitar a fé dos seus filhos e, pela participação de tais sacramentos, selar em seus corações a certeza da sua promessa e daquela associação, união e sociedade mui felizes que os escolhidos têm com seu Cabeça, Jesus Cristo.</p>
<p>E, assim, condenamos inteiramente a vaidade dos que afirmam que os sacramentos não são outra coisa que meros sinais desnudos. Muito ao contrário, cremos seguramente que pelo Batismo somos enxertados em Jesus Cristo, para nos tornarmos participantes de sua justiça, pela qual todos os nossos pecados são cobertos e perdoados; cremos também que na Ceia corretamente usada, Cristo se une de tal modo a nós, que se torna o próprio alimento e sustento de nossas almas.3 Não que imaginemos qualquer transubstanciação do pão no corpo natural de Cristo e do vinho em seu sangue natural, como têm ensinado perniciosamente os pontifícios e como crêem para sua condenação; mas essa união e associação que temos com o corpo e o sangue de Jesus Cristo no uso reto dos sacramentos se realiza por meio do Espírito Santo, que pela verdadeira fé nos transporta acima de todas as coisas visíveis &#8211; que são carnais e terrenas &#8211; e nos habilita a alimentar-nos do corpo e do sangue de Jesus Cristo, uma vez partido e derramado por nós, e que agora está no céu e se apresenta por nós na presença do Pai.4 Não obstante a distância entre o seu corpo agora glorificado no céu e nós mortos aqui na terra, contudo cremos firmemente que o pão que partimos é a comunhão do corpo de Cristo e o cálice que abençoamos é a comunhão do seu sangue.5 Assim, confessamos, e cremos, sem nenhuma dúvida, que os fiéis, mediante o uso reto da Ceia do Senhor, comem o corpo e bebem o sangue de Jesus Cristo, porque ele permanece neles e eles nele; eles, até, se tornam carne da sua carne e osso dos seus ossos6 de maneira tal que, como a Divindade eterna conferiu à carne de Jesus Cristo vida e imortalidade,7 assim também o comer e o beber da carne e do sangue de Jesus Cristo nos confere essas prerrogativas. Declaramos, contudo, que isto não nos é dado só na ocasião do sacramento, nem pela sua ação ou virtude; mas afirmamos que os fiéis, mediante o uso certo da Ceia do Senhor, têm com Jesus Cristo,8 uma união que o homem natural não pode compreender.</p>
<p>Além disso afirmamos que, embora os fiéis, impedidos pela negligência e pela fraqueza humana, não aproveitem tanto quanto desejariam, na própria ocasião em que se celebra a Ceia, no entanto subseqüentemente ela produzirá frutos, sendo semente viva semeada em boa terra, pois o Espírito Santo, que nunca pode estar separado do uso reto da Instituição de Cristo, não privará os fiéis do fruto dessa ação mística. Mas tudo isto, dizemos, vem da verdadeira fé que apreende Jesus Cristo, o único que faz o sacramento eficaz em nós. Portanto, todos os que nos difamam dizendo que afirmamos ou cremos que os sacramentos não são outra coisa que sinais desnudos e vazios, fazem-nos injustiça e falam contra a verdade manifesta.</p>
<p>Isto, no entanto, admitimos livre e espontaneamente, que fazemos distinção entre Cristo em sua substância eterna e os elementos dos sinais sacramentais. Assim, nem adoramos os elementos em lugar do que eles significam, nem os julgamos dignos de adoração, nem os desprezamos, ou interpretamos como inúteis e vãos, mas deles participamos com grande reverência, examinando-nos a nós mesmos o mais diligentemente antes de participarmos deles, pois somos persuadidos pelos lábios do apóstolo, de que “aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor, indignamente, será réu do corpo e do sangue de Jesus Cristo”.9</p>
<p>1. Gn 17:10-11; Êx 23:3,etc.; Gn 17:14; Nm 9:13.</p>
<p>2. Mt 28:19; Mc 16:15-16; Mt 26:26-28; Mc 14:22-24; Lc 22:19-20; 1Co 11:23-26.</p>
<p>3. 1Co 10:16; Rm 6:3-5; Gl 3:27.</p>
<p>4. Mc 16:19; Lc 24:51; At 1:11; 3:21.</p>
<p>5. 1Co 10:16.</p>
<p>6. Ef 5:30.</p>
<p>7. Mt 27:50; Mc 15:37; Lc 23:46; Jo 19:30.</p>
<p>8. Jo 6:51; 6:53-58.</p>
<p>9. 1Co 11:27-29.</p>
<p>22º CAPÍTULO<br />
Da Reta Administração dos Sacramentos</p>
<p>Duas coisas são necessárias para a reta administração dos sacramentos. A primeira é que eles devem ser ministrados por ministros legítimos; e declaramos que tais são apenas os que são designados para a pregação da Palavra, em cujos lábios pôs Deus a Palavra de exortação e que estes são os que são para isso legitimamente escolhidos por alguma Igreja. A segunda é que devem ser ministrados com os elementos e da maneira que Deus estabeleceu; de outra forma, afirmamos que deixam de ser os sacramentos corretos de Jesus Cristo.</p>
<p>Esse o motivo por que abandonamos a sociedade da Igreja pontifícia e fugimos à participação dos seus sacramentos. Primeiramente, porque seus ministros não são ministros de Jesus Cristo (o que é mais horrendo é que eles permitem que mulheres batizem, quando a estas o Espírito Santo não permite ensinar na congregação). Em segundo lugar, porque adulteraram de tal modo um e outro sacramentos com as suas próprias invenções que nenhuma parte do ato original de Cristo permanece em sua simplicidade original. O óleo, o sal, o cuspo e outras coisas, no batismo, são simples invenções humanas; a adoração ou veneração do sacramento, o transportá-lo pelas ruas e praças das cidades, a conservação do pão num escrínio ou cápsula, não é o uso legítimo do sacramento do corpo de Cristo, mas simples profanação dele. Cristo disse. “Tomai e comei”, e “Fazei isto em memória de mim.”1 Por estas palavras e por esta ordem ele santificou o pão e o vinho para sacramento do seu corpo e do seu sangue, de modo que um seria comido e todos bebessem do outro, e não que se conservem, e se adorem e honrem como Deus, como até agora fizeram os pontifícios, que, subtraindo ao povo o cálice da bênção, praticaram um horrendo sacrilégio.</p>
<p>Além disso, para uso correto dos sacramentos, requer-se que o fim e a causa da sua instituição sejam entendidos e observados não menos pelos comungantes do que pelos ministros. Se a intenção no participante se mudar, cessa o uso correto, o que é muito evidente na rejeição dos sacrifícios (assim como também se o ministro ensinar doutrina claramente falsa, o que seria odioso e detestável diante de Deus), ainda que os sacramentos sejam instituições dele próprio, porque homens ímpios deles usam para fim diverso daquele para que foram ordenados por Deus. Afirmamos que isto foi feito aos sacramentos na Igreja Pontifícia, na qual toda a ação de Jesus Cristo é adulterada, tanto na forma exterior, como no fim e na concepção. O que Cristo fez e ordenou que se fizesse é evidente dos Evangelistas e de São Paulo; o que o sacerdote pontifício faz junto do altar não é necessário repetir. O fim e a causa da instituição de Cristo, e por que o que ele instituiu deve ser feito por nós, exprime-se nestas palavras: “Fazei isto em memória de mim”; “Todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes deste cálice, anunciais” isto é, enalteceis, pregais, engrandeceis e louvais – “a morte do Senhor, até que ele venha”.2 Mas qual é o fim, qual a concepção com que os sacerdotes dizem a sua missa; revelem-no as suas próprias palavras na missa: e é que, como mediadores entre Cristo e sua Igreja, eles oferecem a Deus o Pai um sacrifício propiciatório pelos pecados dos vivos e dos mortos, doutrina blasfema porque anula a suficiência do sacrifício único de Cristo, uma vez oferecido para a purificação de todos os que são santificados. Nós aborrecemos, detestamos e repudiamos profundamente essa blasfêmia contra o próprio Jesus Cristo.3</p>
<p>1. Mt 26:26; Mc 14:22; Lc 22:19; 1Co 11:24.</p>
<p>2. 1Co 11:24-26.</p>
<p>3. Hb 9:27-28; 10:14.</p>
<p>23º CAPÍTULO<br />
A quem Interessam os Sacramentos</p>
<p>Reconhecemos e sustentamos que o batismo se aplica tanto aos filhos dos fiéis como aos fiéis adultos, dotados de discernimento, e assim condenamos o erro dos Anabatistas, que negam o batismo às crianças até que elas tenham compreensão e fé.1 Mas sustentamos que a Ceia do Senhor é somente para aqueles que pertencem à família da fé e podem examinar-se e provar-se a si mesmos, tanto em sua fé como no dever da fé para com o próximo. Os que sem fé ou permanecendo em dissensão com os seus irmãos comem e bebem naquela santa mesa comem indignamente.2 Esta a razão por que os pastores da nossa Igreja fazem exame público e particular, tanto no conhecimento como na conduta e na vida, daqueles que devem ser admitidos à Ceia do Senhor Jesus.</p>
<p>1. Cl 2:11-12; Rm 4:11; Gn 17:10; Mt 28:19.</p>
<p>2. 1Co 11:28-29.</p>
<p>24º CAPÍTULO<br />
Do Magistrado Civil</p>
<p>Confessamos e reconhecemos que impérios, reinos, domínios e cidades foram diferenciados e ordenados por Deus; o poder e a autoridade neles &#8211; dos imperadores nos impérios, dos reis nos reinos, dos duques e príncipes em seus domínios, e dos outros magistrados nas cidades – são uma santa ordenança de Deus destinada à manifestação de sua própria glória e à singular utilidade do gênero humano.1 Por isso afirmamos que todos os que procuram levantar ou confundir todo o estado do poder civil, já há muito estabelecido, não são apenas inimigos da humanidade, mas lutam impiamente contra a vontade manifesta de Deus.2</p>
<p>Além disso, confessamos e reconhecemos que todos os que foram colocados em autoridade devem ser amados,3 honrados, temidos e tidos na mais respeitosa estima, pois fazem as vezes de Deus, e em seus concílios o próprio Deus se assenta e julga.4 São eles os juizes e príncipes a quem Deus entregou a espada para o louvor e defesa dos bons e para justo castigo e vingança de todos os malfeitores.5 Além disso, afirmamos que a purificação e preservação da religião é, sobretudo e particularmente, dever de reis, príncipes, governantes e magistrados. Não foram eles ordenados por Deus apenas para o governo civil, mas também para manter a verdadeira religião e para suprimir toda idolatria e superstição. Pode-se ver isso em Davi,6 Josafá,7 Josias,8 Ezequias9 e outros altamente recomendados pelo seu singular zelo.</p>
<p>Por isso, confessamos e declaramos que todos quantos resistem à suprema autoridade, usurpando o que pertence ao ofício desta, resistem a essa ordenação de Deus e, portanto, não podem ser considerados inculpáveis diante dele. Afirmamos mais que, enquanto príncipes e governantes vigilantemente cumprirem sua função, quem quer que lhes recusar auxílio, conselho e assistência nega-o a Deus, que pela presença do seu lugar-tenente lhes solicita isso.</p>
<p>1. Rm 13:1; Tt 3:1; 1Pd 2:13-14.</p>
<p>2. Rm 13:2.</p>
<p>3. Rm 13:7; 1Pd 2:17.</p>
<p>4. Sl 82:1.</p>
<p>5. 1Pd 2:14.</p>
<p>6. 1Cr 22-26.</p>
<p>7. 2Cr 17:6, etc.; 19:8, etc.;</p>
<p>8. 2Cr 29-31.</p>
<p>9. 2Cr 34-35.</p>
<p>25º CAPÍTULO<br />
Os Dons Livremente Concedidos à Igreja</p>
<p>Embora a Palavra de Deus verdadeiramente pregada, os sacramentos corretamente ministrados e a disciplina executada segundo a Palavra de Deus sejam sinais certos e incontestáveis da verdadeira Igreja, contudo nem por isso julgamos nós que toda pessoa, individualmente, nessa comunidade seja um membro escolhido de Jesus Cristo.1 Reconhecemos e confessamos que o joio pode ser semeado com o bom trigo, e joio e palha crescem em grande abundância no trigal, isto é, que réprobos podem unir-se às congregações dos escolhidos e comungar com eles nos benefícios externos da Palavra e dos sacramentos. Mas, como eles só confessam a Deus por um pouco com seus lábios e não com seus corações, desviam-se e não continuam até o fim.2 Portanto, não participam dos frutos da morte, ressurreição e ascensão de Cristo.</p>
<p>Mas os que de coração crêem, sem nenhuma simulação, e corajosamente confessam com seus lábios o Senhor Jesus, receberão esses dons com a mais absoluta certeza, como dissemos acima.3 Primeiramente, nesta vida terão a remissão dos pecados, e isso unicamente pela fé no sangue de Cristo; Pois, apesar de o pecado permanecer e continuamente habitar nestes nossos corpos mortais, contudo ele não nos será imputado, mas será perdoado e coberto pela justiça de Cristo.4 Em segundo lugar, no juízo geral conceder-se-á a cada homem e mulher a ressurreição da carne.5 O mar devolverá os seus mortos e a terra aqueles que nela estão sepultados. Sim, o eterno Deus estenderá a sua mão sobre o pó da terra e os mortos ressurgirão incorruptíveis,6 e na substância da mesma carne que cada um agora tem,7 para receber, segundo as suas obras, ou a glória ou o castigo.8 Os que agora se deleitam na vaidade, na crueldade, na impureza, na superstição ou idolatria serão condenados ao fogo inextinguível, no qual em seus corpos e espíritos &#8211; os quais agora servem o Diabo cometendo toda abominação &#8211; eles serão atormentados para sempre. Mas os que continuam a fazer o bem até o fim confessando corajosamente o Senhor Jesus cremos firmemente que eles possuirão a glória, a honra e a imortalidade, para reinarem para sempre na vida eterna com Jesus Cristo,9 a cujo corpo glorificado todos os escolhidos se tornarão semelhantes,10 quando ele aparecer de novo no juízo e entregar o Reino a Deus, seu Pai, o qual será então e para sempre permanecerá tudo em todas as coisas, Deus bendito para todo o sempre,11 a quem, com o Filho e o Espírito Santo seja toda honra e glória, agora e para sempre. Amém.</p>
<p>Levanta-te, ó Senhor, e sejam confundidos todos os teus inimigos; fujam da tua presença os que odeiam o teu divino Nome. Dá aos teus servos forças para proclamarem a tua Palavra com ousadia, e que todas as nações se apeguem ao verdadeiro conhecimento de ti. Amém.12</p>
<p>1. Mt 13:24, etc.</p>
<p>2. Mt 13:20-21.</p>
<p>3. Rm 10:9,13.</p>
<p>4. Rm 7.</p>
<p>2Co 5:21.</p>
<p>5. Jo 5:28-29.</p>
<p>6. Ap 20:13.</p>
<p>7. Jó 19:25-27.</p>
<p>8. Mt 25:31-46.</p>
<p>9. Ap 14:10; Rm 2:6-10.</p>
<p>10. Fp 3:21.</p>
<p>11.1Co 15:24,28.</p>
<p>12. Nm 10:35; Sl 68:1; At 4:29.</p>
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		<title>Cofissão Belga</title>
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		<pubDate>Sun, 24 Jan 2010 15:29:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anderson Queiroz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Símbolos de Fé]]></category>

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		<description><![CDATA[ARTIGO 1
O ÚNICO DEUS
Todos nós cremos com o coração e confessamos com a bocal que há um só Deus2, um único e simples ser espiritual3. Ele é eterno4, incompreensível5 invisível6, imutável7, infinito8, todo-poderoso9; totalmente sábiol0, justol1 e bom12, e uma fonte muito abundante de todo bem7.
1 Rm 10:10. 2 Dt 6:4; 1Co 8:4,6; 1Tm 2:5. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>ARTIGO 1<br />
O ÚNICO DEUS</p>
<p>Todos nós cremos com o coração e confessamos com a bocal que há um só Deus2, um único e simples ser espiritual3. Ele é eterno4, incompreensível5 invisível6, imutável7, infinito8, todo-poderoso9; totalmente sábiol0, justol1 e bom12, e uma fonte muito abundante de todo bem7.</p>
<p>1 Rm 10:10. 2 Dt 6:4; 1Co 8:4,6; 1Tm 2:5. 3 Jo 4:24. 4 S1 90:2. 5 Rm 11:33. 6 Cl 1:15; 1Tm 6:16. 7 Tg 1:17. 8 1Rs 8:27; Jr 23:24. 9 Gn 17:1; Mt 19:26; Ap 1:8. 10 Rm 16:27. 11 Rm 3:25,26; Rm 9:14; Ap 16:5,7. 12 Mt 19:17. Veja também Is 40, 44 e 46.</p>
<p>ARTIGO 2<br />
COMO CONHECEMOS A DEUS</p>
<p>Nós O conhecemos por dois meios. Primeiro: pela criação, manutenção e governo do mundo inteiro, visto que o mundo, perante nossos olhos, é como um livro formoso1, em que todas as criaturas, grandes e pequenas, servem de letras que nos fazem contemplar &#8220;os atributos invisíveis de Deus&#8221;, isto é, &#8220;o seu eterno poder e a sua divindade&#8221;, como diz o apóstolo Paulo (Romanos 1:20. Todos estes atributos são suficientes para convencer os homens e torná-los indesculpáveis.</p>
<p>Segundo: Deus se fez conhecer, ainda mais clara e plenamente, por sua sagrada e divina Palavra2, isto é, tanto quanto nos é necessário nesta vida, para sua glória e para a salvação dos que Lhe pertencem.</p>
<p>1 Sl 19:1-4. 2 Sl 19:7,8; 1Co 1:18-21.</p>
<p>ARTIGO 3<br />
A PALAVRA DE DEUS</p>
<p>Confessamos que a palavra de Deus não foi enviada nem produzida &#8220;por vontade humana, mas homens falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo&#8221;, como diz o apóstolo Pedro (2 Pedro 1:21).</p>
<p>Depois, Deus, por seu cuidado especial para conosco e para com a nossa salvação, mandou seus servos, os profetas e os apóstolos, escreverem sua palavra revelada1. Ele mesmo escreveu com o próprio dedo as duas tábuas da lei2.</p>
<p>Por isso, chamamos estas escritas: sagradas e divinas Escrituras3.</p>
<p>1 Êx 34:27; Sl 102:18; Ap 1:11,19. 2 Êx 31:18. 3 2Tm 3:16.</p>
<p>ARTIGO 4<br />
OS LIVROS CANÔNICOS</p>
<p>A Sagrada Escritura consiste de dois volumes: O Antigo e o Novo Testamento, que são canônicos e não podem ser contraditos de forma alquma.</p>
<p>A Igreja de Deus reconhece a lista seguinte:</p>
<p>Os livros do Antigo Testamento:</p>
<p>Gênesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio (os cinco livros de Moisés); Josué, Juízes, Rute, 1 e 2 Samuel, 1 e 2 Reis, 1 e 2 Crônicas, Esdras, Neemias, Ester, Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes, Cantares; Isaías, Jeremias (com Lamentaçoes), Ezequiel, Daniel (os quatro profetas maiores); Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias (os doze profetas menores);</p>
<p>Os livros do Novo Testamento:</p>
<p>Mateus, Marcos, Lucas, João (os quatro evangelistas); Atos dos Apóstolos; Romanos, 1 e 2 Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses,</p>
<p>Colossenses, 1 e 2 Tessalonicenses, 1 e 2 Timóteo, Tito, Filemom (as treze epístolas do apóstolo Paulo); Hebreus, Tiago, 1 e 2 Pedro,</p>
<p>1, 2 e 3 João, Judas e Apocalipse.</p>
<p>ARTIGO 5<br />
A AUTORIDADE DA SAGRADA ESCRITURA</p>
<p>Recebemos1 todos estes livros, e somente estes, como sagrados e canônicos, para regular, fundamentar e confirmar nossa fé2. Acreditamos, sem dúvida nenhuma, em tudo que eles contêm, não tanto porque a igreja aceita e reconhece estes livros como canônicos, mas principalmente porque o Espírito Santo testifica em nossos corações que eles vêm de Deus3, como eles mesmos provam. Pois até os cegos podem sentir que as coisas, preditas neles, se cumprem4.</p>
<p>1 1Ts 2:13. 2 2Tm 3:16,17. 3 1Co 12:3; 1Jo 4:6; 1Jo 5:6b. 4 Dt 18:21,22; 1Rs 22:28; Jr 28:9; Ez 33:33.</p>
<p>ARTIGO 6<br />
A DIFERENÇA ENTRE OS LIVROS CANÔNICOS E APOCRIFOS</p>
<p>Distinguimos estes livros sagrados dos livros apócrifos que são os seguintes: 3 e 4 Esdras, Tobias, Judite, Sabedoria, Eclesiástico, Baruc, os Acréscimos ao livro de Ester e Daniel, a Oração de Manassés e 1 e 2 Macabeus.</p>
<p>A igreja pode, sim, ler estes livros e tirar deles ensino, na medida em que concordem com os livros canonicos. Porém, os apocrifos não tem tanto poder e autoridade que o testemunho deles possa confirmar qualquer artigo da fé ou da religião cristã; e muito menos podem eles diminuir a autoridade dos sagrados livros.</p>
<p>ARTIGO 7<br />
A SAGRADA ESCRITURA : PERFEITA E COMPLETA</p>
<p>Cremos que esta Sagrada Escritura contém perfeitamente a vontade de Deus e suficientemente ensina tudo o que o homem deve crer para ser salvo1. Nela, Deus descreveu, por extenso, toda a maneira de servi-Lo. por isso, não e lícito aos homens, mesmo que fossem apóstolos &#8220;ou um anjo vindo do céu&#8221;, conforme diz o apóstolo Paulo (Gálatas 1:8), ensinarem outra doutrina, senão aquela da Sagrada Escritura2. É proibido &#8220;acrescentar algo a Pa lavra de Deus ou tirar algo dela&#8221;3 (Deuteronômio 12:32; Apocalipse 22:18,19). Assim se mostra claramente que sua doutrina é perfeitíssima e, em todos os sentidos, completa4.</p>
<p>Não se pode igualar escritos de homens, por mais santos que fossem os autores, às Escrituras divinas. Nem se pode igualar à verdade de Deus costumes, opiniões da maioria, instituições antigas, sucessão de tempos ou de pessoas, ou concílios, decretos ou resoluções5. Pois a verdade está acima de tudo e todos os homens são mentirosos (Salmo 116:11) e &#8220;mais leves que a vaidade&#8221; (Salmo 62:9).</p>
<p>Por isso, rejeitamos, de todo o coração, tudo que não está de acordo com esta regra infalível6, conforme os apóstolos nos ensinaram: &#8220;Provai os espíritos se procedem de Deus&#8221; (l João 4:1), e: &#8220;Se alguém vem ter convosco e não traz esta doutrina, não o recebais em casa&#8221; (2 João :10).</p>
<p>1 2Tm 3:16,17; 1Pe 1:10-12. 2 1Co 15:2; 1Tm 1:3. 3 Dt 4:2; Pv 30:6; At 26:22; 1Co 4:6. 4 Sl 19:7; Jo 15:15; At 18:28; At 20:27; Rm 15:4. 5 Mc 7:7-9; At 4:19; Cl 2:8; 1Jo 2:19. 6 Dt 4:5,6; Is 8:20; 1Co 3:11; Ef 4:4-6; 2Ts 2:2; 2Tm 3:14,15.</p>
<p>ARTIGO 8<br />
A TRINDADE: UM SÓ DEUS, TRÊS PESSOAS</p>
<p>Conforme esta verdade e esta palavra de Deus, cremos em um só Deus1, que é um único ser, em que há três Pessoas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo2. Estas são, realmente e desde a eternidade, distintas conforme os atributos próprios de cada Pessoa.</p>
<p>O Pai é a causa, a origem e o princípio de todas as coisas visíveis e invisíveis3. O Filho é o Verbo, a sabedoria e a imagem do Pai . O Espírito Santo, que procede do Pai e do Filho, é a eterna força e o poder5.</p>
<p>Esta distinção não significa que Deus está dividido em três. Pois a Sagrada Escritura nos ensina que cada um destes três, o Pai e o Filho e o Espírito Santo, tem sua própria existência, distinta por seus atributos, de tal maneira, porém, que estas três pessoas são um só Deus. É claro, então, que o Pai não é o Filho e que o Filho não é o Pai; que, também, o Espírito Santo não é o Pai ou o Filho.</p>
<p>Entretanto, estas Pessoas, assim distintas, não são divididas nem confundidas entre si. Porque somente o Filho se tornou homem, não o Pai ou o Espírito Santo. O Pai jamais existiu sem seu Filho6 e sem seu Espírito Santo, pois todos os três têm igual eternidade, no mesmo ser. Não há primeiro nem último, pois todos os três são um só em verdade, em poder, em bondade e em misericórdia.</p>
<p>1 1Co 8:4-6. 2 Mc 3:16,17; Mt 28:19. 3 Ef 3:14,15. 4 Pv 8:22-31; Jo 1:14; Jo 5:17-26; 1Co 1:24; Cl 1:15-20; Hb 1:3; Ap 19:13. 5 Jo 15:26. 6 Mq 5:1; Jo 1:1,2.</p>
<p>ARTIGO 9<br />
O TESTEMUNHO DA ESCRITURA SOBRE A TRINDADE</p>
<p>Tudo isto sabemos tanto pelo testemunho da Sagrada Escritura1, como pelas obras das três Pessoas, principalmente por aquelas que percebemos em nós. Os testemunhos das Sagradas Escrituras, que nos ensinam a crer nesta Trindade, se acham em muitos lugares do Antigo Testamento. Não é preciso alistá-los, somente escolhê-los cuidadosamente. Em Gênesis 1:26 e 27, Deus</p>
<p>diz: &#8220;Façamos o homem a nossa imagem, conforme a nossa semelhança&#8221; etc. &#8220;Criou Deus, pois, o homem a sua imagem; homem e mulher os criou&#8221;.</p>
<p>Assim também em Gênesis 3:22: &#8220;Eis que o homem se tornou como um de nós&#8221;. Com isto se mostra que há mais de uma pessoa em Deus, porque Ele</p>
<p>diz: &#8220;Façamos o homem a nossa imagem&#8221;; e, em seguida, Ele indica que há um só Deus, quando diz: &#8220;Deus criou&#8221;. É verdade que Ele não diz quantas pessoas há, mas o que é um tanto obscuro, para nós, no Antigo Testamento, é bem claro no Novo. Pois quando nosso Senhor foi batizado no rio Jordão, ouviu-se a voz do Pai, que falou: &#8220;Este é o meu filho amado&#8221; (Mateus 3:17); enquanto o Filho foi visto na água e o Espírito Santo se manifestou em forma de pomba2.</p>
<p>A1ém disto, Cristo instituiu, para o batismo de todos os fiéis, esta forma: Batizai todas as nações &#8220;em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo&#8221; (Mateus 28:19). No evangelho segundo Lucas, o anjo Gabriel diz a Maria, mãe do Senhor: &#8220;Descerá sobre ti o Espírito Santo e o poder do Altíssimo te envolverá com a sua sombra; por isso também o ente santo que há de nascer, será chamado Filho de Deus&#8221; (Lucas 1:35). Do mesmo modo: &#8220;A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos vós&#8221; (2 Coríntios 13:13). * Em todos estes lugares, nos é ensinado que há três Pessoas em um só ser divino. E embora esta doutrina ultrapasse o entendimento humano, cremos nela, baseados na Palavra, e esperamos gozar de seu pleno conhecimento e fruto no céu.</p>
<p>Devemos considerar, também, a obra própria que cada uma destas três Pessoas efetua em nós: o Pai é chamado nosso Criador, por seu poder; o Filho é nosso Salvador e Redentor, por seu sangue; o Espírito Santo é nosso Santificador, porque habita em nosso coração.</p>
<p>A verdadeira igreja sempre tem mantido esta doutrina da Trindade, desde os dies dos apóstolos até hoje, contra os judeus, os muçulmanos e falsos cristãos e hereges como Marcião, Mani, Práxeas, Sabélio, Paulo de Samósata, Ário e outros. A igreja antiga os condenou, com toda a razão. por isso, nesta matéria, aceitamos, de boa vontade, os três Credos ecumênicos, a saber: o Apostólico, o Niceno e o Atanasiano; e também o que a igreja antiga determinou em conformidade com estes credos.</p>
<p>1 Jo 14:16; Jo 15:26; At 2:32,33; Rm 8:9; Gl 4:6; Tt 3:4-6; 1Pe 1:2; 1Jo 4:13,14; 1Jo 5:1-12; Jd :20,21; Ap 1:4,5. 2 Mt 3:16.</p>
<p>* Originalmente o texto incluía aqui as seguintes palavras: &#8220;E: &#8220;há três que dão testemunho no céu: o Pai, a Palavra, e o Espírito Santo; e estes três são um&#8221; (1 Jo 5:7)&#8221;. A referência a 1 João 5:7b e duvidosa, porque este texto não se acha nos manuscritos antigos.</p>
<p>ARTIGO 10<br />
JESUS CRISTO É DEUS</p>
<p>Cremos que Jesus Cristo, segundo sua natureza divina, é o único Filho de Deusl, gerado desde a eternidade. Ele não foi feito, nem criado &#8211; pois, assim, Ele seria uma criatura, &#8211; mas é de igual substância do pai, co-eterno, &#8220;o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser&#8221; (Hebreus 1:3), igual a Ele em tudo2.</p>
<p>Ele é o Filho de Deus, não somente desde que assumiu nossa natureza, mas desde a eternidade3, como os seguintes testemunhos nos ensinam, ao serem comparados uns aos outros:</p>
<p>Moisés diz que Deus criou o mundo4, e o apóstolo João diz que todas as coisas foram feitas por intermédio do Verbo que ele chama Deus5. O apóstolo diz que Deus fez o universo por seu Filho6 e, também, que Deus criou todas as coisas por meio de Jesus Cristo7. Segue-se necessariamente que aquele que é chamado Deus, o Verbo, o Filho e Jesus Cristo, já existia, quando todas as coisas foram criadas por Ele. O profeta Miquéias, portanto, diz: &#8220;Suas origens são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade&#8221; (Miquéias 5:2); e a carta aos Hebreus testemunha: &#8220;Ele não teve princípio de dias, nem fim de existência&#8221; (Hebreus 7:3).</p>
<p>Assim, Ele é o verdadeiro, eterno Deus, o Todo-poderoso, a quem invocamos, adoramos e servimos.</p>
<p>1 Mt 17:5; Jo 1:14,18; Jo 3:16; Jo 14:1-14; Jo 20:17,31; Rm 1:4; Gl 4:4; Hb 1:1; lJo 5:5,9-12. 2 Jo 5:18,23; Jo 10:30; Jo 14:9; Jo 20:28; Rm 9:5; Fp 2:6; Cl 1:15; Tt 2:13; Hb 1:3; Ap 5:13. 3 Jo 8:58; Jo 17:5; Hb 13:8. 4 Gn 1:1. 5 Jo 1:1-3. 6 Hb 1:2. 7 1Co 8:6; Cl 1:16.</p>
<p>ARTIGO 11<br />
O ESPÍRITO SANTO É DEUS</p>
<p>Cremos e confessamos, também, que o Espírito Santo procede do Pai e do Filho, desde a eternidade. Ele não foi feito, nem criado, nem gerado; mas procede de ambos1.</p>
<p>Na ordem, Ele é a terceira pessoa da Trindade, de igual substância, majestade e glória do Pai e do Filho, verdadeiro e eterno Deus, como nos ensinam as Sagradas Escrituras2.</p>
<p>1 Jo 14:15-26; Jo 15:26; Rm 8:9. 2 Gn 1:2; Mt 28:19; At 5:3,4; lCo 2:10; 1Co 6:11; 1Jo 5:6.</p>
<p>ARTIGO 12<br />
A CRIACAO DO MUNDO; OS ANJOS</p>
<p>Cremos que o Pai, por seu Verbo &#8211; quer dizer: por seu Filho -, criou, do nada, o céu, a terra e todas as criaturas, quando bem Lhe aprouvel. A cada criatura Ele deu sua própria natureza e forma e sua própria função para servir ao seu Criador. Também, Ele ainda hoje sustenta todas essas criaturas e as governa segundo sua eterna providencia e por seu infinito poder, para elas servirem ao homem, a fim de que o homem sirva a seu Deus.</p>
<p>Ele também criou bons os anjos para serem seus mensageiros e servirem aos eleitos2. Alguns deles caíram na eterna perdição3, da posição excelente em que Deus os tinha criado, mas os outros, pela graça de Deus, perseveraram e continuaram em sua primeira posição. Os demonios e os espíritos malignos são tão corrompidos que são inimigos de Deus e de todo o bem4. Como assassinos, com toda a sua força, estão a espreita da igreja e de cada um de seus membros, para demolir e destruir tudo com sua astúcia5. Por isso, por causa de sua própria malícia, estão condenados a maldição eterna e aguardam, a cada dia, seus tormentos terríveis6.</p>
<p>Neste ponto, rejeitamos e detestamos o erro dos saduceus que negam a existência de espíritos e de anjos7; também o erro dos maniqueus que dizem que os demónios têm sua origem em si mesmos e são maus por natureza; eles negam que os demónios se corromperam.</p>
<p>1 Gn 1:1; Gn 2:3; Is 40:26; Jr 32:17; Cl 1:15,16; lTm 4:3; Hb 11:3; Ap 4:11. 2 Sl 103:20,21; Mt 4:11; Hb 1:14. 3 Jo 8:44; 2Pe 2:4; Jd :6. 4 Gn 3:1-5; lPe 5:8. 5 Ef 6:12; Ap 12:4,13-17; Ap 20:7-9. 6 Mt 8:29; Mt 25:41; Ap 20:10. 7 At 23:8.</p>
<p>ARTIGO 13<br />
A PROVIDÊNCIA DE DEUS</p>
<p>Cremos que o bom Deus, depots de ter criado todas as coisas, não as abandonou, nem as entregou ao acaso ou a sorte1, mas que as dirige e governa conforme sua santa vontade, de tal maneira que neste mundo nada acontece sem sua determinação2. Contudo, Deus não é o autor, nem tem culpa do pecado que se comete3. Pois seu poder e bondade são tão grandes e incompreensíveis, que Ele ordena e faz sua obra muito bem e com justiça, mesmo que os demónios e os ímpios ajam injustamente4. E as obras dEle que ultrapassam o entendimento humano, não queremos investigá-las curiosamente, além da nossa capacidade de entender. Mas, adoramos humilde e piedosamente a Deus em seus justos julgamentos, que nos estão escondidos5. Contentamo-nos em ser discípulos de Cristo, a fim de que aprendamos somente o que Ele nos ensina na sua Palavra, sem ultrapassar estes limites6.</p>
<p>Este ensino nos traz um inexprimível consolo, quando aprendemos dele, que nada nos acontece por acaso, mas pela determinação de nosso bondoso Pai celestial. Ele nos protege com um cuidado paternal, dominando todas as criaturas de tal modo que nenhum cabelo &#8211; pois estes estão todos contados- e nenhum pardal cairão em terra sem o consentimento de nosso Pai (Mateus 10:29,30). Confiamos nisto, pois sabemos que Ele reprime os demônios e todos os nossos inimigos, e que eles, sem sua permissão, não nos podem prejudicar7. Por isso, rejeitamos o detestável erro dos epicureus, que dizem que Deus não se importa com nada e entrega tudo ao acaso.</p>
<p>1 Jo 5:17; Hb 1:3. 2 Sl 115:3; Pv 16:1,9,33; Pv 21:1; Ef 1:11. 3 Tg 1:13; 1Jo 2:16. 4 Jó 1:21; Is 10:5; Is 45:7; Am 3:6; At 2:23; At 4:27,28. 5 1Rs 22:19-23; Rm 1:28; 2Ts 2:11. 6 Dt 29:29; 1Co 4:6. 7 Gn 45:8; Gn 50:20; 2Sm 16:10; Rm 8:28,38,39.</p>
<p>ARTIGO 14<br />
A CRIAÇÃO DO HOMEM. SUA QUEDA<br />
E SUA INCAPACIDADE DE FAZER O BEM</p>
<p>Cremos que Deus criou o homem do pó da terra1, e o fez e formou conforme sua imagem e semelhança: bom, justo e santo2, capaz de concordar, em tudo, com a vontade de Deus. Mas, quando o homem estava naquela posição excelente, ele não a valorizou e não a reconheceu. Dando ouvidos às palavras do diabo, submeteu-se por livre vontade ao pecado e assim à morte e à maldição3. Pois transgrediu o mandamento da vida, que tinha recebido e, pelo pecado, separou-se de Deus, que era sua verdadeira vida. Assim ele corrompeu toda a sua natureza e mereceu a morte corporal e espiritual4.</p>
<p>Tornando-se ímpio, perverso e corrupto em todas as suas práticas, ele perdeu todos os dons excelentes5, que tinha recebido de Deus. Nada lhe sobrou destes dons, senão pequenos traços, que são suficientes para deixar o homem sem desculpa6. Pois toda a luz em nós se tornou em trevas7 como nos ensina a Escritura: &#8220;A luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra ela&#8221; (João 1:5). Aqui o apóstolo João chama os homens &#8220;trevas&#8221;. Por isso, rejeitamos todo o ensino contrário, sobre o livre arbítrio do homem, porque o homem somente é escravo do pecado e &#8220;não pode receber coisa alguma se do céu não lhe for dada&#8221; (João 3:27). Pois quem se gloriará de fazer alguma coisa boa pela própria força, se Cristo diz: &#8220;Ninguém pode vir a mim se o Pai que me enviou não o trouxer&#8221; (João 6:44)? Quem falará sobre sua própria vontade sabendo que &#8220;o pendor da came e inimizade contra Deus&#8221; (Romanos 8:7)? Quem ousará vangloriar-se sobre seu próprio conhecimento, reconhecendo que &#8220;o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus&#8221; (1Coríntios 2:14)? Em resumo: quem apresentará um pensamento sequer, admitindo que não somos &#8220;capazes de pensar alguma coisa como se partisse de nós&#8221;, mas que &#8220;a nossa suficiencia vem de Deus&#8221; (2Coríntios 3:5)?</p>
<p>Por isso, devemos insistir nesta palavra do apóstolo: &#8220;Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua vontade&#8221; (Filipenses 2:13). Pois, somente o entendimento ou a vontade que Cristo opera no homem, está em conformidade com o entendimento e vontade de Deus, como Ele ensina: &#8220;Sem mim nada podeis fuzer&#8221; (João 15:5).</p>
<p>1 Gn 2:7; Gn 3:19; Ec 12:7. 2 Gn 1:26,27; Ef 4:24; Cl 3:10. 3 Gn 3:16-19; Rm 5:12. 4 Gn 2:17; Ef 2:1; Ef 4:18. 5 Sl 94:11; Rm 3:10; Rm 8:6. 6 Rm 1:20,21. 7 Ef 5:8.</p>
<p>ARTIGO 15<br />
O PECADO ORIGINAL</p>
<p>Cremos que, pela desobediência de Adão, o pecado original se estendeu por todo o gênero humanol. Este pecado é uma depravação de toda a natureza humana2 e um mal hereditário, com que até as crianças no ventre de suas mães estão contaminadas3. É a raiz que produz no homem todo tipo de pecado. por isso, é tão repugnante e abominável diante de Deus que é suficiente para condenar o gênero humano4.</p>
<p>Nem pelo batismo o pecado original é totalmente anulado ou destruído, porque o pecado sempre jorra desta depravação como água corrente de uma fonte contaminada5. 0 pecado original, porém, não é atribuído aos filhos de Deus para condená-los, mas é perdoado pela graça e misericórdia de Deus6. Isto não quer dizer que eles podem continuar descuidadamente numa vida pecaminosa. Pelo contrário, os fiéis, conscientes desta depravação, devem aspirar a livrar-se do corpo dominado pela morte (Romanos 7:24).</p>
<p>Neste ponto rejeitamos o erro do pelagianismo, que diz que o pecado é somente uma questão de imitação.</p>
<p>1 Rm 5:12-14,19. 2 Rm 3:10. 3 Jó 14:4; Sl 51:5; Jo 3:6. 4 Ef 2:3. 5 Rm 7:18,19. 6 Ef 2:4,5.</p>
<p>ARTIGO 16<br />
ELEIÇÃO ETERNA POR DEUS</p>
<p>Cremos que Deus, quando o pecado do primeiro homem lançou Adão e toda a sua descendência na perdiçãol mostrou-se como Ele é, a saber: misericordioso e justo. Misericordioso, porque Ele livra e salva da perdição aqueles que Ele em seu eterno e imutável conselho2, somente pela bondade, elegeu3 em Jesus Cristo nosso Senhor4, sem levar em consideração obra alguma deles5. Justo, porque Ele deixa os demais na queda e perdição, em que eles mesmos se lançaram6.</p>
<p>1 Rm 3:12. 2 Jo 6:37,44; Jo 10:29: Jo 17: 2,9,12; Jo 18:9. 3 1Sm 12:22; Sl 65:4; At 13: 48; Rm 9:16; Rm 11:5; Tt 1:1. 4 Jo 15:16,19; Rm 8:29; Ef 1:4,5. 5 Ml 1:2,3; Rm 9:11-13; 2Tm 1:9; Tt 3:4,5. 6 Rm 9:19-22; 1Pe 2:8.</p>
<p>ARTIGO 17<br />
O SALVADOR, PROMETIDO POR DEUS</p>
<p>Cremos que nosso bom Deus, vendo que o homem havia se lançado assim na morte corporal e espiritual e se havia feito totalmente miserável, foi pessoalmente em busca do homem, quando este, tremendo, fugia de sua presençal. Assim Deus mostrou sua maravilhosa sabedoria e bondade. Ele confortou o homem com a promessa de lhe dar seu Filho, que nasceria de uma mulher (Gálatas 4:4) a fim de esmagar a cabeca da serpente (Gênesis 3:15) e de tornar feliz o homem2.</p>
<p>1 Gn 3:9. 2 Gn 22:18; Is 7:14; Jo 1:14; Jo 5:46; Jo 7:42; At 13:32; Rm 1:2,3; Gl 3:16; 2Tm 2:8; Hb 7:14.</p>
<p>ARTIGO 18<br />
A ENCARNAÇÃO DO FILHO DE DEUS</p>
<p>Confessamos, então, que Deus cumpriu a promessa, feita aos pais antigos pela boca dos seus santos profetasl, quando enviou ao mundo seu próprio, único e eterno Filho, no tempo determinado por Ele2. Este assumiu a forma de servo e tornou-se semelhante aos homens (Filipenses 2:7), tomando realmente a verdadeira natureza humana com todas as suas fraquezas3, mas sem o pecado4. Foi concebido no ventre da bemaventurada virgem Maria, pelo poder do Espírito Santo, sem intervenção do homem5. E não somente tomou a natureza humana quanto ao corpo, mas também a verdadeira alma humana, para que fosse um verdadeiro homem. Pois, estando perdidos tanto a alma como o corpo, Ele devia tomar ambos para salvá-los.</p>
<p>Por isso, confessamos (contra a heresia dos anabatistas que negam que Cristo tomou a natureza de sua mãe), que Cristo participou do sangue e da carne dos filhos de Deus (Hebreus 2:14); que Ele, &#8220;segundo a carne, veio da descendência de Davi&#8221; (Romanos 1:3); fruto do ventre de Maria (Lucas 1:42); nascido de uma mulher (Gálatas 4:4); rebento de Davi (Jeremias 33:15; Atos 2:30); renovo da raiz de Jessé (Isaías 11:1); brotado de Judá (Hebreus 7:14); descendente dos judeus, segundo a carne (Romanos 9:5); da descendência de Abraão6, tornando-se semelhante aos irmãos em tudo, mas sem pecado (Hebreus 2:16,17; 4:15).</p>
<p>Assim Ele é, na verdade, nosso Emanuel, isto é: Deus conosco (Mateus 1:23).</p>
<p>1 Gn 26:4; 2Sm 7:12-16; Sl 132:11; Lc 1:55; At 13:23. 2 Gl 4:4. 3 1Tm 2:5; 1Tm 3:16; Hb 2:14. 4 2Co 5:21; Hb 7:26; 1Pe 2:22. 5 Mt 1:18; Lc 1:35. 6 Gl 3:16.</p>
<p>ARTIGO 19<br />
AS DUAS NATUREZAS DE CRISTO</p>
<p>Cremos que, por esta concepção, a pessoa do Filho está unida e conjugada inseparavelmente, com a natureza humana1. Não há, então, dois filhos de Deus, nem duas pessoas, mas duas naturezas, unidas numa só pessoa, mantendo cada uma delas suas características distintas. A natureza divina permaneceu não criada, sem início, nem fim de vida (Hebreus 7:3), preenchendo céu e terra2. Do mesmo modo a natureza humane não perdeu suas características, mas permaneceu criatura, tendo início, sendo uma natureza finita e mantendo tudo o que é próprio de um verdadeiro corpo3. E ainda que, por meio da sua ressurreição, Cristo tenha concedido imortalidade a sua natureza humana, Ele não transformou a realidade da mesma4, pois nossa salvação e ressurreição dependem também da realidade de seu corpo5.</p>
<p>Estas duas naturezas, porém, estão unidas numa só pessoa de tal maneira que nem por sua morte foram separadas. Ao morrer, Ele entregou, então, nas mãos de seu Pai um verdadeiro Espírito humano, que saiu de seu corpo6, entretanto, a natureza divina sempre continuou unida a humana, mesmo quando Ele jazia no sepulcro7. A divindade não cessou de estar nEle, assim como estava nEle quando era criança, embora, por algum tempo, não se tivesse manifestado.</p>
<p>Por isso, confessamos que Cristo é verdadeiro Deus e verdadeiro homem: verdadeiro Deus a fim de veneer a morte por seu poder; verdadeiro homem a fim de morrer por nós na fraqueza de sua carne.</p>
<p>1 Jo 1:14; Jo 10:30; Rm 9:5; Fp 2:6,7. 2 Mt 28:20. 3 1Tm 2:5. 4 Mt 26:11; Lc 24:39; Jo 20:25; At 1:3,11; At 3:21; Hb 2:9. 5 1Co 15:21; Fp 3:21. 6 Mt 27:50. 7 Rm 1:4.</p>
<p>ARTIGO 20<br />
A JUSTIÇA E A MISERICÓRDIA DE DEUS EM CRISTO</p>
<p>Cremos que Deus, perfeitamente misericordioso e justo, enviou seu Filho para assumir a natureza humane em que foi cometida a desobediêncial. Nesta natureza, Ele satisfez a Deus, carregando o castigo pelos pecados, através de seu mui amargo sofrimento e morte2. Assim Deus provou sua justiça sobre seu Filho, quando carregou sobre Ele nossos pecados3 e derramou sua bondade e misericórdia sobre nós, culpados e dignos da condenação. Por amor perfeitíssimo, Ele entregou seu Filho a morte, por nós, e O ressuscitou para nossa justificação4, a fim de que, por Ele, tivéssemos a imortalidade e a vida eterna.</p>
<p>1 Rm 8:3. 2 Hb 2:14. 3 Rm 3:25,26; Rm 8:32. 4 Rm 4:25.</p>
<p>ARTIGO 21<br />
A SATISFAÇÃO POR CRISTO</p>
<p>Cremos que Jesus Cristo é um eterno Sumo Sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque, o que Deus confirmou por juramentol. Perante seu Pai e para apaziguar-Lhe a ira, Ele se apresentou em nosso nome, por satisfação própria2, sacrificando-se a si mesmo e derramando seu precioso sangue, para purificação dos nossos pecados3, conforme os profetas predisseram4.</p>
<p>Pois, está escrito que &#8220;o castigo que nos traz a paz estava sobre &#8221; o Filho de Deus e que &#8220;pelas suas pisaduras fomos sarados&#8221;5; &#8220;como cordeiro foi levado ao matadouro&#8221;; &#8220;foi contado com os transgressores&#8221;6 (Isaías 53: 5,7,12); e como criminoso foi condenado por Pôncio Pilatos embora este o tivesse declarado inocente7. Assim, então, restituiu o que não tinha furtado (Salmo 69:4), e sofreu, &#8220;o justo pelos injustos&#8221;8 (lPedro 3:18), tanto no seu corpo como na sua alma9, de maneira que sentiu o terrível castigo que os nossos pecados mereceram. Assim &#8220;o seu suor se tornou como gotas de sangue caindo sobre a terra &#8221; (Lucas 22:44). Ele &#8220;clamou em alta voz: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?&#8221; (Mateus 27:46) e padeceu tudo para a remissão dos nossos pecados.</p>
<p>Por isso, dizemos, com razão, junto com Paulo que não sabemos outra coisa, &#8220;senão Jesus Cristo, e este crucificado&#8221; (1Corlntios 2:2). Consideramos &#8220;tudo como perda por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus&#8221;, nosso Senhor (Filipenses 3:8). Encontramos toda consolação em seus ferimentos e não precisamos buscar ou inventar qualquer outro meio para nos reconciliarmos com Deus, &#8220;porque com uma única oferta aperfeicoou para sempre quantos estão sendo santificados,10 (Hebreus 10:14). Por isso, o anjo de Deus O chamou Jesus, quer dizer: Salvador, porque ia salver &#8220;o seu povo dos pecados deles &#8220;11 (Mateus 1:21).</p>
<p>1 Sl 110:4; Hb 7:15-17. 2 Rm 4:25; Rm 5: 8-9; Rm 8:32; Gl 3:13; Cl 2:14; Hb 2:9,17; Hb 9:11-15. 3 At 2:23; Fp 2:8; 1Tm 1:15; Hb 9:22; 1Pe 1:18,19; 1Jo 1:7; Ap 7:14. 4 Lc 24:25-27; Rm 3:21; 1Co 15:3. 5 1Pe 2:24. 6 Mc 15:28. 7 Jo 18:38. 8 Rm 5:6. 9 Sl 22:15. 10 Hb 7:26-28; Hb 9:24-28. 11 Lc 1:31; At 4:12.</p>
<p>ARTIGO 22<br />
A JUSTIFICAÇÃO PELA FÉ EM CRISTO</p>
<p>Cremos que, para obtermos verdadeiro conhecimento desse grande mistério, o Espírito Santo acende, em nosso coração, verdadeira fé1. Esta fé abraça Jesus Cristo com todos os seus méritos, apropria-se dEle e nada mais busca fora dEle2. Pois das duas, uma: ou não se ache em Jesus Cristo tudo o que é necessário para nossa salvação, ou tudo se acha nEle, e, então, aquele que possui Jesus Cristo pela fé, tem a salvação completa3. Dizer porém que Cristo não é suficiente, mas que, além dEle, algo mais é necessário, significaria uma blasfêmia horrível. Pois Cristo seria apenas um salvador incompleto.</p>
<p>Por isso, dizemos, com razão, junto com o apóstolo Paulo, que somos justificados somente pela fé, ou pela fe sem as obras4 (Romanos 3:28). Entretanto, não entendemos isto como se a própria fé nos justificasse5, mas ela é somente o instrumento com que abraçamos Cristo, nossa justiça. Mas Jesus Cristo, atribuindo-nos todos os seus méritos e tantas obras santas, que fez por nós e em nosso 1ugar, é nossa justiça6. E a fé é o instrumento que nos mantém com Ele na comunhão de todos os seus benefícios. Estes, uma vez dados a nós, são mais que suficientes para nos absolver dos pecados.</p>
<p>1 Jo 16:14; 1Co 2:12; Ef 1:17,18. 2 Jo 14:6; At 4:12; Gl 2:21. 3 Sl 32:1; Mt 1:21; Lc 1: 77; At 13:38,39; Rm 8:1. 4 Rm 3:19-4:8; Rm 10:4-11; Gl 2:16; Fp 3:9; Tt 3:5. 5 1Co 4:7. 6 Jr 23:6; Mt 20:28; Rm 8:33; 1Co 1:30,31; 2Co 5:21; 1Jo 4:10.</p>
<p>ARTIGO 23<br />
NOSSA JUSTIÇA PERANTE DEUS EM CRISTO</p>
<p>Cremos que nossa verdadeira felicidade consiste no perdão dos pecados, por causa de Jesus Cristo, e que isto significa para nós a justiça perante Deusl. Assim nos ensinam Davi e Paulo, declarando: &#8220;Bem-aventurado o homem a quem Deus atribui justiça, independentemente de obras&#8221; (Romanos 4:6; Salmo 32:2). E o mesmo apóstolo diz que somos &#8220;justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus&#8221;2 (Romanos 3: 24).</p>
<p>Portanto, perseveramos neste fundamento, dando toda a glória a Deus3, humilhando-nos e reconhecendo que nós, homens, somos maus. Não nos vangloriamos, de nenhuma maneira, de nós mesmos ou de nossos méritos4. Somente nos apoiamos e repousamos na obediência do Cristo crucificado5. Esta obediência é nossa se cremos nEle6. Ela é suficiente para cobrir todas as nossas iniqüidades. Ela liberta nossa consciência de temor, perplexidade e espanto e, assim, nos dá ousadia de aproximarmo-nos de Deus, sem fazermos como nosso primeiro pai Adão que, tremendo, quis cobrir-se com folhas de figueira7. E, certamente, se tivéssemos que comparecer perante Deus, apoiando-nos, por pouco que fosse, em nós mesmos ou em qualquer outra criatura &#8211; ai de nós -, pereceríamos8. Por isso, cada um deve dizer com Davi: &#8220;Ó Senhor, não entres em juízo com o teu servo, porque a tua vista não há justo nenhum vivente&#8221; (Salmo 143:2).</p>
<p>1 1Jo 2:1. 2 2Co 5:18,19; Ef 2:8; 1Tm 2:6. 3 Sl 115:1; Ap 7:10-12. 4 1Co 4:4; Tg 2:10. 5 At 4:12; Hb 10:20. 6 Rm 4:23-25. 7 Gn 3:7; Sf 3:11; Hb 4:16; 1Jo 4:17-19. 8 Lc 16:. 15; Fp 3:4-9.</p>
<p>ARTIGO 24<br />
A SANTIFICAÇÃO</p>
<p>Cremos que a verdadeira fé, tendo sido acesa no homem pelo ouvir da Palavra de Deus e pela obra do Espírito Santol, regenera o homem e o torna um homem novo2. Esta verdadeira fé o faz viver na vida nova e o liberta da escravidão do pecado3.</p>
<p>Por isso, é impossível que esta fé justificadora leve os homens a se descuidarem da vida piedosa e santa4. Pelo contrário, sem esta fé jamais farão alguma coisa por amor a Deus5, mas somente por amor a si mesmos e por medo de serem condenados. É impossível, portanto, que esta fé permaneça no homem sem frutos. Pois, não falamos de uma fé vã, mas da fé, de que a Escritura diz que &#8220;atua pelo amor&#8221; (Gálatas 5:6). Ela move o homem a exercitar-se nas obras que Deus mandou na sua Palavra. Estas obras, se procedem da boa raíz da fé; são boas e agradáveis a Deus, porque todas elas são santificadas por sua graça.</p>
<p>Entretanto, elas não são levadas em conta para nos justificar. Porque é pela fé em Cristo que somos justificados, mesmo antes de fazermos boas obras6. De outro modo, estas obras não poderíam ser boas, assim como o fruto da árvore não pode ser bom, se a árvore não for boa7.</p>
<p>Então, fazemos boas obras, mas não para merecermos algo. Pois, que mérito poderíamos ter? Antes, somos devedores a Deus pelas boas obras que fazemos e não Ele a nós8. Pois, &#8220;Deus e quem efetua em&#8221; nós &#8220;tanto o querer como o realizar, segundo sua boa vontade&#8221; (Filipenses 2:13). Então, lev emos a sério o que está escrito: &#8220;Assim também vós, depois de haverdes feito quanto vos foi ordenado, dizei: Somos servos inúteis, porque fizemos apenas o que devíamos fazer&#8221; (Lucas 17:10). Contudo, não queremos negar que Deus recompensa as boas obras9; mas, por sua graça, Ele coroa seus próprios dons.</p>
<p>E, em seguida, mesmo que façamos boas obras, nelas não fundamentamos nossa salvação. Porque, por sermos pecadores, não podemos fazer obra alguma que não esteja contaminada e não mereça ser castigadal0. E, ainda que pudéssemos produzir uma só boa obra, a lembrança de um só pecado bastaria para torná-la rejeitável perante Deusll. Assim, sempre duvidaríamos, levados de um lado para o outro, sem certeza alguma, e nossa pobre consciência estaria sempre aflita, a não ser que se apoiasse no mérito do sofrimento e da morte de nosso Salvadorl2.</p>
<p>1 At 16:14; Rm 10:17; 1Co 12:3. 2 Ez 36:26, 27; Jo 1:12,13; Jo 3:5; Ef 2:4-6; Tt 3:5; 1Pe 1:23. 3 Jo 5:24; Jo 8:36; Rm 6:4-6; 1Jo 3:9. 4 Gl 5:22; Tt 2:12. 5 Jo 15:5; Rm 14: 23; 1Tm 1:5; Hb 11:4,6. 6 Rm 4:5. 7 Mt 7:17. 8 1Co 1:30: 1Co 4:7; Ef 2:10. 9 Rm 2:6,7; 1Co 3:14; 2Jo :8; Ap 2:23. 10 Rm 7:21. 11 Tg 2:10. 12 Hc 2:4; Mt 11:28; Rm 10:11.</p>
<p>ARTIGO 25<br />
CRISTO, O CUMPRIMENTO DA LEI</p>
<p>Cremos que as cerimônias e figuras da lei terminaram com a vinda de Cristo e que, assim, todas as sombras chegaram ao fiml. Por isso, os cristãos não devem mais usá-las. Contudo, para nós, sua verdade e substância permanecem em Cristo Jesus, em quem têm seu cumprimento2.</p>
<p>Entretanto, ainda usamos os testemunhos da Lei e dos Profetas para confirmarmo-nos no Evangelho e, também, para regularmos nossa vida em toda honestidade, para a glória de Deus, conforme sua vontade3.</p>
<p>1 Mt 27:51; Rm 10:4; Hb 9:9,10. 2 Mt 5:7; Gl 3:24; Cl 2:17. 3 Rm 13:8-10; Rm 15:4; 2Pe 1:19; 2Pe 3:2.</p>
<p>ARTIGO 26<br />
CRISTO, NOSSO ÚNICO ADVOGADO</p>
<p>Cremos que nenhum acesso temos a Deus, senão pelo único Mediadorl e Advogado Jesus Cristo, o Justo2. Porque Ele se tornou homem e uniu as naturezas divina e humana, para que nós, homens, tivéssemos acesso à majestade divina3. De outro modo, nenhum acesso teríamos. Mas este Mediador que o Pai constituiu entre Ele e nós, não nos deve assustar por sua grandeza, a ponto de fazer-nos procurar um outro, conforme nossa própria vontade. Porque não há ninguém , nem no céu, nem na terra, entre as criaturas, que nos ame mais que Jesus Cristo4. &#8220;Pois ele, subsistindo em forma de Deus &#8230; a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens&#8221; por nós, &#8220;em todas as coisas &#8230; semelhante aos irmãos&#8221; (Filipenses 2:6,7; Hebreus 2:17).</p>
<p>Agora, se tivéssemos que buscar outro mediador que nos fosse favorável, quem poderíamos encontrar que mais nos amasse senão Ele que entregou sua vida por nós, sendo nós ainda inimigos (Romanos 5:8,10)? E se tivéssemos que buscar alguém que tivesse poder e estima, quem os teria tanto quanto Ele que está sentado a direita de seu Pai5, e que tem &#8220;toda a autoridade&#8230; no céu e na terra&#8221; (Mateus 28:18)? E quem será ouvido antes do que o próprio bem-amado Filho de Deus6?</p>
<p>Foi, então, somente falta de confiança que levou os homens ao costume de desonrar os santos em vez de honrá-los. Pois fazem o que estes santos jamais fizeram ou desejaram mas sempre rejeitaram conforme era seu dever7, como mostram seus escritos.</p>
<p>Aqui não se deve alegar que não somos dignos; pois não apresentamos as orações a Deus em razão de nossa dignidade, mas somente pela excelência e dignidade de nosso Senhor Jesus Cristo8, cuja justiça é a nossa, mediante a fé9. Por isso, a Escritura nos diz, querendo tirar de nós esse tolo receio, ou antes, essa falta de confiança, que Jesus Cristo tornou-se &#8220;em todas as coisas&#8230; semethante aos irmãos, para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote nas coisas referentes a Deus, e para fazer propiciação pelos pecados do povo. Pois naquilo que ele mesmo sofreu, tendo sido tentado, é poderoso para socorrer os que são tentados&#8221; (Hebreus 2:17,18). E a Escritura diz também, para animar-nos ainda mais a ir para Ele: &#8220;Tendo, pois, a Jesus, o Filho de Deus, como grande sumo sacerdote que entrou nos céus, conservemos firmes a nossa confissão. Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas, antes foi ele tentado em todas as coisas, a nossa semelhança, mas sem pecado. Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericordia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna&#8221;l0 (Hebreus 4:14-16). A Escritura diz ainda: &#8220;Tendo, pois, irmãos, intrepidez para entrar no Santo dos santos, pelo sangue de Jesus&#8230; aproximemo-nos&#8230; em plena certeza de fé etc.&#8221; (Hebreus 10:19-22). E também: Cristo &#8220;tem o seu sacerdócio imutável. Por isso, também pode salvar totalmente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles &#8220;11 (Hebreus 7:24,25).</p>
<p>Então, do que precisamos mais, visto que o próprio Cristo declara: &#8220;Eu sou o camninho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim&#8221; (João 14:6)? Por que buscaríamos outro advogado visto que agradou a Deus nos dar seu Filho como Advogado? Não O abandonemos para buscar outro que nunca encontraremos. Pois quando Deus O deu a nós, bem sabia que éramos pecadores.</p>
<p>Por isso, conforme o mandamento de Cristo, invocamos o Pai celestial mediante Cristo, nosso únicoMediadorl2, como nos foi ensinado na oração do Senhorl3. E temos a certeza de que o Pai nos concederá tudo o que Lhe pedirmos em nome de Cristol4 (João 16:23).</p>
<p>1 1Tm 2 5. 2 1Jo 2:1. 3 Ef 3:12. 4 Mt 11: 28; Jo 15:13; Ef 3:19; 1Jo 4:10. 5 Hb 1:3; Hb 8:1. 6 Mt 3:17; Jo 11:42; Ef 1:6. 7 At 10:26; At 14:15. 8 Jr 17:5,7; At 4:12. 9 1Co 1:30. 10 Jo 10:9; Ef 2:18; Hb 9:24. 11 Rm 8:34. 12 Hb 13:15. 13 Mt 6:9-13; Lc 11:2-4. 14 Jo 14:13.</p>
<p>ARTIGO 27<br />
A IGREJA CAT0LICA OU UNIVERSAL</p>
<p>Cremos e confessamos uma só igreja católica ou universal1. Ela é uma santa congregação e assembléia2 dos verdadeiros crentes em Cristo, que esperam toda a sua salvação de Jesus Cristo3, lavados pelo sangue dEle, santificados e selados pelo Espírito Santo4.</p>
<p>Esta igreja existe desde o princípio do mundo e existirá até o fim. Pois, Cristo é um Rei eterno, que não pode estar sem súditos5. Esta santa igreja é mantida por Deus contra o furor do mundo inteiro6, mesmo que ela, às vezes, por algum tempo, seja muito pequena e na opinião dos homens, quase desaparecida7. Assim, Deus guardou para si, na perigosa época de Acabe, sete mil homens, que não tinham dobrado os joelhos a Baal8.</p>
<p>Esta santa igreja também não está situada, fixada ou limitada em certo lugar, ou ligada a certas pessoas, mas ela está espalhada e dispersa pelo mundo inteiro9. Contudo, está integrada e unida, de coração e vontade, no mesmo Espírito, pelo poder da fé10.</p>
<p>1 Gn 22:18; Is 49:6; Ef 2:17-19. 2 Sl 111:1; Jo 10:14,16; Ef 4:3-6; Hb 12:22,23. 3 Jl 2: 32; At 2:21. 4 Ef 1:13; Ef 4:30. 5 2Sm 7:16; Sl 89:36; Sl 110:4; Mt 28:18,20; Lc 1:32. 6 Sl 46:5; Mt 16:18. 7 Is 1:9; 1Pe 3:20; Ap 11:7. 8 1Rs 19:18; Rm 11:4. 9 Mt 23:8; Jo 4:21-23; Rm 10:12,13. 10 Sl 119:63; At 4:32; Ef 4:4.</p>
<p>ARTIGO 28<br />
O DEVER DE JUNTAR-SE À IGREJA</p>
<p>Esta santa assembléia é a congregação daqueles que são salvos, e fora dela não há salvaçãol. Cremos, então, que ninguém, qualquer que seja a posição ou qualidade, deve viver afastado dela e contentar-se com sua própria pessoa. Mas cada um deve se juntar e se reunir a ela2, mantendo a unidade da igreja, submetendo-se a sua instrução e disciplina3, curvando-se diante do jugo de Jesus Cristo4 e servindo para a edificação dos irmãos5, conforme os dons que Deus concedeu a todos, como membros do mesmo corpo6.</p>
<p>Para observar melhor tudo isto, o dever de todos os fiéis é, conforme a Palavra de Deus, separar-se daqueles que não pertencem a igreja7, e juntar-se a esta assembléia8 em todo lugar onde Deus a tenha estabelecido. Este dever deve ser cumprido, mesmo que os governos e as leis das autoridades o contrariem e mesmo que a morte ou a pena corporal sejam a consequência disto9.</p>
<p>Por isso, todos os que se separam desta igreja ou não se juntam a ela, contrariam a ordem de Deus.</p>
<p>1 Mt 16:18,19; At 2:47; Gl 4:26; Ef 5:25-27; Hb 2:11,12; Hb 12:23. 2 2Cr 30:8; Jo 17:21; Cl 3:15. 3 Hb 13:17. 4 Mt 11:28-30. 5 Ef 4:12. 6 1Co 12:7,27; Ef 4:16. 7 Nm 16:23-26; Is 52:11,12; At 2:40; Rm 16:17; Ap 18:4. 8 Sl 122:1; Is 2:3; Hb 10:25. 9 At 4:19,20.</p>
<p>ARTIGO 29<br />
AS MARCAS DA VERDADEIRA IGREJA,<br />
DE SEUS MEMBROS E DA FALSA IGREJA</p>
<p>Cremos que se deve discernir diligentemente e com muito cuidado, pela Palavra de Deus, qual é a verdadeira igreja, visto que todas as seitas, que atualmente existem no mundo, se chamam igreja, mas sem razãol. Não falamos aqui dos hipócritas que, na igreja, se acham entre os sinceros fiéis; contudo, não pertencem à igreja, embora sejam membros dela2. Mas queremos dizer que se deve distinguir o corpo e a comunhão da verdadeira igreja, de todas as seitas que se dizem igreja.</p>
<p>As marcas para conhecer a verdadeira igreja são estas: ela mantém a pura pregação do Evangelho3, a pura administração dos sacramentos4 como Cristo os instituiu, e o exercício da disciplina eclesiástica para castigar os pecados5. Em resumo: ela se orienta segundo a pura Palavra de Deus6, rejeitando todo o contrário a esta Palavra7 e reconhecendo Jesus Cristo como o único Cabeça8. Assim, com certeza, se pode conhecer a verdadeira igreja; e a ninguém convém separar-se dela.</p>
<p>Aqueles que pertencem à igreja podem ser conhecidos pelas marcas dos cristãos, a saber: pela fé9 e pelo fato de que eles, tendo aceitado Jesus Cristo como único Salvador, fogem do pecado e seguem a justiçal0, amando Deus e seu próximo11, não se desviando para a direita nem para a esquerda e crucificando a carne, com as obras dela12. Isto não quer dizer, por ém , que eles não têm ainda grande fraqueza, mas, pelo Espírito, a combatem, em todos os dias de sua vida 13, e sempre recorr em ao sangue, à morte, ao sofrimento e à obediência do Senhor Jesus. NEle eles têm a remissão dos pecados, pela fél4.</p>
<p>Quanto à falsa igreja, ela atribui mais poder e autoridade a si mesma e a seus regulamentos do que à Palavra de Deus e não quer submeter-se ao jugo de Cristo15. Ela não administra os sacramentos como Cristo ordenou em sua Palavra, mas acrescenta ou elimina o que lhe convém. Ela se baseia mais nos homens que em Cristo. Ela persegue aqueles que vivem de maneira santa, conforme a Palavra de Deus, e que lhe repreendem os pecados, a avareza e a idolatria16.</p>
<p>É fácil conhecer estas duas igrejas e distingui-las uma da outra.</p>
<p>1 Ap 2:9. 2 Rm 9:6. 3 Gl 1:8; 1Tm 3:15. 4 At 19:3-5; 1Co 11:20-29. 5 Mt 18:15-17; 1Co 5:4,5,13; 2Ts 3:6,14; Tt 3:10. 6 Jo 8:47; Jo 17:20; At 17:11; Ef 2:20; Cl 1:23; 1Tm 6:3. 7 1Ts 5:21; lTm 6:20; Ap 2:6. 8 Jo 10:14; Ef 5:23; C1 1:18. 9 Jo 1:12; 1Jo 4:2. 10 Rm 6:2; Fp 3:12. 11 1Jo 4:19-21. 12 Gl 5:24. 13 Rm 7:15; G1 5:17. 14 Rm 7:24,25; 1Jo 1: 7-9. 15 At 4:17,18; 2Tm 4:3,4; 2Jo :9. 16 Jo 16:2.</p>
<p>ARTIGO 30<br />
O GOVERNO DA IGREJA</p>
<p>Cremos que esta verdadeira igreja deve ser governada conforme a ordem espiritual, que nosso Senhor nos ensinou na sua Palavra1. Deve haver ministros ou pastores para pregarem a Palavra de Deus e administrarem os sacramentos2; deve haver também presbíteros3 e diaconos4 para formarem, com os pastores, o conselho da igreja5. Assim, eles devem manter a verdadeira religião e fazer com que a verdadeira doutrina seja propagada, que os transgressores sejam castigados e contidos, de forma espiritual, e que os pobres e os aflitos recebam ajuda e consolação, conforme necessitam6.</p>
<p>Desta maneira, tudo procederá, na igreja, em boa ordem, quando forem eleitas pessoas fiéis7, conforme a regra do apóstolo Paulo na carta a Timóteo8.</p>
<p>1 At 20:28; Ef 4:11,12; 1Tm 3:15; Hb 13:20, 21. 2 Lc 1:2; Lc 10:16; Jo 20:23; Rm 10:14; 1Co 4:1; 2Co 5:19,20; 2Tm 4:2. 3 At 14:23; Tt 1:5. 4 1Tm 3:8-10. 5 Fp 1:1; 1Tm 4:14. 6 At 6:1-4; Tt 1:7-9. 7 1Co 4:2. 8 1Tm 3.</p>
<p>ARTIGO 31<br />
OS OFÍCIOS NA IGREJA</p>
<p>Cremos que os ministros da palavra de Deus, os presbíteros e os diáconos devem ser escolhidos para seus ofícios.mediante eleição legítima pela igreja, sob invocação do nome de Deus e em boa ordem, conforme a palavra de Deus ensina.</p>
<p>Por isso, cada membro deve cuidar para não se apoderar do ofício por meios ilícitos, mas deve esperar a hora em que é chamado por Deus, a fim de ter, assim, a certeza de que sua vocação vem do Senhor2.</p>
<p>Quanto aos ministros da Palavra, eles têm, onde quer que estejam, igual poder e autoridade, porque todos são servos de Jesus Cristo3, o único Bispo universal e o único Cabeça da igreja4.</p>
<p>Além disto, a santa ordem de Deus não pode ser violada ou desprezada. Dizemos, portanto, que cada um deve ter respeito especial pelos ministros da Palavra e presbíteros da igreja, em razão do trabalho que realizam5. Cada um deve viver em paz com eles, tanto quanto possível, sem murmuração, contenda ou discórdia.</p>
<p>1 At 1:23,24; At 6:2,3. 2 At 13:2; 1Co 12: 28; 1Tm 4:14; 1Tm 5:22; Hb 5:4. 3 2Co 5:20; 1Pe 5:1-4. 4 Mt 23:8,10; Ef 1:22; Ef 5:23. 5 1Ts 5:12,13; 1Tm 5:17; Hb 13:17.</p>
<p>ARTIGO 32<br />
A ORDEM E A DISCIPLINA DA IGREJA</p>
<p>Cremos que os que governam a igreja devem cuidar para não se desviarem do que Cristo, nosso único Mestre, nos ordenou1; embora seja útil e bom que, entre eles, se estabeleça e conserve determinada ordem para manter o corpo da igreja.</p>
<p>Por isso, rejeitamos todas as invenções humanas e todas as leis que se queiram introduzir para servir a Deus, mas que venham, de qualquer maneira, comprometer e constranger a consciência2. Aceitamos, então, somente o que serve para promover e guardar a concórdia e a unidade e para manter tudo na obediência a Deus3.</p>
<p>Esta ordem (caso desobedecida exige a excomunhão), feita conforme a Palavra de Deus, com todas as suas conseqüências4.</p>
<p>1 1Tm 3:15. 2 Is 29:13; Mt 15:9; Gl 5:1. 3 1Co 14:33. 4 Mt 16:19; Mt 18:15-18; Rm 16:17; 1Co 5; 1Tm 1:20.</p>
<p>ARTIGO 34<br />
OS SACRAMENTOS</p>
<p>Cremos que nosso bom Deus, atento à nossa ignorância e fraqueza, instituiu os sacramentos, a fim de nos selar suas promessas e nos conceder penhores de sua benevolência e graça para conosco e, também, alimentar e sustentar nossa fé1. Ele acrescentou os sacramentos à palavra do Evangelho2 para melhor apresentar aos nossos sentidos tanto o que Ele nos declara por sua Palavra, como o que Ele opera em nossos coraçoes.</p>
<p>Assim, Ele confirma a salvação de que nos fez participar. Pois os sacramentos são visíveis sinais e selos de uma realidade interna e invisível. Através deles, Deus opera em nós, pelo poder do Espírito Santo3. Por isso, os sinais não são vãos nem vazios para nos enganar, porque Jesus Cristo é a verdade deles e, sem Ele, nada seriam.</p>
<p>Além disto, nos contentamos com o número dos sacramentos que Cristo, nosso Mestre, instituiu e que não são mais de dois: o sacramento do batismo4 e o da santa ceia de Jesus Cristo5.</p>
<p>1 Gn 17:9-14; Êx 12; Rm 4:11. 2 Mt 28:19; Ef 5:26. 3 Rm 2:28,29; Cl 2:11,12. 4 Mt 28:19. 5 Mt 26:26-28; 1Co 11:23-26.</p>
<p>ARTIGO 34<br />
O SANTO BATISMO</p>
<p>Cremos e confessamos que Jesus Cristo, o qual é &#8220;o fim da lei&#8221; (Romanos 10:4), derramando seu sangue, acabou com qualquer outro derramamento de sangue, que se possa ou queira realizar para reconciliação dos pecados. Tendo abolido a circuncisão, que se praticava com sangue, Ele instituiu, em lugar dela, o sacramento do batismo1.</p>
<p>Pelo batismo somos recebidos na igreja de Deus e separados de todos os outros povos e outras religiões para pertencermos totalmente a Ele2, tendo sua marca e estandarte. O batismo nos serve para testemunhar que Ele eternamente será nosso Deus e misericordioso Pai.</p>
<p>Por isso, Cristo mandou batizar todos os seus &#8220;em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo&#8221; (Mateus 28:19), somente com água. Desta forma Ele nos dá a entender que assim como a água tira a impureza do corpo, quando derramada em nós, e também assim como a água é vista no corpo de quem recebe o batismo, assim o sangue de Cristo, através do Espírito Santo3, lava a alma, purificando-a dos pecados4, e faz com que nós, filhos da ira nasçamos de novo para sermos filhos de Deus5.</p>
<p>Porém, não somos purificados de nossos pecados pela água do batismo6, mas pela aspersão com o precioso sangue do Filho de Deus7. Ele é nosso Mar Vermelho8, que devemos atravessar para escapar da tirania de Faraó &#8211; que é o diabo &#8211; e para entrar na Canaã espiritual.</p>
<p>Os ministros, por sua parte, nos administram somente o sacramento, que é visível, mas nosso Senhor nos concede o que o sacramento significa, a saber: os dons invisíveis da graça. Ele lava nossa alma, purificando-a e limpando-a de todas as impurezas e iniqüidades9. Ele renova nosso coração, enchendo-o de toda a consolação, e nos dá a verdadeira certeza de sua bondade paternal. Ele nos reveste do novo homem, despindo-nos do velho com todas as suas obras10.</p>
<p>Por isso, cremos que quem quer entrar na vida eterna, deve ser batizado só uma vez 11. O batismo não pode ser repetido, porque também não podemos nascer duas vezes e porque este batismo tem utilidade não somente no momento de recebê-lo, mas durante a vida inteira.</p>
<p>Rejeitamos, portanto, o erro dos anabatistas, que não se contentam com o batismo que uma vez receberam e que, além disto, condenam o batismo dos filhos pequenos dos crentes. Nós cremos, porém, que eles devem ser batizados e, com o sinal da aliança, devem ser selados, assim como as crianças em Israel eram circuncidadas com base nas mesmas promessas que foram feitas a nossos filhos12. Cristo, de fato, derramou seu sangue para lavar, igualmente, as crianças dos fiéis e os adultos13. Por isso, elas devem receber o sinal e o sacramento da obra que Cristo fez para elas, como o Senhor, outrora, na lei, determinava que as crianças p.articipassem, pouco depois do seu nascimento, do sacramento do sofrimento e da morte de Cristo, através da oferta de um cordeiro14, que era um sacramento de Jesus Cristo.</p>
<p>Além disto, o batismo tem, para nossos filhos, o mesmo efeito que a circuncisão tinha para o povo judeu. É por esta razão que o apóstolo Paulo chama ao batismo: &#8220;a circuncisão de Cristo&#8221; (Colossenses 2:11).</p>
<p>1 Cl 2:11. 2 Êx 12:48; 1Pe 2:9. 3 Mt 3:11; 1Co 12:13. 4 At 22:16; Hb 9:14; 1Jo 1:7; Ap 1:5b. 5 Tt 3:5. 6 1Pe 3:21. 7 Rm 6:3; 1Pe 1:2; 1Pe 2:24. 8 1Co 10:1-4. 9 1Co 6:11: Ef 5:26. 10 Rm 6:4; Gl 3:27. 11 Mt 28:19; Ef 4:5. 12 Gn 17: 10-12; Mt 19:14; At 2:39. 13 1Co 7:14. 14 Lv 12:6.</p>
<p>ARTIGO 35<br />
A SANTA CEIA</p>
<p>Cremos e confessamos que nosso Salvador Jesus Cristo ordenou e instituiu o sacramento da santa ceia1, a fim de alimentar e sustentar aqueles que Ele já fez nascer de novo e incorporou à sua família, que é a sua igreja.</p>
<p>Agora, aqueles que nasceram de novo têm duas vidas diferentes2. Uma é corporal e temporária: eles a trouxeram de seu primeiro nascimento e todos os homens a tem. A outra é espiritual e celestial: ela lhes é dada no segundo nascimentp que se realiza pela palavra do Evangelho3, na comunhão com o corpo de Cristo. Esta vida apenas os eleitos de Deus possuem. Assim Deus ordenou para a manutenção da vida corporal e terrestre, pão comum, terrestre, que todos recebem como recebem a vida.</p>
<p>Porém, a fim de manter a vida espiritual e celestial, que os crentes possuem, Ele lhes enviou um &#8220;pão vivo, que desceu do céu&#8221; (João 6:51) , isto é, Jesus Cristo4. Ele alimenta e mantém a vida espiritual dos crentes5 quando é comido, quer dizer: aceito espiritualmente e recebido pela fé6.</p>
<p>A fim de nos figurar este pão espiritual e celestial, Cristo ordenou um pão terrestre e visível como sacramento de seu corpo e o vinho como sacramento de seu sangue7. Com eles nos assegura: tão certo como recebemos o sacramento e o temos em nossas mãos e o comemos e bebemos com nossa boca, para manter nossa vida, tão certo recebemos em nossa alma pela fe8 &#8211; que é a mão e a boca da nossa alma -, o verdadeiro corpo e o verdadeiro sangue de Cristo, nosso único Salvador, para manter nossa vida espiritual.</p>
<p>Agora, há certeza absoluta de que Jesus Cristo não nos ordenou seus sacramentos a toa. Então, Ele realiza em nós tudo o que nos apresenta por estes santos sinais, embora de maneira além da nossa compreensão, como também a ação do Espírito Santo é oculta e incompreensível9.</p>
<p>Entretanto, não nos enganamos, dizendo que, o que comemos e bebemos, é o próprio corpo natural e o próprio sangue de Cristo. Porém, a forma pela qual os tomamos não é pela boca, mas, espiritual, pela fé. Desta maneira, Jesus Cristo permanece sentado a direita de Deus, seu Pai, no céu10 e, contudo, Ele se comunica a nós pela fé. Nesta ceia festiva e espiritual, Cristo nos faz participar de si mesmo com todas as suas riquezas e dons e deixa-nos usufruir tanto de si mesmo como dos méritos de seu sofrimento e morte11. Ele alimenta, fortalece e consola nossa pobre alma desolada pelo comer de seu corpo, e a reanima e renova pelo beber de seu sangue.</p>
<p>Depois, embora os sacramentos estejam unidos com a realidade da qual são um sinal, nem todos recebem ambos12. O ímpio recebe, sim, o sacramento, para sua condenação, mas não a verdade do sacramento, como Judas e Simão, o Mago: ambos receberam o sacramento, mas não a Cristo que por este é figurado13. Porque somente os crentes participam dEle14.</p>
<p>Finalmente, recebemos na congregação do povo de Deus15 este santo sacramento com humildade e reverência. Assim comemoramos juntos, com açoes de graça, a morte de Cristo, nosso Salvador, e fazemos confissão da nossa fé e da religião cristã16. Por isto, ninguém deve participar da ceia antes de ter-se examinado a si mesmo, da maneira certa, para, enquanto comer e beber, não comer e beber juízo para si (lCoríntios 11:28,29). Em resumo, somos movidos, pelo uso deste santo sacramento, a um ardente amor para com Deus e nosso próximo.</p>
<p>Por esta razão rejeitamos como profanação dos sacramentos todos os acréscimos e abomináveis invenções que o homem introduziu neles e misturou com eles. E declaramos que se deve contentar com a ordenação que Cristo e seus apóstolos nos ensinaram e falar sobre os sacramentos conforme eles falaram.</p>
<p>1 Mt 26:26-28; Mc 14:22-24; Lc 22:19,20; 1Co 11:23-26. 2 Jo 3:5,6. 3 Jo 5:25. 4 Jo 6:48-51. 5 Jo 6:63; Jo 10:10b. 6 Jo 6:40,47. 7 Jo 6:55; 1Co 10:16. 8 Ef 3:17. 9 Jo 3:8. 10 Mc 16:19; At 3:21. 11 Rm 8:32; 1Co 10:3,4. 12 1Co 2:14. 13 Lc 22:21,22; At 8:13,21. 14 Jo 3:36. 15 At 2:42; At 20:7. 16 At 2:46; 1Co 11:26.</p>
<p>ARTIGO 36<br />
O OFÍCIO DAS AUTORIDADES CIVIS</p>
<p>Cremos que nosso bom Deus, por causa da per versidade do gênero humano, constituiu reis, governos e autoridades1. Ele quer que o mundo seja governado por leis e códigos2, para que a indisciplina dos homens seja contida e tudo ocorra entre eles em boa ordem3. Para este fim Ele forneceu às autoridades a espada para castigar os maus e proteger os bons (Romanos 13:4).</p>
<p>Seu ofício não é apenas cuidar da ordem pública e zelar por ela, mas também proteger o santo ministério da igreja a fim de * promover o reino de Jesus Cristo e a pregação da Palavra do Evangelho em todo lugar4, para que Deus seja honrado e servido por todos, como Ele ordena na sua Palavra.</p>
<p>Depois, cada um, em qualquer posição que esteja, tem a obrigação de submeter-se às autoridades, pagar impostos, render-lhes honra e respeito, obedecer-lhes5 em tudo o que não contraria a Palavra de Deus6, e orar em favor delas para que Deus as guie em todos os seus caminhos, &#8220;para que vivamos vida tranqüila e mansa com toda piedade e respeito&#8221; (lTimóteo 2:2).</p>
<p>Neste assunto rejeitamos os anabatistas e outros revolucionários e em geral todos os que se opõem às autoridades e aos magistrados, e querem derrubar a ordem judicial7, introduzindo a comunhão de bens, e que abalam os bons costumes que Deus estabeleceu entre as pessoas.</p>
<p>1 Pv 8:15; Dn 2:21; Jo 19:11; Rm 13:1. 2 Êx 18:20. 3 Dt 1:16; Dt 16:19; Jz 21:25; Sl 82; Jr 21:12; Jr 22:3; 1Pe 2:13,14. 4 Sl 2; Rm 13:4a; 1Tm 2:1-4. 5 Mt 17:27; Mt 22:21; Rm 13:7; Tt 3:1; 1Pe 2:17. 6 At 4:19; At 5:29. 7 2Pe 2:10; Jd :8.</p>
<p>* Originalmente o texto incluía aqui as se guintes palavras: &#8220;&#8230;impedir e exterminar toda idolatria e falso culto a Deus, destruir o reino do anticristo e &#8230;&#8221;.</p>
<p>ARTIGO 37<br />
O JUÍZO FINAL</p>
<p>Finalmente, cremos conforme a palavra de Deus que, quando chegar o momento determinado pelo Senhorl &#8211; o qual todas as criaturas desconhecem -, e o número dos eleitos estiver completo2, nosso Senhor Jesus Cristo virá do céu, corporal e visívelmente3, assim como subiu ao céu (Atos 1:11), com grande glória e majestade4. Ele se manifestará Juiz sobre vivos e mortos5, enquanto porá em fogo e chamas este velho mundo para purificá-lo6.</p>
<p>Naquele momento comparecerão perante este grande Juiz, pessoalmente, todas as pessoas que viveram neste mundo7: homens, mulheres e crianças, citados pela voz do arcanjo e pelo som da trombeta divina (1Tessalonicenses 4:16). Porque todos os mortos ressuscitarão da terra5 e as almas serão reunidas aos seus próprios corpos em que viveram. E a respeito daqueles que ainda estiverem vivos: eles não morrerão como os outros, mas serão transformados num só momento. De corruptíveis se tornarão incorruptíveis9.</p>
<p>Então, se abrirão os livros e os mortos serão julgados (Apocalipse 20:12), segundo o que tiverem feito neste mundo, seja o bem ou o mal10 (2Coríntios 5:10). Sim, &#8220;de toda palavra frívola que proferirem os homens, dela darão conta&#8221; (Mateus 12:36), mesmo que o mundo a considere apenas brincadeira e passatempo. Assim será trazido à luz diante de todos o que os homens praticaram às escondidas, inclusive sua hipocrisia.</p>
<p>Portanto, pensar neste juízo e realmente horrível e pavoroso para os homens maus e ímpios11, mas muito desejável e consolador para os justos e eleitos. A salvação destes será totalmente completada e eles receberão os frutos de seu penoso labor12. Sua inocência será reconhecida por todos e eles presenciarão a vingança terrível de Deus contra os ímpios, que os tiranizaram, oprimiram e atormentaram neste mundol3. Os ímpios serão levados a reconhecer sua culpa pelo testemunho da própria consciência. Eles se tornarão imortais, mas somente para serem atormentados no &#8220;fogo eterno14, preparado para o diabo e seus anjos &#8220;15 (Mateus 25:41).</p>
<p>Os crentes e eleitos, porém, serão coroados com glória e honra. O Filho de Deus confessará seus nomes diante de Deus, seu Pai (Mateus 10:32), e seus anjos eleitos16 e Deus &#8220;lhes enxugará dos olhos toda lagrima&#8221;17 (Apocalipse 21:4). Assim ficará manifesto que a causa deles, que agora por muitos juízes e autoridades está sendo condenada como herética e ímpia, é a causa do Filho de Deus. E, como recompensa gratuita, o Senhor os fará possuir a glória que jamais poderia surgir no coração de um homem18.</p>
<p>Por isso, esperamos este grande dia com grande anseio para usufruirmos plenamente das promessas de Deus em Jesus Cristo, nosso Senhor.</p>
<p>1 Mt 24:36; Mt 25:13; 1Ts 5:1,2. 2 Hb 11. 39,40; Ap 6:11. 3 Ap 1:7. 4 Mt 24:30; Mt 25: 31. 5 Mt 25:31-46; 2Tm 4:1; 1Pe 4:5. 6 2Pe 3:10-13. 7 Dt 7:9-11; Ap 20:12,13. 8 Dn 12: 2; Jo 5:28,29. 9 1Co 15:51,52; Fp 3:20,21. 10 Hb 9:27; Ap 22:12. 11 Mt 11:22; Mt 23: 33; Rm 2:5,6; Hb 10:27; 2Pe 2:9; Jd :15; Ap 14:7a. 12 Lc 14:14; 2Ts 1:3-10; 1Jo 4:17. 13 Ap 15:4; Ap 18:20. 14 Mt 13:41,42; Mc 9:48; Lc 16:23-28; Ap 21:8. 15 Ap 20:10. 16 Ap 3:5. 17 Is 25:8; Ap 7:17. 18 Dn 12: 3; Mt 5:12; Mt 13:43; 1Co 2:9; Ap 21:9-22:5.<a href="http://www.missaoreformada.com/portal/wp-content/uploads/2010/01/tres-formas.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-340" title="tres formas" src="http://www.missaoreformada.com/portal/wp-content/uploads/2010/01/tres-formas-210x300.jpg" alt="" width="210" height="300" /></a></p>
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		<title>Catecismo de Heidelberg</title>
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		<pubDate>Sun, 24 Jan 2010 15:23:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anderson Queiroz</dc:creator>
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		<description><![CDATA[DOMINGO 1
1.  Qual é o seu único fundamento, na vida e na morte?
O meu único fundamento é meu fiel Salvador Jesus Cristo (l). A Ele pertenço, em corpo e alma, na vida e na morte (2) , e não pertenço a mim mesmo (3). Com seu precioso sangue Ele pagou (4) por todos os [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>DOMINGO 1</p>
<p>1.  Qual é o seu único fundamento, na vida e na morte?</p>
<p>O meu único fundamento é meu fiel Salvador Jesus Cristo (l). A Ele pertenço, em corpo e alma, na vida e na morte (2) , e não pertenço a mim mesmo (3). Com seu precioso sangue Ele pagou (4) por todos os meus pecados e me libertou de todo o domínio do diabo (5). Agora Ele me protege de tal maneira (6) que, sem a vontade do meu Pai do céu, não perderei nem um fio de cabelo (7). Além disto, tudo coopera para o meu bem (8). Por isso, pelo Espírito Santo, Ele também me garante a vida eterna (9) e me torna disposto a viver para Ele, daqui em diante, de todo o coração (10).</p>
<p>(1) 1Co 3:23; Tt 2:14. (2) Rm 14:8; 1Ts 5:9,10. (3) 1Co 6:19,20. (4) 1Pe 1:18,19; 1Jo 1:7; 1Jo 2:2,12. (5) Jo 8:34-36; Hb 2:14,15; 1Jo 3:8. (6) Jo 6:39; Jo 10:27-30; 2Ts 3:3; 1Pe 1:5. (7) Mt 10:29,30; Lc 21:18. (8) Rm 8:28. (9) Rm 8:16; 2Co 1:22; 2Co 5:5; Ef 1:13,14. (10) Rm 8:14; 1Jo 3:3.</p>
<p>2. 0 que você deve saber para viver e morrer neste fundamento?</p>
<p>R. Primeiro: como são grandes meus pecados e minha miséria (1). Segundo: como sou salvo de meus pecados e de minha miséria (2). Terceiro: como devo ser grato a Deus por tal salvação (3).</p>
<p>(1) Mt 9:12; Jo 9:41; Rm 3:10; 1Jo 1:9,10. (2) Lc 24:46,47; Jo 17:3; At 4:12; At 10:43; 1Co 6:11; Tt 3:3-7. (3) Sl 50:14,15; Sl 116:12,13; Mt 5:16; Rm 6:12,13; Ef 5:10; 2Tm 2:15; 1Pe 2:9,12. Veja também Mt 11:28-30; Ef 5:8.</p>
<p>PARTE 1: NOSSA MISÉRIA</p>
<p>DOMINGO 2</p>
<p>3. Como você conhece sua miséria?</p>
<p>R. Pela lei de Deus (1).</p>
<p>(1) Rm 3:20.</p>
<p>4. 0 que a lei de Deus exige de nós?</p>
<p>R. Isto Cristo nos ensina num resumo, em Mateus 22:37-40: &#8220;Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. &#8221; Este é o grande e primeiro mandamento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas&#8221; (1).</p>
<p>(1) Lv 19:18; Dt 6:5; Mc 12:30,31; Lc 10:27.</p>
<p>5. Você pode observar esta lei perfeitamente?</p>
<p>R. Não, não posso (1) , porque por natureza sou inclinado a odiar a Deus e a meu próximo (2).</p>
<p>(1) Rm 3:10,20,23; 1Jo 1:8,10. (2) Gn 6:5; Gn 8:21; Jr 17:9; Rm 7:23; Rm 8:7; Ef 2:3; Tt 3:3.</p>
<p>DOMINGO 3</p>
<p>6. Mas Deus criou o homem tão mau e perverso?</p>
<p>R. Não, Deus criou o homem bom (1) e à sua imagem (2) , isto é, em verdadeira justiça e santidade, para conhecer corretamente a Deus seu Criador, amá-Lo de todo o coração e viver com Ele em eterna felicidade, para louvá-Lo e glorificá-Lo (3).</p>
<p>(1) Gn 1:31. (2) Gn 1:26,27. (3) 2Co 3:18; Ef 4:24; Cl 3:10.</p>
<p>7. De onde vem, então, esta natureza corrompida do homem?</p>
<p>R. Da queda e desobediência de nossos primeiros pais, Adão e Eva, no paraíso (1). Ali, nossa natureza tornou-se tão envenenada, que todos nós somos concebidos e nascidos em pecado (2).</p>
<p>(1) Gn 3; Rm 5:12,18,19. (2) Sl 51:5; Jo 3:6.</p>
<p>8. Mas nós somos tão corrompidos que não podemos fazer bem algum e que somos inclinados a todo mal?</p>
<p>R. Somos sim (l) , se não nascermos de novo pelo Espírito de Deus (2).</p>
<p>(1) Gn 6:5; Gn 8:21; Jó 14:4; Jo 15:14,16,35; Is 53:6; Tt 3:3. (2) Jo 3:3,5; 1Co 12:3; 2Co 3:5.</p>
<p>DOMINGO 4</p>
<p>9. Então, Deus exige do homem, em sua lei, o que este não pode cumprir. Isto não é injusto?</p>
<p>R. Não, pois Deus criou o homem de tal maneira que este pudesse cumprir a lei (1). O homem, porém, sob instigação do diabo e por sua própria rebeldia, privou a si mesmo e a todos os seus descendentes destes dons (2).</p>
<p>(1) Gn 1:27; Ef 4:24. (2) Gn 3:4-6; Rm 5:12; 1Tm 2:13,14.</p>
<p>10, Deus deixa sem castigo esta desobediência e rebeldia?</p>
<p>R. Não, não deixa, porque Ele se ira terrivelmente tanto contra os pecados em que nascemos como contra os que cometemos, e quer castigá-los por justo julgamento, agora, nesta vida, e na futura (1). Ele mesmo declarou: &#8220;Maldito todo aquele que não permanece em todas as coisas escritas no livro da lei, para praticá-las&#8221; (Gálatas 3:10)(2).</p>
<p>(1) Gn 2:17; Êx 20:5; Êx 34:7; Sl 5:5; Na 1:2; Rm 1:18; Rm 5:12; Ef 5:6; Hb 9:27. (2) Dt 27:26.</p>
<p>11. Mas Deus não é também misericordioso?</p>
<p>R. Deus na verdade é misericordioso(1), mas também e justo (2). Por isso, sua justiça exige que o pecado, cometido contra a suprema majestade de Deus, seja castigado também com a pena máxima, quer dizer, com o castigo eterno em corpo e alma (3).</p>
<p>(1) Êx 20:6; Êx 34:6,7. (2) Êx 20:5; Êx 23:7; Êx 34:7; Sl 7:9. (3) Na 1:2,3; 2Ts 1:9.</p>
<p>PARTE 2: NOSSA SALVAÇÃO</p>
<p>DOMINGO 5</p>
<p>12. Então, conforme o justo julgamento de Deus, merecemos castigo, nesta vida e na futura. Como podemos escapar deste castigo e, de novo, ser aceitos por Deus em graça?</p>
<p>R. Deus quer que sua justiça seja cumprida (1). Por isso, nós mesmos devemos satisfazer essa justiça, ou um outro por nós (2).</p>
<p>(1) Gn 2:17; Êx 20:5; Êx 23:7; Ez 18:4; Hb 10:30. (2) Mt 5:26; Rm 8:3,4.</p>
<p>13. Nós mesmos podemos satisfazer essa justiça?</p>
<p>R. De maneira alguma. Pelo contrário, aumentamos, a cada dia, a nossa dívida com Deus(1).</p>
<p>(1) Jó 4:18,19; Jó 9:2,3; Jó 15:16; Sl 130:3; Mt 6:12; Mt 16:26; Mt 18:25.</p>
<p>14. Será que uma criatura, sendo apenas criatura, pode pagar por nós?</p>
<p>R. Não, não pode. Primeiro: porque Deus não quer castigar uma outra criatura pela dívida do homem(1).</p>
<p>Segundo: porque tal criatura não poderia suportar o peso da ira eterna de Deus contra o pecado e dela livrar outros (2).</p>
<p>(1) Gn 3:17; Ez 18:4. (2) Sl 130:3; Na 1:6.</p>
<p>15. Que tipo de Mediador e Salvador, então, devemos buscar?</p>
<p>R. O Mediador deve ser verdadeiro(1) homem e homem justo (2) , contudo, mais poderoso que todas as criaturas; portanto, alguém que é, ao mesmo tempo, verdadeiro Deus (3).</p>
<p>(1) 1Co 15:21. (2) Hb 7:26. (3) Is 7:14; Is 9:6; Jr 23:6; Lc 11:22; Rm 8:3,4.</p>
<p>DOMINGO 6</p>
<p>16. Por que o Mediador deve ser verdadeiro homem e homem justo?</p>
<p>R. Deve ser verdadeiro homem, porque a justiça de Deus exige que o homem pague o pecado do homem (1). Deve ser homem justo, porque alguém que tem seus próprios pecados, não pode pagar por outros (2).</p>
<p>(1) Is 53:3-5; Jr 33:15; Ez 18:4,20; Rm 5:12-15; 1Co 15:21; Hb 2:14-16. (2) Sl 49:7; Hb 7:26,27; 1Pe 3:18.</p>
<p>17. Por que o Mediador deve ser, ao mesmo tempo, verdadeiro Deus?</p>
<p>R. Porque, somente sendo verdadeiro Deus(1), Ele pode suportar (2) , como homem, o peso da ira (3) de Deus, e conquistar e restituir, para nós, a justiça e a vida (4).</p>
<p>(1) Is 9:6; Rm 1:4; Hb 1:3. (2) Is 53:4,11. (3) Dt 4:24; Sl 130:3; Na 1:6. (4) Is 53:5,11; Is 54:8; Jo 3:16; At 20:28; 1Pe 3:18.</p>
<p>18. Mas quem é esse Mediador que, ao mesmo tempo, é verdadeiro Deus (1) e verdadeiro (2) homem e homem justo (3) ?</p>
<p>R. Nosso Senhor Jesus Cristo (4) , que nos foi dado para completa salvação e justiça (5).</p>
<p>(1) Jr 23:6; Mt 3:1; Rm 8:3; Gl 4:4; 1Jo 5:20. (2) Lc 1:42; Lc 2:6,7; Rm 1:3; Fp 2:7; Hb 2:14,17; Hb 4:15. (3) Is 53:9,11; Jr 23:5; Lc 1:35; Jo 8:46; Hb 4:15; Heb 7:26; 1Pe 1:19; 1Pe 2:22; 1Pe 3:18. (4) Mt 1:23; Lc 2:11; Jo 1:1,14; Jo 14:6; Rm 9:5; 1Tm 2:5; 1Tm 3:16; Hb 2:9. (5) 1Co 1:30; 2Co 5:21.</p>
<p>19. Como você sabe isto?</p>
<p>R. Pelo santo Evangelho, que o próprio Deus, de início, revelou no paraíso(1). Depois mandou anunciá-lo pelos santos patriarcas (2) e profetas (3) e, de antemão, o representou através dos sacrifícios e das outras cerimônias do Antigo Testamento. (4) Finalmente, o cumpriu por seu único Filho (5).</p>
<p>(1) Gn 3:15. (2) Gn 12:3; Gn 22:18; Gn 26:4; Gn 49:10. (3) Is 42:1-4; Is 43:25; Is 49:6; Is 53; Jr 23:5,6; Jr 31:32,33; Mq 7:18-20; Jo 5:46; At 3:22-24; At 10:43; Rm 1:2; Hb 1:1. (4) Cl 2:17; Hb 10:1,7. (5) Rm 10:4; Gl 3:24; Gl 4:4,5; Cl 2:17.</p>
<p>DOMINGO 7</p>
<p>20. Todos os homens, então, tornam-se salvos por Cristo, assim como pereceram em Adão?</p>
<p>R. Não(1), somente aqueles que pela verdadeira fé são unidos a Cristo e aceitam todos os seus benefícios (2).</p>
<p>(1) Mt 7:14; Mt 22:14. (2) Sl 2:12; Mc 16:16; Jo 1:12,13; Jo 3:16,18,36; Rm 3:22; Rm 11:20; Hb 4:2,3; Hb 5:9; Hb 10:39; Hb 11:6.</p>
<p>21. O que é a verdadeira fé?</p>
<p>R. A verdadeira fé é o conhecimento e a certeza de que é verdade tudo o que Deus nos revelou em sua Palavra(1). É também a plena confiança (2) de que Deus concedeu, por pura graça, não só a outros, mas também a mim, a remissão dos pecados, a justiça eterna e a salvação (3) , somente pelos méritos de Cristo (4). O Espírito Santo (5) opera esta fé em meu coração, por meio do Evangelho (6).</p>
<p>(1) Rm 4:20,21; Hb 11:1,3; Tg 1:6. (2) Sl 9:10; Rm 4:16-21; Rm 5:1; Rm 10:10; Ef 3:12; Hb 4:16. (3) Hc 2:4; At 10:43; Rm 1:17; Gl 3:11; Hb 10:10,38. (4) Lc 1:77,78; Jo 20:31; At 10:43; Rm 3:24; Rm 5:19; Gl 2:16. (5) Mt 16:17; Jo 3:5; Jo 6:29; At 16:14; 2Co 4:13; Ef 2:8; Fp 1:29. (6) Mc 16:15; At 10:44; At 16:14; Rm 1:16; Rm 10:17; 1Co 1:21.</p>
<p>22. Em que um cristão deve crer?</p>
<p>R. Em tudo o que nos é prometido no Evangelho. O Credo Apostólico, resumo de nossa universal e indubitável fé cristã, nos ensina isto(1).</p>
<p>(1) Mt 28:19; Mc 1:15; Jo 20:31.</p>
<p>23. O que dizem os artigos deste Credo?</p>
<p>R. 1) Creio em Deus Pai, Todo-Poderoso, Criador do céu e da terra; 2) e em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor; 3) que foi concebido pelo Espírito Santo, nasceu da virgem Maria; 4) padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado, desceu ao inferno; 5) no terceiro dia ressurgiu dos mortos; 6) subiu ao céu e esta sentado à direita de Deus Pai Todo-Poderoso; 7) donde há de vir a julgar os vivos e os mortos. <img src='http://www.missaoreformada.com/portal/wp-includes/images/smilies/icon_cool.gif' alt='8)' class='wp-smiley' /> Creio no Espírito Santo; 9) na santa igreja universal de Cristo, a comunhão dos santos; 10) na remissão dos pecados; 11) na ressurreição da carne 12) e na vida eterna.</p>
<p>DOMINGO 8</p>
<p>24. Como se divide este Credo?</p>
<p>R. Em três partes. A primeira trata de Deus Pai e da nossa criação. A segunda de Deus Filho e da nossa salvação. A terceira de Deus Espírito Santo e da nossa santificação.</p>
<p>25. Por que você fala de três Pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo, visto que há um só Deus (1) ?</p>
<p>R. Porque Deus se revelou, em sua Palavra, de tal maneira que estas três Pessoas distintas são o único, verdadeiro e eterno Deus (2).</p>
<p>(1) Dt 6:4; Is 44:6; Is 45:5; 1Co 8:4,6; Ef 4:5,6. (2) Gn 1:2,3; Is 61:1; Mt 3:16,17; Mt 28:19; Lc 1:5; Lc 4:18; Jo 14:26; Jo 15:26; At 2:32,33; 2Co 13:13; Gl 4:6; Ef 2:18; Tt 3:4-6.</p>
<p>DEUS PAI E NOSSA CRIAÇÃO</p>
<p>DOMINGO 9</p>
<p>26. Em que você crê quando diz: &#8220;Creio em Deus Pai, Todo-Poderoso, Criador do céu e da terra&#8221;?</p>
<p>R. Creio que o eterno Pai de nosso Senhor Jesus Cristo criou, do nada, o céu, a terra e tudo o que neles há(1) e ainda os sustenta e governa por seu eterno conselho e providência (2). Ele é também meu Deus e meu Pai, por causa de seu Filho Cristo (3). NEle confio de tal maneira, que não duvido que dará tudo o que for necessário para meu corpo e minha alma (4) ; e que Ele transformará em bem todo mal que me enviar, nesta vida conturbada (5). Tudo isto Ele pode fazer como Deus todo-poderoso (6) e quer fazer como Pai fiel (7).</p>
<p>(1) Gn 1:1; Gn 2:3; Êx 20:11; Jó 33:4; Jó 38:4-11; Sl 33:6; Is 40:26; At 4:24; At 14:15. (2) Sl 104:2-5,27-30; Sl 115:3; Mt 10:29,30; Rm 11:36; Ef 1:11. (3) Jo 1:12; Rm 8:15; Gl 4:5-7; Ef 1:5. (4) Sl 55:22; Mt 6:25,26; Lc 12:22-24. (5) Rm 8:28. (6) Rm 8:37-39; Rm 10:12; Ap 1:8. (7) Mt 6:32,33; Mt 7:9-11.</p>
<p>DOMINGO 10</p>
<p>27. 0 que é a providência de Deus?</p>
<p>R. É a força Todo-Poderoso e presente (1) , com que Deus, pela sua mão, sustenta e governa o céu, a terra e todas as criaturas (2). Assim, ervas e plantas, chuva e seca (3) , anos frutíferos e infrutíferos, comida e bebida, saúde e doença, riqueza e pobreza e todas as coisas (4) não nos sobrevêm por acaso, mas de sua mão paternal (5).</p>
<p>(1) Sl 94:9,10; Is 29:15,16; Jr 23:23,24; Ez 8:12; Mt 17:27; At 17:25-28. (2) Hb 1:3. (3) Jr 5:24; At 14:17. (4) Pv 22:2; Jo 9:3. (5) Pv 16:33; Mt 10:29.</p>
<p>28. Para que serve saber da criação e da providência de Deus?</p>
<p>R. Para que tenhamos paciência(1) em toda adversidade e mostremos gratidão (2) em toda prosperidade e para que, quanto ao futuro, tenhamos a firme confiança em nosso fiel Deus e Pai, de que criatura alguma nos pode separar do amor dEle (3). Porque todas as criaturas estão na mão de Deus, de tal maneira que sem a vontade dEle não podem agir nem se mover (4).</p>
<p>(1) Jó 1:21,22; Sl 39:9; Rm 5:3,4; Tg 1:3. (2) Dt 8:10; 1Ts 5:18. (3) Sl 55:22; Rm 5: 4,5; Rm 8:38,39. (4) Jó 1:12; Jó 2:6; Pv 21:1; At 17:25-28.</p>
<p>DEUS FILHO E NOSSA SALVAÇÃO</p>
<p>DOMINGO 11</p>
<p>29. 0 nome &#8220;Jesus&#8221; significa &#8220;Salvador&#8221;. Por que o Filho de Deus tem este nome?</p>
<p>R. Porque Ele nos salva de todos os nossos pecados(1) e porque, em ninguém mais, devemos buscar ou podemos encontrar salvação (2).</p>
<p>(1) Mt 1:21; Hb 7:25. (2) Is 43:11; Jo 15:4,5; At 4:11,12; 1Tm 2:5; 1Jo 5:11,12.</p>
<p>30. Será que aqueles que buscam, o bem e a salvação nos assim chamados &#8220;santos&#8221;, ou em si mesmos ou em qualquer lugar, realmente crêem no único Salvador?</p>
<p>R. Não, não crêem, pois na prática negam o único Salvador Jesus, ainda que falem tanto dEle(1). Pois das duas, uma: ou Jesus não é o perfeito Salvador, ou aqueles que O aceitam como Salvador com verdadeira fé, encontram nEle tudo o que é necessário para a salvação (2).</p>
<p>(1) 1Co 1:13,30,31; Gl 5:4. (2) Is 9:7; Jo 1:16; Cl 1:19,20; Cl 2:10; Hb 12:2; 1Jo 1:7.</p>
<p>DOMINGO 12</p>
<p>31. 0 nome &#8220;Cristo&#8221; significa &#8220;Ungido&#8221;. Por que Jesus tem também este nome?</p>
<p>R. Porque Ele foi ordenado por Deus Pai e ungido(1) com o Espírito Santo para ser nosso supremo Profeta e Mestre, nosso único Sumo Sacerdote e nosso eterno Rei.</p>
<p>Como Profeta Ele nos revelou plenamente o plano de Deus para nossa salvaçao (2) ;</p>
<p>como Sumo Sacerdote Ele nos resgatou pelo único sacrifício de seu corpo (3) e, continuamente, intercede por nós junto ao Pai (4) ;</p>
<p>como Rei Ele nos governa por sua Palavra e Espírito e nos protege e guarda na salvação (5) que Ele conquistou para nós.</p>
<p>(1) Sl 45:7; Is 61:1; Lc 4:18; At 10:38; Hb 1:9. (2) Dt 18:15; Is 55:4; Mt 11:27; Jo 1:18; Jo 15:15; At 3:22. (3) Sl 110:4; Hb 7:21; Hb 9:12,14,28; Hb 10:12,14. (4) Rm 8:34; Hb 7:25; Hb 9:24; 1Jo 2:1. (5) Sl 2:6; Zc 9:9; Mt 21:5; Mt 28:18; Lc 1:33; Jo 10:28; Ap 12:10,11.</p>
<p>32. Por que você e chamado cristão (1) ?</p>
<p>R. Porque pela fé sou membro de Cristo e, por isso, também sou ungido (2) para ser profeta, sacerdote e rei. Como profeta confesso o nome dEle (3) ; Como sacerdote ofereço minha vida a Ele como sacrifício vivo de gratidão (4) ; e como rei combato (5) , nesta vida, o pecado e o diabo, de livre consciência, e depois, na vida eterna, vou reinar com Ele sobre todas as criaturas (6).</p>
<p>(1) At 11:26. (2) Is 59:21; Jl 2:28; At 2:17; 1Co 6:15; 1Jo 2:27. (3) Mt 10:32,33; Rm 10:10. (4) Êx 19:6; Rm 12:1; 1Pe 2:5; Ap 1:6; Ap 5:8,10. (5) Rm 6:12,13; Gl 5:16,17; Ef 6:11; 1Tm 1:18,19; 1Pe 2:9,11. (6) 2Tm 2:12; Ap 22:5.</p>
<p>DOMINGO 13</p>
<p>33. Por que Cristo é chamado &#8220;o único Filho de Deus&#8221;, se nós também somos filhos de Deus?</p>
<p>R. Porque só Cristo é, por natureza, o Filho eterno de Deus(1). Nós, porém, somos filhos adotivos de Deus (2) , pela graça, por causa de Cristo.</p>
<p>(1) Jó 1:14,18; Jo 3:16; Rm 8:32; Hb 1:1,2; 1Jo 4:9. (2) Jo 1:12; Rm 8:15-17; Gl 4:6; Ef 1:5,6</p>
<p>34. Por que você chama Cristo &#8220;nosso Senhor&#8221;?</p>
<p>R. Porque Ele nos comprou e resgatou, corpo e alma, dos nossos pecados e de todo o domínio do diabo, não com ouro ou prata, mas com seu precioso sangue. Assim pertencemos a Ele(1).</p>
<p>(1) Jo 20:28; 1Co 6:20; 1Co 7:23; Ef 1:7; 1Tm 2:6; 1Pe 1:18,19; 1Pe 2:9.</p>
<p>DOMINGO 14</p>
<p>35. 0 que você entende, quando diz que Cristo &#8220;foi concebido pelo Espírito Santo e nasceu da virgem Maria&#8221;?</p>
<p>R. Entendo que o eterno Filho de Deus, que é e permanece verdadeiro e eterno Deus(1), tornou-se verdadeiro homem (2) , da carne e do sangue da virgem Maria (3) , por obra do Espírito Santo. Assim Ele é, de fato, o descendente de Davi (4) igual a seus irmãos em tudo, mas sem pecado (5).</p>
<p>(1) Mt 1:23; Mt 3:17; Mt 16:16; Mt 17:5; Mc 1:11; Jo 1:1 Jo 17:3,5; Jo 20:28; Rm 1:3,4; Rm 9:5; Fp 2:6; Cl 1:15,16; Tt 2:13; Hb 1:3; 1Jo 5:20. (2) Mt 1:18,20; Lc 1:35. (3) Lc 1:31,42,43; Jo 1:14; Gl 4:4. (4) 2Sm 7:12; Sl 132:11; Mt 1:1; Lc 1:32; At 2:30,31; Rm 1:3. (5) Fp 2:7; Hb 2:14,17; Hb 4:15; Hb 7:26,27.</p>
<p>36. Que importância tem para você Cristo ter sido concebido e nascido sem pecado?</p>
<p>R. Que Ele e nosso Mediador(1) e com sua inocência e perfeita santidade, cobre diante de Deus meu pecado (2) no qual fui concebido e nascido.</p>
<p>(1) Hb 2:16-18; Hb 7:26,27. (2) Sl 32:1; Is 53:11; Rm 8:3,4; 1Co 1:30,31; Gl 4:4,5; 1Pe 1:18,19; 1Pe 3:18.</p>
<p>DOMINGO 15</p>
<p>37 O que você quer dizer com a palavra &#8220;padeceu&#8221;?</p>
<p>R. Que Cristo, em corpo e alma, durante toda a sua vida na terra, mas principalmente no final, suportou a ira de Deus contra os pecados de todo o gênero humano(1). Por este sofrimento, como o único sacrifício propiciatório (2) , Ele salvou, da condenação eterna de Deus, nosso corpo e alma (3) e conquistou para nós a graça de Deus, a justiça e a vida eterna (4).</p>
<p>(1) Is 53:4,12; 1Tm 2:6; 1Pe 2:24; 1Pe 3:18. (2) Is 53:10; Rm 3:25; 1Co 5:7; Ef 5:2; Hb 9:28; Hb 10:14; 1Jo 2:2; 1Jo 4:10. (3) Gl 3:13; Cl 1:13; Hb 9:12; 1Pe 1:18,19. (4) Jo 3:16; Jo 6:51; 2Co 5:21; Hb 9:15; Hb 10:19.</p>
<p>38. Por que Ele padeceu &#8220;sob Pôncio Pilatos&#8221;?</p>
<p>R. Cristo, embora julgado inocente, foi condenado pelo juiz oficial (1) , para que nos libertasse do severo juízo de Deus que devia cair sobre nós (2).</p>
<p>(1) Mt 27:24; Lc 23:13-15; Jo 18:38; Jo 19:4; Jo 19:11. (2) Is 53:4,5; 2Co 5:21; Gl 3:13.</p>
<p>39. Cristo &#8220;foi crucificado&#8221;. Isto tem mais sentido do que morrer de outra maneira?</p>
<p>R. Tem sim, porque pela crucificação tenho certeza de que Ele tomou sobre si (1) a maldição que pesava sobre mim. Pois a morte da cruz era maldita por Deus (2).</p>
<p>(1) Gl 3:13. (2) Dt 21:23.</p>
<p>DOMINGO 16</p>
<p>40. Por que Cristo devia sofrer a morte?</p>
<p>R. Porque a justiça e a verdade de Deus(1) exigiam a morte do Filho de Deus; não houve outro meio de pagar nossos pecados (2).</p>
<p>(1) Gn 2:17. (2) Rm 8:3,4; Fp 2:8; Hb 2:9,14,15.</p>
<p>41. Por que Ele foi &#8220;sepultado&#8221;?</p>
<p>R. Para dar testemunho de que estava realmente morto(1).</p>
<p>(1) Mt 27:59,60; Lc 23:53; Jo 19:40-42; At 13:29; 1Co 15:3,4.</p>
<p>42. Se Cristo morreu por nós, por que devemos nós morrer também?</p>
<p>R. Nossa morte não é para pagar nossos pecados(1), mas somente significa que morremos para o pecado e que passamos para a vida eterna (2).</p>
<p>(1) Mc 8:37. (2) Jo 5:24; Rm 7:24,25; Fp 1:23.</p>
<p>43. Que importância tem, para nós, o sacrifício e a morte de Cristo na cruz?</p>
<p>R. Pelo poder de Cristo, nosso velho homem é crucificado, morto e sepultado com Ele(1), para que os maus desejos da carne não mais nos dominem (2) , mas que nos ofereçamos a Ele, como sacrifício de gratidão (3).</p>
<p>(1) Rm 6:6. (2) Rm 6:8,11,12. (3) Rm 12:1.</p>
<p>44. Por que se acrescenta: &#8220;desceu ao inferno&#8221;?</p>
<p>R. Porque meu Senhor Jesus Cristo sofreu, principalmente na cruz inexprimíveis angústias, dores e terrores(1). Por isso, até nas minhas mais duras tentações, tenho a certeza de que Ele me libertou da angústia e do tormento do inferno (2).</p>
<p>(1) Mt 26:38; Mt 27:46; Hb 5:7. (2) Is 53:5.</p>
<p>DOMINGO 17</p>
<p>45. Que importância tem, para nós, a ressurreição de Cristo?</p>
<p>R. Primeiro: pela ressurreição, Ele venceu a morte, para que nós pudéssemos participar da justiça, que Ele conquistou por sua morte (1). Segundo: nos também, por seu poder, somos ressuscitados para a nova vida (2). Terceiro: a ressurreição de Cristo é uma garantia de nossa ressurreição em glória (3).</p>
<p>(1) Rm 4:25; 1Co 15:16-18; 1Pe 1:3. (2) Rm 6:4; Cl 3:1-3; Ef 2:4-6; (3) Rm 8:11; 1Co 15:20-22.</p>
<p>DOMINGO 18</p>
<p>46. 0 que você quer dizer com as palavras: &#8220;subiu ao céu&#8221;?</p>
<p>R. Que Cristo, à vista de seus discípulos, foi elevado da terra ao céu(1) e lá esta para nosso bem (2) , até que volte para julgar os vivos e os mortos (3).</p>
<p>(1) Mt 16:19; Lc 24:51; At 1:9. (2) Rm 8:34; Ef 4:10; Cl 3:1; Hb 4:14; Hb 7:24,25; Hb 9:24. (3) Mt 24:30; At 1:11.</p>
<p>47. Cristo, então, não está conosco até o fim do mundo, como nos prometeu(1)?</p>
<p>R. Cristo é verdadeiro homem e verdadeiro Deus. Segundo sua natureza humana não está agora na terra (2) , mas segundo sua divindade, majestade, graça e Espirito jamais se afasta de nós (3).</p>
<p>(1) Mt 28:20. (2) Mt 26:11; Jo 16:28; Jo 17:11; At 3:21; Hb 8:4. (3) Mt 28:20; Jo 14:16-18; Jo 16:13; Ef 4:8.</p>
<p>48. Mas se a natureza humana não está em todo lugar onde a natureza divina está, as duas naturezas de Cristo não são separadas uma da outra?</p>
<p>R. De maneira nenhuma; a natureza divina de Cristo não pode ser limitada e está presente em todo lugar. Por isso, podemos concluir que a natureza divina dEle está na sua natureza humana e permanece pessoalmente unida a ela, embora também esteja fora dela (2).</p>
<p>(1) Is 66:1; Jr 23:23,24; At 7:49; At 17:27,28. (2) Mt 28:6; Jo 3:13; Jo 11:15; Cl 2:8.</p>
<p>49. Que importância tem, para nós, a ascensão de Cristo?</p>
<p>R. Primeiro: Ele é, no céu, nosso Advogado junto a seu Pai(1). Segundo: em Cristo temos nossa carne no céu, como garantia segura de que Ele, como nosso Cabeça, também nos levará para si, como seus membros (2). Terceiro: Ele nos envia seu Espírito, como garantia (3) , pelo poder do Espírito buscamos as coisas que são do alto, onde Cristo está sentado a direita de Deus, e não as coisas que são da terra (4).</p>
<p>(1) Rm 8:34; 1Jo 2:1. (2) Jo 14:2,3; Jo 17:24; Ef 2:6. (3) Jo 14:16; Jo 16:7; At 2:33; 2Co 1:22; 2Co 5:5. (4) Fp 3:20; Cl 3:1.</p>
<p>DOMINGO 19</p>
<p>50. Por que se acrescenta: &#8220;e está sentado à direita de Deus&#8221;?</p>
<p>R. Porque Cristo subiu ao céu para mani festar-se, lá mesmo, como o Cabeça de sua igreja cristã(1) e para governar tudo em nome de seu Pai (2).</p>
<p>(1) Ef 1:20-23; Cl 1:18. (2) Mt 28:18; Jo 5:22.</p>
<p>51. Que importância tem, para nós, essa glória de Cristo, nosso Cabeça?</p>
<p>R. Primeiro: por seu Espírito Santo, Ele derrama sobre nós, seus membros, os dons celestiais(1). Segundo: Ele nos defende e protege, por seu poder, contra todos os inimigos (2).</p>
<p>(1) At 2:33; Ef 4:8,10-12. (2) Sl 2:9; Sl 110:1,2; Jo 10:28; Ef 4:8; Ap 12:5.</p>
<p>52. Que consolo traz a você a volta de Cristo &#8220;para julgar os vivos e os mortos&#8221;?</p>
<p>R. Que, em toda miséria e perseguição, espero, de cabeça erguida, o Juiz que vem do céu, a saber: o Cristo que antes se apresentou em meu lugar ao tribunal de Deus e tirou de mim toda a maldição (1).</p>
<p>Ele lançará, na condenação eterna, todos os seus e meus inimigos (2) , mas Ele me levará para si mesmo, com todos os eleitos na alegria e glória celestiais (3).</p>
<p>(1) Lc 21:28; Rm 8:23,24; Fp 3:20; 1Ts 4:16; Tt 2:13. (2) Mt 25:41-43; 2Ts 1:6,8,9. (3) Mt 25:34-36; 2Ts 1:7,10.</p>
<p>DEUS ESPÍRITO SANTO E NOSSA SANTIFICAÇÃO</p>
<p>DOMINGO 20</p>
<p>53. 0 que você crê sobre o Espírito Santo?</p>
<p>R. Primeiro: creio que Ele é verdadeiro e eterno Deus com o Pai e o Filho (1). Segundo: que Ele foi dado também a mim (2). Por uma verdadeira fé, Ele me torna participante de Cristo e de todos os seus benefícios (3). Ele me fortalece (4) e fica comigo para sempre (4).</p>
<p>(1) Gn 1:2; At 5:3,4; 1Co 2:10; 1Co 3:16; 1Co 6:19. (2) Mt 28:19; 2Co 1:21,22 Gl 3:14; Gl 4:6; Ef 1:13. (3) Jo 16:14; 1Co 2:12; 1Pe 1:2. (4) Jo 15:26; At 9:31. (5) Jo 14:16,17; 1Pe 4:14.</p>
<p>DOMINGO 21</p>
<p>54. O que você crê sobre &#8220;a santa igreja universal de Cristo&#8221;?</p>
<p>R. Creio que o Filho de Deus (1) reúne, protege e conserva (2) , dentre todo o gênero humano (3) , sua comunidade (4) eleita para a vida eterna (5). Isto Ele fez por seu Espírito e sua Palavra (6) , na unidade da verdadeira fe (7) , desde o princípio do mundo até o fim (8). Creio que sou membro vivo (9) dessa igreja, agora e para semprel0).</p>
<p>(1) Jo 10:11; Ef 4:11-13; Ef 5:25,26. (2) Sl 129:4,5; Mt 16:18; Jo 10:16,28. (3) Gn 26:4; Is 49:6; Rm 10:12,13; Ap 5:9. (4) Sl 111:1; At 20:28; Hb 12:22,23. (5) Rm 8:29,30; Ef 1:10-14; 1Pe 2:9. (6) Is 59:21; Rm 1:16; Rm 10:14-17; Ef 5:26. (7) Jo 17:21; At 2:42; Ef 4:3-6; 1Tm 3:15. (8) Is 59:21; 1Cor 11:26 (9) Rm 8:10; 1Jo 3:14,19-21. (10) Sl 23:6; Jo 10:28; Rm 8:35-39; 1Co 1:8,9; 1Pe 1:5; 1Jo 2:19.</p>
<p>55, Como você entende as palavras: &#8220;a comunhão dos santos&#8221;?</p>
<p>R. Primeiro: entendo que todos os crentes, juntos e cada um por si, têm, como membros, comunhão com Cristo, o Senhor, e todos os seus ricos dons (1). Segundo: que todos devem sentir-se obrigados a usar seus dons com vontade e alegria para o bem dos outros membros (2).</p>
<p>(1) Rm 8:32; 1Co 6:17; 1Co 12:12,13; 1Jo 1:3. (2) 1Co 12:21; 1Co 13:1-7; Fp 2:2-5.</p>
<p>56. 0 que você crê sobre &#8220;a remissão dos pecados&#8221;?</p>
<p>R. Creio que Deus, por causa da satisfação em Cristo, jamais quer lembrar-se de meus pecados (1) e de minha natureza pecaminosa (2) , que devo combater durante toda a minha vida. Mas Ele me dá a justiça de Cristo (3) , pela graça, e assim nunca mais serei condenado por Deus (4).</p>
<p>(1) Sl 103:3,10,12; Jr 31:34; Mq 7:19; 2Co 5:19. (2) Rm 7:23-25. (3) 2Co 5:21; 1Jo 1:7; 1Jo 2:1,2. (4) Jo 3:18; Jo 5:24.</p>
<p>DOMINGO 22</p>
<p>57. Que consolo traz a você &#8220;a ressurreição da carne&#8221;?</p>
<p>R. Meu consolo é que depois desta vida minha alma será imediatamente elevada para Cristo, seu Cabeça (1). E que também esta minha carne, ressuscitada pelo poder de Cristo, será unida novamente à minha alma e se tornará semelhante ao corpo glorioso de Cristo (2).</p>
<p>(1) Lc 16:22; Lc 20:37,38; Lc 23:43; Fp 1:21,23; Ap 14:13. (2) Jó 19:25-27; 1Co 15:53,54; Fp 3:21; 1Jo 3:2.</p>
<p>58. Que consolo traz a você o artigo sobre a vida eterna ?</p>
<p>R. Meu consolo é que, como já percebo no meu coração o início da alegria eterna (1) , depois desta vida terei a salvação perfeita. Esta salvação nenhum olho jamais viu, nenhum ouvido ouviu e jamais surgiu no coração de alguém. Então louvarei a Deus eternamente (2).</p>
<p>(1) Jo 17 3; 2Co 5:2,3. (2) Jo 17:24; 1Co 2:9.</p>
<p>A JUSTIFICAÇÃO</p>
<p>DOMINGO 23</p>
<p>59. Mas que proveito tem sua fé no Evangelho?</p>
<p>R. O proveito é que sou justo perante Deus, em Cristo, e herdeiro da vida eterna (1).</p>
<p>(1) Hc 2:4; Jo 3:36; Rm 1:17.</p>
<p>60. Como você é justo perante Deus?</p>
<p>R. Somente por verdadeira fé em Jesus Cristo (1).</p>
<p>Mesmo que minha consciência me acuse de ter pecado gravemente contra todos os mandamentos de Deus, e de não ter guardado nenhum deles, e de ser ainda inclinado a todo mal (2) , todavia Deus me dá, sem nenhum mérito meu, por pura graça (3) , a perfeita satisfação, a justiça e a santidade de Cristo (4). Deus me trata (5) como se eu nunca tivesse cometido pecado algum ou jamais tivesse sido pecador; e, como se pessoalmente eu tivesse cumprido toda a obediência que Cristo cumpriu por mim (6). Este benefício é meu somente se eu o aceitar por fé, de todo o coração (7).</p>
<p>(1) Rm 3:21-26; Rm 5:1,2; Gl 2:16; Ef 2:8,9; Fp 3:9. (2) Rm 3:9; Rm 7:23. (3) Dt 9:6; Ez 36:22; Rm 3:24; Rm 7:23-25; Ef 2:8; Tt 3:5. (4) 1Jo 2:1,2. (5) Rm 4:4-8; 2Co 5:19. (6) 2Co 5:21. (7) Jo 3:18; Rm 3:22.</p>
<p>61. Por que você diz que é justo somente pela fé?</p>
<p>R. Eu o digo não porque sou agradável a Deus graças ao valor da minha fé, mas porque somente a satisfação por Cristo e a justiça e santidade dEle me justificam perante Deus (1). Somente pela fé posso aceitar e possuir esta justificação (2).</p>
<p>(1) 1Co 1:30; 1Co 2:2. (2) 1Jo 5:10.</p>
<p>DOMINGO 24</p>
<p>62. Mas por que nossas boas obras não nos podem justificar perante Deus, pelo menos em parte?</p>
<p>R. Porque a justiça que pode subsistir perante o juízo de Deus deve ser absolutamente perfeita e completamente conforme a lei de Deus (1). Entretanto, nesta vida, todas as nossas obras, até as melhores, são imperfeitas e manchadas por pecados (2).</p>
<p>(1) Dt 27:26; Gl 3:10. (2) Is 64:6.</p>
<p>63. Nossas boas obras, então, não têm mérito? Deus não promete recompensá-las, nesta vida e na futura?</p>
<p>R. Essa recompensa não nos é dada por mérito, mas por graça (1).</p>
<p>(1) Lc 17:10.</p>
<p>64. Mas essa doutrina não faz com que os homens se tornem descuidosos e ímpios?</p>
<p>R. Não, pois é impossível que aqueles que estão implantados em Cristo, por verdadeira fé, deixem de produzir frutos de gratidão (1).</p>
<p>(1) Mt 7:18; Jo 15:5.</p>
<p>A PALAVRA E OS SACRAMENTOS</p>
<p>DOMINGO 25</p>
<p>65. Visto que somente a fé nos faz participar de Cristo e de todos os seus benefícios, de onde vem esta fé?</p>
<p>R. Vem do Espírito Santo (1) que a produz em nossos corações pela pregação do Evangelho (2) , e a fortalece pelo uso dos sacramentos (3).</p>
<p>(1) Jo 3:5; 1Co 2:12; 1Co 12:3; Ef 1:17, 18; Ef 2:8; Fp 1:29. (2) At 16:14; Rm 10:17; 1Pe 1:23. (3) Mt 28:19.</p>
<p>66. Que são sacramentos?</p>
<p>R. São visíveis e santos sinais e selos. Deus os instituiu para nos fazer compreender melhor e para garantir a promessa do Evangelho, pelo uso deles. Essa promessa é que Deus nos dá, de graça, o perdão dos pecados e a vida eterna, por causa do único sacrifício de Cristo na cruz (1).</p>
<p>(1) Gn 17:11; Lv 6:25; Dt 30:6; Is 6:6,7; Is 54:9; Ez 20:12; Rm 4:11; Hb 9:7,9; Hb 9:24.</p>
<p>67. Então, tanto a Palavra como os sacramentos têm a finalidade de apontar nossa fé para o sacrifício de Jesus Cristo na cruz, como o único fundamento de nossa salvação (1) ?</p>
<p>R. Sim, pois o Espírito Santo ensina no Evangelho e confirma pelos sacramentos que toda a nossa salvação está baseada no único sacrifício de Cristo na cruz.</p>
<p>(1) Rm 6:3; Gl 3:27.</p>
<p>68. Quantos sacramentos Cristo instituiu na nova aliança?</p>
<p>R. Dois: o santo batismo e a santa ceia.</p>
<p>O SANTO BATISMO</p>
<p>DOMINGO 26</p>
<p>69. Como o batismo ensina e garante a você que o único sacrifício de Cristo na cruz é para seu bem?</p>
<p>R. Cristo instituiu essa lavagem com água (1) e acrescentou a promessa de lavar, com seu sangue e Espírito, a impureza da minha alma (isto é, todos os meus pecados) (2) tão certo como por fora fico limpo com a água que tira a sujeira do corpo.</p>
<p>(1) Mt 28:19. (2) Mt 3:11; Mc 1:4; Mc 16:16; Lc 3:3; Jo 1:33; At 2:38; Rm 6:3,4; 1Pe 3:21.</p>
<p>70. 0 que significa ser lavado com o sangue e o Espírito de Cristo?</p>
<p>R. Significa receber perdão dos pecados, pela graça de Deus, por causa do sangue de Cristo, que Ele derramou por nós, em seu sacrifício na cruz (1). Significa também ser renovado pelo Espírito Santo e santificado para ser membro de Cristo. Assim morremos mais e mais para o pecado e levamos uma vida santa e irrepreensível (2).</p>
<p>(1) Ez 36:25; Zc 13:1; Hb 12:24; 1Pe 1:2; Ap 1:5; Ap 7:14. (2) Ez 36:26,27; Jo 1:33; Jo 3:5; Rm 6:4; 1Co 6:11; 1Co 12:13; Cl 2:11,12.</p>
<p>71. Onde Cristo prometeu lavar-nos com seu sangue e seu Espírito, tão certo como somos lavados com a água do batismo?</p>
<p>R. Na instituição do batismo, onde Ele diz: &#8220;Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo&#8221; (Mateus 28:19). &#8220;Quem crer e for batizado será salvo; quem, porem, não crer será condenado&#8221; (Marcos 16:16). Esta promessa se repete também onde a Escritura chama o batismo de &#8220;lavagem da regeneração&#8221; (Tito 3:5) e de &#8220;purificação dos pecados&#8221; (Atos 22:16).</p>
<p>DOMINGO 27</p>
<p>72. Então, a própria água do batismo é a purificação dos pecados?</p>
<p>R. Não (1) , pois somente o sangue de Jesus Cristo e o Espírito Santo nos purificam de todos os pecados (2).</p>
<p>(1) Mt 3:11; Ef 5:26; 1Pe 3:21. (2) 1Co 6:11; 1Jo 1:7.</p>
<p>73. Por que, então, o Espírito Santo chama o batismo &#8220;lavagem da regeneração&#8221; e &#8220;purificação dos pecados&#8221;?</p>
<p>R. É por motivo muito sério que Deus fala assim. Ele nos quer ensinar que nossos pecados são tirados pelo sangue e Espírito de Cristo assim como a sujeira do corpo é tirada por água (1). E, ainda mais, Ele nos quer assegurar por este divino sinal e garantia que somos lavados espiritualmente dos nossos pecados tão realmente como nosso corpo fica limpo com água (2).</p>
<p>(1) 1Co 6:11; Ap 1:5; Ap 7:14. (2) Mt 16:16; Gl 3:27.</p>
<p>74. As crianças pequenas devem ser batizadas?</p>
<p>R. Devem, sim, porque tanto as crianças como os adultos pertencem à aliança de Deus e à sua igreja (1). Também a elas como aos adultos são prometidos, no sangue de Cristo, a salvação do pecado e o Espírito Santo que produz a fé (2).</p>
<p>Por isso, as crianças, pelo batismo como sinal da aliança, devem ser incorporadas à igreja cristã e distinguidas dos filhos dos incrédulos (3). Na época do Antigo Testamento se fazia isto pela circuncisão (4). No Novo Testamento foi instituído o batismo, no lugar da circuncisão (5).</p>
<p>(1) Gn 17:7. (2) Sl 22:10; Is 44:1-3; Mt 19:14; At 2:39. (3) At 10:47. (4) Gn 17:14. (5) Cl 2:11,12.</p>
<p>A SANTA CEIA</p>
<p>DOMINGO 28</p>
<p>75. Como a santa ceia ensina e garante que você tem parte no único sacrifício de Cristo na cruz e em todos os seus benefícios?</p>
<p>R. Da seguinte maneira: Cristo me mandou, assim como a todos os fiéis, comer do pão partido e beber do cálice, em sua memória. E Ele acrescentou esta promessa: Primeiro, que, por mim, seu corpo foi sacrificado na cruz e que, por mim, seu sangue foi derramado, tão certo como vejo com meus olhos que o pão do Senhor é partido para mim e o cálice me é dado. Segundo, que Ele mesmo alimenta e sacia minha alma para a vida eterna com seu corpo crucificado e seu sangue derramado, tão certo como recebo da mão do ministro e tomo com minha boca o pão e o cálice do Senhor. Eles são sinais seguros do corpo e do sangue de Cristo (1).</p>
<p>(1) Mt 26:26-28; Mc 14:22-24; Lc 22:19,20; 1Co 10:16,17; 1Co 11:23-25.</p>
<p>76. 0 que significa comer o corpo cruci ficado de Cristo e beber seu sangue derramado?</p>
<p>R. Significa aceitar com verdadeira fé todo o sofrimento e morte de Cristo e assim receber o perdão dos pecados e a vida eterna (1). Significa também ser unido cada vez mais ao santo corpo de Cristo (2) , pelo Espírito Santo que habita tanto nEle como em nós. Assim somos carne de sua carne e osso de seus ossos (3) mesmo que Cristo esteja no céu (4) e nós na terra; e vivemos eternamente e somos governados por um só Espírito, como os membros do nosso corpo o são por uma só alma (5).</p>
<p>(1) Jo 6:35,40,47-54. (2) Jo 6:55,56. (3) Jo 14:23; 1Co 6:15,17,19; Ef 3:16,17; Ef 5:29,30; 1Jo 3:24; 1Jo 4:13. (4) At 1:9,11; At 3:21; 1Co 11:26; Cl 3:1. (5) Jo 6:57; Jo 15:1-6; Ef 4:15,16.</p>
<p>77, Onde Cristo prometeu alimentar e saciar os fieis com seu corpo e seu sangue, tão certo como eles comem do pão partido e bebem do cálice?</p>
<p>R. Nas palavras da instituição da ceia, que são :&#8221;O Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão; e, tendo dado graças, o partiu e disse: Isto é o meu corpo que é dado por vós; fazei isto em memória de mim. Por semelhante modo, depois de haver ceado, tomou também o cálice, dizendo: Este cálice é a nova aliança no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em memória de mim. Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes o cálice, anunciais a morte do Senhor, até que ele venha&#8221; (1Coríntios 11:23-2 (6). O apóstolo Paulo já se tinha referido a esta promessa, dizendo: &#8220;Porventura o cálice da bênção que abençoamos, não é a comunhão do sangue de Cristo? O pão que partimos, não é a comunhão do corpo de Cristo? Porque nós, embora muitos, somos unicamente um pão, um só corpo; porque todos participamos do único pão&#8221; (1Coríntios 10:16,1) (7).</p>
<p>(1) Mt 26:26-28; Mc 14:22-24; Lc 22-19,20.</p>
<p>DOMINGO 29</p>
<p>78. Pão e vinho, então, se transformam no próprio corpo e sangue de Cristo?</p>
<p>R. Não (1). Neste ponto há igualdade entre o batismo e a ceia. A água do batismo não se transforma no sangue de Cristo, nem tira os pecados. Ela é somente um sinal divino e uma garantia disto (2). Igualmente o pão da santa ceia não se transforma no próprio corpo de Cristo (3) , mesmo que seja chamado &#8220;corpo de Cristo&#8221;, conforme a natureza e o uso dos sacramentos (4).</p>
<p>(1) Mt 26:29. (2) Ef 5:26; Tt 3:5. (3) 1Co 10:16; 1Co 11:26. (4) Gn 17:10,11; Êx 12: 11,13; Êx 12:26,27; Êx 13:9; Êx 24:8; At 22:16; 1Co 10:1-4; 1Pe 3:21.</p>
<p>79. Por que, então, Cristo chama o pão &#8220;seu corpo&#8221; e o cálice &#8220;seu sangue&#8221; ou &#8220;a nova aliança em seu sangue&#8221;, e por que Paulo fala sobre &#8220;a comunhão do corpo e do sangue de Cristo&#8221;?</p>
<p>R. É por motivo muito sério que Cristo fala assim. Ele nos quer ensinar que seu corpo crucificado e seu sangue derramado são o verdadeiro alimento e bebida de nossas almas para a vida eterna, assim como pão e vinho mantêm a vida temporária (1). E, ainda mais, Ele nos quer assegurar por estes visíveis sinais e garantias,primeiro: que participamos de seu corpo e sangue, pela obra do Espírito Santo, tão realmente como recebemos com nossa própria boca estes santos sinais, em memória dEle (2) ;e segundo: que todo o seu sofrimento e obediência são nossos, tão certo, como se nós mesmos tivéssemos sofrido e pago por nossos pecados.</p>
<p>(1) Jo 6:51,53-55. (2) 1Co 10:16.</p>
<p>DOMINGO 30</p>
<p>80. Que diferença há entre a ceia do Senhor e a missa do papa?</p>
<p>R. A ceia do Senhor nos testemunha que temos completo perdão de todos os nossos pecados, pelo único sacrifício de Jesus Cristo, que Ele mesmo, uma única vez, realizou na cruz (1) ; e também que, pelo Espírito Santo, somos incorporados a Cristo, que agora, com seu verdadeiro corpo, não está na terra mas no céu, à direita do Pai (3) e lá quer ser adorado por nós (4). A missa, porem, ensina que Cristo deve ser sacrificado todo dia, pelos sacerdotes na missa, em favor dos vivos e dos mortos, e que estes, sem a missa, não tem perdão dos pecados pelo sofrimento de Cristo; e também, que Cristo está corporalmente presente sob a forma de pão e vinho e, por isso, neles deve ser adorado. A missa, então, no fundo, não é outra coisa senão a negação do único sacrifício e sofrimento de Cristo e uma idolatria abominável (5).</p>
<p>(1) Mt 26:28; Lc 22:19,20; Jo 19:30; Hb 7:26,27; Hb 9:12; Hb 9:25-28; Hb 10:10,12,14. (2) 1Co 6:17; 1Co 10:16,17. (3) Jo 20:17; Cl 3:1; Hb 1:3; Hb 8:1,2. (4) At 7:55,56; Fp 3:20; Cl 3:1; 1Ts 1:10. (5) Hb 9:26; Hb 10:12,14.</p>
<p>81. Quem deve vir a santa ceia?</p>
<p>R. Aqueles que se aborrecem de si mesmos por causa dos seus pecados, mas confiam que estes lhes foram perdoados por amor de Cristo e que, também, as demais fraquezas são cobertas por seu sofrimento e sua morte; e que desejam, cada vez mais, fortalecer a fé e corrigir-se na vida. Mas os pecadores impenitentes e os hipócritas comem e bebem para sua própria condenação (1).</p>
<p>(1) 1Co 10:19-22; 1Co 11:28,29.</p>
<p>82. Podem vir a essa ceia também aqueles que, por sua confissão e vida, se mostram incrédulos e ímpios?</p>
<p>R. Não, porque assim é profanada a aliança de Deus e é provocada sua ira sobre toda a congregação (1). Por isso, a igreja cristã tem a obrigação, conforme o mandamento de Cristo e de seus apóstolos, de excluir tais pessoas, pelas chaves do reino dos céus, até que demonstrem arrependimento.</p>
<p>(1) Sl 50:16; Is 1:11-15; Is 66:3; Jr 7:21-23; 1Co 11:20,34.</p>
<p>DOMINGO 31</p>
<p>83. Que são as chaves do reino dos céus?</p>
<p>R. A pregação do santo Evangelho e a disciplina cristã. É por estes dois meios que o reino dos céus se abre para aqueles que crêem e se fecha para aqueles que não crêem (1).</p>
<p>(1) Mt 16:18,19; Mt 18:15-18.</p>
<p>84. Como se abre e se fecha o reino dos céus pela pregação do santo Evangelho?</p>
<p>R. Conforme o mandamento de Cristo, se proclama e testifica aos crentes, a todos juntos e a cada um deles, que todos os seus pecados realmente lhes são perdoados por Deus, pelo mérito de Cristo, sempre que aceitam a promessa do Evangelho com verdadeira fé. Mas a todos os incrédulos e hipócritas se proclama e testifica que a ira de Deus e a condenação permanecem sobre eles, enquanto não se converterem (1). Segundo este testemunho do Evangelho Deus julgará todos, nesta vida e na futura.</p>
<p>(1) Mt 16:19; Jo 20:21-23.</p>
<p>85. Como se fecha e se abre o reino dos céus pela disciplina cristã?</p>
<p>R. Conforme o mandamento de Cristo, aqueles que, com o nome de cristãos, se comportam na doutrina ou na vida como não-cristãos, são fraternalmente advertidos, repetidas vezes. Se não querem abandonar seus erros ou maldades, são denunciados à igreja e aos que, pela igreja, foram ordenados para este fim. Se não dão atenção nem a admoestação destes, não são mais admitidos aos sacramentos e, assim, excluídos da congregação de Cristo, e, pelo próprio Deus, do reino de Cristo. Eles voltam a ser recebidos como membros de Cristo e da sua igreja, quando realmente prometem e demonstram verdadeiro arrependimento (1).</p>
<p>(1) Mt 18:15-18; 1Co 5:3-5,11; 2Co 2:6-8; 2Ts 3:14,15; 1Tm 5:20; 2Jo :10,11.</p>
<p>PART 3: NOSSA GRATIDÃO</p>
<p>DOMINGO 32</p>
<p>86. Visto que fomos libertados de nossa miséria, por Cristo, sem mérito algum de nossa parte, somente pela graça, por que ainda devemos fazer boas obras?</p>
<p>R. Primeiro: porque Cristo não somente nos comprou e libertou com seu sangue, mas também nos renova, à sua imagem, por seu Espírito Santo, para que mostremos, com toda a nossa vida, que somos gratos a Deus por seus benefícios (1) , e para que Ele seja louvado por nós (2). Segundo: para que, pelos frutos da fé, tenhamos a certeza de que nossa fé é verdadeira (3) e para que ganhemos nosso próximo para Cristo, pela vida cristã que levamos (4).</p>
<p>(1) Rm 6:13; Rm 12:1,2; 1Co 6:20; 1Pe 2:5,9. (2) Mt 5:16; 1Pe 2:12. (3) Mt 7:17,18; Gl 5:6,22; 2Pe 1:10. (4) Mt 5:16; Rm 14:18,19; 1Pe 3:1,2.</p>
<p>87. Não podem ser salvos, então, aqueles que continuam vivendo sem Deus e sem gratidão e não se convertem a Ele?</p>
<p>R. De maneira alguma, porque a Escritura diz que nenhum impuro, idólatra, adúltero, ladrão, avarento, bêbado, maldizente, assaltante ou semelhante herdará o reino de Deus (1).</p>
<p>(1) 1Co 6:9,10; Ef 5:5,6; 1Jo 3:14,15.</p>
<p>DOMINGO 33</p>
<p>88. Quantas partes há na verdadeira conversão do homem?</p>
<p>R. Duas: a morte do velho homem e o nascimento do novo homem (1).</p>
<p>(1) Rm 6:4-6; 1Co 5:7; 2Co 7:10; Ef 4:22-24; Cl 3:5-10.</p>
<p>89. 0 que é a morte do velho homem?</p>
<p>R. É a profunda tristeza por causa dos pecados e a vontade de odiá-los e evitá-los, cada vez mais (1).</p>
<p>(1) Jl 2:13; Rm 8:13.</p>
<p>90. 0 que é o nascimento do novo homem?</p>
<p>R. É a alegria sincera em Deus, por Cristo (1) , e o forte desejo de viver conforme a vontade de Deus em todas as boas obras (2).</p>
<p>(1) Is 57:15; Rm 5:1,2; Rm 14:17. (2) Rm 6:10,11; Gl 2:19,20.</p>
<p>91. Que são boas obras?</p>
<p>R. São somente aquelas que são feitas com verdadeira fé (1) conforme a lei de Deus (2) e para sua glória (5) ; não são aquelas que se baseiam em nossa própria opinião ou em tradições humanas (4).</p>
<p>(1) Rm 14:23. (2) Lv 18:4; 1Sm 15:22; Ef 2:10. (3) 1Co 10:31. (4) Is 29:13,14; Ez 20:18,19; Mt 15:7-9.</p>
<p>OS DEZ MANDAMENTOS</p>
<p>DOMINGO 34</p>
<p>92. Que diz a lei do SENHOR?</p>
<p>R. Deus falou todas estas palavras (Êxodo 20:1-17; Deuteronômio 5:6-2 (1) :</p>
<p>&#8220;Eu sou o SENHOR teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão. &#8221;</p>
<p>Primeiro mandamento: &#8220;Não terás outros deuses diante de mim. &#8221;</p>
<p>Segundo mandamento: &#8220;Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não as adorarás, nem lhes darás culto; porque eu sou o SENHOR teu Deus, Deus zeloso, que visito a iniqüidade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem, e faço misericórdia até mil gerações daqueles que me amam e guardam os meus mandamentos. &#8221;</p>
<p>Terceiro mandamento: &#8220;Não tomarás o nome do SENHOR teu Deus em vão, porque o SENHOR não terá por inocente o que tomar seu nome em vão. &#8221;</p>
<p>Quarto mandamento: &#8220;Lembra-te do dia de descanso, para o santificar. Seis dias trabalharás, e farás toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o sábado do SENHOR teu Deus; não farás nenhum trabalho, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o forasteiro das tuas portas para dentro; porque em seis dias fez o SENHOR os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há, e ao sétimo dia descansou: por isso o SENHOR abençoou o dia de sábado, e o santificou. &#8221;</p>
<p>Quinto mandamento: &#8220;Honra a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o SENHOR teu Deus te dá. &#8221;</p>
<p>Sexto mandamento: &#8220;Não matarás. &#8221;</p>
<p>Sétimo mandamento: &#8220;Não adulterarás. &#8221;</p>
<p>Oitavo mandamento: &#8220;Não furtarás. &#8221;</p>
<p>Nono mandamento: &#8220;Não dirás falso testemunho contra o teu próximo. &#8221;</p>
<p>Décimo mandamento: &#8220;Não cobiçarás a casa do teu próximo. Não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma que pertença ao teu próximo&#8221;.</p>
<p>93. Como se dividem estes Dez Mandamentos?</p>
<p>R. Em duas partes (1). A primeira nos ensina, em quatro mandamentos, como devemos viver diante de Deus; a segunda nos ensina, em seis mandamentos, as nossas obrigações para com nosso próximo (2).</p>
<p>(1) Êx 31:18; Dt 4:13; Dt 10:3,4. (2) Mt 22:37-40.</p>
<p>94. 0 que Deus ordena no primeiro mandamento?</p>
<p>R. Primeiro: para não perder minha salvação, devo evitar e fugir de toda idolatria (1) , feitiçaria, adivinhação e superstição (2). Também não posso invocar os santos ou outras criaturas (3). Segundo: devo reconhecer devidamente o único e verdadeiro Deus (4) , confiar somente nEle (5) , me submeter somente a Ele (6) com toda humildade (7) e paciência. Devo amar (8) , temer (9) e honrarl0) a Deus de todo o coração, e esperar todo o bem somente dElel (1). Em resumo, devo renunciar a todas as criaturas e não fazer a menor coisa contra a vontade de Deusl (2).</p>
<p>(1) 1Co 6:10; 1Co 10:7,14; 1Jo 5:21. (2) Lv 19:31; Dt 18:9-12. (3) Mt 4:10; Ap 19:10; Ap 22:8,9. (4) Jo 17:3. (5) Jr 17:5,7. (6) Rm 5:3-5; 1Co 10:10; Fp 2:14; Cl 1:11; Hb 10:36. (7) 1Pe 5:5. (8) Dt 6:5; Mt 22:37,38. (9) Dt 6:2; Sl 111:10; Pv 1:7; Pv 9:10; Mt 10:28. (10) Dt 10:20; Mt 4:10. 1 (1) Sl 104:27-30; Is 45:7; Tg 1:17. 1 (2) Mt 5:29,30; Mt 10:37-39; At 5:29.</p>
<p>95. Que é idolatria?</p>
<p>R. Idolatria é inventar ou ter alguma coisa em que se deposite confiança, em lugar ou ao lado do único e verdadeiro Deus, que se revelou em sua Palavra (1).</p>
<p>(1) 1Cr 16:26; Is 44:16,17; Jo 5:23; Gl 4:8; Ef 2:12; Ef 5:5; Fp 3:19; 1Jo 2:23; 2Jo :9.</p>
<p>DOMINGO 35</p>
<p>96. 0 que Deus exige no segundo mandamento?</p>
<p>R. Não podemos, de maneira alguma, representar Deus por imagem ou figura (1). Devemos adorá-Lo somente da maneira que Ele ordenou em sua palavra (2).</p>
<p>(1) Dt 4:15,16; Is 40:18,19,25; At 17:29; Rm 1:23-25. (2) Dt 12:30-32; lSm 15:23; Mt 15:9.</p>
<p>97. Não se pode fazer imagem alguma?</p>
<p>R. Não se pode nem deve fazer nenhuma imagem de Deus. As criaturas podem ser representadas, mas Deus nos proíbe fazer ou ter imagens delas para adorá-las ou para servir a Deus por meio delas (1).</p>
<p>(1) Êx 34:13,14,17; Dt 12:3,4; Dt 16:22; 2Rs 18:4 Is 40:25.</p>
<p>98. Mas não podem ser toleradas as imagens nas igrejas como ‘livros para ignorantes’?</p>
<p>R. Não, porque não devemos ser mais sábios do que Deus. Ele não quer ensinar a seu povo por meio de ídolos mudos (1) , mas pela pregação viva de sua Palavra (2).</p>
<p>(1) Jr 10:5,8; Hc 2:18,19. (2) Rm 10:14-17; 2Tm 3:16,17; 2Pe 1:19.</p>
<p>DOMINGO 36</p>
<p>99. 0 que Deus exige no terceiro mandamento?</p>
<p>R. Não devemos blasfemar ou profanar o santo nome de Deus por maldições (1) ou juramentos falsos (2) nem por juramentos desnecessários (3). Também não devemos tomar parte em pecados tão horríveis, ficando calados quando os ouvimos (4). Em resumo, devemos usar o santo nome de Deus somente com temor e reverencia (5) a fim de que Ele, por nós, seja devidamente confessado (6) , invocado (7) e glorificado por todas as nossas palavras e obras (8).</p>
<p>(1) Lv 24:15,16. (2) Lv 19:12. (3) Mt 5:37; Tg 5:12. (4) Lv 5:1; Pv 29:24. (5) Is 45:23; Jr 4:2. (6) Mt 10:32; Rm 10:9,10. (7) Sl 50:15; 1Tm 2:8. (8) Rm 2:24; Cl 3:17; lTm 6:1.</p>
<p>100. Será que blasfemar o nome de Deus por juramentos e maldições é um pecado tão grande, que Deus se ira também contra aqueles que não se esforçam para impedir e proibir tal coisa?</p>
<p>R. Claro que sim, pois não há pecado maior ou que mais provoque a ira de Deus do que blasfemar seu nome. Por isso, Ele mandava castigar este pecado com a pena da morte (1).</p>
<p>(1) Lv 24:16; Ef 5:11.</p>
<p>DOMINGO 37</p>
<p>101. Mas não podemos nós, de modo piedoso, fazer juramento em nome de Deus?</p>
<p>R. Podemos sim, quando as autoridades o exigirem ou quando for preciso, para manter e promover a fidelidade e a verdade, para a glória de Deus e o bem-estar do próximo. Por tal juramento está baseado na Palavra de Deus (1) e era praticado, com razão, pelos santos do Antigo e Novo Testamento (2).</p>
<p>(1) Dt 6:13; Dt 10:20; Hb 6:16. (2) Gn 21:24; Gn 31:53; 1Sm 24:22,23; 2Sm 3:35; 1Rs 1:29,30; Rm 1:9; Rm 9:1; 2Co 1:23.</p>
<p>102. Podemos jurar também pelos santos ou por outras criaturas?</p>
<p>R. Não, porque o juramento legítimo é uma invocação a Deus, para que Ele, o único que conhece os corações, testemunhe a verdade e nos castigue, se jurarmos falsamente. (1) Tal honra não pertence a criatura alguma (2).</p>
<p>(1) Rm 9:1; 2Co 1:23. (2) Mt 5:34-36; Tg 5:12.</p>
<p>DOMINGO 38</p>
<p>103. 0 que Deus ordena no quarto mandamento?</p>
<p>R. Primeiro: o ministério do Evangelho e as escolas cristãs devem ser mantidos (1) , e eu devo reunir-me fielmente com o povo de Deus, especialmente no dia de descanso (2) , para conhecer a palavra de Deus (3) , para participar dos sacramentos (4) , para invocar publicamente ao Senhor Deus (5) e para praticar a caridade cristã para com os necessitados (6). Segundo: eu devo, todos os dias da minha vida, desistir das más obras, deixando o Senhor operar em mim, por seu Espírito. Assim começo nesta vida o descanso eterno (7).</p>
<p>(1) 1Co 9:13,14; 1Tm 3:15; 2Tm 2:2; 2Tm 3:14,15; Tt 1:5. (2) Lv 23:3; Sl 40:9,10; Sl 122:1; At 2:42,46. (3) 1Co 14:1,3; lTm 4:13; Ap 1:3. (4) At 20:7; 1Co 11:33. (5) 1Co 14:16; 1Tm 2:1-4. (6) Dt 15:11; 1Co 16:1,2; 1Tm 5:16. (7) Hb 4:9,10.</p>
<p>DOMINGO 39</p>
<p>104. 0 que Deus exige no quinto mandamento?</p>
<p>R. Devo prestar toda honra, amor e fidelidade a meu pai e a minha mãe e a todos os meus superiores; devo submeter-me à sua boa instrução e disciplina com a devida obediência (1) , e também ter paciência com seus defeitos (2) ; porque Deus nos quer governar pelas mãos deles (3).</p>
<p>(1) Êx 21:17; Pv 1:8; Pv 4:1; Pv 15:20; Pv 20:20; Rm 13:1; Ef 5:22; Ef 6:1,2,5; Cl 3:18,20,22. (2) Pv 23:22; 1Pe 2:18. (3) Mt 22:21; Rm 13:2,4; Ef 6:4; Cl 3:20.</p>
<p>DOMINGO 40</p>
<p>105. 0 que Deus exige no sexto mandamento?</p>
<p>R. Eu não devo desonrar, odiar, ofender ou matar meu proximo (1) , por mim mesmo ou através de outros. Isto não posso fazer, nem por pensamentos, palavras, ou gestos e muito menos por atos. Mas devo abandonar todo desejo de vingança (2) , não fazer mal a mim mesmo ou, de propósito, colocar-me em perigo (3).</p>
<p>Por isso as autoridades dispõem das armas para impedir homicídios (4).</p>
<p>(1) Gn 9:6; Mt 5:21,22; Mt 26:52. (2) Mt 5:25; Mt 18:35; Rm 12:19; Ef 4:26. (3) Mt 4:7; Cl 2:23. (4) Gn 9:6; Êx 21:14; Rm 13:4.</p>
<p>106. Este mandamento trata somente de matar?</p>
<p>R. Não, proibindo o homicídio, Deus nos ensina que Ele detesta a raiz do homicídio, a saber: a inveja (1) , o ódio (2) , a ira (3) e o desejo de vingança. Ele considera tudo isto homicídio (4).</p>
<p>(1) Sl 37:8; Pv 14:30; Rm 1:29. (2) 1Jo 2:9-11. (3) Tg 1:20; Gl 5:19-21. (4) 1Jo 3:15.</p>
<p>107. Mas é suficiente não matar nosso próximo?</p>
<p>R. Não, porque Deus, condenando a inveja, o ódio e a ira, manda que amemos nosso próximo como a nós mesmos (1) e mostremos paciência, paz, mansidão, misericórdia e gentileza para com ele (2). Devemos evitar seu prejuízo, tanto quanto possível (3) , e fazer bem até aos nossos inimigos (4).</p>
<p>(1) Mt 7:12; Mt 22:39; Rm 12:10. (2) Mt 5:5,7; Lc 6:36; Rm 12:18; Gl 6;1,2; Ef 4:1-3; Cl 3:12; 1Pe 3:8. (3) Êx 23:5. (4) Mt 5:44,45; Rm 12:20,21.</p>
<p>DOMINGO 41</p>
<p>108. 0 que o sétimo mandamento nos ensina?</p>
<p>R. Toda impureza sexual é amaldiçoada por Deus (1). Por isso, devemos detestá-la profundamente e viver de maneira pura e disciplinada (2) , sejamos casados ou solteiros (3).</p>
<p>(1) Lv 18:27-29. (2) 1Ts 4:3-5. (3) Ml 2:16; Mt 19:9; 1Co 7:10,11; Hb 13:4.</p>
<p>109. Mas Deus, neste mandamento, proíbe somente adultério e outros pecados vergonhosos?</p>
<p>R. Não, pois como nosso corpo e nossa alma são o templo do Espírito Santo, Deus quer que os conservemos puros e santos (1). Por isso, Ele proíbe todos os atos, gestos, palavras (2) , pensamentos e desejos (3) impuros e tudo o que possa atrair o homem para tais pecados (4).</p>
<p>(1) 1Co 6:18-20. (2) Dt 22:20-29; Ef 5:3,4. (3) Mt 5:27,28. (4) 1Co 15:33; Ef 5:18.</p>
<p>DOMINGO 42</p>
<p>110. 0 que Deus proíbe no oitavo mandamento?</p>
<p>R. Deus não somente proíbe o furto (1) e o roubo (2) que as autoridades castigam, mas também classifica como roubo todos os maus propósitos e as práticas maliciosas, através dos quais tentamos nos apropriar dos bens do próximo (3) , seja por força, seja por aparência de direito, a saber: falsificação de peso, de medida, de mercadoria e de moeda (4) , seja por juros exorbitantes ou por qualquer outro meio, proibido por Deus (5). Também proíbe toda avareza (6) bem como todo abuso e desperdício de suas dádivas (7).</p>
<p>(1) 1Co 6:10. (2) Lv 19:13. (3) Lc 3:14; 1Co 5:10. (4) Dt 25:13-15; Pv 11:1; Pv 16:11; Ez 45:9-12. (5) Sl 15:5; Lc 6:35. (6) 1Co 6:10. (7) Pv 21:20; Pv 23:20,21.</p>
<p>111. Mas o que Deus ordena neste mandamento?</p>
<p>R. Devo promover tanto quanto possível, o bem do meu próximo e tratá-lo como quero que outros me tratem (1). Além disto, devo fazer fielmente meu trabalho para que possa ajudar ao necessitado (2).</p>
<p>(1) Mt 7:12. (2) Ef 4:28.</p>
<p>DOMINGO 43</p>
<p>112. 0 que Deus exige no nono mandamento?</p>
<p>R. Jamais posso dar falso testemunho contra meu próximo (1) , nem torcer suas palavras (2) ou ser mexeriqueiro ou caluniador (3). Também não posso ajudar a condenar alguém levianamente, sem o ter ouvido (4). Mas devo evitar toda mentira e engano, obras próprias do diabo (5) , para Deus não ficar aborrecido comigo (6). Em julgamentos e em qualquer outra ocasião, devo amar a verdade, falar a verdade e confessá-la francamente (7). Também devo defender e promover, tanto quanto puder, a honra e a boa reputação de meu próximo (8).</p>
<p>(1) Pv 19:5,9; Pv 21:28. (2) Sl 50:19,20. (3) Sl 15:3; Rm 1:30. (4) Mt 7:1,2; Lc 6:37. (5) Jo 8:44. (6) Pv 12:22. (7) 1Co 13:6; Ef 4:25. (8) 1Pe 4:8.</p>
<p>DOMINGO 44</p>
<p>113. 0 que Deus exige no décimo mandamento?</p>
<p>R. Jamais pode surgir em nosso coração o menor desejo ou pensamento contra qualquer mandamento de Deus. Pelo contrário, devemos sempre, de todo o coração odiar todos os pecados e amar toda justiça (1).</p>
<p>(1) Rm 7:7.</p>
<p>114. Mas aqueles que se converteram a Deus, podem guardar perfeitamente estes mandamentos?</p>
<p>R. Não, não podem, porque nesta vida até os mais santos deles apenas começam a guardar os mandamentos (1). Entretanto, começam, com sério propósito, a viver não somente conforme alguns, mas conforme todos os mandamentos de Deus (2).</p>
<p>(1) Ec 7:20; Rm 7:14,15; 1Co 13:9; 1Jo 1:8,10. (2) Sl 1:2; Rm 7:22; 1Jo 2:3.</p>
<p>115. Para que, então, manda Deus pregar os Dez Mandamentos tão rigorosamente, já que ninguém pode guardá-los nesta vida?</p>
<p>R. Primeiro: para que, durante toda a vida, conheçamos cada vez melhor nossa natureza pecaminosa (1) e, por isso, ainda mais desejemos buscar, em Cristo, o perdão dos pecados e a justiça (2). Segundo: para que sempre sejamos zelosos e oremos a Deus pela graça do Espírito Santo, a fim de que sejamos cada vez mais renovados segundo a imagem de Deus até que, depois desta vida, alcancemos o objetivo, a saber: a perfeição (3).</p>
<p>(1) Sl 32:5; Rm 3:20; 1Jo 1:9. (2) Mt 5:6; Rm 7:24,25. (3) 1Co 9:24; Fp 3:12-14.</p>
<p>A ORAÇÃO</p>
<p>DOMINGO 45</p>
<p>116. Por que a oração e necessária aos cristãos?</p>
<p>R. Porque a oração é a parte principal da gratidão, que Deus requer de nós (1). Além disto, Deus quer conceder sua graça e seu Espírito Santo somente aos que continuamente Lhe pedem e agradecem, de todo o coração (2).</p>
<p>(1) Sl 50:14,15. (2) Mt 7:7,8; Lc 11:9,10; 1Ts 5:17,18.</p>
<p>117. Como devemos orar, para que a oração seja agradável a Deus e Ele nos ouça?</p>
<p>R. Primeiro: devemos invocar, de todo o coração (1) , o único e verdadeiro Deus, que se revelou a nós em sua palavra (2) , e orar por tudo o que Ele nos ordenou pedir (3). Segundo: devemos muito bem conhecer nossa necessidade e miséria (4) , a fim de nos humilharmos perante sua majestade (5). Terceiro: devemos ter a plena certeza (6) de que Deus, apesar de nossa indignidade, quer atender à nossa oração (7) , por causa de Cristo, como Ele prometeu em sua Palavra (8).</p>
<p>(1) Sl 145:18-20; Tg 4:3,8. (2) Jo 4:22-24; Ap 19:10. (3) Rm 8:26; Tg 1:5; 1Jo 5:14. (4) 2Cr 20:12; Sl 143:2. (5) Sl 2:11; Sl 51:17; Is 66:2. (6) Rm 8:15,16; Rm 10:14; Tg 1:6-8. (7) Dn 9:17-19; Jo 14:13,14; Jo 15:16; Jo 16:23. (8) Sl 27:8; Sl 143:1; Mt 7:8.</p>
<p>118. 0 que Deus ordenou pedir a Ele?</p>
<p>R. Tudo o que é necessário ao nosso corpo e a nossa alma (1) , como Cristo, o Senhor, o resumiu na oração que Ele mesmo nos ensinou.</p>
<p>(1) Mt 6:33; Tg 1:17.</p>
<p>119. Que diz esta oração?</p>
<p>R. &#8220;Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome;venha o teu reino,faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu;o pão nosso de cada dia dá-nos hoje;e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores;e não nos deixes cair em tentação, mas livra nos do mal; pois teu é o reino, o poder e a glória para sempre. Amém&#8221; (Mateus 6:9-13; Lucas 11:2-4).</p>
<p>DOMINGO 46</p>
<p>120. Por que Cristo nos ordenou dizer a Deus &#8220;Pai nosso&#8221;?</p>
<p>R. Porque Cristo quer despertar em nós, logo no início como base da oração, respeito e confiança, como uma criança para com Deus. Pois Deus se tornou nosso Pai, por Cristo. E muito menos do que nossos pais nos recusam bens materiais, Ele nos recusará o que Lhe pedirmos com verdadeira fé (1).</p>
<p>(1) Mt 7:9-11; Lc 11:11-13</p>
<p>121. Por que se acrescenta: &#8220;que estás nos céus&#8221;?</p>
<p>R. Porque assim Cristo nos ensina a não ter idéia terrena da majestade celestial de Deus (1) e a esperar, da onipotência dEle, tudo o que é necessário ao nosso corpo e a nossa alma (2).</p>
<p>(1) Jr 23:23,24; At 17:24-27. (2) Rm 10:12.</p>
<p>DOMINGO 47</p>
<p>P. 122. Qual e a primeira petição?</p>
<p>R. &#8220;Santificado seja o teu nome&#8221;. Quer dizer: Faze primeiro, com que Te conheçamos em verdade (1) e Te santifiquemos, honremos e glorifiquemos em todas as tuas obras (2) , em que brilham tua onipotência, sabedoria, bondade, justiça, misericórdia e verdade. Faze, também, com que dirijamos toda a nossa vida -nossos pensamentos, palavras e obras- de tal maneira que teu nome não seja blasfemado por nossa causa, mas honrado e glorificado (3).</p>
<p>(1) Sl 119:105; Jr 9:24; Jr 31:33,34, Mt 16:17; Jo 17:3; Tg 1:5. (2) Êx 34:6,7; Sl 119:137,138; Sl 145:8,9; Jr 31:3; Jr 32:18,19; Mt 19:17; Lc 1:46-55; Lc 1:68,69; Rm 3:3,4; Rm 11:22,23; Rm 11:33. (3) Sl 71:8; Sl 115:1; Mt 5:16.</p>
<p>DOMINGO 48</p>
<p>123. Qual é a segunda petição?</p>
<p>R. &#8220;Venha o teu reino&#8221;. Quer dizer: Governa-nos por tua palavra e por teu Espírito, de tal maneira que, cada vez mais, nos submetamos a Ti (1) ;conserve e aumenta tua igreja (2) ;destrói as obras do diabo, e todo poder que se levanta contra Ti, e todos os maus planos que são inventados contra tua santa Palavra (3) ;até que venha a plenitude de teu reino (4) ,em que Tu serás tudo em todos (5).</p>
<p>(1) Sl 119:5; Sl 143:10; Mt 6:33. (2) Sl 51:18; Sl 122:6,7. (3) Rm 16:20; 1Jo 3:8. (4) Rm 8:22,23; Ap 22:17,20. (5) 1Co 15:28.</p>
<p>DOMINGO 49</p>
<p>124. Qual é a terceira petição ?</p>
<p>R. &#8220;Faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu&#8221;. Quer dizer: Faze com que nós e todos os homens renunciemos à nossa própria vontade (1) e obedeçamos, sem protestos, à tua vontade (2) , a única que é boa, para que cada um, assim, cumpra sua tarefa e vocação (3) , tão pronta e fielmente como os anjos no céu (4).</p>
<p>(1) Mt 16:24; Tt 2:11,12. (2) Lc 22:42; Rm 12:2; Ef 5:10. (3) 1Co 7:22-24. (4) Sl 103:20,21.</p>
<p>DOMINGO 50</p>
<p>125. Qual é a quarta petição?</p>
<p>R. &#8220;O pão nosso de cada dia dá-nos hoje&#8221;. Quer dizer: Cuida de nós com tudo o que for necessário ao nosso corpo (1) , para que reconheçamos que Tu és a única fonte de todo o bem (2) e que, sem tua bênção, nem nosso cuidado e trabalho, nem teus dons nos são úteis (3). Faze também com que, por isso, não mais depositemos nossa confiança em qualquer criatura, mas somente em Ti (4).</p>
<p>(1) Sl 104:27,28; Sl 145:15,16; Mt 6:25,26. (2) At 14:17; At 17:27,28; Tg 1:17. (3) Dt 8:3; Sl 37:3-7,16,17; Sl 127:1,2; 1Co 15:58. (4) Sl 55:22; Sl 62:10; Sl 146:3; Jr 17:5,7.</p>
<p>DOMINGO 51</p>
<p>126. Qual é a quinta petição?</p>
<p>R. &#8220;E perdoa-nos as nossas dividas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores&#8221;. Quer dizer: Por causa do sangue de Cristo, não cobres de nós, miseráveis pecadores que somos, nossas transgressões nem o mal que ainda há em nós (1) , assim como tua graça em nós fez com que tenhamos o firme propósito de perdoar nosso próximo, de todo o coração (2).</p>
<p>(1) Sl 51:1; Sl 143:2; Rm 8:1; 1Jo 2:1. (2) Mt 6:14,15.</p>
<p>DOMINGO 52</p>
<p>127. Qual é a sexta petição?</p>
<p>R. &#8220;E não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal&#8221;. Quer dizer: Somos tão fracos que, por nós mesmos, não podemos subsistir por um só momento (1) ; além disto, nossos inimigos declarados: o diabo (2) , o mundo (3) e nossa própria carne (4) nos tentam continuamente. Por isso, Te pedimos: sustenta-nos e fortalece-nos, pelo poder de teu Espírito Santo, a fim de que neste combate espiritual não sejamos derrotados (5) , mas possamos fortemente resistir, até que finalmente alcancemos a vitória total (6).</p>
<p>(1) Sl 103:14-16; Jo 15:5. (2) Ef 6:12; 1Pe 5:8. (3) Jo 15:19. (4) Rm 7:23; Gl 5:17. (5) Mt 26:41; Mc 13:33; 1Co 10:12,13. (6) 1Ts 3:13; 1Ts 5:23.</p>
<p>128. Como você termina sua oração?</p>
<p>R. &#8220;Pois teu é o reino, o poder e a glória, para sempre&#8221;. Quer dizer: Tudo isso Te pedimos, porque Tu queres e podes dar-nos todo o bem, pois és nosso Rei e tudo está em teu poder (1). Pedimos-Te isso também, para que não o nosso, mas teu santo nome seja eternamente glorificado (2).</p>
<p>(1) 1Cr 29:10-12; Rm 10:11-13; 2Pe 2:9. (2) Sl 115:1; Jr 33:8,9; Jo 14:13.</p>
<p>129. 0 que significa a palavra: &#8220;amém&#8221;?</p>
<p>R. Amém quer dizer: é verdadeiro e certo. Pois Deus atende à minha oração com muito mais certeza do que o desejo que eu sinto, no coração, de ser ouvido por Ele (1).</p>
<p>(1) 2Co 1:20; 2Tm 2:13.</p>
<table>
<tbody>
<tr>
<td></td>
<td></td>
</tr>
</tbody>
</table>
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		<title>Confissão de Fé Westiminster</title>
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		<pubDate>Sun, 24 Jan 2010 15:20:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anderson Queiroz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Símbolos de Fé]]></category>

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		<description><![CDATA[CAPÍTULO I &#8211; DA ESCRITURA SAGRADA
I. Ainda que a luz da natureza e as obras da criação e da providência de tal modo manifestem a bondade, a sabedoria e o poder de Deus, que os homens ficam inescusáveis, contudo não são suficientes para dar aquele conhecimento de Deus e da sua vontade necessário para a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>CAPÍTULO I &#8211; DA ESCRITURA SAGRADA</p>
<p>I. Ainda que a luz da natureza e as obras da criação e da providência de tal <a href="http://www.missaoreformada.com/portal/wp-content/uploads/2010/01/CEP-0155g1.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-335" title="CEP-0155g" src="http://www.missaoreformada.com/portal/wp-content/uploads/2010/01/CEP-0155g1-198x300.jpg" alt="" width="198" height="300" /></a>modo manifestem a bondade, a sabedoria e o poder de Deus, que os homens ficam inescusáveis, contudo não são suficientes para dar aquele conhecimento de Deus e da sua vontade necessário para a salvação; por isso foi o Senhor servido, em diversos tempos e diferentes modos, revelar-se e declarar à sua Igreja aquela sua vontade; e depois, para melhor preservação e propagação da verdade, para o mais seguro estabelecimento e conforto da Igreja contra a corrupção da carne e malícia de Satanás e do mundo, foi igualmente servido fazê-la escrever toda. Isto torna indispensável a Escritura Sagrada, tendo cessado aqueles antigos modos de revelar Deus a sua vontade ao seu povo.</p>
<p>Sal. 19: 1-4; Rom. 1: 32, e 2: 1, e 1: 19-20, e 2: 14-15; I Cor. 1:21, e 2:13-14; Heb. 1:1-2; Luc. 1:3-4; Rom. 15:4; Mat. 4:4, 7, 10; Isa. 8: 20; I Tim. 3: I5; II Pedro 1: 19.</p>
<p>II. Sob o nome de Escritura Sagrada, ou Palavra de Deus escrita, incluem-se agora todos os livros do Velho e do Novo Testamento, que são os seguintes, todos dados por inspiração de Deus para serem a regra de fé e de prática:</p>
<p>O VELHO  TESTAMENTO</p>
<p>Gênesis<br />
Esdras<br />
Oséias</p>
<p>Êxodo<br />
Neemias<br />
Joel</p>
<p>Levítico<br />
Ester<br />
Amós</p>
<p>Números<br />
Jó<br />
Obadias</p>
<p>Deuteronômio<br />
Salmos<br />
Jonas</p>
<p>Josué<br />
Provérbios<br />
Miquéias</p>
<p>Juízes<br />
Eclesiastes<br />
Naum</p>
<p>Rute<br />
Cântico dos Cânticos<br />
Habacuque</p>
<p>I Samuel<br />
Isaías<br />
Sofonias</p>
<p>II Samuel<br />
Jeremias<br />
Ageu</p>
<p>I Reis<br />
Lamentações<br />
Zacarias</p>
<p>II Reis<br />
Ezequiel<br />
Malaquias</p>
<p>I Crônicas<br />
Daniel</p>
<p>II Crônicas</p>
<p>O NOVO TESTAMENTO</p>
<p>Mateus<br />
I Timóteo</p>
<p>Marcos<br />
II Timóteo</p>
<p>Lucas<br />
Tito</p>
<p>João<br />
Filemon</p>
<p>Atos<br />
Hebreus</p>
<p>Romanos<br />
Tiago</p>
<p>I Coríntios<br />
I Pedro</p>
<p>II Coríntios<br />
II Pedro</p>
<p>Gálatas<br />
I João</p>
<p>Efésios<br />
II João</p>
<p>Filipenses<br />
III João</p>
<p>Colossenses<br />
Judas</p>
<p>I Tessalonicenses<br />
Apocalipse</p>
<p>II Tessalonicenses</p>
<p>Ef. 2:20; Apoc. 22:18-19: II Tim. 3:16; Mat. 11:27.</p>
<p>III. Os livros geralmente chamados Apócrifos, não sendo de inspiração divina, não fazem parte do cânon da Escritura; não são, portanto, de autoridade na Igreja de Deus, nem de modo algum podem ser aprovados ou empregados senão como escritos humanos.</p>
<p>Luc. 24:27,44; Rom. 3:2; II Pedro 1:21.</p>
<p>IV. A autoridade da Escritura Sagrada, razão pela qual deve ser crida e obedecida, não depende do testemunho de qualquer homem ou igreja, mas depende somente de Deus (a mesma verdade) que é o seu autor; tem, portanto, de ser recebida, porque é a palavra de Deus.</p>
<p>II Tim. 3:16; I João 5:9, I Tess. 2:13.</p>
<p>V. Pelo testemunho da Igreja podemos ser movidos e incitados a um alto e reverente apreço da Escritura Sagrada; a suprema excelência do seu conteúdo, e eficácia da sua doutrina, a majestade do seu estilo, a harmonia de todas as suas partes, o escopo do seu todo (que é dar a Deus toda a glória), a plena revelação que faz do único meio de salvar-se o homem, as suas muitas outras excelências incomparáveis e completa perfeição, são argumentos pelos quais abundantemente se evidencia ser ela a palavra de Deus; contudo, a nossa plena persuasão e certeza da sua infalível verdade e divina autoridade provém da operação interna do Espírito Santo, que pela palavra e com a palavra testifica em nossos corações.</p>
<p>I Tim. 3:15; I João 2:20,27; João 16:13-14; I Cor. 2:10-12.</p>
<p>VI. Todo o conselho de Deus concernente a todas as coisas necessárias para a glória dele e para a salvação, fé e vida do homem, ou é expressamente declarado na Escritura ou pode ser lógica e claramente deduzido dela. À Escritura nada se acrescentará em tempo algum, nem por novas revelações do Espírito, nem por tradições dos homens; reconhecemos, entretanto, ser necessária a íntima iluminação do Espírito de Deus para a salvadora compreensão das coisas reveladas na palavra, e que há algumas circunstâncias, quanto ao culto de Deus e ao governo da Igreja, comum às ações e sociedades humanas, as quais têm de ser ordenadas pela luz da natureza e pela prudência cristã, segundo as regras gerais da palavra, que sempre devem ser observadas.</p>
<p>II Tim. 3:15-17; Gal. 1:8; II Tess. 2:2; João 6:45; I Cor. 2:9, 10, l2; I Cor. 11:13-14.</p>
<p>VII. Na Escritura não são todas as coisas igualmente claras em si, nem do mesmo modo evidentes a todos; contudo, as coisas que precisam ser obedecidas, cridas e observadas para a salvação, em um ou outro passo da Escritura são tão claramente expostas e explicadas, que não só os doutos, mas ainda os indoutos, no devido uso dos meios ordinários, podem alcançar uma suficiente compreensão delas.</p>
<p>II Pedro 3:16; Sal. 119:105, 130; Atos 17:11.</p>
<p>VIII. O Velho Testamento em Hebraico (língua vulgar do antigo povo de Deus) e o Novo Testamento em Grego (a língua mais geralmente conhecida entre as nações no tempo em que ele foi escrito), sendo inspirados imediatamente por Deus e pelo seu singular cuidado e providência conservados puros em todos os séculos, são por isso autênticos e assim em todas as controvérsias religiosas a Igreja deve apelar para eles como para um supremo tribunal; mas, não sendo essas línguas conhecidas por todo o povo de Deus, que tem direito e interesse nas Escrituras e que deve no temor de Deus lê-las e estudá-las, esses livros têm de ser traduzidos nas línguas vulgares de todas as nações aonde chegarem, a fim de que a palavra de Deus, permanecendo nelas abundantemente, adorem a Deus de modo aceitável e possuam a esperança pela paciência e conforto das escrituras.</p>
<p>Mat. 5:18; Isa. 8:20; II Tim. 3:14-15; I Cor. 14; 6, 9, 11, 12, 24, 27-28; Col. 3:16; Rom. 15:4.</p>
<p>IX. A regra infalível de interpretação da Escritura é a mesma Escritura; portanto, quando houver questão sobre o verdadeiro e pleno sentido de qualquer texto da Escritura (sentido que não é múltiplo, mas único), esse texto pode ser estudado e compreendido por outros textos que falem mais claramente.</p>
<p>At. 15: 15; João 5:46; II Ped. 1:20-21.</p>
<p>X. O Juiz Supremo, pelo qual todas as controvérsias religiosas têm de ser determinadas e por quem serão examinados todos os decretos de concílios, todas as opiniões dos antigos escritores, todas as doutrinas de homens e opiniões particulares, o Juiz Supremo em cuja sentença nos devemos firmar não pode ser outro senão o Espírito Santo falando na Escritura.</p>
<p>Mat. 22:29, 3 1; At. 28:25; Gal. 1: 10.</p>
<p>CAPÍTULO II &#8211; DE DEUS E DA SANTÍSSIMA TRINDADE</p>
<p>I. Há um só Deus vivo e verdadeiro, o qual é infinito em seu ser e perfeições. Ele é um espírito puríssimo, invisível, sem corpo, membros ou paixões; é imutável, imenso, eterno, incompreensível, &#8211; onipotente, onisciente, santíssimo, completamente livre e absoluto, fazendo tudo para a sua própria glória e segundo o conselho da sua própria vontade, que é reta e imutável. É cheio de amor, é gracioso, misericordioso, longânimo, muito bondoso e verdadeiro remunerador dos que o buscam e, contudo, justíssimo e terrível em seus juízos, pois odeia todo o pecado; de modo algum terá por inocente o culpado.</p>
<p>Deut. 6:4; I Cor. 8:4, 6; I Tess. 1:9; Jer. 10:10; Jó 11:79; Jó 26:14; João 6:24; I Tim. 1:17; Deut. 4:15-16; Luc. 24:39; At. 14:11, 15; Tiago 1:17; I Reis 8:27; Sal. 92:2; Sal. 145:3; Gen. 17:1; Rom. 16:27; Isa. 6:3; Sal. 115:3; Exo3:14; Ef. 1:11; Prov. 16:4; Rom. 11:36; Apoc. 4:11; I João 4:8; Exo. 36:6-7; Heb. 11:6; Nee. 9:32-33; Sal. 5:5-6; Naum 1:2-3.</p>
<p>II. Deus tem em si mesmo, e de si mesmo, toda a vida, glória, bondade e bem-aventurança. Ele é todo suficiente em si e para si, pois não precisa das criaturas que trouxe à existência, não deriva delas glória alguma, mas somente manifesta a sua glória nelas, por elas, para elas e sobre elas. Ele é a única origem de todo o ser; dele, por ele e para ele são todas as coisas e sobre elas tem ele soberano domínio para fazer com elas, para elas e sobre elas tudo quanto quiser. Todas as coisas estão patentes e manifestas diante dele; o seu saber é infinito, infalível e independente da criatura, de sorte que para ele nada é contingente ou incerto. Ele é santíssimo em todos os seus conselhos, em todas as suas obras e em todos os seus preceitos. Da parte dos anjos e dos homens e de qualquer outra criatura lhe são devidos todo o culto, todo o serviço e obediência, que ele há por bem requerer deles.</p>
<p>João 5:26; At. 7:2; Sal. 119:68; I Tim. 6: 15; At &#8211; . 17:24-25; Rom. 11:36; Apoc. 4:11; Heb. 4:13; Rom. 11:33-34; At. 15:18; Prov. 15:3; Sal. 145-17; Apoc. 5: 12-14.</p>
<p>III. Na unidade da Divindade há três pessoas de uma mesma substância, poder e eternidade &#8211; Deus o Pai, Deus o Filho e Deus o Espírito Santo, O Pai não é de ninguém &#8211; não é nem gerado, nem procedente; o Filho é eternamente gerado do Pai; o Espírito Santo é eternamente procedente do Pai e do Filho.</p>
<p>Mat. 3:16-17; 28-19; II Cor. 13:14; João 1:14, 18 e 15:26; Gal. 4:6.</p>
<p>CAPÍTULO III &#8211; DOS ETERNOS DECRETOS DE DEUS</p>
<p>I. Desde toda a eternidade, Deus, pelo muito sábio e santo conselho da sua própria vontade, ordenou livre e inalteravelmente tudo quanto acontece, porém de modo que nem Deus é o autor do pecado, nem violentada é a vontade da criatura, nem é tirada a liberdade ou contingência das causas secundárias, antes estabelecidas.</p>
<p>Isa. 45:6-7; Rom. 11:33; Heb. 6:17; Sal.5:4; Tiago 1:13-17; I João 1:5; Mat. 17:2; João 19:11; At.2:23; At. 4:27-28 e 27:23, 24, 34.</p>
<p>II. Ainda que Deus sabe tudo quanto pode ou há de acontecer em todas as circunstâncias imagináveis, ele não decreta coisa alguma por havê-la previsto como futura, ou como coisa que havia de acontecer em tais e tais condições.</p>
<p>At. 15:18; Prov.16:33; I Sam. 23:11-12; Mat. 11:21-23; Rom. 9:11-18.</p>
<p>III. Pelo decreto de Deus e para manifestação da sua glória, alguns homens e alguns anjos são predestinados para a vida eterna e outros preordenados para a morte eterna.</p>
<p>I Tim.5:21; Mar. 5:38; Jud. 6; Mat. 25:31, 41; Prov. 16:4; Rom. 9:22-23; Ef. 1:5-6.</p>
<p>IV. Esses homens e esses anjos, assim predestinados e preordenados, são particular e imutavelmente designados; o seu número é tão certo e definido, que não pode ser nem aumentado nem diminuído.</p>
<p>João 10: 14-16, 27-28; 13:18; II Tim. 2:19.</p>
<p>V. Segundo o seu eterno e imutável propósito e segundo o santo conselho e beneplácito da sua vontade, Deus antes que fosse o mundo criado, escolheu em Cristo para a glória eterna os homens que são predestinados para a vida; para o louvor da sua gloriosa graça, ele os escolheu de sua mera e livre graça e amor, e não por previsão de fé, ou de boas obras e perseverança nelas, ou de qualquer outra coisa na criatura que a isso o movesse, como condição ou causa.</p>
<p>Ef. 1:4, 9, 11; Rom. 8:30; II Tim. 1:9; I Tess, 5:9; Rom. 9:11-16; Ef. 1: 19: e 2:8-9.</p>
<p>VI. Assim como Deus destinou os eleitos para a glória, assim também, pelo eterno e mui livre propósito da sua vontade, preordenou todos os meios conducentes a esse fim; os que, portanto, são eleitos, achando-se caídos em Adão, são remidos por Cristo, são eficazmente chamados para a fé em Cristo pelo seu Espírito, que opera no tempo devido, são justificados, adotados, santificados e guardados pelo seu poder por meio da fé salvadora. Além dos eleitos não há nenhum outro que seja remido por Cristo, eficazmente chamado, justificado, adotado, santificado e salvo.</p>
<p>I Pedro 1:2; Ef. 1:4 e 2: 10; II Tess. 2:13; I Tess. 5:9-10; Tito 2:14; Rom. 8:30; Ef.1:5; I Pedro 1:5; João 6:64-65 e 17:9; Rom. 8:28; I João 2:19.</p>
<p>VII. Segundo o inescrutável conselho da sua própria vontade, pela qual ele concede ou recusa misericórdia, como lhe apraz, para a glória do seu soberano poder sobre as suas criaturas, o resto dos homens, para louvor da sua gloriosa justiça, foi Deus servido não contemplar e ordená-los para a desonra e ira por causa dos seus pecados.</p>
<p>Mat. 11:25-26; Rom. 9:17-22; II Tim. 2:20; Jud. 4; I Pedro 2:8.</p>
<p>VIII. A doutrina deste alto mistério de predestinação deve ser tratada com especial prudência e cuidado, a fim de que os homens, atendendo à vontade revelada em sua palavra e prestando obediência a ela, possam, pela evidência da sua vocação eficaz, certificar-se da sua eterna eleição. Assim, a todos os que sinceramente obedecem ao Evangelho esta doutrina fornece motivo de louvor, reverência e admiração de Deus, bem como de humildade diligência e abundante consolação.</p>
<p>Rom. 9:20 e 11:23; Deut. 29:29; II Pedro 1:10; Ef. 1:6; Luc. 10:20; Rom. 5:33, e 11:5-6, 10.</p>
<p>CAPÍTULO IV &#8211; DA CRIAÇÃO</p>
<p>I. Ao princípio aprouve a Deus o Pai, o Filho e o Espírito Santo, para a manifestação da glória do seu eterno poder, sabedoria e bondade, criar ou fazer do nada, no espaço de seis dias, e tudo muito bom, o mundo e tudo o que nele há, visíveis ou invisíveis.</p>
<p>Rom. 9:36; Heb. 1:2; João 1:2-3, Rom. 1:20; Sal. 104:24; Jer. 10: 12; Gen. 1; At. 17:24; Col. 1: 16; Exo. 20: 11.</p>
<p>II. Depois de haver feito as outras criaturas, Deus criou o homem, macho e fêmea, com almas racionais e imortais, e dotou-as de inteligência, retidão e perfeita santidade, segundo a sua própria imagem, tendo a lei de Deus escrita em seus corações, e o poder de cumpri-la, mas com a possibilidade de transgredi-la, sendo deixados à liberdade da sua própria vontade, que era mutável. Além dessa escrita em seus corações, receberam o preceito de não comerem da árvore da ciência do bem e do mal; enquanto obedeceram a este preceito, foram felizes em sua comunhão com Deus e tiveram domínio sobre as criaturas.</p>
<p>Gen. 1:27 e 2:7; Sal. 8:5; Ecl. 12:7; Mat. 10:28; Rom. 2:14, 15; Col. 3:10; Gen. 3:6.</p>
<p>CAPÍTULO V &#8211; DA PROVIDÊNCIA</p>
<p>I. Pela sua muito sábia providência, segundo a sua infalível presciência e o livre e imutável conselho da sua própria vontade, Deus, o grande Criador de todas as coisas, para o louvor da glória da sua sabedoria, poder, justiça, bondade e misericórdia, sustenta, dirige, dispõe e governa todas as suas criaturas, todas as ações e todas as coisas, desde a maior até a menor.</p>
<p>Nee, 9:6; Sal. 145:14-16; Dan. 4:34-35; Sal. 135:6; Mat. 10:29-31; Prov. 15:3; II Cron. 16:9; At.15:18; Ef. 1:11; Sal. 33:10-11; Ef. 3:10; Rom. 9:17; Gen. 45:5.</p>
<p>II. Posto que, em relação à presciência e ao decreto de Deus, que é a causa primária, todas as coisas acontecem imutável e infalivelmente, contudo, pela mesma providência, Deus ordena que elas sucedam conforme a natureza das causas secundárias, necessárias, livre ou contingentemente.</p>
<p>Jer. 32:19; At. 2:13; Gen. 8:22; Jer. 31:35; Isa.10:6-7.</p>
<p>III. Na sua providência ordinária Deus emprega meios; todavia, ele é livre para operar sem eles, sobre eles ou contra eles, segundo o seu arbítrio.</p>
<p>At. 27:24, 31; Isa. 55:10-11; Os.1:7; Rom. 4:20-21; Dan.3:27; João 11:34-45; Rom. 1:4.</p>
<p>IV. A onipotência, a sabedoria inescrutável e a infinita bondade de Deus, de tal maneira se manifestam na sua providência, que esta se estende até a primeira queda e a todos os outros pecados dos anjos e dos homens, e isto não por uma mera permissão, mas por uma permissão tal que, para os seus próprios e santos desígnios, sábia e poderosamente os limita, e regula e governa em uma múltipla dispensarão mas essa permissão é tal, que a pecaminosidade dessas transgressões procede tão somente da criatura e não de Deus, que, sendo santíssimo e justíssimo, não pode ser o autor do pecado nem pode aprová-lo.</p>
<p>Isa. 45:7; Rom. 11:32-34; At. 4:27-28; Sal. 76:10; II Reis 19:28; At.14:16; Gen. 50:20; Isa. 10:12; I João 2:16; Sal. 50:21; Tiago 1:17.</p>
<p>V. O mui sábio, justo e gracioso Deus muitas vezes deixa por algum tempo seus filhos entregues a muitas tentações e à corrupção dos seus próprios corações, para castigá-los pelos seus pecados anteriores ou fazer-lhes conhecer o poder oculto da corrupção e dolo dos seus corações, a fim de que eles sejam humilhados; para animá-los a dependerem mais intima e constantemente do apoio dele e torná-los mais vigilantes contra todas as futuras ocasiões de pecar, para vários outros fins justos e santos.</p>
<p>II Cron. 32:25-26, 31; II Sam. 24:1, 25; Luc. 22:31-32; II Cor. 12:7-9.</p>
<p>VI. Quanto àqueles homens malvados e ímpios que Deus, como justo juiz, cega e endurece em razão de pecados anteriores, ele somente lhes recusa a graça pela qual poderiam ser iluminados em seus entendimentos e movidos em seus corações, mas às vezes tira os dons que já possuíam, e os expõe a objetos que a sua corrupção torna ocasiões de pecado; além disso os entrega às suas próprias paixões, às tentações do mundo e ao poder de Sataná5: assim acontece que eles se endurecem sob as influências dos meios que Deus emprega para o abrandamento dos outros.</p>
<p>Rom. 1:24-25, 28 e 11:7; Deut. 29:4; Mar. 4:11-12; Mat. 13:12 e 25:29; II Reis 8:12-13; Sal.81:11-12; I Cor. 2:11; II Cor. 11:3; Exo. 8:15, 32; II Cor. 2:15-16; Isa. 8:14.</p>
<p>VII. Como a providência de Deus se estende, em geral, a todos os crentes, também de um modo muito especial ele cuida da Igreja e tudo dispõe a bem dela.</p>
<p>Amós 9:8-9; Mat. 16:18; Rom. 8-28; I Tim. 4: 10.</p>
<p>CAPÍTULO VI &#8211; DA QUEDA DO HOMEM, DO PECADO E DO SEU CASTIGO</p>
<p>I. Nossos primeiros pais, seduzidos pela astúcia e tentação de Satanás, pecaram, comendo do fruto proibido. Segundo o seu sábio e santo conselho, foi Deus servido permitir este pecado deles, havendo determinado ordená-lo para a sua própria glória.</p>
<p>Gen. 3:13; II Cor. 11:3; Rom. 11:32 e 5:20-21.</p>
<p>II. Por este pecado eles decaíram da sua retidão original e da comunhão com Deus, e assim se tornaram mortos em pecado e inteiramente corrompidos em todas as suas faculdades e partes do corpo e da alma.</p>
<p>Gen. 3:6-8; Rom. 3:23; Gen. 2:17; Ef. 2:1-3; Rom. 5:12; Gen. 6:5; Jer. 17:9; Tito 1:15; Rom.3:10-18.</p>
<p>III. Sendo eles o tronco de toda a humanidade, o delito dos seus pecados foi imputado a seus filhos; e a mesma morte em pecado, bem como a sua natureza corrompida, foram transmitidas a toda a sua posteridade, que deles procede por geração ordinária.</p>
<p>At. 17:26; Gen. 2:17; Rom. 5:17, 15-19; I Cor. 15:21-22,45, 49; Sal.51:5; Gen.5:3; João3:6.</p>
<p>IV. Desta corrupção original pela qual ficamos totalmente indispostos, adversos a todo o bem e inteiramente inclinados a todo o mal, é que procedem todas as transgressões atuais.</p>
<p>Rom. 5:6, 7:18 e 5:7; Col. 1:21; Gen. 6:5 e 8:21; Rom. 3:10-12; Tiago 1:14-15; Ef. 2:2-3; Mat. 15-19.</p>
<p>V. Esta corrupção da natureza persiste, durante esta vida, naqueles que são regenerados; e, embora seja ela perdoada e mortificada por Cristo, todavia tanto ela, como os seus impulsos, são real e propriamente pecado.</p>
<p>Rom. 7:14, 17, 18, 21-23; Tiago 3-2; I João 1:8-10; Prov. 20:9; Ec. 7-20; Gal.5:17.</p>
<p>VI. Todo o pecado, tanto o original como o atual, sendo transgressão da justa lei de Deus e a ela contrária, torna, pela sua própria natureza, culpado o pecador e por essa culpa está ele sujeito à ira de Deus e à maldição da lei e, portanto, exposto à morte, com todas as misérias espirituais, temporais e eternas.</p>
<p>I João 3:4; Rom. 2: 15; Rom. 3:9, 19; Ef. 2:3; Gal. 3:10; Rom. 6:23; Ef. 6:18; Lam, 3:39; Mat. 25:41; II Tess. 1:9.</p>
<p>CAPÍTULO VII &#8211; DO PACTO DE DEUS COM O HOMEM</p>
<p>I. Tão grande é a distância entre Deus e a criatura, que, embora as criaturas racionais lhe devam obediência como ao seu Criador, nunca poderiam fruir nada dele como bem-aventurança e recompensa, senão por alguma voluntária condescendência da parte de Deus, a qual foi ele servido significar por meio de um pacto.</p>
<p>Jó 9:32-33; Sal. 113:5-6; At. 17:24-25; Luc. 17: 10.</p>
<p>II. O primeiro pacto feito com o homem era um pacto de obras; nesse pacto foi a vida prometida a Adão e nele à sua posteridade, sob a condição de perfeita obediência pessoal.</p>
<p>Gal. 3:12; Rom. 5: 12-14 e 10:5; Gen. 2:17; Gal. 3: 10.</p>
<p>III. O homem, tendo-se tornado pela sua queda incapaz de vida por esse pacto, o Senhor dignou-se fazer um segundo pacto, geralmente chamado o pacto da graça; nesse pacto ele livremente oferece aos pecadores a vida e a salvação por Jesus Cristo, exigindo deles a fé nele para que sejam salvos; e prometendo dar a todos os que estão ordenados para a vida o seu Santo Espírito, para dispô-los e habilitá-los a crer.</p>
<p>Gal. 3:21; Rom. 3:20-21 e 8:3; Isa. 42:6; Gen. 3:15; Mat. 28:18-20; João 3:16; Rom. 1:16-17 e 10:6-9; At. 13:48; Ezeq. 36:26-27; João 6:37, 44, 45; Luc. 11: 13; Gal. 3:14.</p>
<p>IV. Este pacto da graça é freqüentemente apresentado nas Escrituras pelo nome de Testamento, em referência à morte de Cristo, o testador, e à perdurável herança, com tudo o que lhe pertence, legada neste pacto.</p>
<p>Hb. 9:15-17.</p>
<p>V. Este pacto no tempo da Lei não foi administrado como no tempo do Evangelho. Sob a Lei foi administrado por promessas, profecias, sacrifícios, pela circuncisão, pelo cordeiro pascoal e outros tipos e ordenanças dadas ao povo judeu, prefigurando, tudo, Cristo que havia de vir; por aquele tempo essas coisas, pela operação do Espírito Santo, foram suficientes e eficazes para instruir e edificar os eleitos na fé do Messias prometido, por quem tinham plena remissão dos pecados e a vida eterna: essa dispensarão chama-se o Velho Testamento.</p>
<p>II Cor. 3:6-9; Rom. 6:7; Col. 2:11-12; I Cor. 5:7 e 10:14; Heb. 11:13; João 8:36; Gal. 3:7-9, 14.</p>
<p>VI. Sob o Evangelho, quando foi manifestado Cristo, a substância, as ordenanças pelas quais este pacto é dispensado são a pregação da palavra e a administração dos ritos do batismo e da ceia do Senhor; por estas ordenanças, posto que poucas em número e administradas com maior simplicidade e menor glória externa, o pacto é manifestado com maior plenitude, evidência e eficácia espiritual, a todas as nações, aos judeus bem como aos gentios. É chamado o Novo Testamento. Não há, pois, dois pactos de graça diferentes em substância mas um e o mesmo sob várias dispensações.</p>
<p>Col. 2:17; Mat. 28:19-2; I Cor. 11:23-25; Heb. 12:22-24; II Cor. 3:9-11; Luc. 2:32; Ef. 2:15-19; Luc. 22:20; Gal. 3:14-16; At. 15: l 1; Rom. 3:21-22, 30 e 4:16-17, e 23-24; Heb. 1:1-2.</p>
<p>CAPÍTULO VIII &#8211; DE CRISTO O MEDIADOR</p>
<p>I. Aprouve a Deus em seu eterno propósito, escolher e ordenar o Senhor Jesus, seu Filho Unigênito, para ser o Mediador entre Deus e o homem, o Profeta, Sacerdote e Rei, o Cabeça e Salvador de sua Igreja, o Herdeiro de todas as coisas e o Juiz do Mundo; e deu-lhe desde toda a eternidade um povo para ser sua semente e para, no tempo devido, ser por ele remido, chamado, justificado, santificado e glorificado.</p>
<p>Isa. 42: 1; I Ped. 1: 19-20; I Tim. 2:5; João 3:16; Deut. 18:15; At. 3:20-22; Heb. 5:5-6; Isa. 9:6-7; Luc. 1:33; Heb. 1:2; Ef. 5:23; At. 17:31; II Cor.5:10; João 17:6; Ef. 1:4; I Tim. 2:56; I Cor. 1:30; Rom.8:30.</p>
<p>II. O Filho de Deus, a Segunda Pessoa da Trindade, sendo verdadeiro e eterno Deus, da mesma substância do Pai e igual a ele, quando chegou o cumprimento do tempo, tomou sobre si a natureza humana com todas as suas propriedades essenciais e enfermidades comuns, contudo sem pecado, sendo concebido pelo poder do Espírito Santo no ventre da Virgem Maria e da substância dela. As duas naturezas, inteiras, perfeitas e distintas &#8211; a Divindade e a humanidade &#8211; foram inseparavelmente unidas em uma só pessoa, sem conversão composição ou confusão; essa pessoa é verdadeiro Deus e verdadeiro homem, porém, um só Cristo, o único Mediador entre Deus e o homem.</p>
<p>João 1:1,14; I João 5:20; Fil. 2:6; Gal. 4:4; Heb. 2:14, 17 e 4:15; Luc. 1:27, 31, 35; Mat. 16:16; Col. 2:9; Rom. 9:5; Rom. 1:3-4; I Tim. 2:5.</p>
<p>III. O Senhor Jesus, em sua natureza humana unida à divina, foi santificado e sem medida ungido com o Espírito Santo tendo em si todos os tesouros de sabedoria e ciência. Aprouve ao Pai que nele habitasse toda a plenitude, a fim de que, sendo santo, inocente, incontaminado e cheio de graça e verdade, estivesse perfeitamente preparado para exercer o ofício de Mediador e Fiador. Este ofício ele não tomou para si, mas para ele foi chamado pelo Pai, que lhe pôs nas mãos todo o poder e todo o juízo e lhe ordenou que os exercesse.</p>
<p>Sal. 45:5; João 3:34; Heb. 1:8-9; Col. 2:3, e 1:9; Heb. 7:26; João 1: 14; At. 10:38; Heb. 12:24, e 5:4-5; João 5:22, 27; Mat. 28:18.</p>
<p>IV. Este ofício o Senhor Jesus empreendeu mui voluntariamente. Para que pudesse exercê-lo, foi feito sujeito à lei, que ele cumpriu perfeitamente; padeceu imediatamente em sua alma os mais cruéis tormentos e em seu corpo os mais penosos sofrimentos; foi crucificado e morreu; foi sepultado e ficou sob o poder da morte, mas não viu a corrupção; ao terceiro dia ressuscitou dos mortos com o mesmo corpo com que tinha padecido; com esse corpo subiu ao céu, onde está sentado à destra do Pai, fazendo intercessão; de lá voltará no fim do mundo para julgar os homens e os anjos.</p>
<p>Sal. 40:7-8; Heb. 10:5-6; João 4:34: Fil. 2-8; Gal. 4:4; Mat. 3:15 e 5:17; Mat. 26:37-38; Luc.22:24; Mat. 27.46; Fil 2:8; At. 2:24, 27 e 13:37; I Cor.15:4; João 20:25-27; Luc. 24:50-51; II Ped. 3:22; Rom. 8:34; Heb. 7:25; Rom. 14:10: At. 1:11, João5:28-29; Mat. 13:40-42.</p>
<p>V. O Senhor Jesus, pela sua perfeita obediência e pelo sacrifício de si mesmo, sacrifício que pelo Eterno Espírito, ele ofereceu a Deus uma só vez, satisfez plenamente à justiça do Pai. e para todos aqueles que o Pai lhe deu adquiriu não só a reconciliação, como também uma herança perdurável no Reino dos Céus.</p>
<p>Rom. 5: 19 e :25-26; Heb. 10: 14; Ef. 1: 11, 14; Col.1:20; II Cor.5: 18; 20; João 17:2; Heb.9:12,15.</p>
<p>VI. Ainda que a obra da redenção não foi realmente cumprida por Cristo senão depois da sua encarnação; contudo a virtude, a eficácia e os benefícios dela, em todas as épocas sucessivamente desde o princípio do mundo, foram comunicados aos eleitos naquelas promessas, tipos e sacrifícios, pelos quais ele foi revelado e significado como a semente da mulher que devia esmagar a cabeça da serpente, como o cordeiro morto desde o princípio do mundo, sendo o mesmo ontem, hoje e para sempre.</p>
<p>Gal. 4:45; Gen. 3:15; Heb. 3:8.</p>
<p>VII. Cristo, na obra da mediação, age de conformidade com as suas duas naturezas, fazendo cada natureza o que lhe é próprio: contudo, em razão da unidade da pessoa, o que é próprio de uma natureza é às vezes, na Escritura, atribuído à pessoa denominada pela outra natureza.</p>
<p>João 10:17-l8; I Ped. 3:18; Heb. 9:14; At. 20:28; João3:13</p>
<p>VIII. Cristo, com toda a certeza e eficazmente aplica e comunica a salvação a todos aqueles para os quais ele a adquiriu. Isto ele consegue, fazendo intercessão por eles e revelando-lhes na palavra e pela palavra os mistérios da salvação, persuadindo-os eficazmente pelo seu Espírito a crer e a obedecer, dirigindo os corações deles pela sua palavra e pelo seu onipotente poder e sabedoria, da maneira e pelos meios mais conformes com a sua admirável e inescrutável dispensação.</p>
<p>João 6:37; 39 e10:15-16; I João 2:1; João 15:15; Ef. 1:9; João 17:6; II Cor. 4:13; Rom. 8:9, 14 e 15:18-19; João 17:17; Sal. 90:1; I Cor. 15: 25-26; Col. 2:15; Luc. 10: 19.</p>
<p>CAPÍTULO IX &#8211; DO LIVRE ARBITRIO</p>
<p>I. Deus dotou a vontade do homem de tal liberdade, que ele nem é forçado para o bem ou para o mal, nem a isso é determinado por qualquer necessidade absoluta da sua natureza.</p>
<p>Tiago 1:14; Deut. 30:19; João 5:40; Mat. 17:12; At.7:51; Tiago 4:7.</p>
<p>II. O homem, em seu estado de inocência, tinha a liberdade e o poder de querer e fazer aquilo que é bom e agradável a Deus, mas mudavelmente, de sorte que pudesse decair dessa liberdade e poder.</p>
<p>Ec. 7:29; Col. 3: 10; Gen. 1:26 e 2:16-17 e 3:6.</p>
<p>III. O homem, caindo em um estado de pecado, perdeu totalmente todo o poder de vontade quanto a qualquer bem espiritual que acompanhe a salvação, de sorte que um homem natural, inteiramente adverso a esse bem e morto no pecado, é incapaz de, pelo seu pr6prio poder, converter-se ou mesmo preparar-se para isso.</p>
<p>Rom. 5:6 e 8:7-8; João 15:5; Rom. 3:9-10, 12, 23; Ef.2:1, 5; Col. 2:13; João 6:44, 65; I Cor. 2:14; Tito 3:3-5.</p>
<p>IV. Quando Deus converte um pecador e o transfere para o estado de graça, ele o liberta da sua natural escravidão ao pecado e, somente pela sua graça, o habilita a querer e fazer com toda a liberdade o que é espiritualmente bom, mas isso de tal modo que, por causa da corrupção, ainda nele existente, o pecador não faz o bem perfeitamente, nem deseja somente o que é bom, mas também o que é mau.</p>
<p>Col.1: 13; João 8:34, 36; Fil. 2:13; Rom. 6:18, 22; Gal.5:17; Rom. 7:15, 21-23; I João 1:8, 10.</p>
<p>V. É no estado de glória que a vontade do homem se torna perfeita e imutavelmente livre para o bem só.</p>
<p>Ef. 4:13; Judas, 24; I João 3:2.</p>
<p>CAPÍTULO X &#8211; DA VOCAÇÃO EFICAZ</p>
<p>I. Todos aqueles que Deus predestinou para a vida, e só esses, é ele servido, no tempo por ele determinado e aceito, chamar eficazmente pela sua palavra e pelo seu Espírito, tirando-os por Jesus Cristo daquele estado de pecado e morte em que estão por natureza, e transpondo-os para a graça e salvação. Isto ele o faz, iluminando os seus entendimentos espiritualmente a fim de compreenderem as coisas de Deus para a salvação, tirando-lhes os seus corações de pedra e dando lhes corações de carne, renovando as suas vontades e determinando-as pela sua onipotência para aquilo que é bom e atraindo-os eficazmente a Jesus Cristo, mas de maneira que eles vêm mui livremente, sendo para isso dispostos pela sua graça.</p>
<p>João 15:16; At. 13:48; Rom. 8:28-30 e 11:7; Ef. 1:5,10; I Tess. 5:9; 11 Tess. 2:13-14; IICor.3:3,6; Tiago 1:18; I Cor. 2:12; Rom. 5:2; II Tim. 1:9-10; At. 26:18; I Cor. 2:10, 12: Ef. 1:17-18; II Cor. 4:6; Ezeq. 36:26, e 11:19; Deut. 30:6; João 3:5; Gal. 6:15; Tito 3:5; I Ped. 1:23; João 6:44-45; Sal. 90;3; João 9:3; João6:37; Mat. 11:28; Apoc. 22:17.</p>
<p>II. Esta vocação eficaz é só da livre e especial graça de Deus e não provem de qualquer coisa prevista no homem; na vocação o homem é inteiramente passivo, até que, vivificado e renovado pelo Espírito Santo, fica habilitado a corresponder a ela e a receber a graça nela oferecida e comunicada.</p>
<p>II Tim. 1:9; Tito 3:4-5; Rom. 9:11; I Cor. 2:14; Rom. 8:7-9; Ef. 2:5; João 6:37; Ezeq. 36:27; João5:25.</p>
<p>III. As crianças que morrem na infância, sendo eleitas, são regeneradas e por Cristo salvas, por meio do Espírito, que opera quando, onde e como quer, Do mesmo modo são salvas todas as outras pessoas incapazes de serem exteriormente chamadas pelo ministério da palavra.</p>
<p>Gen. 17:7; Sal. 105:8-10; Ezeq. 16-20-21; Luc. 18:1516; At. 2:39; Gal. 3:29; João 3:8 e 16:7-8; I João 5: 12; At. 4:12.</p>
<p>IV. Os não eleitos, posto que sejam chamados pelo ministério da palavra e tenham algumas das operações comuns do Espírito, contudo não se chegam nunca a Cristo e portanto não podem ser salvos; muito menos poderão ser salvos por qualquer outro meio os que não professam a religião cristã, por mais diligentes que sejam em conformar as suas vidas com a luz da natureza e com a lei da religião que professam; o asseverar e manter que podem é muito pernicioso e detestável.</p>
<p>Mat. l3:14-15; At. 28:24; Mat. 22:14; Mat. 13:20-21, e 7:22; Heb. 6:4-5; João 6:64-66, e 8:24; At. 4:12; João 14:6 e 17:3; Ef. 2:12-13; II João 10: l 1; Gal. 1:8; I Cor. 16:22.</p>
<p>CAPÍTULO XI &#8211; DA JUSTIFICAÇÃO</p>
<p>I. Os que Deus chama eficazmente, também livremente justifica. Esta justificação não consiste em Deus infundir neles a justiça, mas em perdoar os seus pecados e em considerar e aceitar as suas pessoas como justas. Deus não os justifica em razão de qualquer coisa neles operada ou por eles feita, mas somente em consideração da obra de Cristo; não lhes imputando como justiça a própria fé, o ato de crer ou qualquer outro ato de obediência evangélica, mas imputando-lhes a obediência e a satisfação de Cristo, quando eles o recebem e se firmam nele pela fé, que não têm de si mesmos, mas que é dom de Deus.</p>
<p>Rom. 8:30 e 3:24, 27-28; II Cor. 5:19, 21; Tito 3:5-7; Ef. 1:7; Jer. 23:6; João 1:12 e 6:44-45; At. 10:43-44; Fil. 1:20; Ef. 2:8.</p>
<p>II. A fé, assim recebendo e assim se firmando em Cristo e na justiça dele, é o único instrumento de justificação; ela, contudo não está sozinha na pessoa justificada, mas sempre anda acompanhada de todas as outras graças salvadores; não é uma fé morta, mas obra por amor.</p>
<p>João 3:16, 18, 36; Rom. 3:28, e 5: I; Tiago 2:17, 22, 26; Gal. 5:6.</p>
<p>III. Cristo, pela sua obediência e morte, pagou plenamente a dívida de todos os que são justificados, e, em lugar deles, fez a seu Pai uma satisfação própria, real e plena. Contudo, como Cristo foi pelo Pai dado em favor deles e como a obediência e satisfação dele foram aceitas em lugar deles, ambas livremente e não por qualquer coisa neles existente, a justificação deles é só da livre graça, a fim de que tanto a justiça restrita como a abundante graça de Deus sejam glorificadas na justificação dos pecadores.</p>
<p>Rom. 5:8, 9, 18; II Tim. 2:5-6; Heb. 10:10, 14; Rom. 8:32; II Cor. 5:21; Mat. 3:17; Ef. 5:2; Rom. 3:26; Ef. 2:7.</p>
<p>IV. Deus, desde toda a eternidade, decretou justificar todos os eleitos, e Cristo, no cumprimento do tempo, morreu pelos pecados deles e ressuscitou para a justificação deles; contudo eles não são justificados enquanto o Espírito Santo, no tempo próprio, não lhes aplica de fato os méritos de Cristo.</p>
<p>Gal. 3:8; I Ped. 1:2, 19-20; Gal. 4:4; I Tim. 2:6; Rom. 4:25; I Ped. 1:21; Col. 1:21-22; Tito 3:4-7.</p>
<p>V. Deus continua a perdoar os pecados dos que são justificados. Embora eles nunca poderão decair do estado de justificação, poderão, contudo, incorrer no paternal desagrado de Deus. e ficar privados da luz do seu rosto, até que se humilhem, confessem os seus pecados, peçam perdão e renovem a sua fé e o seu arrependimento.</p>
<p>Mat. 6:12; I João 1:7, 9, e 2:1-2; Luc. 22:32; João 10:28; Sal. 89:31-33; e 32:5.</p>
<p>VI. A justificação dos crentes sob o Velho Testamento era, em todos estes respeitos. a mesma justificação dos crentes sob o Novo Testamento.</p>
<p>Gal. 3:9, 13-14; Rom. 4:22, 24.</p>
<p>CAPÍTULO XII &#8211; DA ADOÇÃO</p>
<p>I. Todos os que são justificados é Deus servido, em seu único Filho Jesus Cristo e por ele, fazer participantes da graça da adoção. Por essa graça eles são recebidos no número dos filhos de Deus e gozam a liberdade e privilégios deles; têm sobre si o nome deles, recebem o Espírito de adoção, têm acesso com confiança ao trono da graça e são habilitados, a clamar &#8220;Abba, Pai&#8221;; são tratados com comiseração, protegidos, providos e por ele corrigidos, como por um pai; nunca, porém, abandonados, mas selados para o dia de redenção, e herdam as promessas, como herdeiros da eterna salvação.</p>
<p>Ef. 1:5; Gal. 4:4-5; Rom. 8:17; João 1: 12; Jer. 14:9; II Cor. 6:18; Apoc. 3:12; Rom. 8:15; Ef. 3:12; Gal. 4:6; Sal. 10313; Prov. 14.26; Mat. 6:30, 32; Heb. 12:6; Lam. 3:31-32; Ef. 4:30; Heb. 6:12; I Ped. 1: 3-4; Heb. 1: 14.</p>
<p>CAPÍTULO XIII &#8211; DA SANTIFICAÇÃO</p>
<p>I. Os que são eficazmente chamados e regenerados, tendo criado em si um novo coração e um novo espírito, são além disso santificados real e pessoalmente, pela virtude da morte e ressurreição de Cristo, pela sua palavra e pelo seu Espírito, que neles habita; o domínio do corpo do pecado é neles todo destruído, as suas várias concupiscências são mais é mais enfraquecidas e mortificadas, e eles são mais e mais vivificados e fortalecidos em todas as graças salvadores, para a prática da verdadeira santidade, sem a qual ninguém verá a Deus.</p>
<p>I Cor. 1:30; At. 20:32; Fil. 3:10; Rom. 6:5-6; João 17:17, 19; Ef. 5-26; II Tess. 2:13; Rom. 6:6, 14; Gal. 5:24; Col., 1:10-11; Ef. 3:16-19; II Cor. 7:1; Col. 1:28, e 4:12; Heb. 12:14.</p>
<p>II. Esta santificação é no homem todo, porém imperfeita nesta vida; ainda persistem em todas as partes dele restos da corrupção, e daí nasce uma guerra contínua e irreconciliável &#8211; a carne lutando contra o espírito e o espírito contra a carne.</p>
<p>I Tess. 5:23; I João 1:10; Fil. 3:12; Gal. 5:17; I Ped.2:11.</p>
<p>III. Nesta guerra, embora prevaleçam por algum tempo as corrupções que ficam, contudo, pelo contínuo socorro da eficácia do santificador Espírito de Cristo, a parte regenerada do homem novo vence, e assim os santos crescem em graça, aperfeiçoando a santidade no temor de Deus.</p>
<p>Rom. 7:23, e 6:14; I João 5:4; Ef. 4:15-16; II Ped. 3:18; II Cor. 3:18, e 7: 1.</p>
<p>CAPÍTULO XIV &#8211; DA FÉ SALVADORA</p>
<p>I. A graça da fé, pela qual os eleitos são habilitados a crer para a salvação das suas almas, é a obra que o Espírito de Cristo faz nos corações deles, e é ordinariamente operada pelo ministério da palavra; por esse ministério, bem como pela administração dos ritos e pela oração, ela é aumentada e fortalecida.</p>
<p>Heb. 10:39; II Cor. 4:13; Ef. 1:17-20, e 2:8; Mat. 28:19-20; Rom. 10:14, 17: I Cor. 1:21; I Ped. 2:2; Rom. 1:16-17; Luc. 22:19; João 6:54-56; Rom. 6:11; Luc. 17:5, e 22:32.</p>
<p>II. Por essa fé o cristão, segundo a autoridade do mesmo Deus que fala em sua palavra, crê ser verdade tudo quanto nela é revelado, e age de conformidade com aquilo que cada passagem contém em particular, prestando obediência aos mandamentos, tremendo às ameaças e abraçando as promessas de Deus para esta vida e para a futura; porém os principais atos de fé salvadora são &#8211; aceitar e receber a Cristo e firmar-se só nele para a justificação, santificação e vida eterna, isto em virtude do pacto da graça.</p>
<p>João 6:42; I Tess. 2:13; I João 5:10; At. 24:14; Mat. 22:37-40; Rom. 16:26; Isa. 66:2; Heb. 11:13; I Tim. 6:8; João1:12; At. 16:31; Gal. 2:20; At. 15: 11.</p>
<p>III. Esta fé é de diferentes graus, é fraca ou forte; pode ser muitas vezes e de muitos modos assaltada e enfraquecida, mas sempre alcança a vitória, atingindo em muitos a uma perfeita segurança em Cristo, que é não somente o autor, como também o consumador da fé.</p>
<p>Rom. 4:19-20; Mat. 6:30, e 5: 10; Ef. 6:16; I João 4:5; Heb. 6:11, 12, 10:22 e 12:2.</p>
<p>CAPÍTULO XV &#8211; DO ARREPENDIMENTO PARA A VIDA</p>
<p>I. O arrependimento para a vida é uma graça evangélica, cuja doutrina deve ser tão pregada por todo o ministro do Evangelho como a da fé em Cristo.</p>
<p>At. 11: 18; Luc. 24:47; Mar. 1: 15; At. 20:21.</p>
<p>II. Movido pelo reconhecimento e sentimento, não só do perigo, mas também da impureza e odiosidade do pecado como contrários à santa natureza e justa lei de Deus; apreendendo a misericórdia divina manifestada em Cristo aos que são penitentes, o pecador pelo arrependimento, de tal maneira sente e aborrece os seus pecados, que, deixando-os, se volta para Deus, tencionando e procurando andar com ele em todos os caminhos dos seus mandamentos.</p>
<p>Ezeq. 18:30-31 e 34:31; Sal.51:4; Jer. 31:18-19; II Cor.7:11; Sal. 119:6, 59, 106; Mat. 21:28-29.</p>
<p>III. Ainda que não devemos confiar no arrependimento como sendo de algum modo uma satisfação pelo pecado ou em qualquer sentido a causa do perdão dele, o que é ato da livre graça de Deus em Cristo, contudo, ele é de tal modo necessário aos pecadores, que sem ele ninguém poderá esperar o perdão,</p>
<p>Ez. 36:31-32 e 16:63; Os. 14:2, 4; Rom. 3:24; Ef. 1: 7; Luc. 13:3, S; At. 17:30,31.</p>
<p>IV. Como não há pecado tão pequeno que não mereça a condenação, assim também não há pecado tão grande que possa trazer a condenação sobre os que se arrependem verdadeiramente.</p>
<p>Rom. 6:23; Mat. 12:36; Isa. 55: 7; Rom. 8:1; Isa. 1: 18.,</p>
<p>V. Os homens não devem se contentar com um arrependimento geral, mas é dever de todos procurar arrepender-se particularmente de cada um dos seus pecados.</p>
<p>Sal. 19:13; Luc. 19:8; I Tim. 1:13, 15.</p>
<p>VI. Como todo o homem é obrigado a fazer a Deus confissão particular das suas faltas, pedindo-lhe o perdão delas, fazendo o que, achará misericórdia, se deixar os seus pecados, assim também aquele que escandaliza a seu irmão ou a Igreja de Cristo, deve estar pronto, por uma confissão particular ou pública do seu pecado e do pesar que por ele sente, a declarar o seu arrependimento aos que estão ofendidos; isto feito, estes devem reconciliar-se com ele e recebê-lo em amor.</p>
<p>Sal. 32:5-6; Prov. 28:13; I João 1:9; Tiago 5: 16; Luc. 17:3-4; Josué 7:19; II Cor. 2:8.</p>
<p>CAPÍTULO XVI &#8211; DAS BOAS OBRAS</p>
<p>I. Boas obras são somente aquelas que Deus ordena em sua santa palavra, não as que, sem autoridade dela, são aconselhadas pelos homens movidos de um zelo cego ou sob qualquer outro pretexto de boa intenção.</p>
<p>Miq. 6:8; Rom. 12:2; Heb. 13:21; Mat. I5:9; Isa. 29:13; I Ped. 1:18; João 16:2; Rom. 10:2;1 Sam. I5:22; Deut. 10:12-13; Col. 2:16, 17, 20-23.</p>
<p>II. Estas boas obras, feitas em obediência aos mandamentos de Deus, são o fruto e as evidências de uma fé viva e verdadeira; por elas os crentes manifestam a sua gratidão, robustecem a sua confiança, edificam os seus irmãos, adornam a profissão do Evangelho, tapam a boca aos adversários e glorificam a Deus, cuja feitura são, criados em Jesus Cristo para isso mesmo, a fim de que, tendo o seu fruto em santificação, tenham no fim a vida eterna.</p>
<p>Tiago 2:18, 22; Sal. 116-12-13; I Ped. 2:9; I João 2:3,5; II Ped. 1:5-10; II Cor. 9:2; Mat. 5:16; I Tim. 4:12; Tito 2:5, 912; I Tim. 6:1; I Pedro. 2:12, 15; Fil. 1,11; João 15:8; Ef. 2:10; Rom. 6:22.</p>
<p>III. O poder de fazer boas obras não é de modo algum dos próprios fiéis, mas provém inteiramente do Espírito de Cristo. A fim de que sejam para isso habilitados, é necessário, além da graça que já receberam, uma influência positiva do mesmo Espírito Santo para obrar neles o querer e o perfazer segundo o seu beneplácito; contudo, não devem por isso tornar-se negligentes, como se não fossem obrigados a cumprir qualquer dever senão quando movidos especialmente pelo Espírito, mas devem esforçar-se por estimular a graça de Deus que há neles.</p>
<p>João I5:4-6; Luc. 11:13; Fil. 2:13, e 4:13; II Cor. 3:5; Ef. 3:16; Fil. 2:12; Heb. 6:11-12; Isa. 64:7.</p>
<p>IV. Os que alcançam pela sua obediência a maior perfeição possível nesta vida estão tão longe de exceder as suas obrigações e fazer mais do que Deus requer, que são deficientes em muitas coisas que são obrigados a fazer.</p>
<p>Luc. 17: 10; Gal. 5: 17.</p>
<p>V. Não podemos, pelas nossas melhores obras, merecer da mão de Deus perdão de pecado ou a vida eterna, porque é grande a desproporção que há entre eles e a glória porvir, e infinita a distância que vai de nós a Deus, a quem não podemos ser úteis por meio delas, nem satisfazer pela dívida dos nossos pecados anteriores; e porque, como boas, procedem do Espírito e, como nossas, são impuras e misturadas com tanta fraqueza e imperfeição, que não podem suportar a severidade do juízo de Deus; assim, depois que tivermos feito tudo quanto podemos, temos cumprido tão somente, o nosso dever, e somos servos inúteis.</p>
<p>Rom. 3:20, e 4:2,4, 6; Ef. 2:8-9; Luc. 17:lO;Gal. 5:2223; Isa. 64-6; Sal. 143, 2, e 130:3.</p>
<p>VI. Não obstante o que havemos dito, sendo aceitas por meio de Cristo as pessoas dos crentes, também são aceitas nele as boas obras deles, não como se fossem, nesta vida, inteiramente puras e irrepreensíveis à vista de Deus, mas porque Deus considerando-as em seu Filho, é servido aceitar e recompensar aquilo que é sincero, embora seja acompanhado de muitas fraquezas e imperfeições.</p>
<p>Ef. 1:6; I Ped. 2:5; Sal. 143:2; II Cor. 8:12; Heb. 6:10; Mat. 2,5:21, 23.</p>
<p>VII. As obras feitas pelos não regenerados, embora sejam, quanto à matéria, coisas que Deus ordena, e úteis tanto a si mesmos como aos outros, contudo, porque procedem de corações não purificados pela fé, não são feitas devidamente &#8211; segundo a palavra; &#8211; nem para um fim justo &#8211; a glória de Deus; são pecaminosas e não podem agradar a Deus, nem preparar o homem para receber a graça de Deus; não obstante, o negligenciá-las é ainda mais pecaminoso e ofensivo a Deus.</p>
<p>II Reis 10:30, 31; Fil. 1:15-16, 18; Heb. 11:4, 6; Mar. 10:20-21; I Cor. 13:3; Isa. 1:12; Mat. 6:2, 5, 16; Ag. 2:14; Amós 5:21-22; Mar. 7:6-7; Sal. 14:4; e 36:3; Mat. 2,5:41-45, e 23:23.</p>
<p>CAPÍTULO XVII &#8211; DA PERSEVERANÇA DOS SANTOS</p>
<p>I. Os que Deus aceitou em seu Bem-amado, os que ele chamou eficazmente e santificou pelo seu Espírito, não podem decair do estado da graça, nem total, nem finalmente; mas, com toda a certeza hão de perseverar nesse estado até o fim e serão eternamente salvos.</p>
<p>Fil. 1: 6; João 10: 28-29; I Ped. 1:5, 9.</p>
<p>II. Esta perseverança dos santos não depende do livre arbítrio deles, mas da imutabilidade do decreto da eleição, procedente do livre e imutável amor de Deus Pai, da eficácia do mérito e intercessão de Jesus Cristo, da permanência do Espírito e da semente de Deus neles e da natureza do pacto da graça; de todas estas coisas vêm a sua certeza e infalibilidade. ,</p>
<p>II Tim. 2:19; Jer. 31:3; João 17:11, 24; Heb 7:25; Luc. 22:32; Rom. 8:33, 34, 38-39; João 14:16-17; I João 2:27 e 3:9; Jer. 32:40; II Tess. 3:3; I João 2:19; João 10:28.</p>
<p>III. Eles, porém, pelas tentações de Satanás e do mundo, pela força da corrupção neles restante e pela negligência dos meios de preservação, podem cair em graves pecados e por algum tempo continuar neles; incorrem assim no desagrado de Deus, entristecem o seu Santo Espírito e de algum modo vêm a ser privados das suas graças e confortos; têm os seus corações endurecidos e as suas consciências feridas; prejudicam e escandalizam os outros e atraem sobre si juízos temporais.</p>
<p>Sal. 51:14; Mat. 26:70-74; II Sam. 12:9, 13; Isa. 64:7, 9; II Sam. 11:27; Ef. 6:30; Sal. 51:8, 10, 12; Apoc. 2:4; Isa. 63:17; Mar. 6:52; Sal. 32:3-4; II Sam. 12:14; Sal. 89:31-32; I Cor. 11:32.</p>
<p>CAPÍTULO XVIII &#8211; DA CERTEZA DA GRAÇA E DA SALVAÇÃO</p>
<p>I. Ainda que os hipócritas e os outros não regenerados podem iludir-se vãmente com falsas esperanças e carnal presunção de se acharem no favor de Deus e em estado de Salvação, esperança essa que perecerá, contudo, os que verdadeiramente crêem no Senhor Jesus e o amam com sinceridade, procurando andar diante dele em toda a boa consciência, podem, nesta vida, certificar-se de se acharem em estado de graça e podem regozijar-se na esperança da glória de Deus, nessa esperança que nunca os envergonhará.</p>
<p>Deut. 29:19; Miq. 3:11; João 5:41; Mat. 8:22-23; I João 2:3 e 5: 13; Rom. 5:2, S; II Tim. 4:7-8.</p>
<p>II. Esta certeza não é uma mera persuasão conjectural e provável, fundada numa falsa esperança, mas uma infalível segurança da fé, fundada na divina verdade das promessas de salvação, na evidência interna daquelas graças a que são feitas essas promessas, no testemunho do Espírito de adoção que testifica com os nossos espíritos sermos nós filhos de Deus, no testemunho desse Espírito que é o penhor de nossa herança e por quem somos selados para o dia da redenção.</p>
<p>Heb. 6:11, 17-19; I Ped. 1:4-5, 10-11; I João 3:14; Rom.8:15-16; Ef.1: 13-14, e 4:30; II Cor.1:21-22.</p>
<p>III. Esta segurança infalível não pertence de tal modo à essência da fé, que um verdadeiro crente, antes de possuí-la, não tenha de esperar muito e lutar com muitas dificuldades; contudo, sendo pelo Espírito habilitado a conhecer as coisas que lhe são livremente dadas por Deus, ele pode alcançá-la sem revelação extraordinária, no devido uso dos meios ordinários. É, pois, dever de todo o fiel fazer toda a diligência para tornar certas a sua vocação e eleição, a fim de que por esse modo seja o seu coração no Espírito Santo confirmado em paz e gozo, em amor e gratidão para com Deus, em firmeza e alegria nos deveres da obediência que são os frutos próprios desta segurança. Este privilégio está, pois, muito longe de predispor os homens à negligência.</p>
<p>I João 5:13; I Cor. 2:12; I João 4:13; Heb. 6:11-12; II Ped. 1:10; Rom. 5:1-2, 5. 14:17, e 15:13; Sal. 119:32; Rom. 6:1-2; Tito 2:11-12, 14; II Cor. 7: 1; Rom. 8: 1; 12; I João 1:6-7, e 3:2-3.</p>
<p>IV. Por diversos modos podem os crentes ter a sua segurança de salvação abalada, diminuída e interrompida negligenciando a conservação dela, caindo em algum pecado especial que fira a consciência e entristeça o Espírito Santo, cedendo a fortes e repentinas tentações, retirando Deus a luz do seu rosto e permitindo que andem em trevas e não tenham luz mesmo os que temem; contudo, eles nunca ficam inteiramente privados daquela semente de Deus e da vida da fé, daquele amor a Cristo e aos irmãos, daquela sinceridade de coração e consciência do dever; dessas bênçãos a certeza de salvação poderá, no tempo próprio, ser restaurada pela operação do Espírito, e por meio delas eles são, no entanto, suportados para não caírem no desespero absoluto.</p>
<p>Sal. 51: 8, 12, 14; Ef. 4:30; Sal. 77: 1-10, e 31:32; I João 3:9; Luc. 22:32; Miq. 7:7-9; Jer. 32:40; II Cor. 4:8-10.</p>
<p>CAPÍTULO XIX &#8211; DA LEI DE DEUS</p>
<p>I. Deus deu a Adão uma lei como um pacto de obras. Por este pacto Deus o obrigou, bem como toda sua posteridade, a uma obediência pessoal, inteira, exata e perpétua; prometeu-lhe a vida sob a condição dele cumprir com a lei e o ameaçou com a morte no caso dele violá-la; e dotou-o com o poder e capacidade de guardá-la.</p>
<p>Gen. 1:26, e 2:17; Ef. 4:24; Rom. 2:14-15, e 10:5, e 5:12, 19.</p>
<p>II. Essa lei, depois da queda do homem, continuou a ser uma perfeita regra de justiça. Como tal, foi por Deus entregue no monte Sinai em dez mandamentos e escrita em duas tábuas; os primeiros quatro mandamentos ensinam os nossos deveres para com Deus e os outros seis os nossos deveres para com o homem.</p>
<p>Tiago 1:25 e 2:8, 10; Deut. 5:32, e 10:4; Mat. 22:37-40.</p>
<p>III. Além dessa lei, geralmente chamada lei moral, foi Deus servido dar ao seu povo de Israel, considerado uma igreja sob a sua tutela, leis cerimoniais que contêm diversas ordenanças típicas. Essas leis, que em parte se referem ao culto e prefiguram Cristo, as suas graças, os seus atos, os seus sofrimentos e os seus benefícios, e em parte representam várias instruções de deveres morais, estão todas abrogadas sob o Novo Testamento.</p>
<p>Heb.10:1; Gal. 4:1-3; Col. 2:17; Exo. 12:14; I Cor.5:7; II Cor. 6:17; Col. 2:14, 16-17; Ef. 2:15-16.</p>
<p>IV. A esse mesmo povo, considerado como um corpo político, Deus deu leis civis que terminaram com aquela nacionalidade, e que agora não obrigam além do que exige a sua eqüidade geral.</p>
<p>Exo. 21, e 22:1-29; Gen. 49:10; Mat. 5:38-39.</p>
<p>V. A lei moral obriga para sempre a todos a prestar-lhe obediência, tanto as pessoas justificadas como as outras, e isto não somente quanto à matéria nela contida, mas também pelo respeito à autoridade de Deus, o Criador, que a deu. Cristo, no Evangelho, não desfaz de modo algum esta obrigação, antes a confirma.</p>
<p>I João 2:3-4, 7; Rom. 3:31; Tiago, 2:8, 10, 11; Rom-. 3:19- Mat. 5:18-19.</p>
<p>VI. Embora os verdadeiros crentes não estejam debaixo da lei como pacto de obras, para serem por ela justificados ou condenados, contudo, ela lhes serve de grande proveito, como aos outros; manifestando-lhes, como regra de vida, a vontade de Deus, e o dever que eles têm, ela os dirige e os obriga a andar segundo a retidão; descobre-lhes também as pecaminosas poluções da sua natureza, dos seus corações e das suas vidas, de maneira que eles, examinando-se por meio dela, alcançam mais profundas convicções do pecado, maior humilhação por causa deles e maior aversão a eles, e ao mesmo tempo lhes dá uma melhor apreciação da necessidade que têm de Cristo e da perfeição da obediência dele. Ela é também de utilidade aos regenerados, a fim de conter a sua corrupção, pois proíbe o pecado; as suas ameaças servem para mostrar o que merecem os seus pecados e quais as aflições que por causa deles devem esperar nesta vida, ainda que sejam livres da maldição ameaçada na lei. Do mesmo modo as suas promessas mostram que Deus aprova a obediência deles e que bênção podem esperar, obedecendo, ainda que essas bênçãos não lhes sejam devidas pela lei considerada como pacto das obras &#8211; assim o fazer um homem o bem ou o evitar ele o mal, porque a lei anima aquilo e proibe isto, não é prova de estar ele debaixo da lei e não debaixo da graça.</p>
<p>Rom. 6:14,e 8:1; Gal. 3:13; Rom. 7:12, 22, 25; Sal.119:5; I Cor. 7:19; Rom.7:7, e 3:20; Tiago 1:23, 25; Rom. 7:9,14, 24; Gal. 3:24; Rom. 8:3-4; Rom. 7:25; Tiago 2:11; Esdras 9:13-14; Sal. 89:30-34 e 37:11, e 19:11; Gal. 2:16; Luc. 17:10; Rom. 6:12,-14; Heb. 12:28-29; I Ped. 3:8-12; Sal. 34:12, 16.</p>
<p>VII. Os supracitados usos da lei não são contrários à graça do Evangelho, mas suavemente condizem com ela, pois o Espírito de Cristo submete e habilita a vontade do homem a fazer livre e alegremente aquilo que a vontade de Deus, revelada na lei, requer se faça.</p>
<p>Gal. 3:21; Ezeq. 36:27; Heb. 5:10.</p>
<p>CAPÍTULO XX &#8211; DA LIBERDADE CRISTÃ E DA LIBERDADE DE CONSCIÊNCIA</p>
<p>I. A liberdade que Cristo, sob o Evangelho, comprou para os crentes consiste em serem eles libertos do delito do pecado, da ira condenatória de Deus, da maldição da lei moral e em serem livres do poder deste mundo. do cativeiro de Satanás, do domínio do pecado, do mal das aflições, do aguilhão da morte, da vitória da sepultura e da condenação eterna: como também em terem livre acesso a Deus, em lhe prestarem obediência, não movidos de um medo servil, mas de amor filial e espírito voluntário. Todos estes privilégios eram comuns também aos crentes debaixo da lei, mas sob o Evangelho, a liberdade dos cristãos está mais ampliada, achando-se eles isentos do jugo da lei cerimonial a que estava sujeita a Igreja Judaica, e tendo maior confiança de acesso ao trono da graça e mais abundantes comunicações do Espírito de Deus, do que os crentes debaixo da lei ordinariamente alcançavam.</p>
<p>Tito 2:14; I Tess. 1: 10; Gal. 3:13; Rom. 8: 1; Gal. 1:4; At. 26:18; Rom. 6:14; I João 1:7; Sal. 119:71; Rom. 8:28; I Cor, 15:54-57; Rom. 5l: 1-2; Ef. 2:18 e 3:12; Heb. 10: 19; Rom. 8:14. 15; Gal. 6:6; I João 6:18; Gal. 3:9, 14, e 5: 1; At. 15: 10; Heb. 4:14, 16, e 10: 19-22; João 7:38-39; Rom. 5:5.</p>
<p>II. Só Deus é senhor da consciência, e ele deixou livre das doutrinas e mandamentos humanos que em qualquer coisa, sejam contrários à sua palavra ou que, em matéria de fé ou de culto estejam fora dela. Assim crer tais doutrinas ou obedecer a tais mandamentos como coisa de consciência é trair a verdadeira liberdade de consciência; e requerer para elas fé implícita e obediência cega e absoluta é destruir a liberdade de consciência e a mesma razão.</p>
<p>Rom. 14:4, 10; Tiago 4:12; At. 4:19, e 5:29; Mat. 28:8-10; Col. 2:20-23; Gal. 1: 10, e 2:4-5, e 4:9-10, e 5: 1;. Rom, 14:23; At. 17:11; João 4:22; Jer. 8:9; I Ped. 3: 15.</p>
<p>III. Aqueles que, sob o pretexto de liberdade cristã, cometem qualquer pecado ou toleram qualquer concupiscência, destroem por isso mesmo o fim da liberdade cristã; o fim da liberdade é que, sendo livres das mãos dos nossos inimigos, sem medo sirvamos ao Senhor em santidade e justiça, diante dele todos os dias da nossa vida.</p>
<p>Luc. 1:74-75; Rom. 6:15; Gal. 5:13; I Ped. 2:16; II Ped. 3: 15.</p>
<p>IV. Visto que os poderes que Deus ordenou, e a liberdade que Cristo comprou, não foram por Deus designados para destruir, mas para que mutuamente nos apoiemos e preservemos uns aos outros, resistem à ordenança de Deus os que, sob pretexto de liberdade cristã, se opõem a qualquer poder legítimo, civil ou religioso, ou ao exercício dele. Se publicarem opiniões ou mantiverem práticas contrárias à luz da natureza ou aos reconhecidos princípios do Cristianismo concernentes à fé, ao culto ou ao procedimento; se publicarem opiniões, ou mantiverem práticas contrárias ao poder da piedade ou que, por sua própria natureza ou pelo modo de publicá-las e mantê-las, são destrutivas da paz externa da Igreja e da ordem que Cristo estabeleceu nela, podem, de justiça ser processados e visitados com as censuras eclesiásticas.</p>
<p>I Ped. 2:13-16; Heb. 13:17; Mat. 18:15-17; II Tess.3:14; Tito3:10; I Cor. 5:11-13; Rom. 16:17; II Tess. 3:6.</p>
<p>CAPÍTULO XXI &#8211; DO CULTO RELIGIOSO E DO DOMINGO</p>
<p>I. A luz da natureza mostra que há um Deus que tem domínio e soberania sobre tudo, que é bom e faz bem a todos, e que, portanto, deve ser temido, amado, louvado, invocado, crido e servido de todo o coração, de toda a alma e de toda a força; mas o modo aceitável de adorar o verdadeiro Deus é instituído por ele mesmo e tão limitado pela sua vontade revelada, que não deve ser adorado segundo as imaginações e invenções dos homens ou sugestões de Satanás nem sob qualquer representação visível ou de qualquer outro modo não prescrito nas Santas Escrituras.</p>
<p>Rom. 1:20; Sal. 119:68, e 31:33; At. 14:17; Deut. 12:32; Mat. I5:9, e 4:9, 10; João 4:3, 24; Exo. 20:4-6.</p>
<p>II. O culto religioso deve ser prestado a Deus o Pai, o Filho e o Espírito Santo &#8211; e só a ele; não deve ser prestado nem aos anjos, nem aos santos, nem a qualquer outra criatura; nem, depois da queda, deve ser prestado a Deus pela mediação de qualquer outro senão Cristo.</p>
<p>João 5:23; Mat. 28:19; II Cor. 13:14; Col. 2:18; Apoc 19:10; Rom. l:25; João 14:6; I Tim. 2:5; Ef. 2:18; Col. 3:17.</p>
<p>III. A oração com ações de graças, sendo uma parte especial do culto religioso, é por Deus exigida de todos os homens; e, para que seja aceita, deve ser feita em o nome do Filho, pelo auxílio do seu Espírito, segundo a sua vontade, e isto com inteligência, reverência, humildade, fervor, fé, amor e perseverança. Se for vocal, deve ser proferida em uma língua conhecida dos circunstantes.</p>
<p>Fil. 4:6; I Tim. 2:1; Col. 4:2; Sal. 65:2, e 67:3; I Tess. 5:17-18; João 14:13-14; I Ped. 2:5; Rom. 8:26; Ef. 6:8; João 5:14; Sal. 47:7; Heb. 12:28; Gen. 18:27; Tiago 5:16; Ef. 6:18; I Cor. 14:14.</p>
<p>IV. A oração deve ser feita por coisas lícitas e por todas as classes de homens que existem atualmente ou que existirão no futuro; mas não pelos mortos, nem por aqueles que se saiba terem cometido o pecado para a morte.</p>
<p>Mat. 26:42; I Tim. 2:1-2; João 17:20; II Sam. 7:29, e 12:21-23; Luc. 16:25-26; I João 5: 16.</p>
<p>V. A leitura das Escrituras com o temor divino, a sã pregação da palavra e a consciente atenção a ela em obediência a Deus, com inteligência, fé e reverência; o cantar salmos com graças no coração, bem como a devida administração e digna recepção dos ritos instituídos por Cristo &#8211; são partes do ordinário culto de Deus, além dos juramentos religiosos; votos, jejuns solenes e ações de graças em ocasiões especiais, tudo o que, em seus vários tempos e ocasiões próprias, deve ser usado de um modo santo e religioso.</p>
<p>At. 15:21; Apoc. 1:3; II Tim. 4:2; Tiago 1:22: At. 10:33; Heb. 4:2; Col. 3:16; Ef. 5:19; Tiago 5:13; At. 16:25; Mat. 28:19; At. 2:42; Deut. 6:13; Ne. 10:29; Ec. 5:4-5; Joel 2:12; Mat. 9:15.</p>
<p>VI. Agora, sob o Evangelho, nem a oração, nem qualquer outro ato do culto religioso é restrito a um certo lugar, nem se torna mais aceito por causa do lugar em que se ofereça ou para o qual se dirija, mas, Deus deve ser adorado em todo o lugar, em espírito e verdade &#8211; tanto em famílias diariamente e em secreto, estando cada um sozinho, como também mais solenemente em assembléias públicas, que não devem ser descuidosas, nem voluntariamente desprezadas nem abandonadas, sempre que Deus, pela sua providência, proporciona ocasião.</p>
<p>João 5:21; Mal. 1:11; I Tim. 2:8; João 4:23-24; Jer. 10: 25; Jó 1:5; II Sam. 6:18-20; Deut. 6:6-7; Mat. 6: 11, e 6:6; Isa. 56:7; Heb. 10:25; Prov. 5:34; At. 2:42.</p>
<p>VII. Como é lei da natureza que, em geral, uma devida proporção do tempo seja destinada ao culto de Deus, assim também em sua palavra, por um preceito positivo, moral e perpétuo, preceito que obriga a todos os homens em todos os séculos, Deus designou particularmente um dia em sete para ser um sábado (descanso) santificado por Ele; desde o princípio do mundo, até a ressurreição de Cristo, esse dia foi o último da semana; e desde a ressurreição de Cristo foi mudado para o primeiro dia da semana, dia que na Escritura é chamado Domingo, ou dia do Senhor, e que há de continuar até ao fim do mundo como o sábado cristão.</p>
<p>Exo. 20:8-11; Gen. 2:3; I Cor. 16:1-2; At. 20:7; Apoc.1:10; Mat. 5: 17-18.</p>
<p>VIII. Este sábado é santificado ao Senhor quando os homens, tendo devidamente preparado os seus corações e de antemão ordenado os seus negócios ordinários, não só guardam, durante todo o dia, um santo descanso das suas próprias obras, palavras e pensamentos a respeito dos seus empregos seculares e das suas recreações, mas também ocupam todo o tempo em exercícios públicos e particulares de culto e nos deveres de necessidade e misericórdia.</p>
<p>Exo. 16:23-26,29:30, e 31:15-16; Isa.58:13.</p>
<p>CAPÍTULO XXII &#8211; DOS JURAMENTOS LEGAIS E DOS VOTOS</p>
<p>I. O Juramento, quando lícito, é uma parte do culto religioso pelo qual o crente, em ocasiões necessárias e com toda a solenidade, chama a Deus por testemunha do que assevera ou promete; pelo juramento ele invoca a Deus para julgá-lo segundo a verdade ou falsidade do que jura.</p>
<p>Deut. 10:20; Exo..20:7; Lev. 19:12; II Cor. 1:23; II Cron. 6:22-23.</p>
<p>II. O único nome pelo qual se deve jurar é o nome de Deus, nome que se pronunciará com todo o santo temor e reverência; jurar, pois, falsa ou temerariamente por este glorioso e tremendo nome ou jurar por qualquer outra coisa é pecaminoso e abominável, contudo, como em assuntos de gravidade e importância o juramento é autorizado pela palavra de Deus, tanto sob o Novo Testamento como sob o Velho, o juramento, sendo exigido pela autoridade legal, deve ser prestado com referência a tais assuntos.</p>
<p>Deut. 6:13; Jer. 5:7; Mat. 5:34,.37; Tiago 5:12; Heb. 6:16; I Reis 5:31; Esdras 10:5.</p>
<p>III. Quem vai prestar um juramento deve considerar refletidamente a gravidade de ato tão solene e nada afirmar de cuja verdade não esteja plenamente persuadido, obrigando-se tão somente por aquilo que é justo e bom e que tem como tal, e por aquilo que pode e está resolvido a cumprir. É, porém, pecado recusar prestar juramento concernente a qualquer coisa justa e boa, sendo ele exigido pela autoridade legal.</p>
<p>Jer. 4:2; Gen. 24:2-3; 9; Ne.5: 12.</p>
<p>IV. O juramento deve ser prestado conforme o sentido claro e óbvio das palavras, sem equívoco ou restrição mental. Não pode obrigar a pecar, mas sendo prestado com referência a qualquer coisa não pecaminosa, obriga ao cumprimento, mesmo com prejuízo de quem jura. Não deve ser violado, ainda que feito a hereges ou infiéis.</p>
<p>Sal. 24:4, e 15:4; Ezeq. 17:16, 18.</p>
<p>V. O voto é da mesma natureza que o juramento promissório; deve ser feito com o mesmo cuidado religioso e cumprindo com igual fidelidade.</p>
<p>Isa. 19:21; Ec. 5:4-6; Sal. 66:13-14.</p>
<p>VI. O voto não deve ser feito a criatura alguma, mas somente a Deus; para que seja aceitável, deve ser feito voluntariamente, com fé e consciência de dever, em reconhecimento de misericórdias recebidas ou para obter o que desejamos. Pelo voto obrigamo-nos mais restritamente aos deveres necessários ou a outras coisas, até onde ou quando elas conduzirem a esses deveres.</p>
<p>Sal. 76:1 1; Deut. 23:21, 23; Sal. 50:14.</p>
<p>VII. Ninguém deve prometer fazer coisa alguma que seja proibida na palavra de Deus ou que embarace o cumprimento de qualquer dever nela ordenado, nem o que não está em seu poder cumprir e para cuja execução não tenha promessa ou poder de Deus; por isso os votos monásticos que os papistas fazem do celibato perpétuo, pobreza voluntária e obediência regular, em vez de serem graus de maior perfeição, não passam de laços supersticiosos e iníquos com os quais nenhum cristão deve embaraçar-se.</p>
<p>At. 23:12; Mar. 6:26; I Cor. 2:9; Ef. 4:28; I Tess. 4:11-12; I Cor. 7:23.</p>
<p>CAPÍTULO XXIII &#8211; DO MAGISTRADO CIVIL</p>
<p>I. Deus, o Senhor Supremo e Rei de todo o mundo, para a sua glória e para o bem público, constituiu sobre o povo magistrados civis que lhe são sujeitos, e a este fim, os armou com o poder da espada para defesa e incentivo dos bons e castigo dos malfeitores.</p>
<p>Rom. 13:1-4; I Ped. 2:13-14.</p>
<p>II. Aos cristãos é licito aceitar e exercer o ofício de magistrado, sendo para ele chamado; e em sua administração, como devem especialmente manter a piedade, a justiça, e a paz segundo as leis salutares de cada Estado, eles, sob a dispensação do Novo Testamento e para conseguir esse fim, podem licitamente fazer guerra, havendo ocasiões justas e necessárias.</p>
<p>Prov. 8:15-16; Sal. 82:3-4; II Sam. 23:3; Luc. 3:14; Mat. 8:9-10; Rom. 13:4.</p>
<p>III. Os magistrados civis não podem tomar sobre si a administração da palavra e dos ritos ou o poder das chaves do Reino do Céu, nem de modo algum intervir em matéria de fé; contudo, como pais solícitos, devem proteger a Igreja do nosso comum Senhor, sem dar preferência a qualquer denominação cristã sobre as outras, para que todos os eclesiásticos sem distinção gozem plena, livre e indisputada liberdade de cumprir todas as partes das suas sagradas funções, sem violência ou perigo. Como Jesus Cristo constituiu em sua Igreja um governo regular e uma disciplina, nenhuma lei de qualquer Estado deve proibir, impedir ou embaraçar o seu devido exercício entre os membros voluntários de qualquer denominação cristã, segundo a profissão e crença de cada uma. E é dever dos magistrados civis proteger a pessoa e o bom nome de cada um dos seus jurisdicionados, de modo que a ninguém seja permitido, sob pretexto de religião ou de incredulidade, ofender, perseguir, maltratar ou injuriar qualquer outra pessoa; e bem assim providenciar para que todas as assembléias religiosas e eclesiásticas possam reunir-se sem ser perturbadas ou molestadas.</p>
<p>Heb. 5:4; II Cron. 26:18; Mat. 16:19; I Cor. 4:1-2; João 15:36; At. 5:29; Ef. 4:11-12; Isa. 49:23; Sal. 105:15; 11 Sam.23:3.</p>
<p>IV. É dever do povo orar pelos magistrados, honrar as suas pessoas, pagar-lhes tributos e outros impostos, obedecer às suas ordens legais e sujeitar-se à sua autoridade, e tudo isto por amor da consciência. Incredulidade ou indiferença de religião não anula a justa e legal autoridade do magistrado, nem absolve o povo da obediência que lhe deve, obediência de que não estão isentos os eclesiásticos. O papa não tem nenhum poder ou jurisdição sobre os magistrados dentro dos domínios deles ou sobre qualquer um do seu povo; e muito menos tem o poder de privá-los dos seus domínios ou vidas, por julgá-los hereges ou sob qualquer outro pretexto.</p>
<p>I Tim. 2:1-3; II Ped. 2:17; Mat. 22:21; Rom. 13:2-7, e 13:5; Tito 3:1; I Ped. 2:13-14, 16; Rom. 13:1; At. 25:10-11; II Tim. 2:24; I Ped. 5:3.</p>
<p>CAPÍTULO XXIV &#8211; DO MATRIMÔNIO E DO DIVÓRCIO</p>
<p>I. O casamento deve ser entre um homem e uma mulher; ao homem não é licito ter mais de urna mulher nem à mulher mais de um marido, ao mesmo tempo.</p>
<p>Gen. 2:24; Mat. 19:4-6; Rom. 7:3.</p>
<p>II. O matrimônio foi ordenado para o mútuo auxílio de marido e mulher, para a propagação da raça humana por uma sucessão legítima e da Igreja por uma semente santa, e para impedir a impureza.</p>
<p>Gen. 2:18, e 9:1; Mal.2:15; I Cor. 7:2,9.</p>
<p>III. A todos os que são capazes de dar um consentimento ajuizado, é lícito casar; mas é dever dos cristãos casar somente no Senhor; portanto, os que professam a verdadeira religião reformada não devem casar-se com infiéis, papistas ou outros idólatras; nem devem os piedosos prender-se desigualmente pelo jugo do casamento aos que são notoriamente ímpios em suas vidas ou que mantém heresias perniciosas.</p>
<p>Heb. 13:4; I Tim. 4:3; Gen.24:57-58; I Cor. 7:39; II Cor. 6:14.</p>
<p>IV. Não devem casar-se as pessoas entre as quais existem os graus de consagüinidade ou afinidade proibidos na palavra de Deus, tais casamentos incestuosos jamais poderão tornar-se lícitos pelas leis humanas ou consentimento das partes, de modo a poderem coabitar como marido e mulher.</p>
<p>I Cor. 5:1; Mar. 6:18; Lev. 18:24, 28.</p>
<p>V. O adultério ou fornicação cometida depois de um contrato, sendo descoberto antes do casamento, dá à parte inocente justo motivo de dissolver o contrato; no caso de adultério depois do casamento, à parte inocente é lícito propor divórcio, e depois de obter o divórcio casar com outrem, como se a parte infiel fosse morta.</p>
<p>Mat., 1: 18-20, e 5:31-32, e 19:9.</p>
<p>VI. Posto que a corrupção do homem seja tal que o incline a procurar argumentos a fim de indevidamente separar aqueles que Deus uniu em matrimônio, contudo só é causa suficiente para dissolver os laços do matrimônio o adultério ou uma deserção tão obstinada que não possa ser remediada nem pela Igreja nem pelo magistrado civil; para a dissolução do matrimônio é necessário haver um processo público e regular. não se devendo deixar ao arbítrio e discreção das partes o decidirem seu próprio caso.</p>
<p>Mat. 19:6-8; I Cor. 7:15; Deut. 24:1-4; Esdras 10:3.</p>
<p>CAPÍTULO XXV &#8211; DA IGREJA</p>
<p>I. A Igreja Católica ou Universal, que é invisível, consta do número total dos eleitos que já foram, dos que agora são e dos que ainda serão reunidos em um só corpo sob Cristo, seu cabeça; ela é a esposa, o corpo, a plenitude daquele que cumpre tudo em todas as coisas.</p>
<p>Ef. 1: 10, 22-23; Col. 1: 18.</p>
<p>II. A Igreja Visível, que também é católica ou universal sob o Evangelho (não sendo restrita a uma nação, como antes sob a Lei) consta de todos aqueles que pelo mundo inteiro professam a verdadeira religião, juntamente com seus filhos; é o Reino do Senhor Jesus, a casa e família de Deus, fora da qual não há possibilidade ordinária de salvação.</p>
<p>I Cor. 1:2, e 12:12-13,; Sal .2:8; I Cor. 7 :14; At. 2:39; Gen. 17:7; Rom. 9:16; Mat. 13:3 Col. 1:13; Ef. 2:19, e 3:15; Mat. 10:32-33; At. 2:47.</p>
<p>III. A esta Igreja Católica Visível Cristo deu o ministério, os oráculos e as ordenanças de Deus, para congregamento e aperfeiçoamento dos santos nesta vida, até o fim do mundo, e pela sua própria presença e pelo seu Espírito, os torna eficazes para esse fim, segundo a sua promessa.</p>
<p>Ef. 4:11-13; Isa. 59:21; Mat. 28:19-20.</p>
<p>IV. Esta Igreja Católica tem sido ora mais, ora menos visível. As igrejas particulares, que são membros dela, são mais ou menos puras conforme neles é, com mais ou menos pureza, ensinado e abraçado o Evangelho, administradas as ordenanças e celebrado o culto público.</p>
<p>Rom. 11:3-4; At. 2:41-42; I Cor. 5:6-7.</p>
<p>V. AS igrejas mais puras debaixo do céu estão sujeitas à mistura e ao erro; algumas têm degenerado ao ponto de não serem mais igrejas de Cristo, mas sinagogas de Satanás; não obstante, haverá sempre sobre a terra uma igreja para adorar a Deus segundo a vontade dele mesmo.</p>
<p>I Cor. 1:2, e 13:12; Mat. 13:24-30, 47; Rom. 11.20-22; Apoc. 2:9; Mat. 16:18.</p>
<p>VI. Não há outro Cabeça da Igreja senão o Senhor Jesus Cristo; em sentido algum pode ser o Papa de Roma o cabeça dela, mas ele é aquele anticristo, aquele homem do pecado e filho da perdição que se exalta na Igreja contra Cristo e contra tudo o que se chama Deus.</p>
<p>Col. 1:18; Ef. 1:22; Mat. 23:8-10; I Ped. 5:2-4; II Tess. 2:3-4.</p>
<p>CAPÍTULO XXVI &#8211; DA COMUNHÃO DOS SANTOS</p>
<p>I. Todos os santos que pelo seu Espírito e pela fé estão unidos a Jesus Cristo, seu Cabeça, têm com Ele comunhão nas suas graças, nos seus sofrimentos, na sua morte, na sua ressurreição e na sua glória, e, estando unidos uns aos outros no amor, participam dos mesmos dons e graças e estão obrigados ao cumprimento dos deveres públicos e particulares que contribuem para o seu mútuo proveito, tanto no homem interior como no exterior.</p>
<p>I João 1:3; Ef. 3:16-17; João 1:16; Fil. 3:10; Rom. 6:56, e8:17; Ef. 4:15-16; I Tess.5:11, 14; Gal. 6:10.</p>
<p>II. Os santos são, pela sua profissão, obrigados a manter uma santa sociedade e comunhão no culto de Deus e na observância de outros serviços espirituais que tendam à sua mútua edificação, bem como a socorrer uns aos outros em coisas materiais, segundo as suas respectivas necessidades e meios; esta comunhão, conforme Deus oferecer ocasião, deve estender-se a todos aqueles que em qualquer lugar, invocam o nome do Senhor Jesus.</p>
<p>Heb.10:24-25; At.2:42,46; I João3:17; At. 11:29-30.</p>
<p>III. Esta comunhão que os santos têm com Cristo não os torna de modo algum participantes da substância da sua Divindade, nem iguais a Cristo em qualquer respeito; afirmar uma ou outra coisa, é ímpio e blasfemo. A sua comunhão de uns com os outros não destrói, nem de modo algum enfraquece o título ou domínio que cada homem tem sobre os seus bens e possessões.</p>
<p>Col. 1:18; I Cor. 8:6; I Tim. 6:15-16; At. 5:4.</p>
<p>CAPÍTULO XXVII &#8211; DOS RITOS</p>
<p>I. Os ritos são santos sinais e selos do pacto da graça, imediatamente instituídos por Deus para representar Cristo e os seus benefícios e confirmar o nosso interesse nele, bem como para fazer uma diferença visível entre os que pertencem à Igreja e o resto do mundo, e solenemente obrigá-los ao serviço de Deus em Cristo, segundo a sua palavra.</p>
<p>Ron. 6:11; Gen. 17:7-10; Mat. 28:19; I Cor. ll:23, e 10:16, e 11:25-26; Exo. 12:48; I Cor. 10:21; Rom. 6:3-4; I Cor. 10:2-16.</p>
<p>II. Em todo o rito há uma relação espiritual ou união sacramental entre o sinal e a coisa significada, e por isso os nomes e efeitos de um são atribuídos ao outro.</p>
<p>Gen. 17:10; Mat. 26:27-28; Tito 3:5.</p>
<p>III. A graça significada nos ritos ou por meio deles, quando devidamente usados, não é conferida por qualquer, poder neles existentes; nem a eficácia deles depende da piedade ou intenção de quem os administra, mas da obra do Espírito e da palavra da instituição, a qual, juntamente com o preceito que autoriza o uso deles, contém uma promessa de benefício aos que dignamente o recebem.</p>
<p>Rom. 2:28-29; I Ped. 3:21; Mat. 3:11; I Cor. 12:13; Luc. 22:19-20; I Cor. 11:26.</p>
<p>IV. Há só dois ritos ordenados por Cristo, nosso Senhor, no Evangelho &#8211; O Batismo e a Santa Ceia; nenhum destes ritos deve ser administrado senão pelos ministros da palavra legalmente ordenados.</p>
<p>Mat. 28:19; I Cor. 11: 20, 23-34; Heb. 5:4.</p>
<p>V . Os ritos do Velho Testamento, quanto às coisas espirituais por eles significados e representados, eram em substância os mesmos que do Novo Testamento.</p>
<p>I Cor. 10: 1-4.</p>
<p>CAPÍTULO XXVIII &#8211; DO BATISMO</p>
<p>I. O batismo é um rito do Novo Testamento, instituído por Jesus Cristo, não só para solenemente admitir na Igreja a pessoa batizada, mas também para servir-lhe de sinal e selo do pacto da graça, de sua união com Cristo, da regeneração, da remissão dos pecados e também da sua consagração a Deus por Jesus Cristo a fim de andar em novidade de vida. Este rito, segundo a ordenação de Cristo, há de continuar em sua Igreja até ao fim do mundo.</p>
<p>Mat. 28:19; I,Cor. 12:13; Rom. 4:11; Col. 2:11-12; Gal. 3:27; Tito 3:5; Mar. 1:4; At. 2:38; Rom. 6:3-4; Mat. 28:19-20.</p>
<p>II. O elemento exterior usado neste rito, é água com a qual um ministro do Evangelho, legalmente ordenado, deve batizar o candidato em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.</p>
<p>At. 10-47, e 8:36-38; Mat. 28:19.</p>
<p>III. Não é necessário imergir na água o candidato, mas o batismo é devidamente administrado por efusão ou aspersão.</p>
<p>At. 2:41, e 10:46-47, e 16:33; I Cor. 10:2.</p>
<p>IV. Não só os que professam a sua fé em Cristo e obediência a Ele, mas os filhos de pais crentes (embora só um deles o seja) devem ser batizados.</p>
<p>At. 9:18; Gen. 17:7, 9; Gal. 3:9, 14; Rom. 4:11-12; At. 2:38-39.</p>
<p>V. Posto que seja grande pecado desprezar ou negligenciar esta ordenança, contudo, a graça e a salvação não se acham tão inseparavelmente ligadas com ela, que sem ela ninguém possa ser regenerado e salvo os que sejam indubitavelmente regenerados todos os que são batizados.</p>
<p>Luc.7:30; Exo. 4:24-26; Deut. 28:9; Rom. 4:11; At. 8:13, 23.</p>
<p>VI. A eficácia do batismo não se limita ao momento em que é administrado; contudo, pelo devido uso desta ordenança, a graça prometida é não somente oferecida, mas realmente manifestada e conferida pelo Espírito Santo àqueles a quem ele pertence, adultos ou crianças, segundo o conselho da vontade de Deus, em seu tempo apropriado.</p>
<p>João 3:5, 8; Gal. 3:27; Ef. 5:25-26.</p>
<p>VII. O rito do batismo deve ser administrado uma só vez a uma mesma pessoa.</p>
<p>Tito 3:5.</p>
<p>CAPÍTULO XXIX &#8211; DA CEIA DO SENHOR</p>
<p>I . Na noite em que foi traído, nosso Senhor Jesus instituiu o rito do seu corpo e sangue, chamado Ceia do Senhor, para ser observado em sua Igreja até ao Fim do mundo, a fim de lembrar perpetuamente o sacrifício que em sua morte Ele fez de si mesmo; selar aos verdadeiros crentes os benefícios provenientes. desse sacrifício para o seu nutrimento espiritual e crescimento nele e a sua obrigação de cumprir todos os seus deveres para com Ele; e ser um vínculo e penhor da sua comunhão com Ele e de uns com os outros, como membros do seu corpo místico.</p>
<p>I Cor. 11:23-26, e 10: 16-17, 21, e 12:13.</p>
<p>II. Neste rito não se oferece Cristo a seu Pai, nem de modo algum se faz um sacrifício pela remissão dos pecados dos vivos ou dos mortos, mas se faz uma comemoração daquele único sacrifício que Ele fez de si mesmo na cruz, uma só vez, e por meio dele uma oblação de todo o louvor a Deus; assim o chamado sacrifício papal da missa é sobremodo ofensivo ao único sacrifício de Cristo, o qual é a única propiciação por todos os pecados dos eleitos.</p>
<p>Heb. 9:22, 25-26, 28; Mat. 26:26-27; Luc. 22:19-20; Heb. 7:23-24, 27, e 10:11-12, 14, 18.</p>
<p>III. Nesta ordenança o Senhor Jesus constituiu seus ministros para declarar ao povo a sua palavra de instituição, orar, abençoar os elementos, pão e vinho, e assim separá-los do comum para um uso sagrado, tomar e partir o pão, tomar o cálice dele participando também e dar ambos os elementos aos comungantes e tão somente aos que se acharem presentes na congregação.</p>
<p>Mar. 14:22-24; At. 20:7; I Cor. 11:20.</p>
<p>IV. A missa ou recepção do rito por um só sacerdote ou por uma só pessoa, bem como a negação do cálice ao povo, a adoração dos elementos, a elevação ou procissão deles para serem adorados e a sua conservação para qualquer uso religioso, são coisas contrárias à natureza deste rito e à instituição de Cristo.</p>
<p>I Tim.1:3-4; I Cor. 11:25-29; Mat. 15:9.</p>
<p>V. Os elementos exteriores deste rito, devidamente consagrados aos usos ordenados por Cristo, têm tal relação com Cristo Crucificado, que verdadeira, mas só sacramentalmente, são às vezes chamados pelos nomes das coisas que representam, a saber, o corpo e o sangue de Cristo; porém em substância e natureza conservam-se verdadeira e somente pão e vinho, como eram antes.</p>
<p>Mat. 26:26-28; I Cor. 11:26-28.</p>
<p>VI. A doutrina geralmente chamada transubstanciação, que ensina a mudança da substância do pão e do vinho na substância do corpo e do sangue de Cristo, mediante a consagração de um sacerdote ou por qualquer outro meio, é contrária, não só às Escrituras, mas também ao senso comum e à razão, destrói a natureza do rito e tem sido a causa de muitas superstições e até de crassa idolatria.</p>
<p>At. 3:21; I Cor. 11:24-26; Luc. 24:6, 39.</p>
<p>VII. Os que comungam dignamente, participando exteriormente dos elementos visíveis deste rito, também recebem intimamente, pela fé, a Cristo Crucificado e todos os benefícios da sua morte, e nele se alimentam, não carnal ou corporalmente, mas real, verdadeira e espiritualmente, não estando o corpo e o sangue de Cristo, corporal ou carnalmente nos elementos pão e vinho, nem com eles ou sob eles, mas espiritual e realmente presentes à fé dos crentes nessa ordenança, como estão os próprios elementos aos seus sentidos corporais.</p>
<p>I Cor. 11:28, e 10:16.</p>
<p>VIII. Ainda que os ignorantes e os ímpios recebam os elementos visíveis deste rito, não recebem a coisa por eles significada, mas, pela sua indigna participação, tornam-se réus do corpo e do sangue do Senhor para a sua própria condenação; portanto eles como são indignos de gozar comunhão com o Senhor, são também indignos da sua mesa, e não podem, sem grande pecado contra Cristo, participar destes santos mistérios nem a eles ser admitidos, enquanto permanecerem nesse estado.</p>
<p>I Cor. 11:27, 29, e 10:21; II Cor. 6:14-16; I Cor. 5:6-7, 13; II Tess. 3:6, 14-15; Mat. 7:6.</p>
<p>CAPÍTULO XXX &#8211; DAS CENSURAS ECLESIÁSTICAS</p>
<p>I. O Senhor Jesus, como Rei e Cabeça da sua Igreja, nela instituiu um governo nas mãos dos oficiais dela; governo distinto da magistratura civil.</p>
<p>Isa. 9:6-7; I Tim. 5:17; I Tess. 5:12; At. 20:17, 28; I Cor. 12:28.</p>
<p>II. A esses oficiais estão entregues as chaves do Reino do Céu. Em virtude disso eles têm respectivamente o poder de reter ou remitir pecados; fechar esse reino a impenitentes, tanto pela palavra como pelas censuras; abri-lo aos pecadores penitentes, pelo ministério do Evangelho e pela absolvição das censuras, quando as circunstâncias o exigirem.</p>
<p>Mat.l6:19,e18:17-18;João 20:21-23;IICor.2:6-8.</p>
<p>III. As censuras eclesiásticas são necessárias para chamar e ganhar para Cristo os irmãos ofensores para impedir que outros pratiquem ofensas semelhantes, para purgar o velho fermento que poderia corromper a massa inteira, para vindicar a honra de Cristo e a santa profissão do Evangelho e para evitar a ira de Deus, a qual com justiça poderia cair sobre a Igreja, se ela permitisse que o pacto divino e os seios dele fossem profanados por ofensores notórios e obstinados.</p>
<p>I Cor. S; I Tim. 5:20; e 1:20; Judas 23.</p>
<p>IV. Para melhor conseguir estes fins, os oficiais da Igreja devem proceder na seguinte ordem, segundo a natureza do crime e demérito da pessoa: repreensão, suspensão do rito da Ceia do Senhor e exclusão da Igreja.</p>
<p>Mat. 18:17; ITess.5:12; II Tess. 3:6,14-15; I Cor. 5:4-5;13.</p>
<p>CAPÍTULO XXXI &#8211; DOS SÍNODOS E CONCÍLIOS</p>
<p>I. Para melhor governo e maior edificação da Igreja, deverá haver as assembléias comumente chamadas sínodos ou concílios. Em virtude do seu cargo e do poder que Cristo lhes deu para edificação e não para destruição, pertence aos pastores e outros presbíteros das igrejas particulares criar tais assembléias e reunir-se nelas quantas vezes julgarem útil para o bem da Igreja.</p>
<p>At.15:2, 4, 6 e 20:17, 28; Apoc. 2:1-6.</p>
<p>II. Aos sínodos e concílios compete decidir ministerialmente controvérsias quanto à fé e casos de consciência, determinar regras e disposições para a melhor direção do culto público de Deus e governo da sua Igreja, receber queixas em caso de má administração e autoritativamente decidi-las. Os seus decretos e decisões, sendo consoantes com a palavra de Deus, devem ser recebidas com reverência e submissão, não só pelo seu acordo com a palavra, mas também pela autoridade pela qual são feitos, visto que essa autoridade é uma ordenação de Deus, designada para isso em sua palavra.</p>
<p>At. 16:4, e 15:27-31.</p>
<p>III. Todos os sínodos e concílios, desde os tempos dos apóstolos, quer gerais quer particulares, podem errar, e muitos têm errado; eles, portanto, não devem constituir regra de fé e prática, mas podem ser usados como auxílio em uma e outra coisa.</p>
<p>At. 17:11; I Cor. 2:5; II Cor. 1:24.</p>
<p>IV. Os sínodos e concílios não devem discutir, nem determinar coisa alguma que não seja eclesiástica; não devem imiscuir-se nos negócios civis do Estado, a não ser por humilde petição em casos extraordinários ou por conselhos em satisfação de consciência, se o magistrado civil os convidar a fazê-lo.</p>
<p>Luc. 12:13-14; João 18:36; Mat. 11:21.</p>
<p>CAPÍTULO XXXII &#8211; DO ESTADO DO HOMEM DEPOIS DA MORTE<br />
E DA RESSURREIÇÃO DOS MORTOS</p>
<p>I. Os corpos dos homens, depois da morte, convertem-se em pó e vêm a corrupção; mas as suas almas (que nem morrem nem dormem), tendo uma substância imortal, voltam imediatamente para Deus que as deu. As almas dos justos, sendo então aperfeiçoadas na santidade, são recebidas no mais alto dos céus onde vêm a face de Deus em luz e glória, esperando a plena redenção dos seus corpos; e as almas dos ímpios são lançadas no inferno, onde ficarão, em tormentos e em trevas espessas, reservadas para o juízo do grande dia final. Além destes dois lugares destinados às almas separadas de seus respectivos corpos as Escrituras não reconhecem nenhum outro lugar.</p>
<p>Gen. 3:19; At. 13:36; Luc. 23:43; Ec. 12:7; Apoc. 7:4, 15; II Cor. 5: 1, 8; Fil. 1:23; At. 3:21; Ef. 4:10; Rom. 5:23; Luc. 16:25-24.</p>
<p>II. No último dia, os que estiverem vivos não morrerão, mas serão mudados; todos os mortos serão ressuscitados com os seus mesmos corpos e não outros, posto que com qualidades diferentes, e ficarão reunidos às suas almas para sempre.</p>
<p>I Tess. 4:17; I Cor. 15:51-52, e 15:42-44.</p>
<p>III. Os corpos dos injustos serão pelo poder de Cristo ressuscitados para a desonra, os corpos dos justos serão pelo seu Espírito ressuscitados para a honra e para serem semelhantes ao próprio corpo glorioso dele.</p>
<p>At. 24:l5; João5:28-29; Fil. 3:21.</p>
<p>CAPÍTULO XXXIII &#8211; DO JUIZO FINAL</p>
<p>I. Deus já determinou um dia em que, segundo a justiça, há de julgar o mundo por Jesus Cristo, a quem foram pelo Pai entregues o poder e o juízo. Nesse dia não somente serão julgados os anjos apóstatas, mas também todas as pessoas que tiverem vivido sobre a terra comparecerão ante o tribunal de Cristo, a fim de darem conta dos seus pensamentos, palavras e obras, e receberem o galardão segundo o que tiverem feito, bom ou mau, estando no corpo.</p>
<p>At. 17:31 ; João 5:22, 27; Judas 6; II Ped. 2:4; II Cor.5:10; Ec. 12:14; Rom. 2:16, e 14:10, 12; Mat. 12:36-37.</p>
<p>II. O fim que Deus tem em vista, determinando esse dia, é manifestar a sua glória &#8211; a glória da sua misericórdia na salvação dos eleitos e a glória da sua justiça na condenação dos réprobos, que são injustos e desobedientes. Os justos irão então para a vida eterna e receberão aquela plenitude de gozo e alegria procedente da presença do Senhor; mas os ímpios, que não conhecem a Deus nem obedecem ao Evangelho de Jesus Cristo, serão lançados nos eternos tormentos e punidos com a destruição eterna proveniente da presença do Senhor e da glória do seu poder.</p>
<p>Rom. 9:23; Mat. 2.5:21; Rom. 2:5-6; II Tess. 1:7-8; Mat. 25:31-34; At. 3:19.</p>
<p>III. Assim como Cristo, para afastar os homens do pecado e para maior consolação dos justos nas suas adversidades, quer que estejamos firmemente convencidos de que haverá um dia de juízo, assim também quer que esse dia não seja conhecido dos homens, a fim de que eles se despojem de toda confiança carnal, sejam sempre vigilantes, não sabendo a que hora virá o Senhor, e estejam prontos para dizer &#8211; &#8220;Vem logo, Senhor Jesus&#8221;. Amém.</p>
<p>II Ped. 3:11, 14; II Cor. 5:11; II Tess. 1:5-7; Luc. 21:27-28; Mat. 24:36, 42-44; Mar. 13:35-37; Luc. 12:35-36; Apoc. 22:20.</p>
<p>Apêndice</p>
<p>PREFÁCIO AOS NOVOS CAPÍTULOS</p>
<p>Considerando a conveniência de exprimir claramente a doutrina da Igreja a respeito do Espírito Santo, das Missões e do amor de Deus para com todos os homens, foram acrescentados os seguintes capítulos:</p>
<p>CAPÍTULO XXXIV<br />
DO ESPÍRITO SANTO</p>
<p>I. O Espírito Santo é a terceira pessoa da Trindade, procedente do Pai e do Filho, da mesma substância e igual em poder e glória, e deve-se crer nele, amá-Lo, obedecê-Lo e adorá-Lo, juntamente com o Pai e o Filho, por todos os séculos.</p>
<p>Mt.3:16-17; Mt.28:19; II Cor. 13:13; Jo.15:26 e 16:13,14 e 17:24.</p>
<p>II. É Ele o Senhor e Doador da vida, presente em toda parte na natureza, e é a fonte de todos os pensamentos bons, desejos puros e conselhos santos que se encontram nos homens. Por Ele os Profetas foram levados a falar a Palavra de Deus, e todos os autores da Sagrada Escritura foram inspirados a registrar de um modo infalível a disposição e a vontade de Deus. A dispensação do Evangelho foi-lhe entregue de um modo especial. O Espírito Santo prepara o caminho para o Evangelho, acompanhado com seu poder persuasivo e recomenda a sua mensagem à razão e à consciência dos homens, de maneira que os que rejeitam a oferta misericordiosa, ficam não somente sem desculpa, mas também culpados de terem resistido ao Espírito Santo.</p>
<p>Rom. 8:2; Gn.1:2; Sl.139:7; Jo.16:13,14; II Pe. 1:19-21; Jo. 14:16 e 16:7-11; At.7:51-53.</p>
<p>III. O Espírito Santo, o qual o Pai prontamente dá a todos os que Lho pedirem, é o único agente eficaz na aplicação da redenção. Ele convence os homens do pecado, leva-os ao arrependimento, regenera-os pela sua graça e persuade-os e habilita-os a abraçar a Jesus Cristo pela fé. Ele une todos os crentes a Cristo, habita neles como seu Consolador e Santificador, dá-lhes o espírito de adoção e de oração, e cumpre neles todos os graciosos ofícios pelos quais eles são santificados e selados até o dia da redenção.</p>
<p>Lc.11:13; At.1:5; At.5:32; Jo.16:8; At.2:37,38; Tt.3:4-7; At.8:29,37; I Cor.12:13 e 3:16,17; Rom.8:15; Ef.4:30.</p>
<p>IV Pela presença do Espírito Santo nos seus corações, todos os crentes, estando intimamente unidos a Cristo, a Cabeça, estão assim unidos uns aos outros na Igreja, que é o seu corpo. Ele chama e unge os ministros para o seu santo ofício, prepara todos os outros oficiais na Igreja para o seu trabalho especial e concede vários dons e graças aos demais membros. Ele torna eficazes a Palavra e as ordenanças do Evangelho. Por Ele a Igreja será preservada e aumentada até cobrir a face da terra, será purificada e, afinal, tornada perfeitamente santa na presença de Deus.</p>
<p>Ef.1:22,23; At.20:28; I Cor.12:11; Ef.5:27.</p>
<p>CAPÍTULO XXXV  &#8211; DO AMOR DE DEUS E DAS MISSÕES</p>
<p>I. Em seu amor infinito e perfeito &#8211; e tendo provido no pacto da graça, pela mediação e sacrifício do Senhor Jesus Cristo, um caminho de vida e salvação suficiente e adaptado a toda a raça humana decaída como está &#8211; Deus determinou que a todos os homens esta salvação de graça seja anunciada no Evangelho.</p>
<p>Jo.3:16; I Tim.4:10; Mc.16:15</p>
<p>II. No Evangelho Deus proclama o seu amor ao mundo, revela clara e plenamente o único caminho da salvação, assegura vida eterna a todos quantos verdadeiramente se arrependem e crêem em Cristo, e ordena que esta salvação seja anunciada a todos os homens, a fim de que conheçam a misericórdia oferecida e, pela ação do Seu Espírito, a aceitem como dádiva da graça.</p>
<p>Jo.3:16 e 14:6; At.4:12; I Jo.5:12; Mc.16:15; Ef.2:4,8,9.</p>
<p>III. As Escrituras nos asseguram que os que ouvem o Evangelho e aceitam imediatamente os seus misericordiosos oferecimentos, gozam os eternos benefícios da salvação: porém, os que continuam impenitentes e incrédulos agravam a sua falta e são os únicos culpados pela sua perdição.</p>
<p>Jo.5:24 e 3:18.</p>
<p>IV. Visto não haver outro caminho de salvação a não ser o revelado no Evangelho e visto que, conforme o usual método de graça divinamente estabelecido, a fé vem pelo ouvido que atende à Palavra de Deus, Cristo comissionou a sua Igreja para ir por todo o mundo e ensinar a todas as nações. Todos os crentes, portanto, têm por obrigação sustentar as ordenanças religiosas onde já estiverem estabelecidas e contribuir, por meio de suas orações e ofertas e por seus esforços, para a dilatação do Reino de Cristo por todo o mundo.</p>
<p>Jo.14:6; At.4:12; Rom.10:17; Mt.28:19,20; I Cor.4:2; II Cor.9:6,7,10.</p>
<p>NOTA HISTÓRICA</p>
<p>Desde Julho de 1643 até Fevereiro de 1649, reuniu-se em uma das salas da Abadia de Westminster, na cidade de Londres, o Concílio conhecido na história pelo nome de Assembléia de Westminster. Este Concílio foi convocado pelo Parlamento Inglês, para preparar uma nova base de doutrina e forma de culto e governo eclesiástico que devia servir para a Igreja do Estado nos Três Reinos.</p>
<p>Em um sentido, a ocasião não foi propícia. Já começara a luta entre o Parlamento e o rei Carlos I, e durante as sessões do Concílio o país foi agitado pela revolução em que o rei perdeu a vida e Cromwell tomou as rédeas do governo. Em outro sentido, a ocasião foi oportuna. Os teólogos mais eruditos daquele tempo tomaram parte nos trabalhos da Assembléia. A Confissão de Fé e os Catecismos foram discutidos ponto por ponto, aproveitando-se o que havia de melhor nas Confissões já formuladas, e o resultado foi a organização de um sistema de doutrina cristã baseado na Escritura e notável pela sua coerência em todas as suas partes.</p>
<p>O Parlamento não conseguiu o que almejava quando nomeou os membros do Concílio. A Confissão de Pé foi aprovada, mas apenas poucos meses a Igreja Presbiteriana foi nominalmente a Igreja do Estado na Inglaterra.</p>
<p>A Confissão de Westminster foi a última das confissões formuladas durante o período da Reforma. Até agora tem havido na história da Igreja somente dois períodos que se distinguiram pelo número de credos ou confissões que neles foram produzidos. O primeiro pertence aos séculos IV e V, que produziram os credos formulados pelos concílios ecumênicos de Nicéia, Constantinopla, Éfeso e Calcedônia; o segundo sincroniza com o período da Reforma. Os símbolos do primeiro período chamam-se &#8220;credos&#8221;, os do segundo &#8220;confissões&#8221;. Uma comparação entre o Credo dos Apóstolos, por exemplo, e a Confissão de Westminster mostrará a diferença. O Credo é a fórmula de uma fé pessoal e principia com a palavra &#8220;Creio&#8221;. A Confissão de Fé de Westminster segue o plano adotado no tempo da Reforma, é mais elaborada e apresenta um pequeno sistema de teologia. Esse sistema é conhecido pelo nome de Calvinismo, por ser o que João Calvino ensinou, e foi aceito pelas Igrejas Reformadas, que diferiam das Luteranas.</p>
<p>A utilidade de uma Confissão de Fé evidenciou-se na história das Igrejas Reformadas ou Presbiterianas. Sendo a Confissão de Westminster a mais perfeita que elas têm podido formular, serve de laço de união e estreita as relações entre os presbiterianos de todo o mundo. Os Catecismos especialmente têm servido para doutrinar a mocidade nas puras verdades do Evangelho.</p>
<p>No tempo em que se reuniu a Assembléia, e por muito tempo antes, todos sustentavam a necessidade da união da Igreja e do Estado, e originalmente havia no Capítulo que trata do Magistrado Civil uma seção ensinando essa necessidade.</p>
<p>Ao formar-se a Igreja Presbiteriana nos Estados Unidos da América do Norte, em 1788, essa seção foi omitida, pois ali quase todos entendiam que a Igreja devia estar livre de toda união com o Estado, sendo ambos livres e independentes na esfera que lhes pertence.</p>
<p>Em 1887, ou quase cem anos mais tarde, a Igreja geralmente chamada Igreja do Norte eliminou a última parte da Seção IV do Capítulo XXIV, que dizia:</p>
<p>&#8220;O viúvo não pode desposar nenhuma parente carnal de sua mulher nos graus de parentesco em que não possa desposar uma das suas próprias parentes, nem a viúva poderá casar-se com um parente carnal de seu marido nos graus de parentesco em que não possa casar-se com um de seus próprios parentes&#8221;.</p>
<p>O Sínodo do Brasil organizado em 1888, fez igual eliminação.</p>
<p>No ano 1903 a mesma Igreja do Norte dos Estados Unidos fez outras emendas mais importantes que, por serem de interesse geral, ficam aqui registradas. As duas Seções que foram modificadas, rezam do modo seguinte:</p>
<p>CAPÍTULO XVI. SECÃO VII</p>
<p>As obras feitas pelos não regenerados, embora sejam quanto à matéria. coisas que Deus ordena e em si mesmas louváveis e úteis, e embora o negligenciá-las seja pecaminoso e ofensivo a Deus, não obstante, em razão, de não procederem de um coração purificado pela fé, elas não são feitas devidamente &#8211; segundo a Palavra &#8211; nem para um fim justo &#8211; a glória de Deus &#8211; ficam aquém do que Deus exige e não podem preparar homem algum para receber a graça de Deus.</p>
<p>CAPÍTULO XXV, SEÇÃO VI</p>
<p>Nosso Senhor Jesus Cristo é o único Cabeça da Igreja, e a pretensão de qualquer homem ser vigário de Cristo e cabeça da Igreja, é contrária à Escritura nem tem base alguma na História e é uma usurpação que desonra a nosso Senhor Jesus Cristo.</p>
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		<title>Comentário de Filemon de calvino</title>
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		<pubDate>Sun, 24 Jan 2010 13:29:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anderson Queiroz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Exegeses]]></category>
		<category><![CDATA[Calvino]]></category>
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		<description><![CDATA[Filemon
Comentário de João Calvino a Filemom
IVv. 1-7}
Paulo, prisioneiro de Cristo Jesus, e Timóteo, nosso irmão a Filemom, nosso amado e cooperador; e à nossa irmã Afia, e a Arquipo, nosso companheiro de luta, e à igreja que está em tua casa: graça a vós e paz da parte de Deus nosso Pai e do Senhor [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Filemon</strong></p>
<p><em>Comentário de João Calvino a Filemom</em></p>
<p>IVv. 1-7}</p>
<p><em>Paulo, prisioneiro de Cristo Jesus, e Timóteo, nosso irmão a Filemom, nosso amado e cooperador; e à nossa irmã Afia, e a Arquipo, nosso companheiro de luta, e à igreja que está em tua casa: graça a vós e paz da parte de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo. Dou sempre graças ao meu Deus fazendo menção de ti em minhas orações ouvindo de teu amor e da fé que tens para com o Senhor Jesus e para com todos os santos; para que a comunhão de tua fé venha a ser eficaz no conhecimento de todo o bem que há em vós para com Cristo. Tive muita alegria e conforto em teu amor, visto que através de ti; ó irmão, os corações dos santos tem sido refrigerados. </em></p>
<p>O caráter sublime do espírito de Paulo, ainda que melhor percebido em seus escritos mais importantes, desponta também nesta epístola,.na qual, enquanto se ocupa de um assunto por natureza humilde e sem importância, se volve para Deus em seu modo costumeiro. Ele toma um escravo e ladrão fugitivo e o envia de volta ao seu senhor, com a solicitação que o mesmo fosse perdoado.</p>
<p>Ao advogar sua causa, o apóstolo discute a tolerância cristã com uma habilidade tal que parece estar pensando no interesse de toda a Igreja, e não apenas nos assuntos de um indivíduo. Em favor de um homem da mais baixa condição, ele se condescende com uma modéstia e humildade tais, que em nenhuma outra parte se descreve em cores tão vivas a docilidade de seu caráter.</p>
<p>1. <span style="text-decoration: underline;">Prisioneiro</span><span style="text-decoration: underline;"> de Cristo Jesus</span>. No mesmo sentido em que em outro lugar se qualifica de apóstolo ou ministro de Cristo, ele agora se qualifica de seu prisioneiro, visto que as cadeias com que se encontrava acorrentado por causa do evangelho eram os ornamentos ou emblemas da comissão que desempenhava par amor a Cristo. Ele as menciona aqui, não porque sua autoridade necessitasse de corroboração, ou porque temesse ser desprezado &#8211; porquanto Filemom indubitavelmente sentia grande estima e reverencia para com ele, e portanto não precisava valer-se de nenhum titulo -, mas porque precisava advogar a causa de um escravo fugitivo, e a parte primordial dela era a suplica por perdão.</p>
<p><strong><br />
</strong></p>
<p><strong>A Filemom</strong>. E provável que esse Filemom pertencesse a ordem dos pastores, pois Paulo o qualifica de cooperador, e esse não é um titulo que geralmente ele costumava aplicar a um indivíduo em particular.</p>
<p>2. <strong>E Arquipo</strong>, nosso companheiro de luta. Também se dirige a Arquipo, que provavelmente era também ministro da Igreja; pelo menos pode ser a mesma pessoa mencionada no final da epístola aos Colossenses [4.17], o que não e de todo improvável, pois o apóstolo se dirige a ele como um companheiro de luta, designação esta que se aplica particularmente aos ministros. Pois embora todos os cristãos sejam partícipes nesta guerra, os mestres são, por assim dizer, os porta-estandartes, e como tais devem estar mais dispostos a lutar do que os demais; e Satanás geralmente lhes oprime com mais violência. É provável que Arquipo fosse colega de Paulo e participasse com ele de algumas lutas nas quais estava envolvido, pois essa é 3 palavra que Paulo usa sempre que faz menção de perseguições.</p>
<p>Ele confere o mais elevado enaltecimento a família de Filemom ao dizer, a igreja que está em tua casa, e com certeza não é um enaltecimento de pouca importância o fato de que o cabeça de uma casa que tenha sua família tão bem ordenada, seja a mesma vista como uma igreja, e quando ele desempenha seu ofício de pastor em sua própria casa. E não devemos jamais esquecer que esse homem tinha uma esposa que se assemelhava a ele, porque Paulo teve boas razões para apresentá-la no mesmo tom.</p>
<p>4<strong>. Dou sempre graças ao meu Deus.</strong> Deve-se notar que ele ora pelas mesmas pessoas por quem rende graças. Mesmo o mais perfeito dos homens, que mereça o mais extremado enaltecimento, necessita de intercessão em seu favor, enquanto viver neste mundo, a fim de que Deus lhe conceda não só a perseverança final, mas também o progresso diário.</p>
<p>5. <strong>Ouvindo do teu amor e da fé que tens</strong>. O enaltecimento que ele tributa a Filemom inclui resumidamente toda a perfeição de um homem cristão. Ele consiste de duas partes: fé para com Cristo e amor para com o próximo; pois todos os deveres de nossa vida se relacionam com esses dois elementos. Diz-se que a fé e para com Cristo, visto que e a ele que ela especialmente contempla. É através dele só que Deus o Pai pode ser conhecido, e somente nele podem ser encontradas todas as bênçãos que a fé busca.</p>
<p>E para com todos os santos. O apóstolo, porém, não limita o amor aos santos, como se negasse que ele deva ser também demonstrado a outros. O ensino do amor consiste em que não devemos desprezar nossa própria carne, senão que devemos tratar com honra a imagem divina gravada em nossa natureza humana, e assim o amor tem de incluir toda a raça humana. Visto, porém, que aqueles que fazem parte da família da fé estão necessariamente ligados a nos por um laço muito mais estreito, e visto que Deus os recomenda especialmente a nós, é justo que ocupem o primeiro lugar em nosso coração.</p>
<p>A redação desta passagem é um tanto confusa, porem não falta clareza em seu significado, salvo par conta de algumas dúvidas, como, por exemplo, se a advérbio, sempre [v. 4], pertence à primeira ou à segunda cláusula. O significado pode ser indicado da seguinte maneira: sempre que o apóstolo orava par Filemom, ele incluía ações de graças por ele na oração, visto que sua piedade era motivo de tal regozijo, pois as vezes oramos por alguém que outra coisa não nos causa senão tristeza e lágrimas. Não obstante, geralmente se considera preferível tomar &#8217;sempre&#8217; como correspondente a segunda cláusula &#8211; que Paulo rende graças por Filemom e sempre a menciona em suas orações.</p>
<p>No restante do versículo há uma inversão da ordem natural; porque, depois de falar de amor e fé, ele adiciona: para com Cristo e para com os santos, enquanto que o significado deve, ao contrário, requerer que Cristo seja mencionado imediatamente depois de fé, vista que e para ele que nossa fé olha.</p>
<p>6. <strong>Para</strong><strong> que a comunhão de tua fé venha a ser eficaz</strong>. Esta cláusula é um tanto obscura, contudo tentarei elucidá-la de uma maneira tal que meus leitores venham a apreender a intenção de Paulo. Primeiramente devemos descobrir que o apóstolo não está dando prosseguimento ao seu enaltecimento a pessoa de Filemom, mas esta explicando o que pedira para ele, ao fazer menção dele em suas orações [v. 4]. Então, o que ele pediu? Que sua fé, convertendo-se em boas obras, por si só provasse ser genuína e frutífera. Ele a qualifica: &#8220;a comunhão de tua fé&#8217;, vista que a fé não permanece inativa e escondida, mas se manifesta aos homens através de seus frutos. Pois ainda que a fé tenha sua residência secreta nos recessos do coração, ela se comunica com as homens através das boas obras. É como se ele quisesse dizer: &#8220;Tua fé, ao comunicar-se, pode comprovar sua eficácia em todas as coisas saudáveis.&#8221;</p>
<p>No conhecimento de todo a bem significa experiência. Ele deseja que a fé de Filemom se comprovasse eficaz par seus efeitos, e isso sucede quando as pessoas entre as quais vivemos conhecem nossa vida piedosa e santa. Daí ele falar de todo o bem que há em vós, porque tudo o que existe de bom em nós revela nossa fé.</p>
<p>A frase, ei\j Xristón [Eis Xriston]&#8216; pode ser traduzida: por Cristo, mas, se eu pudesse, preferiria traduzi-la no sentido de e\n Xrit%= [en Xristo]&#8216; em Cristo. Pois os dons de Deus nos são ministrados só quanto somos membros de Cristo; visto, porém, que em vós vem imediatamente a seguir, receio que a forma abrupta da expressão venha a ser inaceitável. Por isso não me aventurei a fazer qualquer mudança nas palavras, mas quis fazer tal menção aos meus leitores, para que possam ponderar bem e então decidir sua própria preferência.</p>
<p>7. <strong>Tive muita alegria e conforto</strong>. Ainda que os gregos prefiram a tradução, &#8216;graça&#8217;, entendo que faríamos melhor traduzindo-a por alegria. Pois há pouca diferença entre Xa\rin [xarin] e xa¢ran [xaran], e seria muito fácil mudar uma só letra equivocadamente. Além disso, esta não é a única passagem nos escritos de Paulo em que xa/rin [xarin] significa alegria, pelo menos se seguirmos Crisóstomo nesta matéria. Que conexão há entre graça e conforto? Seja como for, é bastante claro o que Paulo quer dizer, ou seja: que ele encontra grande alegria e conforto no fato de que Filemom tenha providenciado alívio para as necessidades dos santos. É um amor acima do comum aquele que leva alguém a encontrar alegria no bem praticado em favor de outrem. Alem disso, o apóstolo não está expressando apenas sua alegria pessoal, mas diz que muitos se tem regozijado diante da bondade e benevolência de Filemom, provendo socorro para os santos.</p>
<p>Visto que através de ti os corações dos santos tem se refrigerado. Refrigerar o coração é uma expressão usada por Paulo no sentido de prover alivio nas aflições ou socorrer aquele que jaz em miséria, de forma que, tendo as mentes apaziguadas e livres de toda e qualquer ansiedade e tristeza, possam encontrar repouso. Porque, pelo termo coração, o apóstolo quer dizer os sentimentos; e com anapusij; [anapausis], ele quer dizer tranqüilidade. Daí estarem equivocados os que fazem esta passagem referir-se ao estômago e sua nutrição, com base no fato de que a palavra grega significa, literalmente, entranhas.</p>
<p>(vv. 8-14)</p>
<p>Por isso, ainda que eu tenha toda a ousadia em Cristo para ordenar-te o que te convém, não obstante peço-te antes em nome do amor, sendo eu tal como sou, Paulo, o velho, e agora também prisioneiro de Cristo Jesus. Rogo-te por meu filho, Onésimo, a quem gerei em minhas cadeias; o qual noutro tempo te foi inútil, mas agora é útil a mim e a ti; a quem envio de volta a ti, pessoalmente, ou seja meu próprio coração; A quem eu bem quisera conservar comigo, para que em teu interesse ele pudesse me servir nas cadeias do evangelho; sem o teu consentimento, porém, nada faria; para que a tua bondade não fosse como por necessidade, e, sim, de boa vontade.</p>
<p>8. <strong>Ainda</strong><strong> que eu tenha toda a ousadia em Cristo</strong>, ou seja, ainda que eu tenha a autoridade de ordenar-te, em lugar disso o teu amor me leva a pedir-te. Ele reivindica o direito de ordenar sobre duas bases, a saber: primeiro, porque ele é um ancião ['O velho']; segundo, porque ele é um prisioneiro de Cristo. Ele declara que, por causa do amor de Filemom, prefere expressar na forma de solicitação, porque exercemos autoridade e emitimos ordens quando queremos extorquir das pessoas as coisas que não nos querem dar voluntariamente. Mas já que aqueles que se prontificam, e tem boa vontade em cumprir seu dever, ouvem com calma a explicação do que é exigido, mais voluntariamente do que quando se usa autoridade, Paulo tem boas razões em solicitar quando esta tratando com alguém obediente. Através de seu exemplo ele ensina aos pastores a tentarem orientar suas ovelhas mansamente, em vez de usar a força, pois quando condescende em solicitar e em ignorar seu direito de ordenar, ele tem maior força em obter o que deseja. Além do mais, ele nada reivindica para si senão somente em Cristo, ou seja, por conta do ofício que Cristo lhe conferiu; pois de forma alguma pressupõe com isso que falte autoridade aqueles a quem Cristo constituiu apóstolos.</p>
<p>Ao acrescentar, tò a¢nh¤kon [to anekon], <strong>o que convém</strong>, sua intenção é que os mestres não tem poder de ordenar o que bem desejam; sua autoridade está confinada dentro dos limites da conveniência, e, em outros aspectos, que seja também consistente com o dever de cada pessoa. E assim, como disse antes, os pastores São lembrados de que, sempre que este método é eficiente para produzir efeito positivo, o coração de seu povo deve ser conquistado com amabilidade, mas de tal maneira que as que são guiados em mansidão saibam que lhes esta sendo exigido menos do que realmente devem.</p>
<p>A palavra ancião, aqui, não se refere a idade, e, sim, ao ofício. Aqui ele não se denomina ele apóstolo, porque esta tratando com um colega no ministério da Palavra, e por isso se lhe dirige de maneira familiar.</p>
<p>10. <strong>Rogo-te por meu filho</strong>. Já que, geralmente, se dá menos importância as solicitações que não contam com a apoio de explicações persuasivas, Paulo, ao interceder por Onésimo, mostra que esta cumprindo um dever compulsório. Por conseguinte, é de muita importância observar os passos de sua condescendência, ao denominar alguém que e escravo, fugitivo e ladrão como sendo seu próprio filho.</p>
<p>Ao afirmar que Onésimo fora gerado por ele, a intenção do apóstolo não era afirmar que tal coisa era produto de seu próprio poder, senão que fora a instrumento [divino]; pais não e através de alguma obra do homem que a alma humana é reformada e renovada na imagem de Deus, e é com esse ato de regeneração espiritual que o apóstolo ora esta tratando. Vista, porém, que a regeneração de uma alma se dá pela fé, e visto que a fé vem pelo ouvir [Rm 10.17], aquele que ministra a doutrina desempenha o papel de pai. Além do mais, visto que a Palavra de Deus proclamada pela instrumentalidade do homem é a semente de vida eterna, não é de estranhar que aquele de cujos lábios recebemos essa bendita semente seja chamado nosso pai Ao mesmo tempo, e bom não esquecermos que, ainda que o ministério de um homem seja eficaz na regeneração de uma alma, estritamente falando é Deus quem a regenera pelo poder de seu Espírito. Essa forma de se expressar de maneira alguma implica alguma oposição entre Deus e o homem, senão que apenas mostra como Deus age através dos homens. Sua declaração, dizendo que gerou Onésimo em suas cadeias, adiciona peso a sua recomendação.</p>
<p>12. <strong>Ou</strong><strong> seja, meu próprio coração</strong>. Ele não poderia ter dito algo mais eficaz para abrandar a indignação de Filemom. Porque, se ele porventura recusasse a perdoar Onésimo, estaria tratando o próprio coração de Paulo com crueldade. A benevolência de Paulo é grandiosa, não hesitando entregar seu coração para acolher um escravo comum que, além de tudo, era também um ladrão e fugitivo, a fim de protegê-lo da ira de seu senhor. Ora, se a conversão de um homem a Deus foi considerada de forma tão séria, nós, também, devemos da mesma forma acolher aqueles que demonstram estar sincera e genuinamente arrependido.</p>
<p>13. <strong>A quem eu bem quisera conservar comigo</strong>. Eis outra forma de abrandar Filemom, ou seja, que Paulo estaria enviando-lhe de volta o escravo de cujos serviços ele mesmo tinha a mais premente necessidade. Pois teria sido uma dolorosa descortesia [da parte de Filemom] rejeitar uma atenção [studium] tão especial da parte de Paulo. O apóstolo insinua que ser Onésimo enviado de volta a Filemom deveria resultar como uma dádiva bem-vinda, em lugar de ser ele maltratado em casa.</p>
<p>Para que em teu interesse ele pudesse me servir nas cadeias do evangelho. A seguir, o apóstolo adiciona mais considerações, ou seja: primeiramente, que Onésimo ocupasse o lugar de seu senhor em prestar esse serviço [ao apóstolo]; em segundo lugar, que, movido de humildade, ele não quis privar Filemom de seus direitos; e, em terceiro lugar, que Filemom mereceria maior encômio se, depois de ter recebido de volta o seu escravo, voluntariamente e de bom grado o enviasse de volta [a Paulo]. Deste último ponto devemos inferir que, quando os mártires de Cristo estão em campo pelo testemunho do evangelho, devemos ajudá-los de todas as formas que pudermos.</p>
<p>Pois se cremos no que Paulo diz aqui, ou seja, que o exílio, o encarceramento, os açoites, os insultos e a violenta confiscação de propriedade pertencente ao evangelho, e quem quer que se recuse a participar dessas coisas degreda-se de Cristo. E indubitável que a defesa do evangelho e uma responsabilidade comum a todos nos. Portanto, aquele que sofre perseguição por causa do evangelho não deve ser considerado como um indivíduo isolado, mas como alguém que publicamente representa toda a Igreja. Cuidar do evangelho é um dever comum a todos os crentes, de modo que eles não devem, como freqüentemente é o caso, deixar tal responsabilidade sobre apenas uma pessoa.</p>
<p>14. <strong>Para</strong><strong> que a tua bondade não fosse como por necessidade</strong>. Aqui temos o exemplo da regra geral de que os únicos sacrifícios que agradam a Deus são aqueles oferecidos espontaneamente. Paulo diz a mesma coisa em 2 Coríntios 9.7, sobre as ofertas. To\ a)gaqo\n [to agathon] significa um ato de bondade, e a coação uma ação voluntária, pois sob o constrangimento não há oportunidade de se mostrar a vontade generosa de se fazer o que se requer, e o fato de que um dever voluntariamente desempenhado é o único título do genuíno louvor. É digno de nota que, ainda que Paulo reconhecesse a culpa anterior de Onésimo, ele declara que este está agora transformado; e no caso de Filemom alimentar alguma dúvida sobre se seu escravo voltaria para ele com uma nova disposição e conduta diferente, o apóstolo diz que comprovou pessoalmente que Onésimo realmente estava arrependido.</p>
<p><em>[vv. 15-19] </em></p>
<p><em>Porque</em><em>, bem pode ser que ele se tenha apartado de ti por algum tempo, para que o recobrasses para sempre; não mais como um servo, e, sim, muito mais que um servo, um irmão amado, especialmente para mim, e quanto mais para ti tanto na carne como no Senhor. Se, pois, me consideras um companheiro; recebe-o como a mim mesmo. Mas se ele te fez algum dano, ou te deve alguma coisa, lança-o na minha conta; eu, Paulo, de meu próprio punho o escrevo, o pagarei para não te dizer que me deves até mesmo a ti próprio. </em></p>
<p>15. <strong>Porque</strong><strong>, bem pode ser que ele se tenha apartado de ti por algum tempo</strong>. Caso nos iremos ante as ofensas praticadas pelos homens, nossa ira deve amenizar-se ao vermos que as coisas feitas maliciosamente foram praticadas para servir a diferentes fins segundo os desígnios divinos. Um ditoso resultado pode ser considerado como a cura para muitos males, a qual a mão divina nos oferece com o fim de dissipar as ofensas. Assim foi com José (Gn 45.5], ao considerar como a portentosa providencia divina realizou quando, apesar de ser vendido como escravo, não obstante foi elevado a uma posição tal que daí pôde sustentar a seu pai e a seus irmãos, e. ainda pôde esquecer a traição e crueldade de seus irmãos, dizendo-lhes que fora enviado para ali por causa deles.</p>
<p>Semelhantemente, Paulo lembra a Filemom que não se sentisse por demais ofendido pela fuga de seu escravo, porque ela produziu algo positivo, sobre o quê não deve lastimar. Ppis sendo Onésimo essencialmente um trânsfuga, mesmo que Filemom o retivesse em casa, na realidade não haveria desfrutado de sua propriedade. Sendo ele perverso e desleal, não era de nenhuma valia ao seu senhor. O apostolo diz que Onésimo fora vagabundo por algum tempo, para que, mudando de lugar, fosse ele mesmo mudado, convertendo-se em novo homem. o apóstolo sabiamente ameniza toda a situa&lt;;ao, denominando a fuga de Onésimo, uma partida, e acrescentando que ela fora apenas temporária, e finalmente ele contrasta a durabilidade da utilidade com a breve duração da perda.</p>
<p>16. <strong>Muito</strong><strong> mais que um servo, um irmão amado</strong>. Ele prosseguiu, fazendo menção de outro resultado positivo da fuga de Onésimo &#8211; ele não só foi corrigido por ela, de modo a transformar-se num escravo útil, mas ainda se converteu em irmão de seu senhor.</p>
<p><strong>Especialmente</strong><strong> para mim</strong>. Mas no caso de Filemom ainda sentir-se abalado com uma ofensa ainda tão recente e sentir-se indeciso se aceitaria ou não a Onésimo como seu irmão o apóstolo de antemão o reconhece como seu próprio irmão. Desse fato ele infere que Filemom esta em relação muito mais estreita com ele; porque, embora Onésimo tivesse, no Senhor, segundo o Espírito, a mesma importância para ambos &#8211; Paulo e Filemom -&#8217;. não obstante,. segundo a carne, ele pertencia a família de Filemom. Aqui, uma vez mais, percebemos a inusitada <a href="http://humildade.de/" target="_blank">humildade.de</a> Paulo ao honrar a um escravo indigno com o título: irmão, ainda mais, chamando-o: meu mui querido irmão. Na verdade seria uma demonstração de gritante soberba, caso ele se envergonhasse em ter na conta de seus irmãos aqueles a quem Deus inclui no número de seus filhos.</p>
<p>Ao dizer, <strong>e quanto mais para ti</strong>, o apóstolo não esta insinuando que Filemom tivesse uma posição mais elevada segundo o Espírito; ao contrário, sua intenção é esta: &#8220;Visto que ele é um irmão especialmente para mim, então deve ser irmão muito mais para ti, porque tu e ele estais vinculados um ao outro por uma dupla relação.&#8221;</p>
<p>Devemos assumir como um fato indiscutível que Paulo não recomenda precipitada e futilmente, como tantos o fazem, a alguém para ele insuficientemente conhecido, nem enaltece sua fé antes mesmo de fazer um teste completo ou uma avaliação racional dela. Temos, portanto, em Onésimo um notável exemplo de arrependimento. E bastante notório o mal caráter que tinham os escravos, de modo que raramente um em cem tinha algum valor real. Podemos conjecturar, a luz de sua fuga, que Onésimo se tornara por demais empedernido na iniqüidade ao longo de uma lenta e constante formação de costumes e hábitos. É, portanto, uma rara e maravilhosa excelência que tenha ele abandonado os vícios com os quais tanto corrompera sua natureza, a tal ponto que Paulo viesse a declarar com todas as veras de sua alma que agora ele é um outro homem. A luz desse caso podemos também deduzir a proveitosa doutrina de que os eleitos de Deus São as vezes conduzidos a salvação de formas incríveis, contra todas as expectativas gerais, por inúmeros meios e através de infindáveis labirintos. Onésimo vivia no seio de uma família piedosa e santa, e todavia, banido dela em virtude de suas próprias más ações, deliberadamente se afastara ainda mais de Deus e da vida eterna. Deus, porém, mediante sua secreta providencia, prodigiosamente dirigiu sua desastrosa fuga, pondo-o em contato com Paulo.</p>
<p>17. <strong>Se, pois, me consideras um companheiro</strong>. Aqui ele se humilha ainda mais, transferindo seus próprios direitos e dignidade para um trânsfuga, colocando-o em seu próprio lugar, justamente como logo depois se oferecer como seu fiador. Era da maior importância que o senhor de Onésimo se portasse bondosa e amavelmente para com ele, para que uma imoderada severidade [por parte de Filemom] não o levasse imediatamente ao desespero. Esse é o objetivo que laboriosamente Paulo tenta alcançar. Diante de seu exemplo somos lembrados com que afeição devemos estender a mão a um pecador que procura provar que realmente está arrependido. Pois se é nosso dever interceder juntamente com outros pelo perdão do penitente, quanto mais devemos nós tratá-lo com benevolência e simpatia.</p>
<p>18. <strong>Mas</strong><strong> se ele te fez algum dano</strong>. A luz desta clausula podemos inferir que Onésimo havia furtado algo de seu senhor, segundo o hábito dos escravos fugitivos; O apóstolo, porém, ameniza a gravidade do ato, acrescentando: ou te deve alguma coisa. Não só havia uma obrigação entre ambos reconhecida pela lei civil, mas o escravo se fizera devedor de seu senhor pelo mal que lhe causara. Tão grande era, pois, a benevolência de Paulo, que estava até mesmo disposto a dar uma satisfação por esse crime.</p>
<p>19. <strong>Para</strong><strong> não te dizer que me deves ate mesmo a ti próprio</strong>. Ao dizer isso, sua intenção era deixar em evidência quão seguro estava de que sua solicitação seria atendida; era como se dissesse: &#8220;Tu não poderias negar-me nada, mesmo que eu pedisse tua própria vida.&#8221; o restante da matéria, acerca da hospitalidade, etc., tem o mesmo propósito, como veremos logo a seguir.</p>
<p>Paira uma pergunta: como é possível que Paulo prometa pagar em dinheiro, quando, afora o auxílio que as igrejas lhe davam, ele não tinha recursos nem mesmo para viver de forma parca e frugal? Diante das circunstâncias de necessidade e pobreza, sua promessa realmente parece ridícula; no entanto, não é difícil de perceber que, ao expressar-se dessa forma, Paulo está solicitando que Filemom não exigisse de seu escravo nenhum reembolso. Pois ainda que não haja qualquer laivo de ironia em suas palavras, mesmo assim, mediante uma expressão indireta, ele solicita a Filemom que apague e cancele essa conta. Eis sua intenção: &#8220;Não quero que suscites esse problema contra teu escravo, a menos que queiras considerar-me o devedor no lugar de Onésimo.&#8221; Porque imediatamente acrescenta que Filemom lhe pertence inteiramente, e aquele que alegue ser uma pessoa, em sua totalidade, sua propriedade, não precisa ficar preocupado em ressarcir em moeda corrente.</p>
<p>[<em>vv. 20-25]</em></p>
<p><em>Sim</em><em>, irmão, eu me regozijo em ti no Senhor,&#8217; refrigera meu coração em Cristo. Escrevo-te confiado em tua obediência, sabendo que farás ainda mais do que te peço. E, ao mesmo tempo, prepara-me também pousada,&#8217; pois espero que, em resposta as vossas orações, vos hei de ser concedido. Epafras, meu companheiro de prisão em Cristo Jesus, te saúda; bem como Marcos, Aristarco, Demas e Lucas, meus cooperadores. A graça de nosso Senhor Jesus Cristo seja com 0 vosso espírito. Amém. </em></p>
<p>20. <strong>Sim</strong><strong>, irmão</strong>. Ele se expressa dessa forma para fazer seu apelo ainda mais convincente, como se dissesse: &#8220;Ficara claramente provado que entre ti e mim não há divergência alguma; ao contrário, tu estás sinceramente ligado a mim, e tudo quanto possuis esta à minha disposição, caso tu perdoes as ofensas passadas e recebas em teu favor aquele que esta tão intimamente ligado a mim.&#8221;</p>
<p>Uma .vez mais, o apóstolo reitera a expressão que usara antes <strong>- refrigera meu coração</strong>. A luz desse fato inferimos que a fé evangélica não subverte a ordem civil nem cancela os direitos dos senhores sobre seus escravos, pois ainda que Filemom não fosse um dentre o povo comum, mas um colaborador do apóstolo no atendimento a vinha de Cristo, no entanto seu direito como senhor de escravos, o qual a lei lhe concedera, não podia ser-lhe usurpado. O que o apóstolo faz é apenas solicitar que o receba bondosamente, concedendo-lhe seu perdão; na verdade Paulo humildemente roga que Filemom restaurasse Onésimo a sua posição de origem.</p>
<p>Além do mais, a humilde solicitação de Paulo nos lembra quão longe do genuíno arrependimento estão aqueles que obstinadamente justificam seus vícios e confessam que não sentem por eles vergonha alguma, e nem dão sinal do menor resquício de humildade, de modo que deixam a entender que jamais pecaram real e irremediavelmente. Sem a menor sombra de dúvida, quando Onésimo viu esse extraordinário apóstolo de Cristo advogando sua causa de maneira tão exaustiva, com toda certeza deve ter-se humilhado ainda mais, procurando induzir seu senhor a estender-lhe sua clemência. Paulo, pela mesma razão, se justifica por haver escrito com tanta ousadia, visto que tinha certeza de que Filemom iria fazer mais do que ele pedia.</p>
<p>22. <strong>Prepara-me também pousada</strong>. Essa demonstração de confiança provavelmente injetou em Filemom um vigoroso estímulo; e manifesta ainda a esperança de deleitá-lo com sua chegada. Embora não saibamos se Paulo foi ou não libertado da prisão, esta declaração não contém nenhum absurdo, mesmo que sua esperança na benevolência temporária de Deus não se tenha cumprido. Sua confiança em seu livramento só tinha por base a condição: se era a vontade de Deus; pois ele estava sempre em prontidão, até que a vontade de Deus Fosse revelada mediante seu resultado.</p>
<p><strong><br />
</strong></p>
<p><strong>Pois</strong><strong> espero que, em resposta as vossas orações, vos serei concedido</strong>. É digno de nota o fato de ele dizer que tudo quanto os crentes pedem em suas orações lhes é &#8216;concedido&#8217;. A luz desse fato inferimos que sempre que nossas orações obtém êxito, elas não prevalecem por serem meritórias, porquanto o que nos é concedido, mediante nossas orações, provem da graça soberana [de Deus]</p>
<p>24. <strong>Demas</strong>. Esta é a mesma pessoa que mais tarde abandonou o apóstolo, como ele mesmo diz com tristeza em II Timóteo 4.10. E se um dos assistentes do apostolo se cansou e perdeu o entusiasmo, e mais tarde foi arrebatado pelas vaidade do mundo, que nenhum de nós, pois, ponha em si demasiada confiança por haver sido fiel durante um ano; senão que recordando a extensão da jornada que ainda lhe resta a percorrer supliquemos a Deus que lhe conceda aquela firmeza de que carece.</p>
<p>Autor: <strong>João Calvino</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p>Fonte: As Pastorais, pg. 365-379, editora Parakletos.</p>
<p><em>Estudo digitado pelo caríssimo irmão e colaborado do site Teologia <a href="http://www.missaoreformada.com/portal/wp-content/uploads/2010/01/John_Calvin3.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-327" title="John_Calvin" src="http://www.missaoreformada.com/portal/wp-content/uploads/2010/01/John_Calvin3-215x300.jpg" alt="" width="215" height="300" /></a>Calvinista: Davi Barrozo de Carvalho </em></p>
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		<title>A Reforma Protestante</title>
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		<pubDate>Sun, 10 Jan 2010 16:21:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anderson Queiroz</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Por:  Rev. José Roberto Costanza 
A Igreja Cristã nasceu no momento em que Jesus convocou Seu primeiro discípulo para a obra de Deus (ver Jo 1.35-51). Jesus chamava, e as pessoas vinham se agregar ao Grupo Santo. A história da vida do Mestre nós bem a conhecemos, através dos Evangelhos e demais livros do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por: <em> Rev. José Roberto Costanza </em></p>
<p>A Igreja Cristã nasceu no momento em que Jesus convocou Seu primeiro <a href="http://www.missaoreformada.com/portal/wp-content/uploads/2010/01/luther_95theses.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-321" title="luther_95theses" src="http://www.missaoreformada.com/portal/wp-content/uploads/2010/01/luther_95theses.jpg" alt="" width="291" height="274" /></a>discípulo para a obra de Deus (ver Jo 1.35-51). Jesus chamava, e as pessoas vinham se agregar ao Grupo Santo. A história da vida do Mestre nós bem a conhecemos, através dos Evangelhos e demais livros do Novo Testamento. Mas, o que aconteceu quando o Cabeça da Igreja deixou este mundo?<br />
Atos 1.6-12 nos fala da ascensão do Senhor e nos reporta que a Igreja perseverava unânime em oração.</p>
<p>Ora, sabemos que é impossível buscar a presença do Senhor sem a ação do Espírito. O Evangelho de João nos diz que o Espírito já havia sido dado aos discípulos antes do Pentecoste, diretamente por Jesus ressurreto (Jo 20.22). Sob o poder e ação do Espírito esses mesmos discípulos escolheram Matias, como substituto para Judas Iscariotes, o traidor.<br />
Cinqüenta dias depois da Páscoa, na festa do Pentecoste, o Espírito foi outorgado à Igreja de maneira plena, para não somente conduzi-la à Salvação e à Glória com o eterno Pai, mas, sobretudo, lhe dar poder para testemunhar de Cristo.</p>
<p>A História da Igreja Cristã se divide, pois, em dois períodos aparentemente distintos, mas, na realidade, praticamente não há diferença entre eles. O primeiro nos fala dos atos de Jesus e de Seus seguidores, até o dia em que Ele foi elevado às alturas (At 1.2). Sem que houvesse descontinuidade, no segundo período, Jesus age através do Espírito Santo. É isso que Lucas quis dizer na introdução ao livro de Atos. O Pentecoste foi o cumprimento da Promessa, conforme o relato do mesmo Lucas, em seu Evangelho (Lc 24.49). A Igreja, que já era nascida do Espírito, recebeu a Sua plenitude, o &#8220;batismo de poder&#8221; de que nos falam os pais reformados. Tinha o Espírito, orou unânime, e o Espírito foi derramado em Sua plenitude.</p>
<p>O Pentecoste nos mostra quão grandiosa é a bênção decorrente de uma Igreja unânime em oração. Milhares foram batizados, a Igreja cresceu, prosperou e testemunhou de Cristo: em Jerusalém, na Judéia e Samaria e até os confins da terra, conforme a promessa de Jesus em At 1.8.<br />
Às vezes, no curso da História da Igreja, houve momentos em que nos é difícil ver a ação do Espírito Santo de Deus. Em alguns períodos parecerá que toda a Igreja abandonou por completo a fé bíblica. Contudo, devemos nos lembrar que a História da Igreja é também a história dos atos de pessoas pecadoras como nós e, se abrirmos bem os nossos olhos, e olharmos para a História com os óculos da fé, veremos que, nos momentos mais escuros da história eclesiástica, nunca faltaram aqueles que preservaram a chama santa e ajudaram a conduzir a Igreja no caminho certo. E dentre os que preservaram a fé certamente estão inseridos os reformadores do século XVI.</p>
<p>No início do século XIV, apesar das vozes de protesto dos verdadeiros crentes, a liderança da Igreja Romana teimava em manter a Arca da Fé fora dos rumos estabelecidos pelas Sagradas Escrituras. Diante de tal situação, surgiram vozes de protesto, propugnando por uma reforma na Igreja. Essas vozes ou foram insuficientes ou foram caladas pela fogueira. Mas o Deus Todo-Poderoso, por sua Providência, tal como já havia operado por ocasião da vinda de Cristo, criou as condições necessárias para que a Reforma pudesse subsistir.</p>
<p>Assim é, como diz João Calvino no livro IV das Institutas, quando necessário, Deus pode suscitar apóstolos e evangelistas para intervir soberanamente na vida da Igreja. Para Calvino, o grande reformador Martinho Lutero é um exemplo típico de apóstolo de Jesus Cristo, e através de quem a pureza do Evangelho recuperou a sua honra.<br />
Lutero, em 1505, com 22 anos, resolveu tornar-se um monge agostiniano. Sua justificativa para tal ato foi a de que o caminho mais adequado para a salvação era através da vida monástica.</p>
<p>Mas, no convento, Lutero não encontrou a paz de espírito desejada. O sentimento de culpa pelo pecado e a sensação de estar sempre debaixo da ira divina fez com que ele se excedesse em jejuns, vigílias e flagelações; além do quê, procurava seu confessor a toda hora. Em 1512, para tentar minorar a angústia do futuro reformador, seu superior, Staupitz, mandou que ele fosse lecionar Filosofia e Teologia na nova universidade de Wittenberg, recebendo, para o exercício do cargo, o título acadêmico de doutor em teologia.<br />
No ano seguinte, enquanto lia a Carta aos Romanos, Lutero deparou-se com o texto &#8220;O justo viverá por fé&#8221; (Rm 1.17 b) e concluiu que a &#8220;justiça de Deus&#8221; não se refere ao fato de que Deus castigue os pecadores; mas, que a justiça do justo não é obra sua, mas um dom ou dádiva de Deus.</p>
<p>O crente vive pela fé, não porque seja justo em si mesmo, ou porque cumpra as exigências da justiça divina, mas porque Deus lhe dá esse dom. A fé não é uma qualidade do homem, pela qual ele mereça uma recompensa da parte de Deus.<br />
A justificação pela fé, pela qual o homem recebe o perdão gratuito de Deus, não pressupõe a indiferença de Deus diante do pecado. Pelo contrário, Deus é santo, e o pecado lhe causa repugnância. O cristão é, ao mesmo tempo, justo e pecador. Ele não deixa de ser pecador quando é justificado. Pelo contrário, quem recebe a justificação pela fé descobre, em si mesmo, o quanto é pecador, e não por ser justificado é que deixa de pecar. Finalmente, a justificação não é ausência do pecado, mas o fato de que Deus nos declara justos ainda que em meio ao nosso pecado. Esta é a verdade da justificação pela fé; e contra esta verdade, e acima dela, pairava o ensino da igreja romana que o homem pode alcançar a salvação pelas obras.</p>
<p>Nessa época, Lutero ainda não tinha percebido que sua grande descoberta se opunha a todo o sistema de penitências da Igreja Católica.<br />
Por mais de quatro anos, Lutero trabalhou em Wittenberg sem romper com a igreja. Até que, em 1517, apareceu, nas cercanias da cidade, um homem chamado João Tetzel, enviado para vender indulgências emitidas pelo papa. Tetzel afirmava, entre outras coisas, que os aqueles que comprassem as indulgências por ele vendidas, ficariam mais limpos que Adão antes de pecar. Essas indulgências, em última análise, ofereciam diminuição das penas do purgatório, até para os parentes já mortos (&#8220;tão pronto a moeda caísse no cofre, a alma saía do purgatório&#8221;). Ao saber do fato, Lutero se indignou, uma vez que o tráfico das indulgências estava desviando o povo do ensino a respeito de Deus e do pecado, enfraquecendo seriamente a vida moral do povo. Decidiu, então, enfrentar tão grande erro e abuso.</p>
<p>Nas universidades medievais, era costume apor-se, em lugares públicos, a defesa ou ataque de certas opiniões. Esses escritos eram chamados de &#8220;teses&#8221;, nas quais se debatiam as idéias e se convidavam todos os interessados para uma discussão acadêmica. No dia 31 de outubro de 1517, véspera do dia de Todos os Santos, quando muita gente comparecia à igreja do castelo de Wittenberg, Lutero afixou, nas portas dessa igreja, 95 teses que deviam servir de base para um debate acadêmico, onde atacou principalmente a prática das indulgências, declarando que estas não tinham poder para remover a culpa ou afetar a situação das almas no purgatório; e que o cristão arrependido tinha o perdão vindo diretamente de Deus. Segundo Lutero, se era verdade que o papa tinha poderes para tirar uma alma do purgatório, ele tinha que utilizar esse poder, não por razões triviais como a necessidade de fundos para construir uma igreja, mas simplesmente por amor, e assim fazê-lo gratuitamente (tese 82).</p>
<p>A venda de indulgências que Lutero atacou havia sido autorizada pelo papa, em troca de que a metade do produto fosse enviada para os cofres da Igreja. Com esse dinheiro, o papa Leão X sonhava com o término da Basílica de São Pedro. Sobre este assunto Lutero ainda declarou: &#8220;&#8230; o certo é que o papa deveria dar o seu próprio dinheiro aos pobres de quem os vendedores de indulgências tiravam, mesmo que para isso tivesse que vender a Basílica de São Pedro&#8221; (tese 51). A grande basílica, que é hoje o orgulho da Igreja romana, foi uma das causas indiretas da reforma protestante.<br />
As teses negavam, ainda, o pretenso poder de a igreja de ser mediadora entre o homem e Deus e de conferir perdão aos pecadores. A resposta da Igreja Romana foi rápida e violenta, visto que Lutero havia mexido em uma das maiores fontes de receita da Igreja.</p>
<p>Diante das teses e da repercussão que elas alcançaram, o papa intimou Lutero a comparecer a Roma para se justificar. Ora, isso significaria morte certa. Lutero não escaparia da fogueira. Por providência divina, o Eleitor da Saxônia protegeu seu súdito, ordenando que o caso fosse discutido na Alemanha. No debate que se seguiu, Lutero foi mais longe ainda, declarando que o papa não tinha autoridade divina e que os concílios eclesiásticos não eram infalíveis. Essas afirmações configuraram um rompimento definitivo com a Igreja Católica Romana.<br />
Aberta assim a luta, o Reformador prosseguiu sem temor, agindo com muita rapidez. O que mais chocou a Igreja Católica foi sua afirmativa de que nem o papa, nem os sacerdotes tinham poderes sobrenaturais. Ora, caso essa idéia encontrasse apoio e adesão, a Igreja sofreria um tremendo golpe em sua autoridade. E Isso aconteceu. Essa é a razão pela qual Lutero é, ainda hoje, considerado, por alguns setores mais ortodoxos da Igreja Católica, como o herege destruidor da unidade da Igreja, um javali selvagem que penetrou na vinha do Senhor (bula &#8220;exsurge domine). Lutero passou então a provar que todos os cristãos são sacerdotes, tendo acesso à presença de Deus mediante a fé em Cristo. Negou que somente o papa pudesse interpretar as Escrituras. Estas, disse ele, podiam ser interpretadas por qualquer crente sincero.</p>
<p>Em vista de suas afirmações, o povo viu que qualquer pessoa podia ser verdadeiramente cristã sem ter a necessidade de prestar obediência ao papa.<br />
Como era de se esperar, Lutero foi excomungado pelo papa, mas esse ato só seria tornado efetivo após a aprovação pelo parlamento alemão, chamado &#8220;Dieta&#8221;, que foi convocado para se reunir, em 1521, na cidade de Worms. Na Dieta, Lutero foi instado pelo imperador a se retratar de seus atos e livros que escrevera, ao que respondeu: &#8220;É impossível retratar-me, a não ser que me provem que estou errado, pelo testemunho das Escrituras&#8230; Minha consciência está alicerçada na Palavra de Deus. Assim Deus me ajude. Amém&#8221;. Diante das palavras de Lutero, houve grande confusão. De um lado, os partidários do papa, que gritavam: &#8220;à fogueira com ele&#8221;; e de outro, seus compatriotas alemães fizeram um escudo humano para protegê-lo, retirando-o do ambiente. O Parlamento decretou Lutero fora da lei e a destruição de seus escritos, mas os alemães o protegeram, escondendo-o em um castelo amigo. Durante o período em que esteve recluso, Lutero aproveitou para traduzir a Bíblia para o alemão, cujas cópias foram colocadas nos bancos das igrejas. Os dotes musicais de Lutero o impeliram a redigir, baseado no salmo 46, a letra daquele que viria a ser o hino da Reforma: &#8220;Castelo Forte é o Nosso Deus&#8221;</p>
<p>Lutero fez da Palavra de Deus o ponto de partida e a autoridade final de sua teologia. Como professor das Sagradas Escrituras, a Bíblia tinha para ele grande importância. A Palavra de Deus, na realidade, transcendia o revelado na Bíblia, pois ela é nada menos que Deus mesmo, a segunda pessoa da Trindade, o Verbo que se fez carne e habitou entre nós (Cf. Jo 1). Sim, essa Palavra se encarnou em Jesus Cristo, que, por sua vez, é a revelação máxima de Deus e sua máxima ação. Em Jesus, Deus se nos deu a conhecer e, como Cristo, venceu os poderes do maligno, que nos sujeitavam. A revelação de Deus é também a vitória de Deus. A Bíblia é, então, a Palavra de Deus porque nela Jesus Cristo chega até nós.<br />
Para Lutero, a autoridade final está no Evangelho, na mensagem de Jesus Cristo, que é a Palavra de Deus encarnada. Visto que a Bíblia dá um testemunho mais fidedigno desse Evangelho do que a igreja corrompida do papa, a Bíblia tem autoridade sobre a Igreja.</p>
<p>A teologia de Lutero nos diz ainda que é possível ter certo conhecimento de Deus por meios puramente racionais ou naturais. Este conhecimento permite ao ser humano saber que Deus existe, e distinguir entre o bem e o mal. Porém, esse não é o verdadeiro conhecimento de Deus. A Deus não se conhece como quem usa uma escada para subir ao telhado. Todos os esforços da mente humana para elevar-se ao céu e conhecer a Deus são totalmente inúteis. Esses esforços nos conduzem à teologia da Glória. Tal teologia pretende ver Deus como ele é, em sua própria glória, sem ter em conta a enorme distância que separa o ser humano de Deus. O que a teologia da glória faz, no final das contas, é pretender ver a Deus naquelas coisas que nós humanos consideramos mais valiosas e, portanto, fala do poder de Deus, da glória de Deus, da bondade de Deus.</p>
<p>Porém, tudo isto não é mais do que fazer Deus à nossa própria imagem e pretender que Deus seja como nós mesmos desejamos que Ele seja. O fato é que Deus, em Sua revelação, se nos dá a conhecer de um modo muito distinto. A suprema revelação de Deus tem lugar na cruz de Cristo e, portanto, em lugar da teologia da glória, é necessário que o crente siga o caminho da teologia da cruz. O que essa teologia busca é ver Deus, não onde nós queremos vê-Lo, nem como nós desejamos que Ele seja, mas sim onde Deus se revela, e como Ele mesmo se revela, isso é, na cruz. Ali, Deus se manifestou na debilidade, no sofrimento e no escândalo. Ou seja, Deus atua de modo radicalmente distinto do que se poderia esperar. Deus, na cruz, destrói todas as nossas idéias pré-concebidas da glória divina.<br />
Apesar de seu protesto contra as doutrinas comumente aceitas, e de sua rebeldia contra as autoridades da igreja romana, Lutero sempre pensou que a Igreja era parte essencial da religião cristã, repetindo o aforismo de Cipriano de Cartago (Extra ecclesia, nula salus – fora da igreja, não há salvação). Em sua eclesiologia, a communio sanctorum ou comunhão dos santos, preconizada pelo Credo dos Apóstolos, não contemplava apenas uma comunhão direta do indivíduo com Deus, mas uma vida cristã no meio de uma comunidade de fiéis.</p>
<p>Lutero também combateu o clericalismo na Igreja, pois a Escritura diz que todos os cristãos são sacerdotes (cf. 1 Pe 2.9), podendo, assim, comunicar-se, pela oração, diretamente com o Criador. Mas, isto não quer dizer que cada crente deva isolar-se em si mesmo; pois o ser sacerdote não contempla somente uma relação interpessoal homem-Cristo. O sacerdócio do crente é universal, ou seja, cada crente é sacerdote de seu irmão, estando capacitado a se apresentar diante de Deus para orar por seus irmãos em Cristo e para lhes ensinar as maravilhas do Evangelho. Este sacerdócio comum de todos em benefício de todos une a igreja, pois nenhum cristão pode dizer que é cristão sem aceitar a honra e a responsabilidade do sacerdócio.</p>
<p>Mas, em contraposição ao citado benefício e privilégio, há a responsabilidade e o serviço decorrente. A unidade e igualdade em Cristo devem ser demonstradas pelo amor mútuo e cuidado de uns pelos outros. Isso implica que ninguém pode ser um cristão sozinho. Assim como uma pessoa não pode nascer de si mesmo ou se autobatizar, da mesma forma não se pode servir a Deus sozinho.</p>
<p>Para quem estava acorrentado durante séculos, a liberdade tende a ser confusa e até certo ponto perigosa, porque as pessoas, de uma maneira geral, não têm a justa medida dos limites de sua própria liberdade, ou direito. E isso, na sociedade medieval, gerou muitos conflitos, alguns dos quais enfraqueceram politicamente a Reforma.<br />
Em 1529, tendo recebido reforços daqueles que desistiram, por medo, de apoiar a Reforma, reuniu-se, na cidade de Spira, nova Dieta, para deliberar sobre os últimos acontecimentos que agitavam a nação alemã. A maioria católica decidiu pelo impedimento de qualquer propaganda da Reforma. Contra isso, os do partido de Lutero protestaram, razão pela qual, daí por diante, os seguidores da Reforma são geralmente chamados de &#8220;Protestantes&#8221;.</p>
<p>No ano seguinte, em Augsburgo, os reformados luteranos expuseram sua teologia, através de uma Confissão, que é considerada a Carta Magna da Reforma Luterana, da qual podemos extrair cinco princípios básicos: 1) só a <a href="http://www.missaoreformada.com/portal/wp-content/uploads/2010/01/John_Calvin1.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-322" title="John_Calvin" src="http://www.missaoreformada.com/portal/wp-content/uploads/2010/01/John_Calvin1-215x300.jpg" alt="" width="215" height="300" /></a>Escritura, 2) só a Fé, 3) só Cristo, 4) só a Graça e 5) Sacerdócio Universal. A ordem conforme foram apresentados não indica uma maior importância de um sobre os demais, visto que cada um deles tem a ver com os desvios ou erros em que a Igreja Católica havia incidido ao longo de mil e quinhentos anos.</p>
<p>A Dieta de Augsburgo deu um ultimato aos protestantes, o que valeu por uma declaração de guerra, que finalmente eclodiu em 1546, pouco depois da morte de Lutero, que faleceu aos sessenta e três anos.<br />
Ao olharmos para a Reforma com os olhos da fé e não com a ótica do século, como alguns líderes evangélicos hoje o fazem, à luz da influência de livros de história geral, os quais estão impregnados de doutrinas sociais e econômicas, a entendemos como tendo sido um movimento essencialmente religioso. Não há dúvida de que sempre houve uma semente santa na Igreja, mantida pelo Espírito Santo, o toco a que se refere o profeta Isaías (Is 6.13). Esse toco contém uma brasa eterna, o Corpo de Cristo.</p>
<p>A Reforma foi um reavivamento dessa brasa, cuja chama de testemunho se espalhou por toda a terra. Mas uma coisa fica bem clara: a reforma não se produziu porque Lutero, Zuínglio e Calvino, os principais reformadores do século XVI, se propuseram a isso, mas porque chegou o momento oportuno de Deus.<br />
Hoje, nós, os filhos da Reforma, estamos comemorando 486 anos. Ao longo de nossa história houve momentos de plena obediência a Deus e Sua Palavra, assim como períodos de ênfase excessiva em valores puramente humanos. Épocas em que setores do protestantismo, por influência de doutrinas deletérias racionalistas, se afastaram dos ideais dos reformadores, a ponto de romper com uma das essências da fé cristã que é a crença na divindade de Cristo. Doutrinas estranhas à Palavra de Deus, à toda hora estão batendo à nossa porta. Cabe a nós, os atalaias da fé reformada, vigiar e orar, para que o inimigo de nossas almas não nos pegue desprevenidos e nos peneire. Nos dias atuais, mais do que nunca, é preciso que nos mantenhamos fiéis ao aforismo de autoria do reformado holandês Gisbertus Voetius, à época do Sínodo de Dort: &#8220;Ecclesia reformata, semper reformanda&#8221;, que muitos têm traduzido equivocadamente, mas que quer dizer: Igreja Reformada sempre se mantendo fiel aos princípios da Reforma.</p>
<p>Que as comemorações do dia da Reforma nos façam sempre relembrar que ela, à luz da Palavra de &#8220;Deus, estabeleceu princípios, não costumes, e que esses princípios não podem nem dever ser levianamente considerados pela igreja que se diz reformada. Mantenhamos, pois, a sã doutrina dos reformadores, reverenciando aqueles apóstolos de Jesus Cristo, por meio de quem a pureza do Evangelho recuperou a sua honra. E que Deus nos abençoe. Amém.</p>
<p>*Pb. José Roberto Costanza é professor no Seminário Teológico Presbiteriano do Rio de Janeiro</p>
<p>Anderson Queiroz</p>
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		<title>Biografia de João Calvino</title>
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		<pubDate>Sun, 10 Jan 2010 16:12:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anderson Queiroz</dc:creator>
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João Calvino (que é o aportuguesamento de Jean Cauvin, dito Calvin) (10 de Julho de 1509 &#8211; 27 de Maio de 1564) fundou o Calvinismo, uma forma de Protestantismo cristão, durante a Reforma Protestante. Esta variante do Protestantismo seria bem sucedida em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>João Calvino (10 de Julho de 1509 &#8211; 27 de Maio de 1564) </strong></p>
<p>João Calvino (que é o aportuguesamento de Jean Cauvin, dito Calvin) (10 de Julho de 1509 &#8211; 27 de Maio de 1564) fundou o Calvinismo, uma forma de Protestantismo cristão, durante a Reforma Protestante. Esta variante do Protestantismo seria bem sucedida em países como a Suíça (país de origem), <a href="http://www.missaoreformada.com/portal/wp-content/uploads/2010/01/John_Calvin.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-317" title="John_Calvin" src="http://www.missaoreformada.com/portal/wp-content/uploads/2010/01/John_Calvin-215x300.jpg" alt="" width="215" height="300" /></a>Países Baixos, África do Sul (entre os Afrikaners), Inglaterra, Escócia e EUA. Nasceu em Noyon, Picardia, França, com o nome de Jean Cauvin. A transposição do nome &#8220;Cauvin&#8221; para o Latim (Calvinus) deu a origem ao nome &#8220;Calvin&#8221; pelo qual ele é conhecido. Calvino foi inicialmente um humanista. Nunca foi ordenado sacerdote. Depois do seu afastamento da Igreja católica, este intelectual começou a ser visto, gradualmente, como a voz do movimento protestante, orando em igrejas e acabando por ser reconhecido por muitos como &#8220;padre&#8221;.</p>
<p>Vítima das perseguições aos protestantes na França, fugiu para Genebra em 1536, onde faleceu em 1564. Genebra tornou-se definitivamente num centro do protestantismo Europeu e João Calvino permanece até hoje uma figura central da história da cidade e da Suíça. Martinho Lutero escreveu as suas 95 teses em 1517, quando Calvino tinha 8 anos de idade. Para muitos, Calvino terá sido para a língua francesa aquilo que Lutero foi para a língua alemã &#8211; uma figura quase paternal.</p>
<p>Lutero era dotado de uma retórica mais directa, por vezes grosseira, enquanto que Calvino tinha um estilo de pensamento mais refinado e geométrico, quase de filigrana. Citando Bernard Cottret, biógrafo (francês) de Calvino: &#8220;Quando se observa estes dois homens podia-se dizer que cada um deles se insere já num imaginário nacional: Lutero o defensor das liberdades germânicas, o qual se dirige com palavras arrojadas aos senhores feudais da nação alemã; Calvino, o filósofo pré-cartesiano, percursor da língua francesa, de uma severidade clássica, que se identifica pela clareza do estilo&#8221;.</p>
<p><strong>Nyon</strong></p>
<p>O avô de João Calvino trabalhava numa cantina em Point-l&#8217;Évêque, nas proximidades de Noyon. Teve três filhos: Richard, que foi serralheiro e se instalou em Paris, Jacques, igualmente serralheiro e, finalmente, Girard Cauvin, pai de João Calvino, que foi aquele que talvez mais se destacou dos três, tendo feito carreira em Nyon como funcionário administrativo. Girard Cauvin estabeleceu-se em Noyon em 1481. Foi inicialmente um simples secretário da chancelaria. Seria, depois, advogado representante do bispado de Nyon; mais tarde, funcionário relacionado com a cobrança de impostos e, finalmente, o promotor (representante) do bispado, antes de entrar em conflito com este. Faleceu em 1531 após uma disputa com o bispado, pela qual foi excomungado. A autorização para o seu funeral seria deveras dificultada devido a esta querela. A mãe de Calvino, Jeanne Le Franc, de seu nome de solteira, era filha de um dono<br />
de uma hospedaria em Cambrai, que tinha enriquecido. Jeanne faleceu em 1515, quando João Calvino tinha apenas 6 anos de idade.</p>
<p><strong>Girard e Jeanne tiveram quatro filhos:</strong></p>
<p>Charles, o mais velho, foi padre. Faleceu em 1536.<br />
João Calvino. Antoine &#8211; Iria mais tarde viver em Genebra, junto do irmão.<br />
François &#8211; Morreu ainda em tenra idade.</p>
<p>Haveria ainda duas irmãs, que nasceram do segundo casamento de Girard. Uma chamou-se Maria e iria também viver em Genebra. Da outra irmã sabe-se pouco. João Calvino nasce a 10 de julho de 1509, nos últimos anos do reinado de Luís XII. Freqüentou inicialmente o &#8220;Collège des Capettes&#8221; em Nyon, onde adquiriu conhecimentos básicos de latim. Em 1 de Janeiro de 1515 o rei Francisco I de França (François, roi des françois), sucedeu a Luís XII. Inicialmente moderado em matéria de religião, a postura deste rei foi endurecendo ao longo do seu reinado, terminando na perseguição declarada dos protestantes. Pela Concordata de Bolonha, assinada no início do seu reinado, o papa Leão X concedia ao rei da França o direito a nomear os titulares dos rendimentos da igreja. Em contrapartida, o Papa via reforçados os seus direitos sobre a Igreja em França.<br />
<strong><br />
Paris</strong></p>
<p><strong> </strong>Em 1521, com 12 anos, João Calvino ganhou o direito a uma &#8220;benefice&#8221;, ou seja, um rendimento anual que era concedido a elementos e familiares da hierarquia da igreja. No seu caso, consistia numa determinada quantia anual de<br />
cereais pagos por uma comunidade de La Gésine.</p>
<p>Em 1521 ou 1523 (data incerta) o pai enviou-o para a Paris. Terá provavelmente vivido inicialmente com o tio Richard, na zona de Sain-Germain-l&#8217;Auxerrois. Calvino começa por frequentar o College de la Marche, onde foi aluno de Maturin<br />
Cordier, um grande pedagogo do tempo. Estabeleceu, aí, amizade com as crianças da família d&#8217;Hangest, do bispo de Nyon, que se assumia, de certa forma, como protetor dos Cauvins. Os seus amigos eram Joachin, Yves e Claude, a quem mais tarde dedicaria o seu comentário a &#8220;De Clementia&#8221; de Séneca, um autor conhecido pelo seu estoicismo.</p>
<p>Foi, de seguida, admitido no Collège Montaigu, uma escola de má reputação, conhecida pela sua rigidez, pelas sovas e má comida. A lista de professores em Montaigu, nesta época, incluía o espanhol Antonio Coronel e o escocês John Mair<br />
(que foi professor de Inácio de Loyola), mas não há provas definitivas de que eles tenham sido professores de Calvino. Em fevereiro de 1525, o rei Francisco I foi encarcerado temporariamente em Pavia pelas tropas do imperador Carlos V. Com a intervenção do papa Clemente VII a favor de Francisco, a influência papal junto do rei de França aumenta consideravelmente. Numa bula de 17 de Maio de 1525 dirige-se a Francisco para que tome providências contra o crescente número de &#8220;blasfemos&#8221; em França e contra os ataques a imagens religiosas. Em 1 de Junho de 1528 teve lugar em Paris o caso da Rue des Roisiers. Uma figura de madeira situada nessa rua (uma madona) foi decapitada por desconhecidos. O rei reage de forma veemente, organizando procissões, que passaram a ser repetidas anualmente.<br />
O incidente ainda era lembrado no século XIX.</p>
<p><strong>Orleães<br />
</strong><br />
Em 1529, pouco antes de atingir os vinte anos de idade, a vida de Calvino sofreu uma súbita viragem. Tendo vindo inicialmente para Paris com uma renda anual concedida pela Igreja, com o fim de estudar Teologia, ficará a saber que o pai mudou de planos em relação ao seu futuro e quer que ele siga Direito. A &#8220;ciência das leis torna normalmente ricos aqueles que se debatem com ela&#8221;, referia o seu pai (ele próprio um advogado do bispado), segundo as próprias palavras de Calvino. Cumpriu a vontade do pai e foi estudar Direito para Orleães, mas nunca deixou de preferir a teologia. Como disse mais tarde: &#8220;Se Deus me deu forças para que eu cumprisse a vontade de meu pai, determinou ele pela providência oculta que eu tomasse finalmente um outro caminho&#8221; (o da Teologia). Inicialmente Calvino preparava-se para ser padre, enveredaria pelo estudo do direito, mas Deus trouxe-o de novo ao caminho da Teologia.</p>
<p>O biógrafo francês de Calvino, Bernard Cottret, escreve: &#8220;Direito e leis: Calvino, o teólogo, é no fim, também, Calvino, o jurista. O seu pensamento fica marcado pela austeridade, a adstringência e a geometria da lei, pelo seu fascínio ou aspiração a ela. No início do século XVI assiste-se no Direito a uma verdadeira revolução. A retórica de Cícero toma a primazia sobre a filosofia medieval, que se sustenta nos seus silogismos. Com a interpretação de textos jurídicos, Calvino toma contacto pela primeira vez com a Filologia humanista&#8221;. O humanismo e o renascimento são, pois, os movimentos culturais que o vão influenciar em primeiro lugar.</p>
<p>Em Orleães, Calvino foi influenciado pelo seu professor Pierre de l&#8217;Estoile. Em 1529, dirige-se também a Bourges, para assistir a aulas do famoso professor de direito italiano Andrea Alciati, onde também assiste a aulas do alemão Gräzist<br />
Wolmar, que o entusiasmou pela literatura grega da antiguidade. Em 1529, Louis de Berquin foi queimado vivo em Paris, numa altura em que o rei, Francisco, estava fora da cidade.</p>
<p>Em 1531, Calvino, num prefácio ao livro de um amigo, toma partido pelo seu professor Pierre de l&#8217;Estoile num texto que explora a disputa entre este e Andrea Alciati, talvez por lealdade e nacionalismo. O que prova que o Calvino de<br />
1531 ainda não é um reformador mas, acima de tudo, um humanista. Neste mesmo ano morre o pai, Gerard Cauvin. Calvino vai a Bourges, a Orleães e regressa de novo a Paris, onde se instala em Chaillot.</p>
<p>O humanista Erasmo de Roterdão também se interessou pela obra de SénecaEm 1532, foi doutorado em Direito em Orleães. O seu primeiro trabalho publicado foi um comentário sobre o texto do filósofo romano Séneca &#8220;De Clementia&#8221;. Calvino cobre os custos da publicação do livro com dinheiro do seu próprio bolso. Aos 23 anos era já um famoso humanista, seguindo os passos de Erasmo de Roterdão, que também oscreveu sobre Séneca nestes anos. Em &#8220;De Clementia&#8221; não há da parte de Calvino uma alusão explicitamente religiosa. É antes uma obra que reflecte o estoicismo de Séneca e a predestinação no sentido estóico. Séneca escrevera o texto como forma de apelar Nero à moderação e à razão.</p>
<p>Até 1532 não há, como se viu, qualquer indício de que Calvino tenha aderido à nova fé &#8211; nos seus diferentes focos e graus que surgem pela Europa &#8211; onde o Luteranismo surge como um movimento mais moderado e os anabaptistas como uma força mais radical.</p>
<p>A conversão de Calvino ao protestantismo permanece envolta em mistério. Sabe-se apenas que ela se deu entre 1532 e 1533 (Calvino tem 23 ou 24 anos). Um texto escrito por Calvino em 1557 como prefácio ao seu comentário sobre os salmos oferece-nos alguns parcos pormenores: &#8220;Após tomar conhecimento da verdadeira fé e de lhe ter tomado o gosto, apossou-se de mim um tal zelo e vontade de avançar mais profundamente, de tal modo que apesar de eu não ter prescindido dos outros estudos, passei a ocupar-me menos com eles. Fiquei estupefato, quando antes mesmo do fim do ano, todos aqueles que desejavam conhecer a verdadeira fé me procuravam e queriam aprender comigo &#8211; eu, que ainda estava apenas no início! Pela minha parte, por natureza algo tímido, sempre preferi o sossego e permanecer discreto, de modo que comecei a procurar um pequeno refúgio que me permitisse recolher dos Homens. Mas, pelo<br />
contrário, todos os meus refúgios se tornavam em escolas públicas. Em resumo, apesar de eu sempre ter pretendido viver incógnito, Deus guiou-me por tais caminhos, onde não encontrei sossego, até que ele me puxou para a luz forte,<br />
contrariando o meu caráter, e como se costuma dizer, me colocou em jogo. E, na verdade, deixei a França e dirigi-me para a Alemanha para que ali pudesse viver em local desconhecido, incógnito, como sempre tinha desejado.&#8221;</p>
<p>Note-se que a França e Alemanha não existiam no sentido de hoje mas sim em termos de zonas de língua francófona ou alemã. Entretanto, o papa Clemente VII pressionava o rei de França a reprimir os protestantes franceses. Em bulas de 30 de Agosto de 1533 e de 10 de Novembro do mesmo ano, o papa exortava à &#8220;aniquilação da heresia Luterana e de outras seitas que ganham influência neste reino&#8221;. Os dois encontram-se, então, nesse mesmo ano, em Marselha, onde discutem entre outras coisas a &#8220;guerra contra os turcos, lá fora, e a repressão das heresias cá dentro&#8221;.</p>
<p><strong>O discurso de Nicolas Cop<br />
</strong><br />
A 1 de Novembro de 1533, o novo reitor da Universidade de Paris, o humanista Nicolas Cop, proferiu um discurso de abertura do ano letivo na Igreja dos Franciscanos, em Paris, frente aos mais altos representantes das 4 faculdades:<br />
Teologia, Direito, Medicina e Artes. O seu discurso fazia eco de temas facilmente associados à nova teologia da reforma. Nesse discurso, Nicolas fez, particularmente, o paralelismo entre a perseguição aos primeiros cristãos e a<br />
que ocorria agora, século XVI, na França, e que visava os cristãos protestantes. Argumentava: Não eram também chamados de heréticos os primeiros seguidores do cristianismo? O resultado foi a perseguição do próprio Nicolas Cop, que teve de se refugiar em Basiléia.</p>
<p>Simultaneamente, João Calvino fogia também de Paris. O seu quarto no Collège de Fortet é revistado, e seus papéis e correspondência são confiscados. Calvino encontra refúgio em Angoulême, em casa do seu amigo Du Tillet. Não foi até hoje esclarecido completamente o que se passou. Encontrou-se, contudo, em Genebra, um fragmento do discurso de Nicolas Cop, escrito pela mão de Calvino. O documento original completo encontra-se em Estrasburgo. Foi levantada a tese de que Calvino poderia, pelo menos, ter participado na elaboração do discurso. Calvino permanece em Angoulême até Abril de 1534, altura em que se dirige a Nérac, onde se encontra com Lefèvre d&#8217;Étaples. Regressa depois a Noyon, onde em Maio de 1534 renuncia às suas &#8220;benefices&#8221;. Volta, então, a Paris e a Orleães.</p>
<p><strong>A Psychopannychia<br />
</strong><br />
Em 1534, Calvino escreve o seu segundo livro, que será também o primeiro sobre religião. Chamar-se-á Psychopannychia&#8221; e é relativamente pouco conhecido, em comparação com as outras obras de Calvino. Calvino faz uma crítica severa aos anabaptistas, que acusa de serem uma seita tresmalhada. O livro coloca questões teológicas, mais do que oferecer respostas. Calvino, nos seus 24 anos de idade, está em processo de busca. Defende a imortalidade da alma. O título completo era: &#8220;Psychopannychia &#8211; tratado pelo qual se prova que as almas permanecem vigilantes e vivas uma vez que tenham deixado os corpos, o que contraria o erro de alguns ignorantes que sustentam que elas dormem até ao último momento&#8221; &#8211; o que é, também, um ataque aos anabaptistas. Apesar de escrito em 1534, o livro<br />
seria apenas publicado em 1542.</p>
<p><strong>O caso dos cartazes de 1534<br />
</strong><br />
Em 18 de Outubro de 1534, a história do protestantismo francês vive um dos seus momentos fulcrais, com o caso dos cartazes. Cartazes de 37 por 25 cm que criticam a celebração da missa tal como ela é feita oficialmente pela Igreja<br />
católica são afixados em vários locais. É particularmente atacada a repetição cerimonial da morte de Cristo, simbólica, no altar. Se o sacrifício já foi consumado, por que se apoderam os sacerdotes católicos deste ritual simbólico?<br />
Os argumentos teológicos dos protestantes fundamentam-se na Epístola de São Paulo aos Hebreus. A propaganda protestante pretende transmitir a idéia de que a eucaristia é uma blasfémia, uma vez que a morte de Cristo não se deixa repetir. Esta demanda foi o resultado da ação de Antoine Marcourt, Pastor de Neuchâtel, também ele um natural da Picardia. A situação tornou-se particularmente crítica e descambou numa reação brutal por parte da Igreja católica e do estado francês. Protestantes franceses seriam encarcerados e assassinados. Em Janeiro de 1535, o rei Francisco I organiza uma procissão macabra pelas ruas de Paris. A procissão pára em 6 locais distintos. Em cada uma das paragens há um pódio onde o rei, os embaixadores e dignos membros do &#8220;parlement&#8221; se instalam para assistir à morte pela fogueira de 6 &#8220;heréticos&#8221; envolvidos no caso dos cartazes do ano anterior.</p>
<p><strong>Basileia</strong></p>
<p>Emblema da cidade de Basiléia Em Janeiro de 1535, Calvino dirige-se a (ou foge para ?) Basiléia, cidade onde vive até Março de 1536. Uma cidade conhecida por ter sido o lar de Erasmo de Roterdão e do reformador Johannes Oekolampad, falecido em 1531, sendo o seu seguidor Oswald Mykonius.</p>
<p><strong>A tradução da bíblia de Olivétan<br />
</strong><br />
Em 1535 é publicada a primeira bíblia escrita por um protestante, em francês. Tratava-se de uma tradução directa do Hebraico (o antigo testamento) e do Grego (o novo testamento) &#8211; línguas originais das escrituras &#8211; e não das versões então em uso, em latim. Algo totalmente natural no século do humanismo e de Erasmo de Roterdão. O autor é Olivétan, aliás Pierre Robert (1506-1538), primo de João Calvino e proveniente também de Noyon. Foi publicada em Neuchâtel por Pierre de Vingle. Apesar de Pierre Robert ter demonstrado um bom conhecimento de Hebraico e Grego, o seu estilo de escrita foi considerado de difícil compreensão, além de uma certa falta de fluidez discursiva. O texto seria revisto (com a colaboração de Calvino) e publicado novamente em 1546.</p>
<p><strong>O Édito de Coucy<br />
</strong><br />
Em 16 de Julho de 1535, o rei Francisco I faz publicar o Édito de Coucy, uma medida de contemporização para com os protestantes e que corresponde também a uma nova guerra de Francisco I contra Carlos V (Guerra de 1535-1538).<br />
Necessitando do apoio dos protestantes alemães para o esforço de guerra e não convinha, necessariamente, perseguir os &#8220;Luteranos&#8221; em França. É prometido que se deixarão os protestantes em paz desde que vivam como &#8220;bons cristão&#8221; e renunciem à sua fé. Mas, em Dezembro de 1538, o Édito de Coucy é suspenso e as perseguições aos protestantes retomam a intensidade anterior.<br />
<strong><br />
Institutio religionis Christianae</strong></p>
<p>Em Março de 1536 é publicada em Basiléia a primeira edição de &#8220;Institutio religionis Christianae&#8221;. No prefácio menciona a sua estadia em Basiléia, &#8220;enquanto na França são queimados na fogueira crentes e pessoas santas&#8221;. Fala de<br />
santos mártires. Dirige-se no livro ao Rei Francisco I, que procura convencer das boas intenções da reforma. Ao mesmo tempo, a sua teologia começa a adquirir contornos mais marcados e mais autônomos em relação ao Luteranismo. Uma tendência que se fortalecerá no futuro. Critica a vida dos mosteiros, que compara a bordéis. Calvino pretende não só a reforma da Igreja mas de todos os indivíduos. A institutio é &#8220;a organização da sociedade daqueles que acreditam em<br />
Jesus Cristo&#8221;.</p>
<p>Em Março de 1536, Calvino viaja até Ferrara na companhia de Louis Du Tillet. Calvino esperava um acolhimento aberto às idéias protestantes na sua estadia em Ferrara. Enganava-se. Teria de interromper a visita logo em Abril. Foi então até Paris. Mas Calvino não tem futuro em França. Numa carta ao amigo Nicolas Duchemin, compara a sua citação com a dos judeus no Egito. A França era o seu Egito. Queixa-se na mesma carta dos rituais da missa, considerando-os idólatras. Calvino sai definitivamente da França em 1536, procurando terras politicamente independentes da França e de espíritos mais abertos para a reforma. Dirige-se, então, para cidades dos territórios que hoje constituem a Suíça.</p>
<p><strong>A reforma em Genebra<br />
</strong><br />
Genebra é nesta altura já uma cidade de espíritos progressivos e abertos para a reforma protestante. Politicamente, a cidade está desde 1285 sob vassalagem aos condes de Sabóia ou à casa episcopal (ao bispo de Genebra), quase sempre ocupada por um bispo também da casa de Sabóia desde que o papa Félix V (Amadeu VIII de Sabóia) se auto-nomeou bispo da cidade. Na prática, no entanto, Genebra é quase uma cidade-estado, uma república que desde cedo se emancipou na conquista da sua liberdade municipal. Em 1522 inicia-se um conflito entre os pejorativamente<br />
chamados &#8220;mamelucos&#8221;, que são conservadores e partidários da casa de Sabóia e os &#8220;confederados&#8221; (alemão: Eidgenossen; francês: Eidguenot) de onde possivelmente se formará a palavra Huguenotes (francês: huguenot). Estes últimos opõem-se a Sabóia. Em 1524, Karl III, Duque de Savóia, tinha ocupado militarmente Genebra.<br />
Porém, em 1526, Genebra decide-se pela união com Berna e Friburgo, iniciando-se no caminho helvético. A reforma protestante não terá tido um papel determinante neste processo, segundo Cottret. Mas a partir daqui começam a reunir-se em Genebra elementos da Reforma. Em 1533 há a primeira missa protestante de que há conhecimento nesta cidade. São então cunhadas moedas com a inscrição: &#8220;Post tenebras lux&#8221; (após a escuridão, a luz).</p>
<p>O ano de 1536 marca uma viagem a cidade de Genebra. Neste ano, a reforma é adotada oficialmente pela cidade. Os cléricos da igreja católica são intimados a deixar de celebrar a missa como o faziam, com o cerimonial papista e seus abusos (idolatria, aos olhos dos protestantes) e a juntarem-se aos protestantes. Num novo fôlego de zelo religioso, as raparigas são obrigadas a usar o véu, cobrindo os seus cabelos. Já desde 1532 que se registravam ataques e destruições de imagens religiosas, estátuas, figuras, etc. A adoração destas figuras era vista pelos protestantes como idolatria. Há um episódio carismático deste fenômeno: num destes ataques à &#8220;idolatria papista&#8221;, uma multidão apodera-se de cerca de 50 hóstias de um padre, dando-as a comer a cão. &#8220;Se as hóstias pertencem mesmo ao<br />
corpo de Deus, não se irão deixar comer por um cão!&#8221; &#8211; é argumentado. Em Junho de 1536, são abolidos em Genebra, por decisão de um conselho, todos os feriados, exceto os domingos. Todas estas transformações deram-se sem a influência de Calvino. Aliás, ainda nem sequer aí tinha chegado.</p>
<p><strong>Chegada de Calvino a Genebra</strong></p>
<p>Genebra nos dias de hoje, uma das cidades mais ricas do mundo 1536 é também o ano da chegada de Calvino a Genebra. Calvino tem nessa altura 26 anos. Após a estadia em Ferrara, na Primavera de 1536, Calvino tinha estado em Paris, aproveitando-se de um período de relativa calma na perseguição aos protestantes. Tratou de assuntos pessoais e da família. Em junho faz em Paris uma procuração em nome do seu irmão. Em Julho de 1536, João Calvino, pretendendo dirigir-se a Estrasburgo, inicia a viagem, juntamente com o irmão Antoine e a irmã Marie. Em vez de tomar o caminho mais curto, Calvino faz um desvio pelo sul, evitando a área onde a guerra entre as forças de Francisco I e Carlos V são uma ameaça. Por coincidência, Calvino chega a Genebra, onde permaneceu, apesar de ter inicialmente pretendido continuar viagem, o que foi vivamente desaconselhado pelo reformador Guillaume Farel (na altura de 47 anos de idade). O caminho para Estrasburgo encontrava-se inseguro por causa da guerra. A Genebra que Calvino<br />
encontra vive ainda a agitação dos conflitos entre Mamelucos e Confederados. João Calvino já tinha viajado até Estrasburgo durante as guerras otomanas, e passado através dos cantões da Suíça. A quando da sua estadia em Genebra, Guillaume Farel pediu ajuda a Calvino na sua causa pela igreja. Calvino escreveu sobre este pedido: &#8220;senti como se Deus no céu tivesse colocado a sua poderosa mão sobre mim para barrar-me o caminho&#8221;". 18 meses depois, as mudanças de Calvino e Farel levariam à expulsão de ambos.</p>
<p><strong>A disputa teológica de Lausanne<br />
</strong><br />
Entre 1 e 8 de Outubro de 1536, tem lugar na Catedral de Notre-Dame em Lausanne uma disputa teológica entre protestantes e católicos, na qual Calvino e Farel vão participar. Este tipo de conferências de disputa tem por modelo os debates que Ulrich Zwingli tinha organizado em Zurique (1523) e Berna (1528). Do lado católico encontra-se Pierre Caroli, que iria acusar, em Berna, Calvino e Farel de heresia. Calvino é também acusado de arianismo.</p>
<p><strong>A saída atribulada de Genebra<br />
</strong><br />
A 16 de Janeiro de 1537, as autoridades da cidade de Genebra aprovam o documento escrito pelo líder protestante Farell, que se destina a servir de confissão de fé e orientação para todos os habitantes de Genebra. Calvino faz também algumas sugestões, parte das quais são rejeitadas. Cerca de vinte artigos dispõem, entre outras coisas, que os idolatras, querulantes, assassinos, ladrões, bêbados (entre outros) sejam futuramente excomungados. As lojas devem fechar ao domingo, assim que soem os sinos da missa. Estas disposições, apesar de aceites pelas<br />
autoridades vão criar atritos com Farell e Calvino. O estigma da excomunhão é extremamente discriminador e destruidor de relações sociais no século XVI. Em Março, os líderes anabaptistas de origem holandesa Hermann de Gerbihan e Benoît d&#8217;Anglen são expulsos de Genebra, juntamente com os seus seguidores. Em Abril de 1537, por sugestão de Calvino, é constituido um &#8220;syndic&#8221; (síndico) que tem por objectivo ir de casa em casa e inquirir sobre a confissão dos moradores. A ação é contestada. Alguns moradores recusam-se a pronunciar-se sobre a sua fé. Em<br />
junho de 1537 as autoridades de Genebra decidem que o Domingo é o único dia feriado. Futuramente nenhum outro feriado será considerado. 30 de Outubro é definido como o prazo para todos os moradores de Genebra se pronunciarem quanto à sua religião. Aqueles que não reconhecem os decretos de Farell são obrigados a deixar a cidade em 12 de Novembro. Após esta data, a situação complica-se para Farell e Calvino. Particularmente provocante é o fato de um estrangeiro (francês), como Calvino, decidir sobre a excomunhão e expulsão de habitantes naturais de Genebra. As autoridades, perante estes protestos, passam a ser mais críticas para com os líderes protestantes. A 3 de Fevereiro de 1538 são eleitos para as autoridades da cidade de Genebra 4 pessoas que são inimigos de Calvino e dos protestantes. Em Março, estas novas autoridades proíbem Calvino e Farell de se pronunciarem sobre assuntos não religiosos. Calvino e Farell negam-se a celebrar a comunhão de acordo com a tradição de Berna. São proibidos de celebrar a missa. No entanto, no Domingo seguinte, 21 de Abril de 1538, Farell e Calvino celebram a missa como habitualmente, Farell na Igreja de Saint-Gervais e Calvino na de Saint-Pierre. As autoridades dar-lhes-ão três dias para saírem da cidade.</p>
<p><strong>Estrasburgo<br />
</strong><br />
Em 1538, Farell irá refugiar-se em Neuchâtel. Calvino dirige-se a Estrasburgo, após ter inicialmente pretendido ir para Basiléia. Estrasburgo era na altura parte da zona de língua alemã, mas a proximidade da fronteira com a França<br />
significava que ali se tinha desenvolvido uma comunidade de exilados franceses. Tal como em Genebra Farell reconhecera o potencial de Calvino, em Estrasburgo Martin Bucer será o protetor de Calvino. Durante três anos Calvino dirigiu em Estrasburgo uma igreja de protestantes franceses, a convite de Bucer. Segundo o biógrafo Courvoisier, Estrasburgo é a cidade onde Calvino se torna verdadeiramente Calvino. O seu sistema de pensamento é aqui consubstanciado em algo de mais marcadamente original. A sua obra Instituto é aqui re-editada 1539). É agora três vezes maior do que a primeira edição. Em Outubro de 1539, Pierre Caroli chega a Estrasburgo, onde permanece pouco tempo. Caroli e Calvino, inimigos desde há anos, têm uma disputa. Caroli está agora algures entre o catolicismo e o protestantismo. Ele acusa Calvino de o ter confundido na sua fé. Calvino sofre uma crise nervosa. Neste Outono de 1539, Calvino escreve também um comentário à carta de Paulo aos Romanos. Este tema é particularmente querido do<br />
protestantismo, porque ali se encontra a justificação através da fé como a base de sustentação do movimento protestante, pois somente a fé salva e justifica. A igreja é por este prisma mais uma comunidade de crentes do que um enquadramento jurídico. Os sacramentos só recebem o seu sentido através da fé. Sem fé não têm qualquer efeito. Já Lutero tinha destacado a carta de Paulo aos romanos como o cerne do Novo Testamento e o mais alto do evangelho. Em Estrasburgo, Calvino casa-se em Agosto de 1540 com a viúva Idelette de Bure, que tinha sido previamente adepta do anabaptismo. Traz duas crianças do seu prévio casamento. Calvino tem 31 anos de idade. A cerimônia do casamento foi dirigida por Guillaume Farel. Em 1541 a peste negra (ou peste bubônica) recrudesce em Estrasburgo. Idelette e as duas crianças procuram abrigo em casa de um irmão dela, nas redondezas.</p>
<p><strong>Regresso a Genebra<br />
</strong><br />
Após a expulsão de Calvino, Genebra tinha adotado os ritos de Berna. O natal, ascensão de Cristo e outras festividades cristãs voltaram a ser praticadas. Mas os católicos e os anabaptistas continuavam a ser perseguidos e &#8220;convidados&#8221; a<br />
deixar a cidade. A 18 de Março de 1539 o jogo tinha sido proibido em Genebra. Pedintes e vagabundos eram expulsos da cidade. A ausência de Calvino não tinha significado qualquer laxismo na moral estrita imposta na cidade. As relações de Genebra com Berna permanecem tensas. Entretanto, os líderes que se opunham a Calvino (os chamados &#8220;artichoques&#8221;) começam a perder influência. São acusados de simpatia por Berna. Jean Philip, um de seus líderes, é torturado e decapitado em 1540. Os oponentes, favoráveis a Calvino, chamados de &#8220;Guillermins&#8221; ganham o<br />
poder. Calvino foi convidado em Outubro de 1540 a regressar a Genebra, para reaver o seu posto na igreja, tal como o tivera antes da expulsão. A 13 de Setembro de 1541 Calvino chegou, pela segunda vez, a Genebra, mas, desta vez,<br />
definitivamente. Começou, então, a organizar e estruturar, de acordo com as linhas bíblicas, os ministérios e a ação dos professores e diáconos.</p>
<p><strong>Zelo Religioso Radical<br />
</strong><br />
São ainda de 1541 as propostas de Calvino, no sentido da reorganização da igreja. As &#8220;Ordonnances de 1541&#8243; dispõem a formação de 4 corpos:</p>
<p>Pasteurs (pastores, que pregam)<br />
Docteurs (ensinam)<br />
Anciens (os mais velhos, que chamam à ordem aqueles que prevaricam)<br />
Diacres (diáconos, que ocupam-se dos pobres e doentes) &#8211; mendigar é estritamente proibido</p>
<p>É decidida também a criação de um consistório &#8211; composto de elementos da igreja e de laicos &#8211; que se reúne regularmente para julgar os comportamentos individuais, como um tribunal, &#8220;de acordo com a palavra de Deus&#8221;, sendo a excomunhão de pessoas a mais grave sentença que pode decidir. A eucaristia só é praticada 4 vezes por ano. Em 1542, Calvino publica em Genebra o seu livro de catecismo: &#8220;Catéchisme de l&#8217;Église de Genève, c&#8217;est-a-dire, le formulaire d&#8217;instruire les enfants en la chrétienté&#8221;. A chave do projeto de Calvino passa pela pedagogia. O seu objetivo é a profunda transformação das mentalidades. Cada resquício de superstição, de práticas de magia, ou de catolicismo é perseguido como idolatria. O consistório, do qual Calvino fazia parte, ocupava-se desses e de outros casos. Refiram-se alguns: Em 1542, uma mulher chamada Jeanne Petreman é acusada de se recusar a participar da eucaristia, de dizer o pai-nosso em língua &#8220;romana&#8221; e de proclamar que a Virgem Maria era a sua defensora. Diz também que se nega a acreditar noutra fé que não a sua. É excomungada.</p>
<p>Em 2 de Setembro de 1546, aparece em Genebra um franciscano que pedia na rua um jantar em nome de Deus e da Virgem Maria. Devemos pressupor que ele obteve o seu jantar mas foi também levado ao consistório, que logo constatou que o &#8220;papista&#8221; mal conhecia a bíblia, além de ser inofensivo. Foi expulso da cidade, para o lado da fronteira, com os católicos.</p>
<p>A 23 de Junho de 1547 comparecem perante o consistório várias mulheres que tinham sido apanhadas a dançar &#8211; uma delas era a esposa de um dos membros do consistório. O caso ganhou contornos de escândalo. As mulheres foram condenadas a alguns dias de prisão, apesar de vários apelos. Em reação à decisão, são colocados na cidade cartazes contra Calvino. O autor dos cartazes, Jacques Gruet, é torturado. Depois de confessar a sua autoria, é executado.</p>
<p>Em 1548, Louis Le Barbier é interrogado sobre a sua fé. Declara que não tem fé. Entretanto, descobrem livros de bruxaria e de escárnio na sua posse. É admoestado perante o consistório mas não será perseguido. Os nomes de batismo são regulamentados. Têm de ser nomes que aparecem na Bíblia. Um decreto de 22 de Novembro de 1546 dispõe que certos nomes são proibidos, entre os quais:</p>
<p>Suaire, Claude, Mama (lembram a idolatria)<br />
Baptistes, Juge, Evangéliste<br />
Dieu le Fils, Espoir, Emmanuel, Sauveur, Jésus (destinados apenas a nosso senhor)<br />
Sépulcre, Croix, Noel, Pâques, Chrétien (nomes estúpidos ou absurdos)</p>
<p>O luxo e a pompa são desprezados. Em setembro de 1558, Nicolas de Gallars, um amigo de Calvino, inicia uma grande campanha na cidade em desprezo do supérfluo, as modas entre as mulheres e as más leituras. São queimados vários exemplares do livro &#8220;Amadis de Gaula&#8221;, na posse de um comerciante. O zelo religioso tomava a forma de censura moral.</p>
<p><strong>Peste Negra em Genebra<br />
</strong><br />
Em 1542, há um surto de peste negra em Genebra. A peste negra permanecia então um fenômeno incompreensível &#8211; para lidar com a epidemia, era normal que se multiplicassem os casos de feitiçaria e de rituais contra a peste. Este tipo de práticas já era conhecido em Genebra antes da reforma e, tal como antes, os protestantes replicam com a perseguição, tortura e morte dos suspeitos. Aquelas que são identificadas como bruxas são queimadas vivas, enquanto se propaga a idéia de que estas desgraças são um castigo de Deus. Em 1542, o filho de Calvino, Jacques, morre pouco depois de nascer em 28 de<br />
Julho.<br />
<strong><br />
Crescimento demográfico<br />
</strong><br />
A partir de 1542 e sobretudo na década de 1550, a cidade de Genebra vai conhecer um grande crescimento demográfico, com a chegada de refugiados franceses, protestantes perseguidos em França. Conseqüentemente, há uma fase de expansão econômica (relojoaria, tecelagem&#8230;) e a língua francesa começa a ter preponderância sobre o dialeto franco-provençal da região. Mas é também uma época marcada pelo crescimento de sentimentos xenófobos, em parte devidos a ressentimentos contra Calvino: Em Janeiro de 1546 é preso Pierre Ameaux, que tinha injuriado publicamente Calvino, ao referir-se a este como um &#8220;picard&#8221;, pregador de uma falsa fé.</p>
<p>Um outro senhor Ameaux é preso mais tarde por razões semelhantes. Este senhor tinha boas razões para não gostar do extremo zelo religioso imposto por Calvino, já que era fabricante de cartas de jogo. Foi condenado a percorrer a cidade de uma ponta à outra, descalço, em camisa, com uma vela na mão. A 23 de Setembro de 1547, François Favre comparece em tribunal por ter afirmado que Calvino se auto-nomeara bispo de Genebra e que os franceses tinham<br />
escravizado a sua cidade natal. Mais tarde, em 1548, um senhor chamado Nicole Bromet declara que os franceses<br />
deveriam ser todos colocados num barco e enviados pelo rio Reno abaixo. Em 1547, Henrique II de França sucede a Francisco I. Henrique será um rei menos reconhecido, em comparação com Francisco. É caracterizado como menos<br />
carismático, menos entusiasta pelas artes e ciências, mais introvertido e frio. Em 29 de Março de 1549 morre Idellete Calvino, após doença. Calvino não voltará a casar. Dedica-se ainda mais decididamente ao trabalho. Em 1550 a repressão dos huguenotes em França cresce. É estabelecida a chambre ardente. A censura é fortalecida.</p>
<p><strong>O caso Miguel Servet<br />
</strong><br />
Miguel Servet era um homem de cultura, um médico, interessado, entre muitas outras coisas, na religião. Como livre pensador, defendia que o dogma da Trindade não fazia qualquer sentido, sendo apenas um sofisma inventado no<br />
Primeiro Concílio de Niceia. Será perseguido pela Igreja Católica em França, através da Inquisição, por causa das suas tese. Escapa e dirige-se a Genebra, mas os protestantes mostraram-se não menos intolerantes para com as suas idéias. A história da ligação entre Servet e Calvino começa já em 1534, ano em que ambos estiveram em Paris. Esteve nessa altura planeado um encontro que não chegou a realizar-se. No entanto, trocariam correspondência por vários anos. O debate foi tornando-se numa azeda discussão. Um dos pontos principais da discussão epistolar continuava a ser a Santíssima Trindade. Perante a sua proposta para que Calvino lesse o manuscrito do seu Livro Restitutio&#8221; (tendo-o enviado pelo correio), Calvino diz-lhe que deveria ler o seu &#8220;Institutio&#8221;. Servet fê-lo e escreveu comentários críticos nas margens do texto que foram depois enviados a Calvino. Calvino recebeu o manuscrito mas não lhe respondeu. Nem sequer devolveu o manuscrito do Restitutio, que Servet lhe pedia que remetesse. Calvino não tinha aparentemente argumentos e manteve o seu silêncio, cultivando o ódio em relação a Servet e às suas &#8220;heresias&#8221;. Teria, mais tarde, a sua oportunidade de se vingar. No princípio de Abril de 1553 a Inquisição francesa recebeu<br />
misteriosamente a posse de documentos que compromentiam Servet. Entre eles, as cartas de Servet a Calvino. Ainda em 5 de Abril, Servet é ouvido pelos inquisidores. A 7 de Abril, porém, consegue escapar-se da prisão. Dirigiu-se a<br />
Genebra, talvez por pensar que entre os protestantes estaria a salvo da Inquisição. Enganou-se. Foi preso pelas autoridades da cidade de Genebra a 13 de Agosto. O seu julgamento tornou-se um caso discutido. Foi pedida a opinião a padres de Berna, Zurique e outras cidades. A maioria desprezava Servet &#8211; a trindade era, na sua opinião, indiscutível. Calvino, também acusado pelos católicos de arianismo, poderá ter visto aqui a oportunidade de mostrar que defendia o conceito trinitário, ao mesmo tempo que mostraria que também estava empenhado em perseguir os &#8220;heréticos&#8221;. Um herético do lado de lá da fronteira também é um herético dentro da cidade. A 27 de Outubro de 1553 o &#8220;herético&#8221;<br />
Miguel Servet é queimado vivo em Genebra.</p>
<p><strong>Relacionamento com a reforma inglesa<br />
</strong><br />
Por volta de 1550, Calvino escreve ao rei Eduardo VI de Inglaterra, um protestante, encorajando-o nas suas reformas. O rei Eduardo VI fez acolher protestantes franceses, perseguidos no país natal. Após o reinado de Eduardo VI<br />
(1547-1553) o catolicismo regressa à Inglaterra sob a liderança de Maria Tudor.</p>
<p><strong>Novas dificuldades</strong></p>
<p><strong></strong>Entre 1553 e 1555, em Genebra, a relação tensa entre a igreja &#8211; particularmente o consistório, onde Calvino é uma figura de relevo &#8211; e as autoridades seculares da cidade, eleitas entre os habitantes (ricos) da cidade, atinge o seu auge. Discutia-se, então, a questão de saber se o consistório teria ou não o direito de excomungar pessoas, algo que se vinha a passar com relativa freqüência. As amargas trocas de palavras entre estes dois pólos multiplicaram-se. Por um lado, o zelo religioso dos Calvinistas, do outro, a autoridade política da cidade. Em Janeiro de 1555 há uma procissão noturna de pessoas em Genebra, caminhando de vela na mão, com a pretensão de ridicularizar Calvino.</p>
<p>Apesar disso, e em parte por causa do peso relativo da população protestante francesa que se tinha refugiado na cidade, as eleições dos 4 novos &#8220;Syndics&#8221; de Genebra em Fevereiro de 1555 é favorável aos Calvinistas, que se impõem contra os &#8220;Enfants de Genève&#8221; sob a liderança de Perrin. Após as eleições, porém, há desacatos na rua entre as duas partes. Perrin e outros líderes da revolta são presos e serão decapitados e esquartejados. Os pedaços dos cadáveres foram, depois, exibidos nas ruas da cidade. Também a doutrina da Predestinação foi muito atacada nestes anos, principalmente por um monge carmelita chamado Hiérome Bolsec, nascido em Paris, que se tinha estabelecido em Genebra. Argumentava que se Deus fosse o responsável por tudo o que se passa, então, também seria<br />
responsável pelos nossos pecados. Calvino responde que nunca disse isso e as autoridades apóiam-no. Em Berna, os críticos de Calvino são expulsos da cidade em 1555.</p>
<p>Em 1555 são erguidas as primeiras igrejas calvinistas em França, nomeadamente em Paris, Meaux, Angers, Poitiers e Loudun. Nos três anos seguintes surgem as comunidades de Orleães, Rouen, La Rochelle, Toulouse, Rennes e Lyon.</p>
<p>A 8 de Junho de 1558, Calvino escreve a Antoine de Bourbon, o Rei de Navarra e consorte de Jeanne d&#8217;Albret, exortando-o a seguir na sua vida privada os mesmos valores ascéticos que os seus súbditos. Entre 26 e 29 de Maio de 1559 realiza-se em Paris um sínodo nacional protestante. Cerca de 30 paróquias aparecem aí representadas. O sínodo será responsável pela elaboração de um texto de linhas orientadoras (com a participação de Calvino na sua criação), que se chamará Confession de La Rochelle (texto confirmado nesta cidade em 1571). Em 1559 Calvino fundou uma escola e um hospital. Em Abril de 1559 é assinado o pacto de paz entre a França e a Espanha, em Cateau-Cambrésis.</p>
<p><strong>Falecimento<br />
</strong><br />
Nos seus últimos anos de vida, a saúde de Calvino começou a vacilar. Sofrendo de enxaquecas, hemorragia pulmonar, gota e pedras nos rins foi, por vezes, levado carregado para o púlpito. Calvino continuava a ter detractores declarados que lhe dirigiam ameaças constantes. Entretanto, apreciava passar os seus tempos livres no lago de Genebra, lendo as<br />
escrituras e bebendo vinho tinto. No final de sua vida disse a seus amigos que estavam preocupados com o seu regime diário de trabalho: &#8220;Qual quê? Querem que o senhor me encontre ocioso quando ele chegar?&#8221; João Calvino faleceu em Genebra a 27 de Maio de 1564. Foi enterrado numa sepultura simples e não marcada, conforme o seu próprio pedido.</p>
<p><strong>Publicações de Calvino<br />
</strong><br />
De Clementia &#8211; Obra anotada de Séneca (1532)<br />
Psychopannychia (1534)<br />
Institutos da Religião Cristã<br />
publicado em Latim: 1536<br />
publicado em Francês: 1541<br />
Catéchisme de l&#8217;Église de Genève (1542)<br />
Calvino também publicou vários volumes de comentários sobre a Bíblia</p>
<p><strong>Calvinismo</strong><br />
(Artigo principal: Calvinismo)</p>
<p>As suas publicações espalharam as suas ideias de uma igreja correctamente reformada, para muitas partes da Europa. O calvinismo tornou-se a religião maioritária na Escócia (Ver: John Knox), nos Países Baixos e em partes da<br />
Alemanha, tendo sido influente na Hungria e na Polónia. A maioria dos colonos de certas zonas do novo mundo, como Nova Inglaterra, eram igualmente calvinistas, incluindo os puritanos e os colonos neerlandeses que se estabeleceram em Nova Amsterdam (Nova Iorque). A África do Sul foi fundada em grande parte por colonos neerlandeses (também com franceses e portugueses) calvinistas do início de século XVII, que ficaram conhecidos como Afrikaners.</p>
<p>Na França, os calvinistas eram chamados de Huguenotes. A Serra Leoa foi em grande parte colonizada por colonos calvinistas da Nova Escócia. John Marrant tinha organizado a congregação local sob o auspício da conexão Huntingdon. Os colonos eram na sua maioria loialistas negros, afro-americanos que tinham combatido pelos ingleses na guerra da independência americana.</p>
<p>Anderson Queiroz</p>
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